sexta-feira, novembro 30, 2007

Ainda bem que esse mês tá acabando. Parecia que não acabaria, nunca.

Deu vontade de se desfazer de blog, de fazer o que não faria, de ficar na cama sob os gritos de despertador. Uma luta.

Mês que vem, é outro mês. Mais de 30 dias, mas com um tal sentido de amanhã.

Olhando as datas e querendo que elas virem horas. Olhando os anos e pensando que eles seriam séculos.

Tão empolgado quanto uma Ferrari à 60 Km/h. Em uma estrada asfaltada.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Dos textos que eu não terminei.
Das conquistas que eu não fiz.
Das realizações que ficam para depois.

Um sol que vem de manhã.
Uma insônia que me repulsa no fim do dia.

E um ano que acaba.
Com tudo bem.

domingo, outubro 21, 2007

Cheiro de flores. São só flores.

A boca seca pede água.
Não por álcool. O gosto azedo de um sorvete tão doce.

Cinco horas. Dezessete. Quando o sol voltar, é segunda-feira. Tenho que pegar no tranco.
1,2,3, vai!

Não vai.

Boca seca, mente sede, e água até a tampa dos pulmões. Mesmo assim, última força, para emburrar o barco.

Contra a corrente.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Leio o último Douglas Adams devagar.

Capítulo em capítulo. Como quem vai de gole em gole, torcendo para não acabar. Não tenho pressa.

Misturo as páginas com reportagens para ter mais noites com improvabilidade infinita. Mando meus vikings atacarem os celtas com cavaleiros e catapultas.

Enjoei do "yes, sir", troquei por música. Música. Das minhas bandas que já são memória. Dos anos 90 que, um a um, vão fazendo 10 anos.

Hoje é 12 de outubro, acordei 8 horas, e não estou com sono. Será que é isso o que chamam de envelhecer?!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Mais que aos céus, nessas noites é como ir célere à lua.

Da lembrança dos sorrisos ao pensar de como seria bela a idéia de ter todas as noites, estar acima, ser tudo. Mais ainda, como são boas as férias.

Entenda-me. Dentre tantos sistemas, sensores e controles, os parcos e maravilhosos momentos de mandar um beijo, um abraço e pensar em felicidade. Perfeitos.

De se esquecer de estar isolado. Nessa cápsula diminuta que me leva à lua. Com tão pouco ar que um grito ou um sorriso já podem fazer os olhos vermelhos e o peito doer.

Ar?

Daí eu lembro que, lá na lua, eu morreria em um ou dois segundos. Um só instante. Até antes, talvez, de sentar os dois pés. Sem vento. Sem ter o que comer. Tudo por poeira e pouca gravidade.

É quando bato meus dedos nesse botão vermelho, com letras amarelas, como quem dedilha uma canção. Uma das tantas que eu não sei cantar.

"Segunda-feira blues"

Nova meia. Uma calça. Olhos na agenda, tantos minutos para.

Faltam cinco dias.

Faltam tantos meses.

Passa a vida.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Sempre é uma grata surpresa quando me lêem. Escrevo aqui como quem pensa no ônibus – vai embora rápido, e teria bem mais se eu me levasse a sério.

Obrigado

Não existe, pra mim, situação mais desesperadora que estar perdido. Posso até não saber o nome das ruas nem como chegar, mas até em cidades estranhas tenho noção onde está o norte, o lugar de dormir e para onde ir. Culpa do Google.

Também não tem mais filme com segredos. Gostei do ator?! Poucas hora depois descubro que ele também fez aquele outro filme, que o diretor fazia comédias juvenis e que etc etc etc. Mal de wikipedia. AdoroCinema também é bom.

São poucas as coisas que eu me permito ainda não ter lido, nem sequer uma linha. Nem sei o nome verdadeiro de Richard Bach. Se foi piloto de verdade, se além dos livros que amo ele tem mais alguns.

