sexta-feira, outubro 06, 2006

Anoitece
Amanhece
Anoitece
Amanhece

E se?!
Acontece
E se?!

Despertador, almoço, caminhada, cama.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Eu até consigo rir.

E isso é bom. Não senti vontade de matar ninguém. Nem espancar. Nem sequer perdi minha crença em nada crer. É cruel assim mesmo. Na garupa do PM, forcei os olhos para ver se via alguma coisa. Mas nada. Eu deveria ter os visto antes. Eu sei que correndo seria mais rápido. Mas não vi chegarem. Depois que chegam, o melhor é ficar parado.

Mas é assim, afinal. De tão acostumado, já me livrei várias, várias, várias vezes. Mudo de rua. Entro em algum lugar. Converso. Uso a velha desculpa que não tenho nem o dinheiro do ônibus (e dá certo). Até corro, quando preciso. Mas de tão cansado que estava eu sequer vi se aproximarem. Errei. Nove horas não são seis. Atenção não vem depois de tanta labuta.

E tão pertinho de casa! Tão perto! E mais perto ainda das duas motos da policia que passaram uns 30 segundos depois, mas não viram os braços ao céu. Muito menos ouviram. 190. Relativa demora. Ronda, e já era. Foi-se: sou estatística.

Mas eu rio. Imagino os dois vendo um alvo fácil: olhos quase fechados, fone de ouvido (onde eu tava com a cabeça?), passo lento. Imagino que gritaram "-É um assalto!". E nada. Precisaram pegar no braço como quem diz "-Onde que fica a Coronel Pergentino Maia?". Eles bem sabiam.

Só não eram muito espertos. Ficaram sem carteira. Sem celular. Levaram só um negócio que acharam meio esquisito. Foram embora olhando, provavelmente porque nunca tinham visto um antes. Vão vender barato: tava até começando a quebrar. E eu não perdi meus reais, nem meus números. Só me foi embora, com a velocidade do crime, a suave voz da Fernanda cantando o que eu já sabia.

"Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer
Tá pensando que DEUS vais ajudar
Não vai
Que que há males que vêm para o bem
Não vêm"

E foi-se.

terça-feira, setembro 26, 2006

"Aperta 99 e confirma".

É, ontem eu ensinei a votar nulo. Meu pai, que por três vezes viu adiado o sonho de concluir a 6º série, acabou aderindo. Não que eu quissesse.

O "não sei", "esse não", "também não dá" e "eu não acredito mais" são tão fortes quanto eu gostaria que fosse meu grito. Mas nada há. Olho, presto atenção. Mas nada.

Não que eu queira que seja assim. Adoraria ter bandeira, camisa, distribuir adesivos e soltar argumentos até a roquidão me interromper. Ou até a hora bater.
Que a garganta se explodisse...

Mas nada há. Se de um lado, antes, eu via tanta coisa de mal; agora, do outro, eu vejo bandeiras vermelhas que tremulam solitárias. Numerosas, é verdade. Mas solitárias com um palanque a sua frente que quer esquecer sua cor e falar que "sempre foi assim".

Não, não pode ser.
Não, eu não queria.
E não, eu não quero.

domingo, setembro 17, 2006

Confesso: dentre as principais paixões, a bolonhesa. Dos amores, uma ou outra música em língua estranha; do dia-a-dia, umas palavras mais esquisitas ainda, com umas pronúncias que nem sei o quê. É um tal de i com som de dor. Negócio de ai. É um tal de é, assim, com acento, que vira ê. Esse povo que parece não saber falar direito!

Não nego: meu nome não é Severino. Tenho outro de pia. Já é moderno. Felizmente, nem é de santo! E lá na estante tem uns livros que vieram de longe, longe. E aqui na sala essa máquina estranha que fala até de... eu sei lá diabo o quê, mas dá uma estranheza bem estranha.

Porque tem umas frases, uns jeitos, umas coisas, uns normalmente com um xiado no final, e um sorriso danado quando cai chuva. Quando faz frio. Quando o chapéu de palha entra na cabeça direitinho. Quando o piqui cheira ou pego o resto pra rebolar no mato.

