terça-feira, julho 12, 2011

Depois do quase terceiro quilômetro, a música ficou até mais lenta, e falou em voz francesa nos meus ouvidos. Relaxei o passo. O ar crepuscular frio foi reconfortando as pernas que já queriam incomodar. Mas elas aguentaram firme.

Então eu pensei que era bom ver o sol indo embora por trás das montanhas. Como é relaxante pensar que em uma cidade dita maravilhosa, é o frio com o sol sem força que me encanta. O prazer de ver o pouco visto.

Pensei na casa de antigamente, pensei na casa atual. Pensei na casa futura. Pensei na que ainda nem sei onde será.

Aliviei mais as passadas, troquei a música, e movi os braços para me aquecer.

quinta-feira, junho 30, 2011

É inevitável
É inevitável
É inevitável

Não ver um fim só é possível com o próprio fim. E eu fui preparado para tal. É inevitável. Se eu já sabia, por que incomoda assim?

segunda-feira, junho 27, 2011

Me sinto como que alçado a um futuro distante rápido demais. Olho os homens de barba e as mulheres de calças sérias e imagino como eram há 10, 15 anos.

Pago minhas contas, uso anel na mão esquerda, planejo paredes e possuo rodas. Mas, sinceramente, não me sinto ainda como quem já terminou o colégio. Não mesmo.

Parece que, como quem desperta de um sono, eu vou voltar a qualquer momento para esperar o carro às 17 horas e ir para casa. Alguns tarefas a fazer e o desafio de no dia seguinte ir de perfume em busca de algum sucesso.

Torcer pelas terças e quintas por ser dia diferente, e planejar almoçar bem para conseguir guardar dinheiro. A meta é ter 8 reais por semana. Em um mês, faria mais de 30. Já o suficiente para ir ao cinema no horário mais barato, com lanche e passagem.

Penso em ainda pensar as escolhas para depois do terceiro ano. Puder mudar a vida inteira dependendo do último livro. Um dia, professor. No outro, ainda piloto. Mais um, arquiteto.

Esperar o fim de novembro por dois meses sem nada. E, hoje, imaginar que a vida poderia ir além de acordar tarde. Queria aqueles dois meses, agora. Iria a muitos lugares. Faria muitas coisas. Aprenderia outras tantas. E ainda tinha todas as manhãs. Todas.

Fazia planos simples. Tão simples quanto roteiros de filmes ruins. Na semana, esperava o pão do fim do dia e olhava com certa alegria para a lata velha que às vezes só tinha uma só opção de biscoito. Aos domingos, soltava sorriso aberto ao ver minha mãe meter cheiro verde no macarrão.

Minha mãe. Que não sei de onde tirava forças para roupas de cinco em litros de água, quilos de sabão e somente a força dos próprios braços. E trabalhava. E cozinhava. E limpava. E pagava as contas. E ensinava. E inventava.

Inventava que um ônibus que até passava pelo Centro e ia para uma praia pouco badalada podia ser um dia agradável. E convencia. E deixava o almoço já preparado a espera. E. se contava as moedas, não me fazia perceber. E eu sorria.

Sinto uma expectativa, esperança até, que isso tudo é só uma história muito criativa para minhas peças de Lego jogadas no chão em uma ordem e roteiro impossíveis para outros meninos bobos. Sim, eu elaborava detalhes que envolviam até cartão de crédito e partidos políticos.

É só eu conseguir fechar um pouco mais os olhos que os gemidos de dor que eu ouço agora vão se revelar só meus fantasmas de quando ficava só entre as 17h50 e 19h00. Daqui a pouco eu vou ouvir da casa ao lado que já começou Perigosas Peruas e vou guardar cada pedacinha no saco de supermercado.

Vou deixar tudo dentro do meu guarda-roupa e esperar para abrir o portão. O Del Rey vai sujar o azulejo branco do chão com um pouco de terra. Vão me dizer que já passaram na Padaria e que só demoraram um pouco mais porque os meninos tiveram quinta aula.

Eu só estou angustiado assim porque hoje é noite de terça e acabei brincando mais que deveria. Não fiz minha tarefa de casa. Não cumpri o que eu mesmo aguardava.

quinta-feira, junho 23, 2011

Uno Uno Romeu. É de onde parto. Dessa vez, para onde tão bem conhecia. Vou sobrevoar a Lagoa, passar ao lado do Pici, ver a Parangaba se tornar maior. Vou pousar e sentir o ar quente do avião.

Mas viajo tenso. Viajo de preto. Viajo no alívio de não precisar acordar mais todos os dias com medo de ser como um personagem do Camus. Não receberei telegrama. Talvez eu veja. Talvez esteja presente. Talvez só me espere para ir.