Só soube pela minha mãe que ele casou e foi morar no meio do mato com a amada. Como assim?! É louco?! Não tenho muito idéia se é verdade, mas me dei conta, um dia desses, que é uma boa opção.
Atravessamos o rio de fundo de lama veloz. Olhamos as vacas, e, que pena: havia pessoas do outro lado. Talvez ainda estivéssemos lá.

quinta-feira, setembro 06, 2007

"E só de te ver
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar"


Nunca comprei uma TV. Quando ganhei paredes, olhei mais para a estante, as páginas e concluí os afazeres. Deixei de lado a chance de ver a partida, só para secar os cabelos, cheirar a blusa onde ficou teu cheiro, três ou quatro páginas antes de apagar a luz.

E eu, que nunca comprei uma TV, mais uma vez vou te levar praquela praia de ondas tortas. Mais uma vez para me ver na paz que eu tanto quero.

Amém
Lembro deles lavando as mãos de um jeito que até hoje tento imitar. Depois ri da roupa que me deram. -Mãe, tem um rasgão aqui embaixo! Um balão na ponta de um tubo. Pensaria eu, anos depois, parecia máscara de piloto de caça. -Enche a bola. -Mas eu não sei encher bola. –Tenta. Acordei com um sono que durou uns dois dias.

Aquele incômodo se foi e uma dor apareceu no lugar, mas foi embora com o tempo. Um pacote de bombons do meu lado. –Tio Xavier que te deu. Não podia comer nenhum. Lembro de tomar banho nos braços da mãe e do pai e de quando ela trocava aquele curativo tão grande que eu dizia nem precisar usar cueca.

Eu lembrei dessa agonia no baixo ventre, na dor de levantar peso. Do grito que ainda deve ecoar no consultório quando o médico puxou todos os pontos de uma vez. A cicatriz ficou escondida para virar homem, mas na terceira cirurgia de hérnia do meu pai eu lembro que já fiz uma também.

Então vamos parar com essa história de fazer academia e continhar com as caminhadas que é muito mais aconselhável!

segunda-feira, setembro 03, 2007

"Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas"

Teoricamente, fui otário. Quantas vezes não ouvi "coloca o óculos dentro da bolsa, tenta fazer o exame sem, se não der certo, aí tu vai e coloca"?!

Mas esqueci. Na verdade, como as coisas geralmente são, só lembrei depois. Pior ainda, bem na hora. Só faltei olhar pro médico - por mais que ele nem tenha olhado pra mim - e dizer: "Doutor, posso fazer sem óculos?".

É claro que não ia dar. Com ele, até alguns pontos finais no Word ficam imperceptíveis. Sem, é melhor nem sair de casa.

Então, por quê?! Pra que fazer questão de burlar o único exame físico para se sentir por cima?! Pensando bem, "Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas" devia vir estampado da capa de todas as minhas revistas ao copo com leite.

Sim, um dia desses, o derramei inteiro no chão porque não vi direito. E é por isso, que, a partir de ontem, eu nunca mais faço retorno no posto!

domingo, agosto 12, 2007

O sol vai já se pôr. Ainda não tomei banho. Não quero, mas preciso.

Passaram tantos meses, e tudo ia, de fato, feito um piloto automático. Não aquele mal: se eu o liguei, foi para apreciar a paisagem.

As autenticações eletrônicas nos papéis que têm números depois do R$, outros guardados para o futuro se acumulando para anti desengordurante, as disciplinas indo embora e mais alguns certificados chegando. Tudo como planejado.

Aos sábados, macarrão e cinema. Aos domingos, tarde longa de pés, lençol, chocolate e desejo da outra sexta.

Não essa. Já são mais de 17 horas e eu ainda não tomei um banho para tirar o teu cheiro, tão forte, de hospital. Amanhã, sem ter nem pra quê, vou pentear os cabelos e usar calculadora.

quarta-feira, agosto 08, 2007



Dezessete vira sete. Eu sorrio porque é da noite. A vontade que dá é de ir para casa. Quanto custa? Não importa: eu iria. Uma falta de ingresso, uma hora perdida, pouca ou nenhuma gasolina: nada se compara com isso. Porque casa é uma lembrança que não posso alcançar com as pernas nem com tudo o que tiver na carteira.

Resta então decidir em qual corredor caminhar agora, comemorar (?!) que o atraso seja só por mais 2 horas. Vão ser mais de 24, ao final, todas elas, entre desconhecidos. Sabe aquele vizinho que você não lembra o nome ou aquela menina que na terceira série sentava na primeira ou sexta fila, você não lembra ao certo?! Quem me dera que estivessem aqui!