Às vezes até um "ouxe", um "maxu" e uma curiosidade danada. Olhando para a serra. Olhando pra o mar. Curioso para saber o que tem ali.

Bem ali, depois daquele risquim que separa o céu da terra, o céu da água. Logo ali.

domingo, setembro 10, 2006

Ainda bem que refrigerante tem bom prazo de validade.

Digo isso por quê, de um modo ou do outro, um Guaraná Artactica me acompanhou do inferno ao céu. Talvez não literalmente, mas ele foi longe. Comigo. Quer dizer: conosco. Montanhas, paisagem, frio e certezas. Amigos velhos; velhos amigos.
Agora: só sono.


Amanhã é um outro dia. Amanhã uma outra vida. Longe, longe. Um primo morre. Distante, distante, distante. Suicida. E eu por aqui: celebro felicidade.

Mas não é assim mesmo?
Segunda-feira. Volver.


'tô descendo a serra
cego pela neblina
você nem imagina
como tem curvas esta estrada
ela parece uma serpente morta
às portas do paraíso

o inferno ficou para trás
com as luzes lá em cima
o céu não seria rima
nem seria solução
um dia de cão
um mês de cães danados
ordem no caos
olhos nublados
um cão anda em círculos
atrás do próprio rabo

um dia de cão
um mês de cães danados
ordem no caos
olhos cansados

sábado, setembro 02, 2006

Eu odeio Igreja. Adoro sorriso. Sinto com a música.
Acordes.


34 faixas. Grande presente. Tantas faces.

Da revolta à risada. Do sentimento à indiferença. Solidão, dor, saudade, fúria, ânsia, força, solidez, certeza.

Amor.

quinta-feira, agosto 31, 2006

E pára.
Permanece imóvel. Estático. Sem novidades, sem palavras. Mas com vida. Só sem tempo.

Nunca serei escritor.
Meus pensamentos vão como as moedas no ônibus. É, essa foi fraca. As idéias são presentes. Em todos os lugares. Mas bestas. Nada espetacular. A vida passa em cada engarrafamento. Um Marroquino e um Esquimó entenderiam. Cansaço. Sono. Alívios. Amores.

Eu preciso. Viver preciso.

Três telas abriram agora. Já nem sei o que eu fazia com esse teclado na mão.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Acho até estranho.

Venho aqui e olho: tantos dias. As últimas palavras sempre estão tão distantes! Sejam elas de agora, de ontem, de cinco minutos. É rápido.

Uma frase vem e já é atropelada por outra. E vai. Uma alegria vem e já vira tristeza, que já é esquecida, que vira eficiência, cansaço. Dormir.

E se levantar passa a ser uma tarefa repetida que acontece tantas vezes sem que quase perceba. Feito piscar os olhos enquanto uma folha de move. Quase setembro.

Eu sorrio, eu tenho um plano. Tenho algumas questões. Umas problemáticas; outras soluções.

Mas agora vou ali indo pra aula.

segunda-feira, agosto 14, 2006

"Eu tenho um coração
eu tenho ideais
eu gosto de cinema
e de coisas naturais
e penso sempre em sexo
oh yeah"

Ah, ops. Segunda-feira.
Sol, 33ºC, vento leve.

terça-feira, agosto 08, 2006

"Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo pára?
Já gritou uma palavra até perder a fala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?"

Não tem limite. Sempre tem mais a insistir. Mais uma hora, mais uma tentativa, mais uma ligação; mais uma desistência, que seja. Vêm veias, gordura entope artérias e basta um pequeno cisco para parar o coração. Ou logo uma vasinho, pequeninho, que dá parilisia. Suor. Calo. Calor. Cravo pula do rosto, expelido, exorcizado. Vidro que embaça, óculos sujo. Torto. Quebrado. Meia fedorenta. Mais. Não ainda.

Azia. Não é suficiente. Se pode mais. Sempre mais. Mais uma tentativa. Mais uma hora. Mais uma insistência, desistência, persistência, existência. Inconcistência. Não ainda.

