segunda-feira, junho 19, 2006



"Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
A lágrima é verdadeira"
Não há hora.

Não são 8, 9 ou 15 para as dez. Apenas faltam 10, faltam 9, falta oito e pouco para aquela Hora. Feito fim de ano. Ruas vazias, ônibus com a pressa que agrada todo mundo, e pedido de desculpas por entrar na loja.

Portas fechadas onde se lê "segunda à sexta, das 8 às 18 horas". Folga. Um medo de furar o pneu como se foge de rua de pedras.

E atenção. E param. E olham. E esperam. E esperam. E esperam. E esperam.

Só um a zero.

Depois, no domingo. Faria sol, mas choveu. Mesmo assim, carne, paçoca, bêbados no meio da rua e esporte nacional: peças soltas no asfalto. Dois a zero.

E eu não grito. E não tremo. E nem falo muito. Parece até que nem gosto. Mas vou lembrar de cada milimétrico detalhe desses dias que em que tudo aparenta ter um grande sentido: mas mesmo assim eu adoro.

quarta-feira, junho 14, 2006

É engraçado escrever e rir sozinho.

Se há palavras que vão embora (por outras palavras) tem outras também que vão embora com um sorriso de auto-sem-vergonha, de piada-própria e safadeza que não se explica.

Mistura dos números três e quatro.

Três pedaços de doce gostoso, três discos a mais para a coleção, três livros da "trilogia de quatro".

Parabéns, mas só para nós dois.

segunda-feira, junho 12, 2006

Palavras.

São só palavras.

Vão embora com outras.

Palavras.

sexta-feira, junho 02, 2006

Eu acordei hoje como quem explode uma estrela. Determinado: o sonho seria realidade. Aquele bem estar, morto por um bocejo preguiçoso de quem acorda e nem quer abrir os olhos, tinha tudo para se fazer o que merece ser. Realidade.

Eu tive idéias lindas. Amor, vida, futuro, certeza. Bastavam algumas mudanças. Tá certo, feito morrer e viver novamente. Olhei as árvores, os pássaros, a poluição.

Tudo estaria aqui. Feito você. Tudo seria bela. Feito você. Feita para mim, mesmo que eu não soubesse. Para estar comigo, mesmo que não parecesse, mesmo que seja estranho, ilógico, irracional, errado, passado.

Sorrisos e braços dados.

quarta-feira, maio 31, 2006

Pior que essa compulsão por escrever é escrever por si mesmo, de si mesmo. É essa mão maldita que não para e essa cabeça que rola de um lado para o outro no travesseiro sem se permitir um sono vazio sem sonho nem medo.

Não para.

São palavras que se agora parecem feias depois serão só vergonha. Ou certeza de que poderiam ser melhores. Não para.

Mas como um filho ruim que querendo ou não vêm 9 meses depois do gozo, a gente só pode parir e cuidar.

Pára.

segunda-feira, maio 29, 2006

Solidão ao meio dia.

Distância, saudades e tantas outras palavras.
Respirações próximas, e ninguém.
Ninguém.

O fone de ouvido como melhor amigo.
E quando deveria ser alívio, nem sempre.

Se a gente chora é porque sabe que merece sorrir.

terça-feira, maio 23, 2006

Nunca pousei em outra pista de pouso. Só do Pinto Martins. Também não sei ao certo como trabalham as aeromoças.

Já "andei" de avião duas vezes. O primeiro, camuflado, com 2 tanques de combustíveis enormes ao invés de cadeiras e com caças ao lado. Inesquecível. Sem luxo, detalhes e sequer banheiro. Fios visíveis, barulhos e quatro grandes motores à hélice. Um civil entre soldados.

O segundo, ex-presidencial. Diriam "Sucatão", eu vi que longe disso. Como qualquer outro. Jato, poltronas, janelinhas e carpete. Também diferente, é verdade: fui no banheiro do presidente. Relatos de Collor, Lula, FHC e uma certa primeira dama que adorava taifeiros... Também havia caças com sede de combate. E curvas um "pouco" mais fortes. Uma asa ao solo, a outra lá no céu.

Nem me surpreendia, as sensações. Tantos parágrafos, linhas, fotos e interrogatórios. Se eu visse uma passagem na mão de alguém, cinco ou seis perguntas, no mínimo. Já fui no aeroporto deixar gente. Já fui no aeroporto pegar. Já fui até - várias vezes - só para ficar olhando o que ia, o que vinha.

Já fui para comprar passagem para outros.
E fui recentemente comprar pra mim. Torcendo até por uma turbulência tão forte que fizessem cair as mascaras de oxigênio.

Sem mais vagas, me restou ficar feliz.
Feliz por ter entrado na fila.

terça-feira, maio 16, 2006

Poderia ser engraçado nas minhas piadas sem graça,
Sem eira, nem beira, nem estribeira
A tuf arrêa, a tuf arrêa, a tuf arrêa.

Ou político. Dos políticos que eu odeio, de acreditar que só seremos livres quando as suas últimas tripas enforcarem o último padre. Ou vice-versa. Livres. Livres. Sem precisar nem de reis, nem de padres.

Militaresco, dos aviões que amo, do sorriso em ver metal. Tão lido e até então desconhecido. De olhar para uma dobradiça e imaginar por onde andou. Sem gostar da farda, mas adorando cada pecinha. Ver uma foto e uma tarde de imaginação. Feito criança.

Sentir a onda e tocar a água, que talvez, quem sabe, pode ser, nunca tinha vindo à tôna ou já banhou uma linda baleia.

Poderia também só amar o futebol. Ou falar dos meus amores. Contar a vida. Ticket-refeição e cartão de visitas. Suco de limão uma vez por mês. Ou falar dos amores. Dos meus planos, e quem sabe até dos cursos que se tornam curvos.

Se até outras pessoas, vai saber. Andar com um bloco e jogar aqui todas as melhores idéias. Mas tudo o que tenho a mostrar são essas.

Mas aliás, o que preferem? AH-11, Geufer, Mirage, Baunilha, PCC ou a história do primeiro cinema 180º de Portugal??

segunda-feira, maio 15, 2006

A vida é dor.

Ruim ou boa, ela vem. Inesperada ou aclamada, sem dúvida estará presente. Dor de incerteza, de destino indesejado, de perdição ou braços atados.

A causa da dor é o desejo.

Desejo de não sentir dor. De passar ao largo, indestrutível, inabalável, certeiro, veloz. Plus vite, plus vite, plus vite douce vie...

A dor de se estar vazio.
Ou de já estar cheio.

sexta-feira, maio 05, 2006

Esses dias tão escuros que não nascem, ficam claros. No final da tarde o sol não se põe, as nuvens negras ficam mais vivas.

E o calor, tão presente, é exceção, jóia rara, cinco ou seis minutos até o vento gelado deixar tudo triste outra vez.

Espirro, tosse, dor, ouvido estourando, garganta rasga e nada na mesa é agradável. Nada agrada. Frio, mesmo sob lençois. E suor.

Eu adoro a chuva. Mas só quando é alívio.


E hoje não estarei mais sozinho.

domingo, abril 30, 2006



"Gostaria, querida,

De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem"


Sou um menino homem. E me agrada. Envelheço a cada dia, em frases sobre responsabilidade, em tratamentos de "senhor". Estes, sempre quando ainda não viram minha cara.

Quilômetros para cá, para lá. Conversas para conhecer. Trabalho duro às 8 da noite de uma sexta-feira véspera de feriadão, mas futebol agradável na manhã seguinte. E ainda sou o mesmo. Ruim, levando bolada na cara, e saindo de campo quase morrendo.