Onde não há qualquer coincidência, referência, ponto em comum. Não que eu não fale, mas a história é a mesma: "Vim de Fortaleza. Conexão em Natal. Aqui no Rio era só escala, mas mandaram descer e cancelaram o vôo. Cheguei 22h30". "Sim, eu sou cearense, é que o nosso sotaque não é como a Globo pensa".

"Tô indo pra Curitiba, coisa de trabalho". "Deve tá frio mesmo, mas tô levando casaco!". "Pois é, pra gente julho é tão quente quando janeiro, tanto faz". "Dormi no hotel, teria o dia livre, mas vim tentar remarcar o vôo... não deu certo, então o jeito é esperar, né?" "Prazer, você também".

Pelo menos veio comida quando eu já confundia Lan Chile com lanchinho. Riem. Dizem de onde são. Há quantas horas, para onde vão. E, no chão de frente do painel que mais uma vez anuncia "Cancelado", acabo lembrando, tão forte, como sou brasileiro. Totalmente perdido entre tantos sotaques, todos, desesperados.

(E neste esquecível 24 de julho, chorei no Galeão. Nunca pensei que Curitiba fosse tão longe, 36 horas, e que minha casa fosse tão boa)

terça-feira, julho 31, 2007

Quando está a três graus, corrijo-me, MENOS três graus, um fortalezense como eu, criado entre as fozes dos rios Ceará e Cocó, num embolado de ruas, morros, mar e sol, corre feito um doido. Vai logo, bate uma foto, dá uns pulinhos de felicidade e, logo em seguida, sente os ossos doerem. Pensa até que vão quebrar.

Daí torce que a roupa tivesse mais uns 10 metros de espessura, lembra que ficava só de bermuda e, mesmo tendo viajado tantos quilômetros com uma tremenda vontade de pegar esse tal de inverno, só deseja a hora, a bendita hora, de voltar; matar saudades, dela e da praia. É aí que Pinto Martins, mais uma vez, é nome santo.
Bem vindos a Fortaleza.

Sobrevivi àquela noite. E, pelo que parece ser, a mais 30! Por enquanto. É que ao contrário de "Olhos Famintos 2", que eu só continuei vendo para rir e imaginar a cara das pessoas apostando que era uma grande história, existem bons filmes. Um deles eu nem lembro o nome, só de uma cena. O menininho na maca, barulhos, movimento, e daí só o céu.

Era tudo branco. Bem branco. Somente branco. Daí, legendas: "-Vovô?! É você?" Era. Conversou um pouco, mas daí os tais barulhos saíram de uma constante, voltando a pulsos, voltando a imagem para a maca, voltando o sorriso dos pais.

Fiquei impressionado. Não fazia mais de um ano que aos cinco vi um balão de oxigênio desfazer meus sentidos para acordar sem poder usar as pernas, com um saco de bombons e essa cicatriz que até hoje guardo.

Tive medo de ir lá. Não por encontrar o vovô. Mas porque, pensando bem, branco com branco, deve ser um saco. Essa tal eternidade, que perguntei pra minha mãe quanto tempo durava. "Pra sempre". Como assim, pra sempre?

Devia ser um saco essa tal eternidade! No começo, beleza, não dá para morrer, onisciência total, oi vovô, oi vovó. Mas depois bem que ia ficar meio chato. Esse tal de pra sempre... ...E ainda mais sem cores!

Daí eu respirei. Fiquei com um pouco mais de medo do balão. Mas sempre que vôo, imagino um pouco como poderá ser lá: agua em sua forma gasosa, atmosfera rala. Maldita ponta de asa, que insiste em existir!

sábado, junho 30, 2007

"Fool enough to almost be it
Cool enough to not quite see it
Doomed
Pick your pockets full of sorrow
And run away with me tomorrow
June "


É como todo rito de passagem. Preciso morrer um pouco.

Aconteceu na quinta. Experimentei o que deve ter sido o último minikalzone dos tempos que saía do IDER nas carreiras, Pici ou 55, para ir na pós na Unifor. Aulas que do meu mundo só eu vi, só eu passei. Palmito. Maravilhoso palmito. Suco de... goiaba. Cantinho de
parede, guardanapo.

