segunda-feira, março 20, 2006



"Hoje os ventos do destino
começaram a soprar
nosso tempo de menino
foi ficando prá trás

Com a força de um moinho
que trabalha devagar
vai buscar o teu caminho
nunca olha para trás

Hoje o tempo escorre
dos dedos de nossa mão
e ele não devolve
o tempo perdido em vão"

sexta-feira, março 17, 2006

Sim, hoje é minha formatura.
E só se forma uma vez na vida (geralmente).

Então quer dizer que ontem foi a última noite que eu tive com uma beca guardadinha lá em casa.
Última chance de ser...

Neo.




E padre.

segunda-feira, março 13, 2006

Sorrir por glória, sorrir sem jeito, sorrir por mostrar os dentes. Até logo após o almoço.
Imaginar que pulo vira vôo, abraço para se fazer um só ser. Eu vi teus olhos nos meus. Pele abrindo, entranhas se entrelaçando, um só fígado, um só pulso, um só ritmo de oxigênio, dióxido de carbono, monóxido. Ah sim, também monóxido, que se terá um fim.

Hoje eu vou ver se caminho 50 minutos novamente. Carros, árvores, asfalto, pulso, suor. Fumaça, segurar o bolso com o braço já pronto para o golpe. Nunca precisar usá-lo. Sorrir. Sorrir. Sorrir. Pulo que vira vôo. Um dia chego na tua casa. Correr sem rumo até chegar no mar, molhar os cabelos e rolar nas ondas como uma rolha.

E aquela garrafa de champanhe. E aquela garrafa de champanhe! Champanhe, senhoras e senhores! Eu quero taça, eu quero beber, e rir fácil e falar coisas sem sentido, meio caindo de lado. Pulando achando que pulo vira vôo, correndo sem rumo e com os cabelos molhados feito água do mar. Entranhas, entranhas, entranhas! Estranhas, de modo algum! Conhecidas, benditas! Entrando, entranhas. Eu não bebo álcool.

Mas tenho o suor na testa. Eu vi teus olhos nos meus. Pulo que vira vôo, champanhe que vira água do mar, ondas de suor, caminhar dentro d'água, beber suor, tomar banho nas entranhas. Ficar bebâdo do sorriso, de boca aberta, sem jeito, sorrindo, logo após o almoço, vôo que vira pulo. E aquele champanhe, e aquele champanhe, e aquele champanhe!

Eu vi teus olhos nos meus. Feliz oxigênio.
E agora, vamos às entranhas? Tem champanhe...

"How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"

quinta-feira, março 09, 2006

Páginas viradas que mudam quem sou. Ainda tenho 21 anos, mas dizem que até cresci.

Sei quem eu amo, e sei quem gosta de mim. Em uma sala fria, um 10, pessoas queridas e um alívio. Alegria. Sem vontade nenhuma de dar um adeus sequer, mas olhando para todos e pensando o quanto foram importantes. Abraços. É... Alguns ainda serão. Outros, eu sei, perderei.

Mas é assim, cada parto. Mal posso lamentar a nostalgia já presente. Em 13 dias, 13 dias, término de monografia, emprego e defesa. Dia 17, só sorrir para a foto de beca.

Essa longínqua quarta-feira, 8 de março de 2006...

Como sou homem, como gosto do cheiro de baunilha, como sei que o amor tem seu tempo e a morte chegará; como sou filho de um José e de uma Maria, agora eu também posso dizer tão simplesmente que sou jornalista.

segunda-feira, março 06, 2006

Certo, devo detalhes. Esse final de semana conclui que esses dias são tão importantes como quando terminei a alfabetização e fui para a primeira série. E fui eu mesmo quem carregou o saco com os materiais de uso coletivo. (Tá, só não segurei a resma de papel)

Dia 8, 15h30.
"Objetividade, Subjetividade e Copa do Brasil". A despedida oficial de onde nunca se leva à sério que um dia se vai embora. E ainda falo sobre como se ocupam 8h por dia. E desse sentimento que se traduz em alegria. E nostalgia.