Alguns dias fora. Saudades de dormir. Abraçado, ao lençol. Bermuda bem escolhida. E fiquei ainda uma hora e meia preso no engarrafamento do MST! Fotos, sorrisos. Eu sou jornalista, eu sou jornalista, seu moço, sim, eu sou jornalista!

E descanso no final de semana com todo o prazer do mundo.
Pequenos sonhos de consumo.
Algumas contas pagas...
...com a costumeira "resistência".


sexta-feira, abril 21, 2006

Não importa se são 50, 500, 5000, 50.000; a saudade é a mesma.
E não é de gente, nem de pele, suor, perfume, saia, bocejo.
Não há leitura melhor que "Bem vindo a Fortaleza"

São as ruas. São os caminhos. São as linhas de ônibus. São estranhas as placas que não começam com H. HVT. HXT. HQV. Do modo que for. MXZ? Não me faz sentir em casa.

É bom olhar para uma avenida, lembrar da mesma vista quando pequeno; saber onde ela vai dar, mesmo que não tenha muito porque ir. Nomes das ruas. Bairros. Pessoas. Aquele prédio, aquele prédio. A praça. A sorveteria. Lembranças.

E o nosso mar, sem dúvida, é mais bonito que qualquer um.
A nossa lua também.

sábado, abril 15, 2006

Não é bem que seja medo.
Tá, é medo.

Você sabe que vem. Só resta segurar, preparar, virar a parte do corpo que julga mais resistente para o impacto. As pernas são fortes, mas ainda as quero.. As costas? Não... posso perder movimentos. Braços, HuM... muito fracos. Cabeça, não... É, não há nada que possa entregar ao sangue.

Sim, dá medo. Vai doer. Será cruel. Mesmo que do impacto venha céu livre, liberdade, sorriso, vontades...

Eu tento fugir do medo. Tentar. E toda vez que te tento, te mato com milhares de atentados...

"Eu queria ter uma bomba
Um flit paralizante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas"

Faz calor, depois faz frio.

terça-feira, abril 11, 2006

(...)
.
(...)
.
(...)
.
(...)
.

Eu, em minhas próprias "interpolações parentéticas"....


Aproveitar para dizer quem nem sempre o vencedor venceu. Às vezes, foi o perdedor que deixou de ganhar.

terça-feira, abril 04, 2006

Tem mais botões que tinham antes, e andar, muitas vezes, já nem tem impulso a cada pisada. Agenda, duas. Cartão. Mais de uma caneta. Régua, durex, clipes, grampeador.

Eu nunca precisei tanto de grampeador.

E-mail, em separado. Ficaria loucos, com tantos para olhar. Às vezes, duas ou três coisas ao mesmo tempo. E a blusa tem botão. Calma, amanhã não posso. Reunião, uma hora, duas ou três. E as camisetas demoram muito para ir da esquerda para direita, segundo a organização do meu guarda-roupa...

Organização. Dias 17, 18 e 19 estarei fora. Ih, droga, amanhã também terei que estar. Isso vai para depois, aquilo deixa espremido. Saudades do meu bronzeado especial: a fita da chinela no pé. E tem um imposto, tem uma dedução, mas ainda assim sorri com o número final.

Confesso: mais feliz com o vale-transporte, que nem contava. Aproveitei e escolhi uma azul de tecido sintético. São mais de seis botões. É demais! Vez por outra, "senhor" vem antes do meu nome.

Mas na hora de ir embora, eu ainda prefiro simplesmente andar....

sexta-feira, março 31, 2006



Pode não fazer sentido. E nem servir para nada.
Pode não ter razão, ou muitas outras bem mais importantes. Pode ser longe, pode ser inalcançável. Pode ser fatigante, pode ser decepcionante. Pode não ser nada do que precise ter sentido. Pode não resolver absolutamente nada. Pode não ser nada. E, na verdade, na maior parte não há nada. Só esperança.

domingo, março 26, 2006

"Se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria"

Mudam os tempos. O endereço. A direção como companheira solitária do fim do sábado à noite. Sinal vermelho adiante. Tirar o pé. Ponto morto. Morto!

E o mesmo pensamento. De todos os dias. De todos os meses. De todos esses anos. Se não fosse assim, como seria? Choveu. Eu permaneci sentado. Toalha bem colocada; nada molharia. Mas não me importo. Água por todos os lados. Chuva, vento, lágrimas e saliva.

Alívio? Alívio entre 90 e 200 minutos. Rindo, chorando, brincando. Alívio. Um diretor, um roterista e um produtor, sem querer, levando para longe. Para bem longe dela, da mesma boba e certamente única grande pergunta...

Como seria?

(E a insônia, minha dama, é fiel companheira de todo o sempre)

quarta-feira, março 22, 2006

Cecilia me leu isso na última sexta-feira....

"É, duzíodo... Jornalista formado! E, diga-se de passagem, com dez na monografia e emprego bom antes mesmo de colar grau. E quem não mal-disse da sua caligrafia?! E mais, quem diria que você seria mesmo um profissional dessa área? Ora, logo você, uma criança autista por opção, dedicava-se mesmo na infância somente aos seus Lego's e aviões imaginários. Creio que juntar uma caneta Bic e uma régua fôra uma de suas mais valiosas descobertas.


Mais tarde ainda, entertia-se com leituras investigativas de Agatha Christie e Sidney Sheldon. Ah, vale ainda lembrar de tamanha dedicação em decorar o mapa de Fortaleza a partir da lista telefônica. No mais, o Almanaque Abril também acompanhou mesmo sem a renovação dos anos.

Com esse histórico, não é estranho o espanto que tivemos quando as inscrições para os vestibulares foram administração e jornalismo. Com sucesso nos dois concursos prestados, lembro que eu mesma quase fiz uma promessa para você desistir da administração. Pois bem, imaginávamos um arquiteto, um detetive, um piloto ou até mesmo um engenheiro para tecnologias em aviação, mas, enfim, a única certeza que todos tínhamos é que você teria sucesso em qualquer caminho trilhado. Impossível que o "luizim" do CSTA não continuassem brilhando em seus caminhos.

Desejo mais sucesso e força na nova etapa que inicia. E como sou palpiteira mesmo, não abandone a vida acadêmica. Espero que tenha gostado do mural de fotos e o que grito que eu leve não seja tão alto. E, no fund, você sabe muito bem porque eu fiz cada uma dessas coisas. Não é porque dia 17 é mais próximo que dia 2, você sabe do que estou falando."

segunda-feira, março 20, 2006



"Hoje os ventos do destino
começaram a soprar
nosso tempo de menino
foi ficando prá trás

Com a força de um moinho
que trabalha devagar
vai buscar o teu caminho
nunca olha para trás

Hoje o tempo escorre
dos dedos de nossa mão
e ele não devolve
o tempo perdido em vão"

sexta-feira, março 17, 2006

Sim, hoje é minha formatura.
E só se forma uma vez na vida (geralmente).

Então quer dizer que ontem foi a última noite que eu tive com uma beca guardadinha lá em casa.
Última chance de ser...

Neo.




E padre.

segunda-feira, março 13, 2006

Sorrir por glória, sorrir sem jeito, sorrir por mostrar os dentes. Até logo após o almoço.
Imaginar que pulo vira vôo, abraço para se fazer um só ser. Eu vi teus olhos nos meus. Pele abrindo, entranhas se entrelaçando, um só fígado, um só pulso, um só ritmo de oxigênio, dióxido de carbono, monóxido. Ah sim, também monóxido, que se terá um fim.