Sempre se pode mais. Só mais um pouco. Basta um par de meias. Janela aberta. Respiração ao lado. Rosto ao lençol.

quarta-feira, agosto 02, 2006

"São 18 horas e 30 minutos
do dia 30 de março de 1993
terça-feira"

Há frases perdidas, há outras que ficam. Tem músicas que a gente esquece. Outras nem tanto. Onde será que eu estava?! Saindo da natação?! Com um lego na mão e alguma idéia estranha na cabeça?!

"Não quero ser útil, quero ser utilizado"


Onde eu estava?! Sozinho em casa, vendo demônios, alienígenas e torcendo por uma buzina?! Cabelos sobre o óculos sujo, tarefas a fazer e enciclopédia aberta.

"Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso"

terça-feira, agosto 01, 2006

E foi com uma pitada de surpresa que finalmente hoje saiu publicado um texto escrito há uns 2 meses. Estranho folhear o jornal e se deparar com sua própria foto!

O dia da vingança

1993: aqueles dois a zero doeram. E muito. Podiam me falar à vontade que a altitude de La Paz era cruel para os jogadores, mas aos 9 anos é inadmissível ver a seleção perder a então invencibilidade absoluta em todas as Eliminatórias. Ainda mais quando, naquela época, conquistas de Copa do Mundo eram só histórias distantes das pessoas mais velhas.

Sem prever a existência futura do tal Evo Morales, senti que o Brasil foi humilhado, ultrajado pelos bolivianos. O jogo de volta prometia. Ah, se prometia! Sem entrar em campo e sequer poder dizer ao Palhinha como eu o achava um grande jogador, sentia-me um responsável direto pela necessidade, pela obrigação nacional de vencer a Bolívia. E o acaso me ajudou.

O jogo seria no Recife. Perto, quando olhava no atlas e via a distância ser menor que o meu dedo. Longe, imaginando o tanto de gasolina que precisava. Quando meu pai disse "a gente bem que poda ir ver o jogo por lá", nem acreditei. Parecia ser o próprio Natal em agosto. Na sexta-feira, um negócio fechado (ele é autônomo) garantiu a viagem. Sem preguiça nenhuma, na madrugada seguinte acordamos bem cedo.

Com um pouco mais de gente no carro que o Detran permite, estrada à frente! Talvez pela simples aventura, o caminho mais distante foi escolhido. Nada de ir pelo litoral. A idéia foi andar "por dentro", visitando as cidades e de certa forma se sentindo meio herói ao dizer "estou só de passagem, na verdade, estamos indo ao jogo de amanhã lá no Recife".

E chegamos em cima da hora. A tempo ainda de achar o tal do estádio do Arruda e matar a grande curiosidade: seria ele pequeno feito o PV ou grande como o Castelão?! Felizmente, o suficiente para caber a gente. Tudo bem que um cidadão um pouco alto não me deixou ver o Branco pela lateral esquerda, mas os seis gols eu não perdi. Seis. Seis! Seis a zero, Brasil!

2.750 km rodados, seis gols, nove anos e sonhando com o Tetra que viria em 11 meses. Não precisa nem dizer que poucas horas depois, já em João Pessoa, deitei no banco do carro para ter a melhor noite de sono da minha infância.

quarta-feira, julho 26, 2006

Meio que intangível. Acho que sou.

Como se a verdade, de fato, viesse entre fones de ouvido, cabeça recostada ou pés em movimento.

A caminho.

Sono pouco, prato pequeno, muitos livros que se quer, poucas linhas em tantos dias. Energia Renovável e Desenvolvimento. Iniciativa para os Lixões de Fortaleza. Secador Solar. Energia eólica. Biomassa.

E passa.

Um dia, outro, outro, outro. Já foi. Mais um mês. Banco (agora um mais perto de casa, valeu Banco do Brasil!), transferência para o futuro que não sei o quê, trocados.

Cinema, sorvete, macarrão. Piratas do Caribe, Kalzone, Buongustaio, churrasquim, cai duro, ingresso. Um CD, um livro, passagens de ônibus. Revistas, gasolina, às vezes, algum presente.