Sobre o Carnaval? Uma das coisas que mais gosto nesse mundo...
















Torta de frango e palmito!

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Lembrar de hoje pelo resto da vida.
Certeza única.

Até abala a minha fé, de não ter fé.
Tudo dando certo. Perfeitamente.
Até surpreendentemente.

Suado, cansado. Até falei besteiras.
E fui chamado.

Ider. A sigla de um novo emprego.

Saber que vão assinar minha carteira, no dia que imprimi minha monografia. Hoje, foi meu último dia no francês. Do último semestre. Dia 17, colação de grau do Jornalismo. Quinta-feira seria o meu primeiro dia como desempregado. Fez-se tudo correto: primeiro de uma nova fase.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

-Doutura, eu sou um irresponsável. Já tinha 4 anos que não vinha ao dentista.
-Então você é o irresponsável com os melhores dentes que eu já vi. Não tem nem que fazer limpeza aqui.

(...)

-Olha, ele diagrama nossa página e ainda fala francês!

(...)

-Ah... eu fico tão feliz quando vocês marcam a defesa. Você entrou em 2000, não foi?
-Não, foi em 2002. Fiz em oito semestres mesmo.
-Que maravilha, querido!

(...)

-Humberto, mesmo que você quisesse, não conseguiria ser gay. Você é a pessoa mais desglamourizada que eu conheço!

(...)

-Humberto? Olha... nós estamos re-convindando você para o nosso processo seletivo.

(...)

-Você já pensou em fazer outra cirurgia?
-Eu não sei... Sabe? É algo como minha identidade, um pouco de como eu sou. Na verdade, tenho isso desde os dois anos e nem imagino como seria ver direito!
-Pensando bem é bom você encarar assim.

(...)

-Se não for de um jeito, pode ser de outro?
-De qualquer jeito vai ser bom.


Ventos mais tranqüilos. Bons ventos.
Avante.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O dia nasce de manhã, e se põe ausente à noite. No meio do caminho, uma ou outra coisa. A maioria, só memória. Uma expectativa, uma palavra que falta, um desejo que não chega. Assisto Lost, e vou dormir. Acordo, vejo a hora. Uma coisa, ou outra coisa. Almoço. Sorvete, se tiver. Sono, se puder. Todo dia, arrumo algo. Uma coisa, ou outra coisa. Há demandas, mas nem tantas. Demoro para fazê-las. Medo. Medo. Medo de faltar, uma coisa, ou outra.

A paciência é uma virtude. Realizações, muito mais...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Foi na semana passada, mais ou menos semana passada. Sem luz, sozinho, sem trombetas nem efeitos especiais.
Só parágrafos, ponto final. Passada rápida no orkut. Comecei desligando o monitor e até fui tomar uma água antes de desligar o módulo.


Foi assim, o fim. Agora só faltam umas coisinhas, uma burocracia, e, principalmente, alguém olhar para mim e pensar: -É ele.

Mas talvez nem diga isso. Talvez seja calado, enfim. Um ano, dois anos, dois meses, duas semanas. Preciso descansar. Mas não faço a mínima idéia de quanto tempo tenho.

"Vai passar batido, despercebido
talvez até já tenha acontecido..."

domingo, fevereiro 05, 2006

Eu exerci a loucura. E não veio devagar, veio com pressa, avassaladora.

Eu sabia que perderia. Nem adiantava insistir.
Fardado, é claro, com manto sagrado e querendo a todo instante ligar o rádio. Cheguei em casa mais cedo que o previsto.

20 minutos. Levo 5 para ir andando...Dará certo?

Deu. E ainda vi um gol. Um só gol. Belo, maravilhoso. Vencemos, afinal!
Só não imaginava, jamais, que um dia ia entrar no PV na "hora do pobre"... Ainda mais contra o Ferrim.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Sou viciado.