Hoje eu vou ver se caminho 50 minutos novamente. Carros, árvores, asfalto, pulso, suor. Fumaça, segurar o bolso com o braço já pronto para o golpe. Nunca precisar usá-lo. Sorrir. Sorrir. Sorrir. Pulo que vira vôo. Um dia chego na tua casa. Correr sem rumo até chegar no mar, molhar os cabelos e rolar nas ondas como uma rolha.

E aquela garrafa de champanhe. E aquela garrafa de champanhe! Champanhe, senhoras e senhores! Eu quero taça, eu quero beber, e rir fácil e falar coisas sem sentido, meio caindo de lado. Pulando achando que pulo vira vôo, correndo sem rumo e com os cabelos molhados feito água do mar. Entranhas, entranhas, entranhas! Estranhas, de modo algum! Conhecidas, benditas! Entrando, entranhas. Eu não bebo álcool.

Mas tenho o suor na testa. Eu vi teus olhos nos meus. Pulo que vira vôo, champanhe que vira água do mar, ondas de suor, caminhar dentro d'água, beber suor, tomar banho nas entranhas. Ficar bebâdo do sorriso, de boca aberta, sem jeito, sorrindo, logo após o almoço, vôo que vira pulo. E aquele champanhe, e aquele champanhe, e aquele champanhe!

Eu vi teus olhos nos meus. Feliz oxigênio.
E agora, vamos às entranhas? Tem champanhe...

"How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"

quinta-feira, março 09, 2006

Páginas viradas que mudam quem sou. Ainda tenho 21 anos, mas dizem que até cresci.

Sei quem eu amo, e sei quem gosta de mim. Em uma sala fria, um 10, pessoas queridas e um alívio. Alegria. Sem vontade nenhuma de dar um adeus sequer, mas olhando para todos e pensando o quanto foram importantes. Abraços. É... Alguns ainda serão. Outros, eu sei, perderei.

Mas é assim, cada parto. Mal posso lamentar a nostalgia já presente. Em 13 dias, 13 dias, término de monografia, emprego e defesa. Dia 17, só sorrir para a foto de beca.

Essa longínqua quarta-feira, 8 de março de 2006...

Como sou homem, como gosto do cheiro de baunilha, como sei que o amor tem seu tempo e a morte chegará; como sou filho de um José e de uma Maria, agora eu também posso dizer tão simplesmente que sou jornalista.

segunda-feira, março 06, 2006

Certo, devo detalhes. Esse final de semana conclui que esses dias são tão importantes como quando terminei a alfabetização e fui para a primeira série. E fui eu mesmo quem carregou o saco com os materiais de uso coletivo. (Tá, só não segurei a resma de papel)

Dia 8, 15h30.
"Objetividade, Subjetividade e Copa do Brasil". A despedida oficial de onde nunca se leva à sério que um dia se vai embora. E ainda falo sobre como se ocupam 8h por dia. E desse sentimento que se traduz em alegria. E nostalgia.

Sobre o Carnaval? Uma das coisas que mais gosto nesse mundo...
















Torta de frango e palmito!

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Lembrar de hoje pelo resto da vida.
Certeza única.

Até abala a minha fé, de não ter fé.
Tudo dando certo. Perfeitamente.
Até surpreendentemente.

Suado, cansado. Até falei besteiras.
E fui chamado.

Ider. A sigla de um novo emprego.

Saber que vão assinar minha carteira, no dia que imprimi minha monografia. Hoje, foi meu último dia no francês. Do último semestre. Dia 17, colação de grau do Jornalismo. Quinta-feira seria o meu primeiro dia como desempregado. Fez-se tudo correto: primeiro de uma nova fase.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

-Doutura, eu sou um irresponsável. Já tinha 4 anos que não vinha ao dentista.
-Então você é o irresponsável com os melhores dentes que eu já vi. Não tem nem que fazer limpeza aqui.

(...)

-Olha, ele diagrama nossa página e ainda fala francês!

(...)

-Ah... eu fico tão feliz quando vocês marcam a defesa. Você entrou em 2000, não foi?
-Não, foi em 2002. Fiz em oito semestres mesmo.
-Que maravilha, querido!

(...)

-Humberto, mesmo que você quisesse, não conseguiria ser gay. Você é a pessoa mais desglamourizada que eu conheço!

(...)

-Humberto? Olha... nós estamos re-convindando você para o nosso processo seletivo.

(...)

-Você já pensou em fazer outra cirurgia?
-Eu não sei... Sabe? É algo como minha identidade, um pouco de como eu sou. Na verdade, tenho isso desde os dois anos e nem imagino como seria ver direito!
-Pensando bem é bom você encarar assim.

(...)

-Se não for de um jeito, pode ser de outro?
-De qualquer jeito vai ser bom.


Ventos mais tranqüilos. Bons ventos.
Avante.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O dia nasce de manhã, e se põe ausente à noite. No meio do caminho, uma ou outra coisa. A maioria, só memória. Uma expectativa, uma palavra que falta, um desejo que não chega. Assisto Lost, e vou dormir. Acordo, vejo a hora. Uma coisa, ou outra coisa. Almoço. Sorvete, se tiver. Sono, se puder. Todo dia, arrumo algo. Uma coisa, ou outra coisa. Há demandas, mas nem tantas. Demoro para fazê-las. Medo. Medo. Medo de faltar, uma coisa, ou outra.

A paciência é uma virtude. Realizações, muito mais...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Foi na semana passada, mais ou menos semana passada. Sem luz, sozinho, sem trombetas nem efeitos especiais.
Só parágrafos, ponto final. Passada rápida no orkut. Comecei desligando o monitor e até fui tomar uma água antes de desligar o módulo.


Foi assim, o fim. Agora só faltam umas coisinhas, uma burocracia, e, principalmente, alguém olhar para mim e pensar: -É ele.

Mas talvez nem diga isso. Talvez seja calado, enfim. Um ano, dois anos, dois meses, duas semanas. Preciso descansar. Mas não faço a mínima idéia de quanto tempo tenho.

"Vai passar batido, despercebido
talvez até já tenha acontecido..."

domingo, fevereiro 05, 2006

Eu exerci a loucura. E não veio devagar, veio com pressa, avassaladora.

Eu sabia que perderia. Nem adiantava insistir.
Fardado, é claro, com manto sagrado e querendo a todo instante ligar o rádio. Cheguei em casa mais cedo que o previsto.

20 minutos. Levo 5 para ir andando...Dará certo?

Deu. E ainda vi um gol. Um só gol. Belo, maravilhoso. Vencemos, afinal!
Só não imaginava, jamais, que um dia ia entrar no PV na "hora do pobre"... Ainda mais contra o Ferrim.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Sou viciado.

Plenamente. Mãos trêmulas, agonia, insônia, olhos fora da órbita. Fome fora de hora. Escrevo poucas palavras com a perna indo e voltando, roçando, esfregando, puxando cada pequeno pêlo na perna da cadeira que é muito mais quieta que a minha. Sã.

Viciado. Plenamente.
Estou em crise de abstinência, tenho certeza. Hoje a noite não acaba tão cedo, hoje, a noite não acaba tão cedo. E eu juro pra mim mesmo que esse relógio dá voltas ao avesso. Três, dois, sete, oito, nem olho, nem pisco, atentamente desconcetrado. Vício.

Daqui a pouco deitar no chão e ter overdose. Sem uma gota de álcool, sem uma chama de cigarro, sem nariz vermelho, nem veias expostas.

Vício. Viciado.

