sábado, novembro 08, 2008

Orkut:
"Sorte de hoje: Você é o próximo a ser promovido na sua empresa"

Álvaro de Campos:
"Merda! Sou lúcido"

E o post vai curto que o trabalho não acabou. Sábado, 16 horas e 42. O 16 do F-16 aberto à visitação a menos de 500 quilômetros de mim, mas só pelos próximos 18 minutos. O 42 do sentido de vida.

Garçom, ou sei lá quem, traz conta.
Quanto dá?! Quando dará?!

segunda-feira, novembro 03, 2008


A diferença é o que temos em comum. Nossa diferença.

Pés rápidos de um lado; música instrumental aqui; o que será, que será, por trás daquela pose e óculos quadrado que ainda ousa dizer ficar melhor em mim?! Iogurte, ou iorgute, como diríamos por aqui, ou no Piauí, aqui, ao lado do pão de queijo; refrigerante zero, um pouco de guaraná, carne moída e um chocolate, logo ali. Como será, será, será, dos que levam feijão e dois quilos de café?!

Eu não. Eu não.

Calculo o leite por dias só, seja só sem ela aqui, seja só sem ela lá. Ganhei, neste mês, de 10 a 2. No próximo, levo de goleada.Contas de centavos. Trôco do bombom e o almoço, se tão barato, não é almoço não, é lanche... Juízo!

Casa perto, casa longe; com janelas, mas sem praça. Antidesengordurante já tenho, água, nem sempre. Hora colocar água de radiador?! Não, não mais. Casar. Sim, sim, sim. Já é. E será.

E vejo leite em uma caneca só. Chocolate em pó, saudades. Futuros. Com Pouca Vogal, uma panela de queijo derretido pedindo atenção e esses sons lentos de viola rápida.

Passos lentos, já agora. Peso da leveza de uma linha tênue sem assinatura, sendo Leite só, sem sequer duas canecas para água. Tênue e forte. Como o chocolate em pó, nosso.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Esse silêncio de mais de mês.
Mês?!

Outubro, de tantas alegrias, tantas tristezas, tanta vida e tanta morte.

Vá embora!

segunda-feira, setembro 29, 2008

É irritante o velho comentário: "O livro é melhor".

Todas as vezes que vejo um filme baseado em um livro e, geralmente, um livro bem conhecido, o debate entre "livro X filme" é de uma mediocridade notável. Com críticas tão severas ao cinema, dá vontade de dizer: "pois me dê o seu ingresso e vai ler ali no estacionamento, vai".

É óbvio que a experiência de um livro é melhor. Pra começar, a gente quase sempre lê sozinho, sem precisar fazer todo o social de ir pro cinema, quase sempre acompanhado. Ler é uma aventura que dura dias ou semanas, solitária e libertária.

Ler é ter um relacionamento íntimo com cada parágrafo. Ver um filme é sexo rápido no tempo de estada de um motel.

Cada personagem tem o rosto que o leitor quiser. A imaginação, com mais poder que as limitadas combinações de letras, dá cheiro, gosto, cor e vida. O cinema não tem cheiro, mas tem rosto. Tem sotaque. Tem uma face que estava lá, naquela outra história. Tem o som, esse sim mais irritante ainda, de quem pensa que milho estourado combina com legendas.

Mas, e daí?!

José Saramago é difícil demais para a maioria das pessoas. É longo demais para a maioria dos dias. E também é bom demais para ficar restrito somente aos que podem encher a boca, sem ninguém perguntar, que já leram o livro. E ele é bem melhor.

Mas, pelo menos, pode chegar a mais gente. E o próprio Saramago gostou, como mostra esse vídeo emocionante do diálogo entre o autor e o diretor Fernando Meireles.


sexta-feira, setembro 12, 2008

Sonhos implacáveis de suor para lágrimas. E esta preguiça, de agora, que me permite - no máximo - o mais burocrático e fácil.

Vontade do sabor dos outros. E essa receita, aqui na cabeça, com ingredientes e fazeres para meus próprios pratos entre as mesmas paredes.