Olho para o meu dedo e vejo uma aliança. Olho no espelho e vejo que, mesmo tirada todos os dias, há uma barba ali. O rosto já não é mais jovem, e já não sou criança. E quem eu via como adulto, ficou velho.

Se voltasse no tempo e contasse quantos anos eu ainda a teria, talvez desse um desespero. Há dez, conquista era guardar 20 reais. Há cinco, ainda perdido, ainda sem certezas de futuro. Há tão poucos, ainda feliz com o gosto gostoso de suco de manga quando já recebia convite para almoçar onde antes chamava de casa.

Olho as horas e, de repente, esses 180 minutos sem sinal me dão desespero. Queria um VHF. Queria um satélite. Queria unicamente saber como será quando eu voltar. Como será quando eu ver esses dias como quem olha para trás. Quando será minha vez de fazer o suco e até chamar para almoçar.

Uno Uno Romeu. Manetes em posição e agora é para valer. O bom e velho ciclo da vida.

terça-feira, junho 21, 2011

Em Brasília, 2 horas e 53 minutos.

Da manhã. Tenho medo do vento no pescoço, dos barulhos da rua. A mente vai e volta e contorna. Chego à pomba atômica da paz, bomba atômica que mata devagarzinho. Preciso dormir.

Sinto saudades, mas é saudades controladas. Até exagero na noite, todavia os horários me ajudam. Imerso-me em palavras perdidas mas volto para olhar se ficam repetidas muito próximas uma das outras.

As pernas dóem do exagero da corrida. Penso nas calorias queimadas na expectativa de centímetros irem embora. As calças ainda entram, não me importo. Tenho medo é medo de um dia ficar doente.

Ficar doente e deixar de passar noites acordado. Noites de saudades. Noites sem chocolate, sem álcool. Noites radioativas, mas sem cara pálida. Noites em que enlouqueço na cozinho. Olhando o reflexo feliz enquanto lavo as louças.

sexta-feira, junho 10, 2011

Andei sob chuva fina, spray aquoso que não molha, e resfria. Fechei meu casaco e baixei a visão. Ajustei o som e comparei Auf Der Mar com Lechantain.

Nos pés uma mistura de água e barro. Um céu lindo e um cartão postal. Pensamentos do mundo, pressa no pulso. Mais um dia.

Sou feliz em amar a sexta. A sexta de manhã. De riscar as frases com verbos, escritas com minha letra. Traçar planos até para cabelos brancos. Ou inexistência deles.

Adoro ir trabalhar a pé
Adoro caminhar na chuva
Adoro ter um fone de ouvido

Adoro quase aos 27 me sentir como aos 14

terça-feira, maio 31, 2011



Nosso dia-a-dia é feito de materiais trabalhados. O plástico na forma perfeita. O metal que aquece e esfria ao nosso gosto. o algodão desprovido de qualquer lembrança vegetal, agora com falsas flores sobre o nosso frio de noite. Manipulamos o mundo a nossa imagem, gosto e às vezes até semelhança de tudo sem nós.

Mas a natureza nos lembra como somos manipuláveis, ainda. Que uma força pode ser maior, seja ela vinda debaixo da terra, sejam até células dentro de nós. A vida pode parecer ser feita por palavras que surgem em monitor de cristal líquido após pressão sobre um teclado.

Mas ela ainda começa, e pode acabar, com o mesmo suspiro de sempre. Bem maior que nós.

sábado, maio 07, 2011

Sinto o gosto da finitude.

Entre a doença da minha mãe, e a loucura do meu pai, o prazer de estar vivo é melhor.

Faço planos para o futuro. Que seja longo.

Penso no homem que pensa que não está só. Estaciona em lugar errado para conhecer alguém do outro lado do auto falante. Ele derrama leite sobre o chão e o mistura a lágrimas.

Vejo a bandeira queimada na televisão. Rio.

Sinto vida surgir dos dedos. Eles já nasceram. Espero dá-los uma trajetória.