Mensalidade. Estudo. Pós. Pós-Estudo. Estudo onde só há fontes. Espero algo mais. Pós-trabalho, pós-saber-que-nunca-mais-será-como-era-aculá, colegas desconhecidos, diferentes. Pasta de couro, cadeira confortável, gelada. Mas preferia xerox da francesa.

É, fim do dia. Sono, prato pequeno, muitos livros que se deve ler e pouco tempo e linhas. Telefone. Banho. Sabonete de limão. Travesseiro. Lençol. Um ou outro pensamento.

Intangível.

domingo, julho 16, 2006

Assim faz frio. Puxo esse botão, coloco o outro no 2. Mesmo nem tão forte, já gela, e não faz barulho. Não importa. O trânsito tem som de paranóide andróide, ou vice-versa. Mas só nos meus ouvidos.

É bela. A roda brilha com o sinal, brilha com faróis, postes, ou até com a lua. Só a 40. Vai Ecoesporte, anda mais rápido que eu quero chegar. Freiou. Off-road que desvia de buracos. Eu não. Era pequeno.

Matenho só uma mão. Decidi ficar sem pressa. Tirei o pé, mudei a alavanca para o centro e esperei chegar. Calma. Ainda vermelho. Parei. Faltam ainda uns 2 Kms. Três sinais. Via de mão dupla, poucos ônibus.

Fome. É, é melhor ir logo. Nem sabia que seria macarrão bolonhesa (uma das maiores invenções do homem). Estava cheiroso. Gostava. Blusa, calça, um tênis manchado.
Paro, chamo o interfone. Fecho os olhos e espera.

Tudo ficou melhor, então.

sábado, julho 15, 2006

Agora espera, deixa eu trocar a música.

Uma mais divertida, engraçada, uns acordes mais rápidos e uma letra que não diz nada. E deixa. Deixa estar. Deixa pra lá. Deixa-me, como está.

Uma capa linda, para dois projetos lindos, mas revisados, re-escritos, rearranjados, elogios. Torcida. Espero que dê certo. Só mais um capítulo: 8 horas, geralmente mais, sentado. Teclado, mouse. Telefone, um monte. Um monte de papel espalhado.

Semana passa. Sexta. Esforço, esforço, esforço. Dedicação.

Pronto, agora eu troquei a música. Arrumei perfumes, desempoerei os livros e limpei a janela.
Pronto. Agora eu estou pronto.

quinta-feira, julho 06, 2006

Não dá para não ter incômodo. Certamnete, é impossível. É óbvio que mais uma vez a certeza plena fica clara: futebol não é ciência exata! O povo não entende de tática, e ainda acham que jogador brasileiro, precisa, necessariamente, jogar futebol do Brasil. Alas não são laterais; defesa em linha não é fazer linha; triângulo, quadrado ou pentágono não é questão de opinião. É juízo. Jogo feio é não jogar.

Mas, pensando bem, tenho plena certeza de que o Brasil entra em campo nesse domingo. A grande final. Brasil e Costa do Marfim. Sim, falo do jogo de verdade, que deve acontecer em um estádio vazio bem longe das atenções do jogo combinado. De uma Copa paralela em que Ronaldinho Gaúcho deixou os franceses no chão, Ronaldinho marcou o gol da vitória em 98 e Barbosa, sorrindo, nas capas dos jornais do que não seria conhecido como Maracanazo.

É difícil não imaginar que o Brasil ganha todos os mundiais. Sim, somos campeões de todos. Zidane é, no máximo, um bom malabarista que cumpre bem o que é combinado. Já Maradona, coitado, meteu a mão na bola porque sequer conseguiu cabecear mesmo o goleiro dizendo "vai, hermano!
". Juro que ontem vi Ricardo, aflito português, dominar a bola, dar três dribles e um chute certeiro pro gol.

E o Brasil, na realidade, em um estádio escondido, sem enroladas, patrocinadores, convulsões ou confusões, brilha fazendo o show que todos nós queremos ver, com gols belos, de bicicleta, de escanteio, do meio do campo.