Certo plano de blusa preta, calça preta e tênis de cor, feito fazer o tipo que essa barba é nova, com olhos nos horários e sem hora pela chave do no bolso. Mas ela é uma só, os relógios são decorados e a única a se impressionar do cabelo e do calçado tem minha cama como certa.

Das vontades de agradar e agradar-se; dos risos e sorrisos planejados ou eleitorais; falta água, fico fora - culpa da única chave. E antes que ouse falar de perfeito, sinto o cheiro real do nosso sabor. Agridoce.

sábado, setembro 06, 2008

Se o se for é.
Se teu se for teu.
Se o meu talvez seja daqui a pouco.

Caminhos diferentes para a mesma cidade.
Velocidade de cruzeiro e ônibus no sertão.

Dois no carro. Pratos e panelas também.

sábado, agosto 30, 2008

Glicerina.
Sim. Eu aceito.

A vós jogo toda glicerina que passou pelo couro acima da cabeça. À vós os cabelos que um dia foram cuidados, um dia descuidados, e que hoje sonho em cuidar de novo. Tanto faz, agora. Sim, meus senhores, os pêlos acima e abaixo da boca; como o suor acima da vida debaixo de qualquer tic-tac de cronômetro em corrida em voltas.

Mais que glicerina. Bem mais que glicerina. Em troca, basta, tão somente, e tão unicamente, repassarem-me essas asas de galinha.

Não fazem voar por si. Mas já dava para sorrir entre aquelas aves de olhos mais retos.

E até.

quarta-feira, agosto 27, 2008

O cantor canta em língua estranha, mas eles só pedem "forró", "forró", "forró". Não é forró, é música mal cantada, lembra a de língua estranha, mas feita para só bocas e curvas.

E lá na rua, aqui na rua, automóveis, tão velozes, queimam. Imóveis. A fumaça sobe entre as linhas mal pintadas, no chão escuro e nos buracos maus, mal tapados quando longe do muro de vermelho e números. Mesmos números dos sorrisos de estúdio e frases decoradas.

Tudo feito de palavras. Uma ou duas; não dizem nada, mas sabem o que pedem. Pedem os dedos, ver a foto e barulhinho. Pronto. Quatro anos para duas ou três palavras se desfazerem.
Volto aos nomes em letra maiúscula com um ano em seguida. A régua com manchas azuis que não desenha, sublinha. Entre Rousseau e a Rússia pós-moderna, pensar em como entender aqueles outros nomes que ainda não conheci, misturar um pouquinho com os que eu sei, e sair algo interessante. Interessante para o professor que ninguém vê. Meus colegas de todos os lugares e currículos incríveis.

Eu, estudante da UFMG.
Eu, entre as horas sentado com pontos em negro na agenda; ousando ter pontos azuis de compromissos em que faço meu horário. Eu, entre antidesengordurante e sabores de amores de mais cedo, com o pensamento em opressivas instituições democráticas de muita liberdade.

E o eu, sonhador, decidindo sonhar em se sentir um estrangeiro. Mesmo que um estranho só de sotaque. Mas entre o sonho de nudez e o sonho de uniforme.

Sentido, sim, senhor.
Não faz sentido, não senhor.
Senhor.

sexta-feira, agosto 01, 2008

O nome dela era Letícia. Correia Rodrigues, acho.

Cresceu com uma marca estranha, na bunda. Não lembra como foi, nem sequer chorou: ao som da faca e cor de sangue, só tombou mais forte entre os peitos da mãe. Essa outra, tão acostumada a ver vida crescer entre pernas de partos, via morte na pequena terra da família. Foram os dois cabras que cuidavam das cabeças e do pasto, foi-se a pouca riqueza praqueles homens de chapéu de cangaço.

Lá longe, bem longe, lá pras terras de muito mato, muita água e muito trabalho, a outra que não sei o nome, mas diz-se ter Leite ao fim, lavava roupa em um tanque maior que o Rio Nilo. Pobre dela. Como conta da lavanderia, perdeu um filho que nem sequer se decompôs em terra. Deglutido.