Depois de dias, já hoje, olhei pelo vidro para toda a longa Pontes Vieira. É ali que vou voltar a caminhar, todos os dias, sabia? Mas se será mesmo "todos", não sei. Pode ser que mude. Pode ser que tenhamos novidades e, claro, pode ser que tudo fique exatamente igual.

É esse tal de mês de junho. Que desde o primeiro dia eu penso "só faltam 30". E agora, já quase no fim, parece que se prende a toda hora. Então eu venho aqui e agradeço. Se você faz parte da minha vida, de perto ou mesmo nem sabendo como, obrigado.

Sei que nada disso é muito lido, e que ninguém comenta mesmo, mas sei que estou vivo. Se eu passar dessa noite, é que sou mesmo forte. Olha lá, meia-noite, só mais algumas horas para os 23.

sexta-feira, junho 29, 2007

Como tudo é amplo, belo, feliz...

E sou pegue pela realidade. Pegue pelo tornozelo, levado à lona, com suor de um dia inteiro e ainda insistia em alguma verdade. O relógio que indica que a hora vai chegando, a censura, a pilha de roupas, de livros, de linhas, nos poucos segundos de vida entre já dormir e já levantar.

...e assim eu penso sobre o que há muito não pensava, o sentido dessa tal existência, como gosto, como amo...

Busca pelo sentido exato de cada palavra. Não quis dizer isso. Meu tom é meu. Ok.. Concordo. Aceito. Faço mais rápido. Dois ou mais parágrafos, mais vinte minutos, menos tantos centavos. Pouco importo.

Mas do que eu falava mesmo? Que bela história viria trazendo o tal sorriso?

Pegue pelo tornozelo. Ao chão.

quinta-feira, junho 21, 2007



"La bombe humaine
tu la tiens dans ta main
Tu as l'détonateur
Juste a cote du cœur
Faudrait pas quej'me laisse aller"

Medo.
Coragem.
Carbono.
Quatro anos é quando já sabe "teimar". Você diz: "precisamos conversar". Recebe uma carreira. Você clama: "não é assim que se faz". Ganha uma certa indiferença.

Ai vai, balança a mão com um jeitinho suficiente pra chamar a atenção de um jato a 2000 por hora, dizendo bem articulado: "Tchau tô in-do em-bo-ra, tu-do bem?". Nada. Vai fechando a porta fazendo o máximo de zuada. Nada.

Daí que pegar minha chinela depois do banho é uma dúvida tão séria quanto, lógico, eu dou esse pedaço de chocolate, ai eu sei que a coisa tá complicada. Mas são os quatro anos, fazer o quê?!

Sabia que quatro, na Córeia, é tido como coisa de azar?! Pois é, mas o jeito é esperar certinho chegar aos cinco. Até lá, quem sabe, eu ponho dos eixos. Caminho lado-a-lado, consigo ver um filme direito... ...vai ver que assim eu ganho tchau na hora de ir embora.

quinta-feira, junho 14, 2007




Mudo. Mudamos. Algumas vezes em cima do muro.
Feito como temos as tais conversas humanistas entre os oito maravilhosos ingredientes adicionados ao fetuccine. Logo após, sorvete. Da Mc Donald's.

Dia seguinte, reconheço na conhecida as roupas e cores de quem decidiu ser "mulher da vida". Saia curta, maquiada logo de manhã, pernas ainda com pêlos, deixando tão claro que é das que leva porrada para levar um pouco de comida para casa. Cansada de catar, mas ainda com vontade de ir lá na Sé traçar planos pra melhorar a vida.

Ela me olha com constrangimento, eu sinto as dores do mundo. E sim, vou na Sé, não para rezar. Mas meu coração ateu quase acredita nesses tais sonhos. Ações humanistas. Defino metas para os dias seguintes e vou no banco para mais notas.

Nada a partir daí importa. Só interessa quando fecha a porta e aproveito o que mais humano tem na gente, que não depende sequer de nada, só nós dois, se quiser, nem das roupas. E, no final das contas, a única coisa que amasso são abóboras, enquanto penso em tudo isso.