Plenamente. Mãos trêmulas, agonia, insônia, olhos fora da órbita. Fome fora de hora. Escrevo poucas palavras com a perna indo e voltando, roçando, esfregando, puxando cada pequeno pêlo na perna da cadeira que é muito mais quieta que a minha. Sã.

Viciado. Plenamente.
Estou em crise de abstinência, tenho certeza. Hoje a noite não acaba tão cedo, hoje, a noite não acaba tão cedo. E eu juro pra mim mesmo que esse relógio dá voltas ao avesso. Três, dois, sete, oito, nem olho, nem pisco, atentamente desconcetrado. Vício.

Daqui a pouco deitar no chão e ter overdose. Sem uma gota de álcool, sem uma chama de cigarro, sem nariz vermelho, nem veias expostas.

Vício. Viciado.

Em si mesmo.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

É verdade: fiz silêncio. Sumi.

Como vento. Vento com água. Vento com fumaça. "Sonhei que um cara saia de dentro de mim e dizia: -Aí dentro é maior páia!"

Existo. Só sumi.
Não desisti. Não desexisti.

Andei escrevendo umas coisas no bloco de notas. Fazendo umas ligações. E no final de tudo, vi como estou cansado. Cansado! Quero dormir.

Ou não acordar nunca mais.

Fazer bandeira desses trapos.
Devorar, concreto e asfalto

terça-feira, janeiro 17, 2006


Mon petit terroriste

(Será que essa foto vai ser aproveitada pelo Lars Von Triel para o final do terceiro filme da série Dogville, Manderlay? Peut-être...)

sexta-feira, janeiro 13, 2006


Quando eu crescer, eu quero ser astronauta.

Menos, menos. Pode ser só isso, aquilo ou lá esse outro. Mas tem que ser. Precisa ser. Deve ser. Ser. Próxima semana? O que pensar? Vontade, vontade, vontade.

Vontade de vida.

Isso, aquilo, aquilo outro.
Meu livro, minha redação, meus alunos
Meu filho, meus aviões, meu jornalismo,
Meu isto, meu aquilo. Aquilo outro.

E aquele outro, tão admirado, almejado, já terá que ser eu. A gente termina o colégio, ai vai pra faculdade, termina, arranja um emprego e em uns 5 anos eu já estarei lá. Três, talvez.
Simples assim. Simples de falar.

Eduardo, olhar singelo para repórter novo, nova idéia, São Silvestre, navio-aeródromo, Paris, Moldávia (por que não?), grisalho, bicicleta, livro, saudades de hoje...

Sim, é dor. Dói viver isso. Dói não saber ao certo. Já que eu não vou ser astronauta, vou pelo menos olhar pela janela e ver tudo e toda a gente pequeninha? E gente pequenininha, pelo menos? Minha gente...

(eu pensava que era só fechar os olhos e esperar o fim do ano.
eu quero fechar os olhos, ter 60 anos, e lembrar de tudo isso)

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Será que alguém notou?

Blusa branca. Bermuda verde. Terça.
Blusa branca. Bermuda verde. Quinta.

Não tive culpa, juro. Só que notei que entre a prova de gramática do francês e a prova oral, simplesmente só coloquei o pé fora de casa para comprar pão. A roupa ainda tá limpinha!

No meio dos dois dias, só falto ir dormir com o monitor na cama. O computador quer eutanásia, o disco-rígido fica entrando em coma, mas eu seguro, insisto, reinicio e lá venho para o bloco de notas.
É monografia, é trabalho que às vezes dá trabalho mesmo sendo com amigos, é encontro de monitores... É monografia. É monografia. É monog.. Assim mesmo, escrito dois e uma metade. Homenagem aos capítulos. Primeiro, lindo, segundo, lindinho e o terceiro, parindo. Parindo em suspiros. Em dores (no pescoço), em vibração (sozinho).