Em si mesmo.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

É verdade: fiz silêncio. Sumi.

Como vento. Vento com água. Vento com fumaça. "Sonhei que um cara saia de dentro de mim e dizia: -Aí dentro é maior páia!"

Existo. Só sumi.
Não desisti. Não desexisti.

Andei escrevendo umas coisas no bloco de notas. Fazendo umas ligações. E no final de tudo, vi como estou cansado. Cansado! Quero dormir.

Ou não acordar nunca mais.

Fazer bandeira desses trapos.
Devorar, concreto e asfalto

terça-feira, janeiro 17, 2006


Mon petit terroriste

(Será que essa foto vai ser aproveitada pelo Lars Von Triel para o final do terceiro filme da série Dogville, Manderlay? Peut-être...)

sexta-feira, janeiro 13, 2006


Quando eu crescer, eu quero ser astronauta.

Menos, menos. Pode ser só isso, aquilo ou lá esse outro. Mas tem que ser. Precisa ser. Deve ser. Ser. Próxima semana? O que pensar? Vontade, vontade, vontade.

Vontade de vida.

Isso, aquilo, aquilo outro.
Meu livro, minha redação, meus alunos
Meu filho, meus aviões, meu jornalismo,
Meu isto, meu aquilo. Aquilo outro.

E aquele outro, tão admirado, almejado, já terá que ser eu. A gente termina o colégio, ai vai pra faculdade, termina, arranja um emprego e em uns 5 anos eu já estarei lá. Três, talvez.
Simples assim. Simples de falar.

Eduardo, olhar singelo para repórter novo, nova idéia, São Silvestre, navio-aeródromo, Paris, Moldávia (por que não?), grisalho, bicicleta, livro, saudades de hoje...

Sim, é dor. Dói viver isso. Dói não saber ao certo. Já que eu não vou ser astronauta, vou pelo menos olhar pela janela e ver tudo e toda a gente pequeninha? E gente pequenininha, pelo menos? Minha gente...

(eu pensava que era só fechar os olhos e esperar o fim do ano.
eu quero fechar os olhos, ter 60 anos, e lembrar de tudo isso)

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Será que alguém notou?

Blusa branca. Bermuda verde. Terça.
Blusa branca. Bermuda verde. Quinta.

Não tive culpa, juro. Só que notei que entre a prova de gramática do francês e a prova oral, simplesmente só coloquei o pé fora de casa para comprar pão. A roupa ainda tá limpinha!

No meio dos dois dias, só falto ir dormir com o monitor na cama. O computador quer eutanásia, o disco-rígido fica entrando em coma, mas eu seguro, insisto, reinicio e lá venho para o bloco de notas.
É monografia, é trabalho que às vezes dá trabalho mesmo sendo com amigos, é encontro de monitores... É monografia. É monografia. É monog.. Assim mesmo, escrito dois e uma metade. Homenagem aos capítulos. Primeiro, lindo, segundo, lindinho e o terceiro, parindo. Parindo em suspiros. Em dores (no pescoço), em vibração (sozinho).

Anoitece, tudo fica escuro. Só o monitor e eu. Com ponderações, argumentações. Sozinho e com o dia inteiro em casa, mas ocupado e bem cansado.
Mas calma. Estou para terminar tudo.

Vou aproveitar e sair daqui a pouco pro jogo do Fortaleza. É pertinho, no PV. Que roupa eu vou? Já sei... a bermuda verde e a blusa branca!

(Mas eu juro que hoje vão pro cesto)

segunda-feira, janeiro 09, 2006

"Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você"

segunda-feira, janeiro 02, 2006


Inúteis.

São inúteis as lembranças dos primeiros dias. O primeiro, primeiríssimo, em especial, dificilmente será lembrado lá para dezembro, ou até janeiro, quano será início novamente.

E a primeira semana, lenta, preguiçosa, acaba sendo arrendada para o nada quando for falar do ano inteirinho. São os dias-exceção, que já são o presente 2006, mas que ainda não mostram bem como serei esse ano.

O que verá pela frente, o que será? É só uma estrada para ir em frente; os fogos de artifício são apenas a linha de partida.

Sim, são dias inúteis, e até podem ser esquecidos como qualquer noite com uma avenida no pára-brisas. Mas me fazer saber tudo o que eu amo. Carro velho, uma moça, areia da praia, cheiro de chuva, cheiro do mar;

Pés e lençois.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

"Macte Animo! Generose Puer, Sic Itur Ad Astra"



Você decolaria faltando poucos dias para a aposentaria?
Você não têm preguiça. Não tem vontade. Apenas alma.

Está lá, guardado. Ainda não abandonado. Se aparecer um inimigo, tenho certeza de que usaria sua mira com a vitalidade de 30 anos atrás. Mesmo sem radar, sem míssil, sem nada. Sei que iria. Só com tua beleza.

Como quando toquei em ti, como quando voou tão perto da minha janela que juraria que entrariam ali mesmo. Um barulho que não incomoda, uma obsolescência que nem envergonhava. Foi uma honra ter você no céu, foi uma honra ter você na parede do meu quarto.

Bom descanso, meu querido. Só mais dois dias para entrar na história.

"Coragem jovem! É assim que se sobe aos céus"

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Nego gostar de musicais.

Mentira, mentira pura!
Eu gosto sim. Corpos que mechem, dançam e em fúria. Eu gosto da fúria.
O rosto raivoso para sorrir dar três passos para trás e logo depois pular girando. Homens na cadeia. Amigos cortando o cabelo. Clichês e clichês compondo a vida única.

Eu minto se digo que não gosto de musicais. Eu minto se digo que nunca pisei para ver até onde o motor aguenta.
Sim, eu já fiz isso. Sozinho, tão cheio de pensamentos e cantando com fúria e ardor.

Terceira. Ainda não. Ainda não. Ainda não.
Quarta. Quinta. Fundo.
Nada no retrovisor; pé no freio.

Quando deu?
Eu não soube.

"Mas naquela estrada
naquela madrugada
acho que matei alguém
e no mesmo instante
morri um pouco também"


É, mas Cry Baby sempre foi considerado por mim como um filme de comédia. E já faz tanto tempo.

sábado, dezembro 24, 2005

Eu nem preciso dizer que hoje meu pai vai me fazer ouvir músicas bem novinhas.

"Ei! Está chegando o ano 2000! Tanto tempo faz que ele morreu!"


Presentes e comida. E só. Nada de milagre, nem desculpa esfarrapada para tomar vinho.
Sou mais Chester.

Aliás, chegou o fim do ano. Há luzes, árvore, livrinhos novos e uma ou outra camiseta a mais para ficar guardada. É a troca de agendas. São os dias decisivos. Já disse vários tchaus. Já disse alguns "Olás".

Sim, eu não sou muito de Natal. Mas encham a boca para me desejarem um feliz ano novo.
(O terceiro capitulo está prestes a ganhar formas...)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Não adiantou sonhar com rio com nome de árvore.
Pinheiros.
Não vou andar de avião. E a reposta não veio feito um "não". Só o nome que não estava na lista. Eu vou ficar aqui. Eu vou terminar minha monografia. Sair do CDVHS até dia 22. Não mais estágio, não mais temporário. Não mais achar que emprego bom seria ser atendente em livraria. Eu vou olhar para frente com vontade e pedidos. Eu vou ver o Natal e o Ano Novo pedindo para virar gente grande. Eu vou olhar para frente.

Eu vou ter que olhar para algum lugar.

"Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale à pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena"

terça-feira, dezembro 13, 2005

É até um sentimento de culpa.