segunda-feira, abril 18, 2011

Acho graça das viagens em que a cidade são paredes diferentes para os assuntos feitos do outro lado do caminho do avião. Só muda a temperatura e umidade. Torcer por uma combinação agradável. Mas dessa vez, me dei mal. O Rio sempre foi gelado para mim. Dessa vez, quente e absurdo. Suor, torcida pelo não fedor. Saudades. Mas uma saudade aplicada à decisões práticas. Amor não só para a vida, por si só, mas uma grande parceria para tudo nela. Saudades. Saudades de onde não é casa. De quem não moro mais junto. De quem está próximo mesmo sem fotos. Cada ato e frase minha são a lembrança mais forte de onde vim.
Mares de Morros. Quando chego ao Rio tenho sempre uma agradável lembrança das aulas de geografia no ensino fundamental II. Era bom. Bastava saber os fatos, nada mais. Inselbergs é o nome dado aos morros testemunhos, cristalinos, no sertão do Ceará. Ienissei, Obi e Volga são os principais rios da Rússia. Matis e Guarrigues constituem a vegetação típica do clima Mediterrâneo que, apesar do nome, também é verificado na costa oeste dos Estados Unidos. Gostava daquele tempo. Das disputadas da sala divida ao meio, e o livro mais tarde como o fim de todas as dúvidas. Sem falar de pai e mãe ao fim do dia. Hoje, o conhecimento é uma coisa estranha. Às vezes punição, às vezes desaconselhável. Às vezes, tenho certeza, secundário. Mundo estranho, esse. O livro deveria me falar de como superar as vontades, porque os fatos aprendem sozinhos a se desdobrarem em opiniões.

sexta-feira, abril 01, 2011

Aprendi a dar um nó na gravato. Sozinho, meio desesperado com o horário e... ...ficou muito bom. Onde está aquele que não usaria terno de jeito nenhum?!

Moro no bairro que termina com "Sul", e que um dia, cantando a banda que nunca vi, falei "asa azul". Agora, Z, só se for de vizinhança.

Ponho um dos PC no colo e jogo jogo jogo o joguinho que aos 8 anos tinha fila para o Master System. Conduzo Alis e Companhia, e minha mulher dorme ao lado.

Ouço Iron Maiden e consigo até sentir falta do meu irmão. Percebo que não conheço nenhuma banda de rock boa que tenha surgido nesse século. Quero quebrar CD's e picotar as revistas que busquei - por espaço, e pelo mundo digital.


Na tela, passa "Contato" e, de fato, ainda me emociono. Mas adoro a cena da entrevista coletiva. Exemplo para o trabalho. Trabalho, trabalho, trabalho. E gosto do resultado.

Mas nunca, nunca, nunca usarei tênis e sunga para correr. Isso eu me prometo.

domingo, março 20, 2011

Será a falta de vida? Ou excesso dela?!

Os dias passam, e gosto que passem. Sem um pé na rua, vento à distância, nada mais.

Movo as mãos em tarefas simples, e saio de mim, saio da minha vida. Assumo outras.

Um homem da gravata preta e blusa branca. Desde criança, sonhava em ser burocrata. Tornou-se crítico de arte. Mais talentoso que o artista é o bobo que escreve os parágrafos de palavras difíceis.

Alternância subjetiva com profundidade lírica exposta pelo autor em uma delicadeza composta pela transfiguração da hegemonia ausente em paralelo com a escassez ideológica.

Sem sucesso entre as mulheres, com dinheiro no bolso e louco. Amigo, talvez, de outro. De obras errantes sem palavras que as definam. Feitos um para o outro. E para os tolos no museu.

Vidas entre espuma nas mãos. Que sirvam para digitá-las!

segunda-feira, março 14, 2011

Desmaio é um sono que vem apressado. Vai correndo de mansinho e dando tchau para cada parte do corpo. Vão minhas pernas, meus braços, minha audição, o teto...
...acordo.

quinta-feira, março 10, 2011

O ano começa só depois do carnaval?!

Nada escrevi até agora. Silêncio-rádio, vazio, nada mais. Criei personagens que são folhas de papel, surgidos em corredores de supermercado, inexistentes em forma. Inexistentes em palavras.

O ano só começa agora, o passado acabou naqueles fogos. Entre isso, nada. Páginas no trabalho, nada. Memória e momentos memoráveis de férias na terra natal, nada.

I talk to tou, and nothing.
I huge you, and nothing.
I kiss you... and nothing.

No vazio preenchido de dias repletos, mas classificados de nada, eu inicio meu ano. Inicio as palavras. Esse ano, mais exatas.

sábado, dezembro 25, 2010

"Eu conto as horas que passam
Eu conto estrelas no céu
Na solidão das noites sem graça
Nos quartos de hotel
como se chama essa cidade?
como se chama atenção?
De uma cidade que dorme
Enquanto a gente, infelizmente, não?"

Comecei o ano morando em um hotel. Já tinha casa, mas ainda estava lá. Mudei-me só no dia 23 de janeiro. Bem me lembro: um colchão no plástico, um fogão na caixa. Nada mais. Um sinal wireless aberto. Nada mais.