Feito aquele do Pelé que mandaram apagar da final de 66.

segunda-feira, julho 03, 2006

Vou célere.

Rumo aos erros, acertos, sorrisos, lágrimas, olás, adeus. Vou adiante, seja em frente, em curvas, certo ou errado. Com as mãos indo ao rosto e sentido a diferença dos anos. Com cada detalhe, mania, pêlo no pé, problemas no olhos, bom e mau humor; com tudo não sendo estado. Sendo eu, ser. Mas não sozinho. Rodeado.

Seja pela tia que arrisca uma camiseta com estampa e glória, acerta. Ligação DDD, convites simples, companhias certas. E nem por isso menos gloriosas. Feito um pai e uma mãe que olham para o filho de beca e sorriem com a mesmo sorriso de quando o viu aprender a ler.
E sou jornalista, como sou filho de um José e de uma Maria. E sou o amigo, sou o namorado, sou o escolhido, o "menino-prodígio", o que ajuda, atrapalha e quando chega em casa ainda vai comprar o pão como quem ficou feliz por ir na padaria, naquela tarde, pela primeira vez, sozinho. E quantos 1° de julho já se passaram desde aquela tarde!

Indo célere. De quem não falava, e hoje se agita. Com tantos nomes, rostos, lembrança e alegrias que vieram. E tantas ainda por vir. Rodeado por uma só palavra: amor.
Que seja piegas! Que não escreva como acho bonito nem como, sendo assim, sei prefiro que seja!

Sejam essas palavras e pesoas próximas, sejam tão absurdamente e completamente nos m
ais distintos sentidos temporais, atemporais e o que seja o que for. 42. A vida, o universo e tudo o mais. Só a certeza que a insônia de hoje não é uma glória de vencedor. É só de alguém feliz porque amanhã é mais um dia. Como foi sexta, quinta, quarta ou até uma terça-feira.

Mas amando tudo e todos. Desde o coração do outro que sinto bater perto do meu, até as ruas de asfalto dessa cidade que acolhe e me faz dormir agora com uma chuva que só me traz alegria, misturando o que é dor e amor, misturando o perfeito e o imperfeito. Criando uma mistura de tantos rumos, mas que se faz célere e feliz com o que tem.


Mais um 1° de julho.

Feliz 22 anos.

segunda-feira, junho 26, 2006



Mais leve que o ar. Tão leve que, no lugar da euforia, silêncio e sorriso de pura contemplação. De passear, sobre dunas, mar, coqueiros, árvores, praias, rios e tudo. E tudo sobre mim. Até olhar para baixo para ver um pássaro fazer um milagre.

De ir aos céus. Milagre comum, simples, explicável. Mas que faz até ateu olhar para dentro das nuvens e pronunciar palavras baixinho demais para o intercomunicador ser ativado...


Com o vento gélido no rosto, balanço ao sabor da brisa e comandos suaves para bailar no azul. De não ter janela, e sim quase todo o mundo em volta. Eu voei. Pela terceira vez, eu voei. Senti que estou vivo. Ainda tendo problemas para desembarcar e com os próprios dedos no comando sendo ainda só mais um sonho. Mas ver o pôr do sol, ali, lá do alto, e poder ainda escolher voltar sobre as ondas... Já foi o suficiente para os muitos próximos sonhos.

(afora, claro, os prazeres de ouvir a TWR FOR e a discussão divertida sobre a vantagem de ausência de flaps, procedimentos de pouso sem motor e lições sobre trim em aeronaves biplanas...)
Muito obrigado, Jörgdieter Anhalt....


Não poderia deixar de mandar um beijo, e parabéns, para quem saiu de umas letras meio estranhas (essa coisa chata de you're, book is on the table) para ir para outras mais complicadas ainda (oikia, avantus aprendus latinus), mas com a certeza de fazer o que ama...

E, à noite, ainda ter disciplina e força para derrubar os meninos gordinhos de 13 anos. Parabéns, senhorita faixa "jirimum" e de letras tão clássicas...