Ter um trabalho que me faça depois sentir cheiro do mar. Todos os dias, ter um tempinho de ver o azul (do céu ou do oceano), colocar os pézinhos na areia. Caminhar.

É até um sentimento de culpa em não comer carne com uma ampla companhia de verduras; ou tomar sucos de sabores escolhidos pela cota nutricional. Ir e voltar para casa de bibicleta. Meio ambiente, gasolina a menos, sem barriga aos quarenta.

Não sei, é meio que um sentimento de culpa. Correr, correr, correr; e depois contar como é lindo o céu nascendo, ou se pondo, talvez, no meio da estrada vazia com partida e sem linha de chegada.
Um banco na praça, deitar na grama verde. Um livro frente à cachoeira, uma tarde chuvosa brincando de qualquer coisa. Um friozinho e viagem só pra depois matar saudade.

Quer saber? Quero morar na praia e na serra ao mesmo tempo.Quero trabalhar pra contar história e curtir a vida. Quando eu crescer, eu faço tudo isso. Ah, e ainda vou escolher trabalho como quem pensa em brigadeiro ou chocolate flocado.

terça-feira, dezembro 06, 2005

"Eu tenho muitos amigos,
tenho discos e livros,
Tenho sorte e juízo, cartão de crédito
e um imenso disco rígido,
Tenho a consciência em paz.

Tenho mais do que eu preciso.
Mas, se eu preciso de paz...
Tenho muito mais dúvidas do que certezas.
Hoje, com certeza,

..."

Um beijo, até sexta
Até sexta.
Sim, essa sexta.

sábado, dezembro 03, 2005

Começa mais ou menos aos 6 ou 7 anos. O vizinho tem bonecos legais, um tanque interessante, um helicóptero com canhão.

"A partir de agora, todo dia das crianças, aniversário e natal eu peço Comandos em Ação pra mãe"

Os maiores no aniversário, os mais baratinhos no Natal, já que era só lembrancinha. Consciência do consciente da inexistência de Papai Noel já aos 6 anos. Em alguns anos, já teria a coleção inteira!

E no aniversário seguinte, vem finalmente um super-tanque com 3 soldados, ogivas nucleares, adesivos auto-colantes, 4 bonecos inclusos e partes acessórias não inclusas, mas que só desenhadas na embalagem faziam sonhar. Mas no Natal seguinte, ganha-se uma "Batalha Naval". E, quer saber? O máximo.

Fica-se velho. Aos 11, eu quero é Super Nitendo. Aos 13, só ir pro cinema e uma calça azul...
E porque não lembrar que aos 8 eu pensei que o Lego era realmente legal? E que ali eu pensei: "A partir de agora, todo dia das crianças, aniversário e natal eu peço um Lego pra mãe". Mas fica velho, o plano muda, o brinquedo preferido deixa de ser. A coleção nunca se forma.


E o tanque, o lindo tanque azul com ogivas nucleares, foi dado nem sei quando, a nem sei mais quem.

Ah, ogivas nucleares... Será que vocês já eram?

quarta-feira, novembro 30, 2005

"Tanto de meu estado me acho incerto
Que em vivo ardor tremendo estou frio;
Sem causa juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto."

Aos céus, eu levanto aos mãos.Eu leio Camões, eu caminho desde o Hemoce. Para casa.Casa?! É, cama, comida, privada. Eu como, e sinto fome. E durmo, e o pescoço ainda reclama. Trabalho. Uma coisa. Duas coisas. Porque não três? Ao mesmo tempo. Futuro? Sei lá para quê. Nunca vi uma expectativa que não fosse ex.

Em janeiro, provavelmente, será tudo diferente. Nem adianta imaginar um rio com nome de árvore ou uma nova sala: será diferente. E já nem lembrarei mais o que estou pensando agora. Mas até janeiro, muita coisa vai mudar. Muita. E obrigado por não se importar em dançar nos meus acasos. Muito obrigado por estar ao meu lado.

"É tudo quanto sinto um desconcerto
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto"

sexta-feira, novembro 25, 2005

Mas antes de nada,
nada há
É a coisa certa?
Não, não é.
É justo?
Não, não é.

E sou vilão, sou muito mau, sou atroz, sou insensível.
Sou só uma bomba que explode. Mal manuseada.
Feio água, que separaram o hidrogênio e o oxigênio para virar combustível.
Fez-se fogo onde havia cachoeira.

Fica vazio, o porta-retratato.
E hoje é sexta-feira.

Eu não vou ter pressa de voltar para casa. E nem tenho nada marcado.
Mas nada como não sorrir sem saber se leva uma tapa.

E agora, quase sorrir. Já que afinal, quem diz o que é o certo pra mim?

terça-feira, novembro 22, 2005

Meu pai e minha mãe têm uma coisa muito parecida:

-O número que você ligou está...

Desligo sem nem ouvir o resto. E o resto de quase tudo deles é diferente. Toalha, roupa amassada, cheque pra trocar, tira a rede do mêi, na tua família também tem linguarudo.

Nem sei o que diabos será que eles pensam de mim. Se é que pensam. Na escola eu fui esquecido umas duas ou três vezes, e ontem quando eu cheguei não tinha pão. Tá, mas, tudo bem, eles devem lembrar a maior parte do tempo.

-Quanto foi o jogo do Figueirense?
-Vai comprar o pão?

Ah, meu pai, ah, minha mãe.Se eu contasse para vocês, vocês nem iam acreditar. E conto. Tudo, todos os detalhes. No dia seguinte comento.

-De quê?

É, não ouviram. Tudo bem. Basta esperarem....que eu compro o pão e mostro a tabela completa.
Com todo o prazer do mundo.

sábado, novembro 19, 2005

Hoje eu quero ver o sol nascer ao teu lado.
Dirigir até a metade do caminho, viajar só, sozinho,
Só com o meu pai.

Hoje eu quero ir longe no Brasil, sem rumo, sem caminho,
Te encontrar parada (sorrindo?), olhando para mim
E falando de vida.

Um vôo, um carro, um hotel, um trabalho
Fracasso ou sucesso: você do meu lado
Acaso ou destino, você ali. E eu só
Com você: sorrindo

Hoje eu quero vacilar o beijo
E sorrir de tudo isso
Olhar pra ti e entender tudo
(desejo, destino, desatino)
E você sorrindo

----------


Hoje eu vi Elizabethtown. Eu chorei, eu ri, eu pensei. Eu pensei com carinho. Eu pensei em você. Pensei com carinho. Calma, menina; calma, menina.
Falta pouco para o destino

segunda-feira, novembro 14, 2005













É.
É, a gente fica velho. Sendo o mais novo, dão um jeito e você fica velho. Tão mais velho! Que ele olha, não entende direito, mas te olha. Olha e ri, olha e pula em cima. Às vezes, olha e admira.

É, a gente cresce.
Nunca dormiu muito fora de casa (ainda ontem, nem no próprio quarto!), e já se imagina sozinho. Só uma cama, uma mala, e uma metrópole imensa do lado de fora.

E memória. É, a gente leva muito consigo.
Já olha para o futuro como um plano. De gente grande.
E ele me olha! Admira, imagina? Apenas olha.

Olha, olha...
E não entende direito. Olha e ri, olha e pula em cima.
É, ele olha.
Sem nem imaginar que é tão rápido o crescer.