Anoitece, tudo fica escuro. Só o monitor e eu. Com ponderações, argumentações. Sozinho e com o dia inteiro em casa, mas ocupado e bem cansado.
Mas calma. Estou para terminar tudo.

Vou aproveitar e sair daqui a pouco pro jogo do Fortaleza. É pertinho, no PV. Que roupa eu vou? Já sei... a bermuda verde e a blusa branca!

(Mas eu juro que hoje vão pro cesto)

segunda-feira, janeiro 09, 2006

"Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você"

segunda-feira, janeiro 02, 2006


Inúteis.

São inúteis as lembranças dos primeiros dias. O primeiro, primeiríssimo, em especial, dificilmente será lembrado lá para dezembro, ou até janeiro, quano será início novamente.

E a primeira semana, lenta, preguiçosa, acaba sendo arrendada para o nada quando for falar do ano inteirinho. São os dias-exceção, que já são o presente 2006, mas que ainda não mostram bem como serei esse ano.

O que verá pela frente, o que será? É só uma estrada para ir em frente; os fogos de artifício são apenas a linha de partida.

Sim, são dias inúteis, e até podem ser esquecidos como qualquer noite com uma avenida no pára-brisas. Mas me fazer saber tudo o que eu amo. Carro velho, uma moça, areia da praia, cheiro de chuva, cheiro do mar;

Pés e lençois.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

"Macte Animo! Generose Puer, Sic Itur Ad Astra"



Você decolaria faltando poucos dias para a aposentaria?
Você não têm preguiça. Não tem vontade. Apenas alma.

Está lá, guardado. Ainda não abandonado. Se aparecer um inimigo, tenho certeza de que usaria sua mira com a vitalidade de 30 anos atrás. Mesmo sem radar, sem míssil, sem nada. Sei que iria. Só com tua beleza.

Como quando toquei em ti, como quando voou tão perto da minha janela que juraria que entrariam ali mesmo. Um barulho que não incomoda, uma obsolescência que nem envergonhava. Foi uma honra ter você no céu, foi uma honra ter você na parede do meu quarto.

Bom descanso, meu querido. Só mais dois dias para entrar na história.

"Coragem jovem! É assim que se sobe aos céus"

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Nego gostar de musicais.

Mentira, mentira pura!
Eu gosto sim. Corpos que mechem, dançam e em fúria. Eu gosto da fúria.
O rosto raivoso para sorrir dar três passos para trás e logo depois pular girando. Homens na cadeia. Amigos cortando o cabelo. Clichês e clichês compondo a vida única.

Eu minto se digo que não gosto de musicais. Eu minto se digo que nunca pisei para ver até onde o motor aguenta.
Sim, eu já fiz isso. Sozinho, tão cheio de pensamentos e cantando com fúria e ardor.

Terceira. Ainda não. Ainda não. Ainda não.
Quarta. Quinta. Fundo.
Nada no retrovisor; pé no freio.

Quando deu?
Eu não soube.

"Mas naquela estrada
naquela madrugada
acho que matei alguém
e no mesmo instante
morri um pouco também"


É, mas Cry Baby sempre foi considerado por mim como um filme de comédia. E já faz tanto tempo.

sábado, dezembro 24, 2005

Eu nem preciso dizer que hoje meu pai vai me fazer ouvir músicas bem novinhas.

"Ei! Está chegando o ano 2000! Tanto tempo faz que ele morreu!"


Presentes e comida. E só. Nada de milagre, nem desculpa esfarrapada para tomar vinho.
Sou mais Chester.

Aliás, chegou o fim do ano. Há luzes, árvore, livrinhos novos e uma ou outra camiseta a mais para ficar guardada. É a troca de agendas. São os dias decisivos. Já disse vários tchaus. Já disse alguns "Olás".

Sim, eu não sou muito de Natal. Mas encham a boca para me desejarem um feliz ano novo.
(O terceiro capitulo está prestes a ganhar formas...)