Relato lúcido do último ano de lucidez da mãe da minha mãe, entre promoção de Fiesta 97 0 Km e resultados de exames com vista para a escada do Center Um.
História do pai do meu pai. Das barbas incompletas bem antes que sujas de graxa e chinelas sem conceito de propriedade privada.

E eu, bisneto do irmão do devorado pela cobra, sobrinho-neto da esfaqueada por cangaceiro, criado com leite de salas de aula e motores batidos de Fuscas e Opalas, sorrio com a aprovação do Departamento de Ciências Políticas. E, por si só, isso me faz otimista.
Um mês sem textos.
31 dias sem sequer uma vírgula.

É o fim?! Apatia?! Falta vida?!

Nada. Nada. Nada. Nada disso.

Pelo contrário. É o tudo, é o plano, é o casulo.
Eu e minha apostasia.

Leite entre dentes no achocolatado de manhã cedo. Copo de água antes de dormir.

Minha apostasia em sorriso, em raiva, em ira, em felicidade.
Felicidade. Cada suspiro uma negação da certeza infalível.

E essa apostasia! Essa apostasia, cada vez mais definitiva, em cada passada sob o viaduto e sobre as dunas.

Pôr do sol.
Pedaço de pizza.

domingo, junho 29, 2008

Faz três semanas que esses pêlos crescem na cara. Totalmente impunes. Vão tomando meu rosto e escondendo o menino que ainda insiste em existir.

Aí ele pensa em querer sair para andar de bicicleta, lutar contra nazistas só com o mouse e o teclado, pular onda no mar. Não, menino, não pode. Vai tirar esses pêlos do rosto e saber quanto deu a conta de luz.

Tem e-mails para ler. Tem aqueles planos maravilhosos para colocar em prática. Tem que planejar o futuro. Tem que acreditar. Mesmo se for muito difícil, tem que acreditar.

Hoje eu já tenho litros de antidesengordurante. E uma fé ainda maior em Le Bourget.

sexta-feira, junho 13, 2008



Nós, náufragos

Treze de junho de 1983. Há exatos 25 anos, a humanidade foi além de qualquer limite antes conhecido. Naquele dia, um objeto construído pelo homem cruzava as fronteiras do Sistema de Solar pela primeira vez. Em tempos de Guerra Fria, quando uma hecatombe nuclear poderia acontecer a qualquer momento, foi um dia de esperança. Hoje, com o medo do aquecimento global, há quem ainda espere algum sinal positivo vindo do espaço.

Lançada onze anos antes para investigar o planeta Júpiter, a sonda espacial Pionner 10 começava sua segunda missão: enviar um recado da humanidade para alguma civilização extra-terrestre desconhecida. Mais ou menos como uma garrafa jogada ao mar por um náufrago.

A idéia surgiu quando a NASA percebeu que a nave poderia ir bem além de Plutão e, depois disso, seguir eternamente rumo ao infinito. Foi quando os cientistas Frank Drake, Eric Burgess e Carl Sagan, mais tarde conhecido pelo romance "Contato" e o vídeo "Pálido Ponto Azul", apresentaram a idéia. Uma placa de ouro seria afixada na antena da sonda espacial, protegida da poeira cósmica e da radiação, contendo uma mensagem de "nós estamos aqui".

Mas o que escrever para os extra-terrestres?! E como? Carl foi para casa e pensou que o melhor era fazer isso com sua esposa, Linda. Juntos, eles desenharam o que julgaram ser mais importante: um homem e uma mulher nus, em escala com as dimensões da Pionner; a localização da Terra no sistema solar e do Sol na galáxia; e uma molécula de hidrogênio, o elemento mais abundante no universo. Teoricamente, qualquer civilização inteligente entenderia o recado.