Ainda ontem nem no próprio quarto!
É, nem tão ontem.
É, a gente cresce.
É...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Que não seja certeiro, que não seja certeiro, que não seja certeiro!
Ufa! Deu-se o insucesso do artilheiro.
Que o faça como seja feito, que o faça como seja feito, que o faça seja feito!
Foi-se! A glória que só se vê em um instante.
A bola repousa. A bola esnoba. Poderosa! Gloriosa... Rola e desenrola na rede adversária.
Defesa falha!

Sorriso que não apaga.
Fortaleza, mais uma tarde de final de semana.
Aliás, sempre achei um charme mulheres de óculos.


sábado, outubro 29, 2005

"A voz do povo é a voz de Deus
mas eu acho que quem escreveu essa frase era ateu
porque o povo tá calado. Tá calado esperando Deus
batendo palma pro Diabo"

Iguatu. Gostei. Ver falando a prática da teoria. Ver a Márcia Vidal descabelada de madrugada, na rodoviária. Dormir no banco da praça; brega:

-pensannnndo nela....

Caminhar sozinho. Ver pela TV o jogo em casa. Lembrar de quando minha mãe trocou uma passagem de luxo por 2 desconfortáveis só porque o filho queria andar de ônibus grande. Um poste, outro poste. Sem postes. Estrada escura. Estrelas. Ronco na cadeira ao lado. Ela na minha cabeça. Uma luz no fim do corredor, é o motorista.

A velha linha de trem. Onde meu avô trabalhava. Nem há cartão postal, então que eu apareça com os trilhos. Mesmo que já tenham sido trocados: meu avô passou por lá!

Seminário. (Com as despesas pagas). Viva CDVHS. Viva estar com a mente aberta para novas experiências. Vivam as comunicações comunitárias... Viva uma bolsa, uma passagem, uma coragem e uma vontade.

Eu já tô já voltando praí...

quinta-feira, outubro 27, 2005

Sono insone.
Insônia.

Onde estavam os versos?
Por anda andas?!

Sono insone, meu, minha dama...
Companheira de toda uma vida.
Que se recusa à minha cama.
Para quem não lembra, eu tenho um sobrinho. E tem 2 anos.
Para quem não sabe, também tenho uma mãe. A idade é muita, e é professora por formação...

Pano rápido, uma palestra...
"-Então, nessa atual perspectiva, os professores precisam tirar leite de pedra..."
"-De pedra não, é da vaca, vovó!"

Passa um dia, passam dois. Chega minha irmã para pegar o menino na creche...
"-Olha, o que o Luan anda vendo? Passou o dia todo falando que o Severino roubou o dinheiro!"

quinta-feira, outubro 20, 2005

-Gláucia falando.
-Olá Gláucia, aqui quem fala é Humberto, de Fortaleza...
-Tudo bem?
-Na verdade, era para estar. Comprei uma câmera sua no MercadoLivre e adorei, muito bom o material, a bolsa de brinde é ótima. Mas tivemos um problema (...)

Pânico. Entramos em pouco de pânico quando o inesperado acontece. Tudo é chato. Quando meche no bolso, é chato duas vezes. Quando é muito, é mais chato ainda. Seria uma boa compra, mas foi como diz Marlim: "A felicidade está indo embora". Primeiro, a tensão por saber de fato o que é. Depois, a frustração na fila do banco. Por fim, a tensão, na hora de negociar. Mas não...

-Ah.. tudo bem Humberto. Tudo resolvido assim.
-Obrigado! Tchau!

Fui eu sortudo?! Acho que não.
Afinal, ri com os fiscais. Ri com os outros punidos. Ri com a idéia de mandar uma foto que era minha cara de insatisfação.

E rindo da insatisfação, a gente acaba satisfeito.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Será que estou velho demais para isso?
Será que meu estômago não aguenta mais pó de guaraná?
(Digestão é esporte radical!)

Será que eu não sou menino-véi ou sempre fui assim?
(A perna dói, nunca sinto sede, o som é bom, a companhia é boa, o público nem tanto)
Será que eu sou chato em não querer procurar pessoas?
Será que sou certo em ficar feliz em achar por acaso?

Será que engenheiros vem depois para um show?
Será que os Los Hermanos também voltam?

O que será que aquela mulher (de máscara cirurgica) pensou ao me entregar esse papelzinho na entrada?
Será que eu vou pro inferno?

"Acho que alguém aqui pirou, eu ando desconfiado que esse cara sou eu
Às vezes acho que eu não produzo nada, às vezes sei eu viajei errado
Às vezes acho que eu sou excluído
do paraíso

Às vezes acho que o centro do universo está no meu umbigo
Todo dia quando eu entro no banheiro
Está tudo lá
Da escova para cabelo ao fio dental

Tem dias que eu olho no espelho e falo: tai um cara legal
Tem dias que eu tenho a convicção de que eu não sou normal
Tem dias que eu to puto, alguns dias maluco
Graças a Deus a maioria dos dias eu estou contente

Também tem os dias doentes

Mas esses, eu sei, fazem parte da vida
Esses fazem parte da vida e se isso for só pretensão
Não, não é possível, neste mundo só tem “maluco”
Ou serão só lúcidos


Eu espero um sinal de um homem lúcido: amizade
Eu espero o sinal de uma mulher lúcida: amor
Eu espero sinal de um povo lúcido: paz
Eu espero como você espera
Um disco voador

Acho que alguém aqui pirou..."

quinta-feira, outubro 13, 2005

Às vezes eu rio quando você quase chora. Sem nem saber ao certo onde está, com a avenida conhecida logo ao lado.

Se construirem no terreno baldio vizinho a sua casa, adeus!, estará na rua. Se falir a loja, nunca mais acha o caminho. Se fecharem uma rota, você passa longe, bem ao largo.

Às vezes eu rio quando você quase chora.Sem saber nem ao certo contar. Quartorze menos sete são oito. Quarenta e três é número impossível e seis vezes seis é coisa demais. Não vou atrás. Sorrio e aguardo o erro. É trinta e seis.. É trinta e seis.

Às vezes eu rio quando você quase chora. E eu olho pra ti e vejo cabelos, rosto, cílios, beiços, beijos, seios, pernas, braços, abraços. Agarro. Um ser vivo. Respira. Um dois três.

Nessas horas eu quase rio.
Quando você quase chora.

quinta-feira, outubro 06, 2005

"às vezes parece que eu não tenho medo
às vezes parece que eu não tenho dúvidas
às vezes parece que eu não tenho... ...nenhuma razão pra chorar
você esquece que eu não sou de ferro
(até o ferro pode enferrujar)
você esquece que eu não sou de aço e faço questão de provar:
olhe pra mim...enquanto eu me quebro"


Sim, há tragédias. Pequenas, é veras, mas elas existem. A noite que não dá tão certo. A vitória certa que vira goleada indigesta. Prego. Dinheiro que vai embora. Escuro. Ter que andar de mototaxi (isso é que é tragédia!). A vontade de ver tudo tão direito. E lembrar que não dá certo. Nem sempre se pode dar certo. Nunca ser tão sincero.

"às vezes tudo, às vezes nada, às vezes tudo ou nada, às vezes 50%"

segunda-feira, outubro 03, 2005


-Ei, tio, bate uma da gente!

Já seria bem a 200° foto em dois dias. E eu bem sabia que eles não veriam a foto, que era só mania de pedir, apenas isso. Mas o pedido foi tão delicado e sorridente que não deu pra resistir.

-Certo, mas se você fica entre elas duas vai ficar bem bonito...

Já o sorriso, a careta, a simplicidade não foram combinados. E gostei do resultado.
A foto também acabou publicada no jornal Diário do Nordeste com o crédito no meu nome. Mas o que eu quero mesmo é mandar imprimir e mandar pros meninos do Canindezinho...

quinta-feira, setembro 29, 2005

Aniversário do Gabriel
Aniversário de porre de bermuda verde-limão.

