
"Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
A lágrima é verdadeira"

Essa longínqua quarta-feira, 8 de março de 2006...
Como sou homem, como gosto do cheiro de baunilha, como sei que o amor tem seu tempo e a morte chegará; como sou filho de um José e de uma Maria, agora eu também posso dizer tão simplesmente que sou jornalista.



Inúteis.
São inúteis as lembranças dos primeiros dias. O primeiro, primeiríssimo, em especial, dificilmente será lembrado lá para dezembro, ou até janeiro, quano será início novamente.
E a primeira semana, lenta, preguiçosa, acaba sendo arrendada para o nada quando for falar do ano inteirinho. São os dias-exceção, que já são o presente 2006, mas que ainda não mostram bem como serei esse ano.
O que verá pela frente, o que será? É só uma estrada para ir em frente; os fogos de artifício são apenas a linha de partida.
Sim, são dias inúteis, e até podem ser esquecidos como qualquer noite com uma avenida no pára-brisas. Mas me fazer saber tudo o que eu amo. Carro velho, uma moça, areia da praia, cheiro de chuva, cheiro do mar;
Pés e lençois.

Um beijo, até sexta
Até sexta. Sim, essa sexta.
Meu pai e minha mãe têm uma coisa muito parecida:
-O número que você ligou está...
Desligo sem nem ouvir o resto. E o resto de quase tudo deles é diferente. Toalha, roupa amassada, cheque pra trocar, tira a rede do mêi, na tua família também tem linguarudo.
Nem sei o que diabos será que eles pensam de mim. Se é que pensam. Na escola eu fui esquecido umas duas ou três vezes, e ontem quando eu cheguei não tinha pão. Tá, mas, tudo bem, eles devem lembrar a maior parte do tempo.
-Quanto foi o jogo do Figueirense?
-Vai comprar o pão?
Ah, meu pai, ah, minha mãe.Se eu contasse para vocês, vocês nem iam acreditar. E conto. Tudo, todos os detalhes. No dia seguinte comento.
-De quê?
É, não ouviram. Tudo bem. Basta esperarem....que eu compro o pão e mostro a tabela completa.
Com todo o prazer do mundo.

Às vezes eu rio quando você quase chora. Sem nem saber ao certo onde está, com a avenida conhecida logo ao lado.
Se construirem no terreno baldio vizinho a sua casa, adeus!, estará na rua. Se falir a loja, nunca mais acha o caminho. Se fecharem uma rota, você passa longe, bem ao largo.
Às vezes eu rio quando você quase chora.Sem saber nem ao certo contar. Quartorze menos sete são oito. Quarenta e três é número impossível e seis vezes seis é coisa demais. Não vou atrás. Sorrio e aguardo o erro. É trinta e seis.. É trinta e seis.
Às vezes eu rio quando você quase chora. E eu olho pra ti e vejo cabelos, rosto, cílios, beiços, beijos, seios, pernas, braços, abraços. Agarro. Um ser vivo. Respira. Um dois três.
Nessas horas eu quase rio.
Quando você quase chora.

Lembro como se fosse hoje quando assisti Batman 2. Minha mãe pegou os três filhos e meteu dentro de ônibus. Vários, mas esse é o fim da história. Um de 12, outra de 11 e eu, de oito. Era uma época anterior aos terminais.
Pegamos um ônibus e fomos para o Iguatemi, ver um circo. Não deu certo. Pegamos outro e fomos para o Centro. Deu o prego. Entramos no (já lotado) que vinha depois. O cinema estava igualmente superlotado. Tanto que entramos na metade do filme, ficamos durante o intervalo para depois ver o começo...
Na hora de ir embora, fomos andando para a Guilherme Rocha para pegar o saudoso Clube das Regatas - Vila Betânia. Tinha dois que passavam. Um ia lá para a Barra do Ceará. O outro, para nossa casa. Subimos em um, e era o errado. Descemos, entramos no certo e fomos para casa. Já de noite, bem cansado, com fome, suado. Apertado.
Achei ruim?! Na hora que fui dormir, fiz o comentário para minha mãe que até hoje eu lembro...
-Hoje foi tão legal! A gente pagou três ônibus, andou em quatro e subiu em cinco!
Ontem rodei de ônibus das 18h20 até às 20h10. No trânsito parado e quente. Santa Cecilia 2, Siqueira-Papicu Via Aeroporto, Papicu-Praia do Futuro. Achei ruim?! Que nada... só mandei a mensagem...
-Ô vale transporte rendoso!