Ao que se sabe, a placa nunca foi encontrada por ninguém. A Pionner 10 manteve contato com a Terra até 23 de janeiro de 2003, quando estava a 12 bilhões de quilômetros de distância e suas baterias finalmente descarregaram. Aparentemente, nada de estranho havia acontecido. No máximo, virou um bom roteiro para filmes e games de ficção científica.

Mas a NASA também gostou da idéia. Em 1973, a Pionner 11 levou uma placa semelhante para outra missão fora do Sistema Solar. Cinco anos depois, as sondas Voyager 1 e Voyager 2 rumaram para as galáxias vizinhas com novas mensagens eventuais extra-terrestres.

Dessa vez, um disco fonográfico de cobre e ouro levava vários sons da terra. Em 90 minutos de gravação, mais tarde lançados aqui mesmo, em CD, foi feita uma seleção completa de sons como o canto dos pássaros, trovões, chuva, onda, vento, canto de baleias, músicas de diversas culturas, incluindo "Jonnhy B. Good", de Chuck Barry, e saudações em 55 línguas, entre elas o português.

Cento e quinze imagens também foram analogicamente gravadas nos discos. Mas o ser humano foi incluído só de silhueta. O problema é que, na dúvida sobre nossas mensagens serem ou não achadas por alguma civilização, os protestos na Terra foram grandes. Por conta do desenho do homem e da mulher nús, grupos conservadores acusaram os cientistas de mandarem "obscenidades" para o espaço.

O disco também ficou sem a música "Here Comes The Sun". Os Beatles gostaram da idéia. Já a gravadora EMI não gostou nem um pouco. Eles não queriam permitir que uma música fosse tocada sem que fossem pagos os direitos autorais. Nem mesmo a bilhões de quilômetros da rádio mais próxima...

quarta-feira, junho 04, 2008

Imagino quantos viram aqueles prédios, como eu vi, mas sem saber direito em qual quarto dormiriam na semana seguinte. Monstros de ferro, concreto e vidro a engolir milhões de vidas com o sonho de asfalto e cifras.

Mesmo que cifras só para o feijão e a vontade de voltar.

Teria eu, também, este sonho de falar como falo e ser acusado de sotaque arrastado?! Tirar uma lasquinha de tanto cinza, enfrentar o frio e perder-se entre o ônibus e o jantar?!

Em um metrô debaixo da terra, em avenidas anônimas, em querer tirar foto onde é só mais uma esquina pra quem passa ao lado. Impressionado com o preço de tudo, com o tanto de revistas na banca, as possibilidades, as possibilidades.

Não há concreto. Não há vidro. Não há asfalto. Não há sequer só aquele cinza sem fim no céu. São Paulo pulsa saudades nos buracos daqueles trilhos escuros, sem sequer sinal de celular.

Algo aconteceu.

Algodão no nariz, medo, lágrimas. Dizem que ele teria saudades, mas que não gostaria de nada. Só uma dor pela dor dela, e um lamento pelo será.

Seis mãos na peça de madeira barata, para virar pó, quem sabe. Palavras pouco importariam. O ouvido não escutava mais. A boca não falaria mais. O nariz, só um enfeite de face fria e fechada.

Lembranças, lembranças e uma ironia. Como poderia ser, logo assim?! Nome entre uma lista onde tanto sonhou estar, mas que tivesse início e fim. E o presente para eles mesmos, ainda tão novo, uma boa dica de que pedaço era aquele.

Nada aconteceu.

E, só depois do pouso, descobri que tive medo de avião. E não foi por mim.

quarta-feira, maio 21, 2008


Ok, vamos fazer um acordo.

Eu esqueço que o Goolge Analytics desse blog mais parece um ECG de um zumbi, e vocês fingem que eu tenho cabelo grande, uma barba um pouco mais espessa e ainda estou me encontrando.

É que eu pulso como quem pulsa pela primeira vez. Falo palavras de amor como confissões assinadas de supetão ao relento do horizonte perto. Corro quarteirões ao ritmo da fome que se desfaz ao sorriso e ao olá.