Ele fazia 18. Agora já são 21.
Três anos, três anos, três anos!

Quem diria que eu sobreviveria.

terça-feira, setembro 27, 2005

Já dizia o poeta que olha para mulher ao lado e vê o universo, às vezes...
Universo que é só pele e glândulas.
O amor é uma conspiração.

"Já não sei o que é verdade e o que é desejo
Será que você existe?
Será fruto da imaginação?

Miragens, fantasmas, ovni's
E o que mais for preciso para ser feliz
Meu coração visionário tá legal
E dispensa comentários
Ele nem pensa na real

Será?Miragens, fantasmas, viagens no tempo
Será que você existe? Será?
Delírio, desejo, vozes e visões
Fruto da imaginação?"

segunda-feira, setembro 26, 2005

1.1
É isso, foi dada a largada.
Mais tarde do que eu queria, mas agora, pé na tábua.

Dois, três. E fim de ano.
Vai passar rápido,
tu vai ver, eu vou ver.

sábado, setembro 24, 2005

..."Escute, garota
Façamos um trato
Você desliga o telefone se eu ficar um pé-no-saco"

Eu, um saco.De saco cheio.
Já deu.
Já encheu o saco. Um saco.
Eu de saco cheio.
D'eu.

terça-feira, setembro 20, 2005


Exitem 1001 movimentos sociais. Escolha o seu.
(e conheça o CDVHS)

Adorei essa foto.
Acho que se eu comprar uma máquina, vou fazer muita foto...

domingo, setembro 18, 2005

I lost the perfect job.
Write about planes, live my life. By myself.

Dream. Too near to me.
But I lost the perfect job.
By my self.

I said I can't write in english.
Or was it just fear?!

Live alone...
Grow up alone...
Nevermind, now.

Lembro como se fosse hoje quando assisti Batman 2. Minha mãe pegou os três filhos e meteu dentro de ônibus. Vários, mas esse é o fim da história. Um de 12, outra de 11 e eu, de oito. Era uma época anterior aos terminais.

Pegamos um ônibus e fomos para o Iguatemi, ver um circo. Não deu certo. Pegamos outro e fomos para o Centro. Deu o prego. Entramos no (já lotado) que vinha depois. O cinema estava igualmente superlotado. Tanto que entramos na metade do filme, ficamos durante o intervalo para depois ver o começo...

Na hora de ir embora, fomos andando para a Guilherme Rocha para pegar o saudoso Clube das Regatas - Vila Betânia. Tinha dois que passavam. Um ia lá para a Barra do Ceará. O outro, para nossa casa. Subimos em um, e era o errado. Descemos, entramos no certo e fomos para casa. Já de noite, bem cansado, com fome, suado. Apertado.

Achei ruim?! Na hora que fui dormir, fiz o comentário para minha mãe que até hoje eu lembro...
-Hoje foi tão legal! A gente pagou três ônibus, andou em quatro e subiu em cinco!

Ontem rodei de ônibus das 18h20 até às 20h10. No trânsito parado e quente. Santa Cecilia 2, Siqueira-Papicu Via Aeroporto, Papicu-Praia do Futuro. Achei ruim?! Que nada... só mandei a mensagem...
-Ô vale transporte rendoso!

quarta-feira, setembro 14, 2005

E até o futuro, nas revistas de avião e discussões, agora já são fatos.

2005! 2005! 2005! 2005!
Sonho é só o que a gente continua pensando ali, cama é só um colchão em um lugar qualquer, personalidade é só verdade sob o lençol e realidade o quarto em volta...

Olhos fechados para dormir.
Ir.
Ir.

"...como é possível alguém sonhar, o que é impossível saber?
Não te dizer o que penso, já é pensar em dizer..."

la la la la la la laira la la

sábado, setembro 10, 2005



Francisco Russo: "É um filme tão ridículo, mas tão ridículo, que chega a ser engraçado." Nota 6
Henrique Miura: "Com piadas grotescas, escatológicas e principalmente sarcásticas, Ben Stiller erra feio ao contar uma história sem pé nem cabeça com clima de filme de super-herói." Nota 4
Felipe Figueiredo: "Não é um lixo, mas bom também não é." Nota 5
Diego Fernando Lino: "Se você quiser economizar dinheiro para ver um filme melhor, faça isto." Nota 2
Ricardo Augusto: "Péssimo! Um filme absolutamente sem graça. Piadas horríveis com uma história ainda pior. Não posso fazer maiores comentários porque saí na primeira meia hora de filme. Insuportável." Nota 0

Mas eu quero ver de novo, eu quero, eu quero, eu quero, eu quero, eu quero!
Adoro ver filme ruim.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Dá-lhe,
Dá-lhe
Dá-lhe,
Dá-lhe,
Dá-lhe, Fortaleza!

E eu que sou quieto, me empolgo. E eu que sou calado, gritei com dois torcedores fi-duma-égua para deixarem de falar besteira. De repente, não mais que de repente, a gente vira aquele louco que se vira no meio do nada e faz o outro nem discutir, só baixar a cabeça porque sabia que não tinha razão. Se o time é de primeira divisão, a torcida tem que se comportar como tal!

(Tem gente que parece que não quer ver o Fortaleza crescer. Fica babando jogador de time de fora, feito abestado. Só podem pensar que ser time grande não é ser se destacar, mas mudar a sede pro Rio, pra São Paulo ou pro Rio Grande do Sul. Ops, Rio Grande do Sul não. O Fortaleza é 1° divisão. E o Grêmio, é 2°)

quarta-feira, setembro 07, 2005


O mais belo, vai-se.
Vai embora em último embarque.
Diz o comandante que pronto para a guerra.
Eu, sinceramente, espero que não.

Algumas aves são muito belas.
Muito belas para sua missão.

segunda-feira, setembro 05, 2005

"antes de atirar o vaso na TV eu ouvi o que ela dizia:
-quando não houver mais amanhã será um belo dia
estranha coisa pra se dizer
antes de dizer os números da loteria
mas é assim que eles fazem
e fazem muito bem"

Descobri que minha monografia acabará tendo fins comerciais.
Pouco práticos, mas terá.

domingo, setembro 04, 2005

...mas, contudo, todavia, enquanto...
- .
- .
- ?
- !
- ...
- (...)....
- ?!
- !!!
- !!!!!!!
- !!!!!!!!!!!

...gozo

terça-feira, agosto 30, 2005

-É o Siqueira?!

Eu ri. Todos eram. O terminal era Siqueira.

Nunca tive um ônibus "meu". No final da 8° série, pegava o Parangaba-Náutico para sair da Vila Betânia e ir para a aula no Santo Tomás de Aquino. Mas foi só por três meses - depois que abandonei o transporte escolar - e só de ida.

Agora vou e volto. Lá pro Siqueira. Siqueira-Papicu, Siqueira-Centro Expresso ou Bom Jardim-Centro. Esse último evita o Bom Jardim 2. São 40 minutos, 50 minutos, ou até em 28 minutos, quando tive sorte. Sorte ou coragem, não sei ao certo, me leva a comer salgadinho no terminal. Do Siqueira. Onde se escutam pérolas, mas é até arrumadinho, tem pracinha...