E filme de domingo a noite vira trilha sonora da semana, vontade de gostar até não poder mais e ficar na cama. Na cama. Na cama. Como que em coma. Sem querer acordar de um acordado tão bom.

Voz doce e baixa; ou alta para ser ouvida no banheiro. Eis meu grito e canto. Abraço rápido de meio-dia corrido; ou carinhoso de meia-noite sonolenta. Eis minha dança.

Mesmo sem cabelo grande, nem barba, nem grandes descobertas; esse dia-a-dia como quem descreve o que é ser feliz.

(À propósito: achei minha antiga cabeleleira. E continuo ouvindo she loves you, yeah, yeah, yeah...)

Um rato. Um cano. Um rabo.
Um intestino a ser comido.
Tortura.

Ideal. Possível. Sonhos.

A serem sonhados.

Ventura.

Bandeiras queimam.
Lágrimas marcham. Tropas escorrem.
Até ter sido sonho demais.
Pra ter sido verdade.



quinta-feira, maio 01, 2008

Amanhã era pra ser domingo.

Só mais um domingo. Um domingo vazio. De manhã sem sentido. Desde que o Senna se foi, domingo não é mais domingo.

Domingo de tarde de melancolia. Tarde vazia como batida em um poste. Noite sem notícias e tristeza por anos. Desde que o Chico se foi que domingo não tem mais cara de domingo.


Mais um daqueles dias que na hora do almoço eu lembro quando um frango e uma coca-cola de 1 litro dava para muita gente. Frango, não, galinha. Galinha com cheiro de quintal da vovó e caminho para o Veneza Tropical.

E desde que meu avô morreu, numa noite de domingo, que a segunda parece um porto seguro.

Vou morrer em um dia de domingo. Não sei se como criança de domingo. Se como velhinho com sondas, memórias e mãos-filhas em volta. Ou herói que dá sentido até em dia sem trabalho.

Tenho uma bermuda verde-limão.

Comprei como piada. Um calção de banho de inédito. Ele foi para algumas feijoadas, churrascos e aniversários. Traje básico de quem falava, falava, citava, recitava, bebia, e não sabia sequer para onde ir. Um dia, após elogio de "o Humberto sabe beber", enchi a grama de vômito e a boca de grama. O corpo no chão, a risada perdida, a lembrança pela metade e, lá longe, uma menina via. "Que decadência!". E "decadência" também era ela!

Não sabia, mas tinha conhecido dez dias antes. "Quem és tu, criatura?". Como ela odiava o boçal "quem és tu". Como ela odiava, quer dizer, odeia, o "criatura". Nem lembrei do nome um dia depois. Passou. Só mais uma interessada em frases fortes e piadas sem graça em um blog que, aquele sim, tinha muitos visitantes. Até bonitinha. Belos beiços.

Passa ano. Passa noite de sono em quadra de concreto. Sol que nasce em amigo-irmão que hoje é só conhecido. Passa, tudo passa.

Até que passou da hora daquela boate chata. Fui lá fora, encontrei outro amigo. E ela, a que me viu de bermudinha verde-limão, lá fora, enchendo o saco, ela ali, sim, bem "criatura". Perdida que nem eu, ela de um jeito, eu do outro.

Aí eu pensei, mais ou menos uns 2 meses depois: "quer saber?! Hoje eu vou ser inconseqüente! O que tiver que ser será. Eu quero é aproveitar!". Saí então feito doido, com umas gotas de perfume e 7 reais, "será que dá?", no bolso.

Passaram-se cinco anos. E agora estou em casa. Nossa casa.

Eu não bebo mais. Nem ela. A bermuda verde limão continua lá, firme e forte. E se eu quiser saber "quem és tu, criatura", eu mesmo respondo, "é minha mulher, é minha companheira". A melhor inconseqüência da minha vida. A melhor vida que eu poderia sonhar entre copos de vinho barato, frases-sinceras entre sorrisos e caminhadas sem fim.

E eu me sinto como o Jonh, no começo da carreira, sorridente e feliz.

She loves you
Yeah, yeah, yeah....