Para quem não soube, o O POVO não deu certo. Alegaram o psicológico, disseram que ligariam, alegaram, ah, não alegaram nada. No começo de agosto, eu cansei de esperar uma ligação. E cansei de só ficar em casa. Restar. No meio do mês, num domingo, comecei a trabalhar no jornal O ESTADO. No dia seguinte, pedi demissão. E ganhei uma história engraçada para ser contada. Três dias depois, comecei a estagiar no Centro de Defesa da Vida Hebert de Souza, lá no Bom Jardim.

É para onde eu vou agora todo dia.
De Siqueira.
Meio calado, meio sério.
Meio alegre, mais satisfeito.

Meio pra dentro, mais para dentro.
Meio de tudo.
Meio termo.
Meio terno, menos ternura.
Mais afeto. Aconchego.

Mais ou menos.
Ou só meio. Só a metade.
Por inteiro.
Com um sorriso no rosto, eu começo a ler L'Étranger...

"Entre um rosto e um retrato
O real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre os outros e vocês

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro
Da mesma bebida
Entre tantos mortos
Com a mesma ferida

Entre a minha boca e a tua
Há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei
Pra onde vamos

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão"

domingo, agosto 28, 2005

"Não é possível que o presidente não soubesse de nada, que ele não tivesse idéia do que o seu homem de confiança fazia na sala ao lado da sua no Palácio do Planalto. Afinal, um presidente da República não pode ser tão desinformado. Aliás, o presidente deveria ter se dirigido à opinião pública para, no mínimo, prestar esclarecimentos sobre esses escândalos."

Lula, em 30/07/2000, referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao escândalo da violação do painel do Senado.
Acaba ano, acaba.
Acaba ano, acaba.

Caia logo a neve do Natal, pelo menos venha papai Noel.
Acaba ano, acaba.
Seja presente épocas de presentes.
Acaba ano, acabe.

Acaba ano, acabe.
Por favor, acabe.
Quero saber como tudo vai acabar.

terça-feira, agosto 23, 2005

"-Ah... o seu texto está ótimo. Você poderia ficar logo aqui para fazer coisas que aparecerem?!"

Menos de 24 horas depois.

"-Olha, desculpe, mas eu gostaria de agradecer, mas não me interessa mais a vaga..."
-Mas é possível você ficar vindo até o final da semana?
-Não, não é."

E não me sinto nem um pouco culpado. Sei lá, sempre achei que é importante ter um certo juízo. Em respeito a quem gosta do local, não irei mencionar tudo o que vi. Desde as picaretagens até as minhas risadas.

Eu devia ter feito administração. Ou ter ido para a FAB.
Se eu vejo meu pé direito;
e depois vejo o esquerdo
(e não é ao mesmo tempo)
é porque estou andando

Se eu sigo por essa rua
e nem sei por onde direito
(mas até sei o rumo que tem)
É que eu posso passar por ali

Se só,
Só pra te ver.
(do meu lado esquerdo)
"Eu pensei que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar.
Um século, um mês,três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?...vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?-
Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!
- Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...e isso por que?
Diz mais!"

sexta-feira, agosto 19, 2005

"O literato do futuro é o homem que vê, que sente, que sabe porque aprendeu a saber, cuja fantasia é um desdobramento moral da verdade, misto de impossibilidade e sensibilidade, eco de alegria, da ironia, da curiosidade, da dor do público - o repórter"
João do Rio
(início do século XX)
Três folhas ao vento.
Como aquele chute que o volante dá da intermediária e nem acredita muito no que vai ser.

Pode ser que o vento bata, engane o goleiro, e vá para o gol.
Quem sabe até tenha aquele bate-rebate, e gritem.
Ou vai para fora. O que seria mais normal.
Ou é gol. Direto e certeiro.

Deixe disso, só são três folhas ao vento. Que se tornam conversam, que podem se tornar em rotina. Rotina. Rotina é bom. Gosto dela. Não só porque parece com Cantina. Mas porque é com suor no rosto e a certeza da falta do tempo que ele fica bem maior.

Três folhas ao vento. Podem até não dar em nada. Mas já encontrei uma força-vontade que há muito eu não encontrava!

quarta-feira, agosto 17, 2005

A aula começa 9 horas.
A aula começa 9 horas.
A aula começa 9 horas.
E já são nove e dez!

Corro, passo rápido. Encontro a Ariadne, mas mal falo. Acho o mapa. Sala 17. Mas já são nove e quinze! Subo as escadas. Corro. Atrasado! Logo no primeiro dia?! Já tinha gente na sala.

-Excuse-moi... Pardon...

Peraí?! A professora não era para ser a Liliane?! Porque é a Nevinha?! Ela olha estranho para mim. Eu olho estranho para ela. Tudo bem que mudei de horário, mas não conhecer ninguém é estranho.

-Ouvrez le livre à la page...

E eu entendo tudo. Absolutamente tudo. Tô me garantido. Sabia que até o sétimo semestre do francês eu iria começar a entender esse troço. Mas..Como assim?! Esse é o livro passado. Olha ali o Dellano! Essa não é o meu semestre, esse é o segundo!

-Excuse-moi... Pardon...

E saio de sala. Deve ter sido estranho para quem tava lá dentro. Um louco que entra, olha tudo, e sai. A aula começa 9 e meia.

domingo, agosto 14, 2005

Palavras bonitas, palavras sensíveis. Frases engraçadas, até verdadeiras, e ainda divertidas. Em breve, vão comentar comigo "que post bonito!", "amável!", "tocante!", "criativo!". E nem interessa o que esteja escrito!

Conjunto perfeito, eu me expondo. Por querer, por ter o que dizer. Palavras, ah... Palavras! Criativas, maravilhas... Venham a mim, e preencham essa tela em preto. Saiam dos meus dedos e me façam melhor. Uma bela imagem. Sensível, bonito, engraçado.

Imaginário. Idéias que vão e vêm, ao sabor do vento que penso. O resultado é magnífico. Não é um clichê de um cavalo alado, não é uma piada que já conheço ou aquela história simples. São os modelos e tramas que ainda não inventei, mas à noite, sozinho, eu imagino a capa. Uma capa para folhas em branco.

Vou escrever um livro. De um personagem que se esconde do narrador.
E some. Seu nome é

(foi-se. Engraçado, sensível. Tocante)

segunda-feira, agosto 08, 2005

"que som os lábios vão lamber?
vem me ensinar a falar
vem me ensinar te comer
na minha boca agora mora o teu sexo
é a vista que os meus olhos querem ter
sem precisar procurar
nem descansar e adormecer
não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
olhar pro sol, só ver janela e cortina"

sábado, agosto 06, 2005



"A bomba atômica é triste
Coisa mais triste não há
Quando cai, cai sem vontade
Vem caindo devagar
Tão devagar vem caindo
Que dá tempo a um passarinho
De pousar nela e voar...
Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar!

Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar
Mas que ao matar mata tudo
Animal e vegetal
Que mata a vida da terra
E mata a vida do ar
Mas que também mata a guerra!
Bomba atômica que aterra
Pomba atônita da paz"

quarta-feira, agosto 03, 2005

Não vou esperar mais decisão de outros. Se aparecer outra coisa, vou buscar. Mas só quero ficar tranqüilo. Beijos e sono, um livro por semana. Monografia feita no fim do ano. Alergia a caranguejo não é mais coceira. É falta de ar e uns calombo que são um aleijo. Fui para praia, mas não fiquei bronzeado. Não morri de tétano, mas me cortei no parafuso enferrujado. E não quero isso em verso chato, sim em parágrafo.

"Eu não sei fazer poesia. Mas que se foda. Eu odeio gente chic.
Eu não uso sapato"*

*Eu acabei gostando dessa música. Mas que se foda.