Noites vazias e quartos de hotel continuariam. Foram 83 dias. Oitenta e três longos dias longe de Brasília. Dias corridos, do norte ao sul do país. E até fora dele. Jogado em um cobertor imundo em uma terra distante que tremia. Calorento na selva. Isolado em grandes cidades.

Mas também tive dias bons longe daqui. Até o fim do ano, vão ser 33. Praia, pai, mãe, pizzas conhecidas e lembranças. Também uma ida à cidade perto. Ainda prefiro Guaramiranga.

Viajei muito esse ano. Ainda bem. Apesar de tudo, gostei.

Sempre foi bom o retorno. Sempre olharei emocionado pela janela. Ou até quando não tinha. Voei 70 vezes, de acordo com a lista precisa que já precisa de mais folhas na agenda. Desconsiderei uns voos de transporte de alimentos. Mas lembro de cada um deles. De Blackhawk. De Legacy. De Super Tucano! Até TAM, Gol, Passaredo, Avianca, Webjet. De UTI aérea.

Ali, onde posso ver que o céu tem muitos tons de azul.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Quando eu tinha 20 anos, Noblat era Bíbilia. Havia quatro tipos de jornalistas: os raros, que escreviam bem e apuravam bem; os que escreviam bem, mas apuravam mal; os que apuravam bem, mas escreviam mal; e as "grandes figuras humanas".

Hoje, não há quatro tipos de jornalistas. Hoje, hão jornalistas. Assim mesmo, no verbo mal conjulgado. Alguns com diploma, outras sem. Hão.

Frases mal escritas, nenhuma linha de pesquisa, como é mesmo o nome do oceano que separa a França do Brasil?! Hão. Moças de brinco que brilham, homens de óculos grandes. Hão.

Não há mais filosofias, vontades, ideologias. Hão frases fáceis e reclamações. Hoje eu vejo muito mais que um tipo. Nem sequer são grandes figuras.

Hão.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Rio do inglês correto, mas errôneo. Mais uma vez, o voo está embarcando. Is now boarding. Snowboardig. Imagino a prancha colorida na montanha nevada. O sorriso do turista, entre todas essas caras.

São faces de olá. São faces de adeus. São faces como a minha, de até logo. Rostos que dizem "não vou mais para o trabalho de ônibus". Mas levam horas, dias até, para voltar para casa.

Ouço os sotaques de todos os locais. Nesse caos-aeroporto-lotação de capital do Brasil em um domingo à noite. Os R puxados. Os xiados que até irritam. Nosso canto cantado.

Se contar com os dos pés, uso os dedos para quando estarei na praia. Pai, mãe, todo mundo, areia, um natal como não tive ano passado. Feriado que conquistei e que agora conto em muitos dedos.
Há pouco estive lá. Quando a porta traseira abriu, abri os pulmões e inspirei fundo aquele ar que sempre confundi com vento. Não era frio, mas refrescava. Agrádavel, meio molhado, de casa.

Mas não pisei no solo. Não saí do avião. Deveria permanecer imóvel, pois não era meu destino. Cruel. Como quem rezou demais e recebeu punição. Eu, que tinha o Makro e a Lagoa da Parangaba como locais de tristeza, vontade e esperança, naquela hora só podia me esticar e ver de longe as ruas amigas sumirem sob a asa.

Ah! Aquele destino um pouco ao Norte, um pouco ao Leste! Um tanto da minha vida, que sorte! Como mais perto do sol, mais perto de mim. Mais perto de ser feliz. Onde não é mais casa, mas para sempre será um lar.

Atrás de mim, agora, uma fila vai para lá. Vontade de apertar as mãos, um a um, e desejar boa viagem. A fila se vai. A moça de preto e vermelho mal olhas fotos. Não confere os bilhetes. Nada. Ela só recolhe os papéis, nesse caos-aeroporto-BSB. Haverá uma poltrona vazia?

Posso correr, posso fugir. Posso só depois fingir que foi engano. Mas merda, sou lúcido, Campos. Vou mesmo para Manaus.

Com muitos dedos nas mãos. E nos pés.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sexo e morte. Não há qualquer outra força além disso. Há quem pense que somos só uma grande máquina controlada por genes que querem se multiplicar a qualquer custo. Antes que o tempo acabe. Prefiro acreditar que somos simples, e só. Raiva, inveja, desejo, esperança. Tanto faz. São só derivados de duas forças opostas, mais fortes, acima do que somos, acima do que conseguimos pensar.

Tentamos raciocinar trocando os nomes. Pode-se chamar de amor. Pode-se chamar de medo. Pode-se chamar de Deus. Ou de Diabo. Tanto faz, não importa. Ilusões que complicam o que é para ser fácil. O ser humano se importa com os seus limites, mas só vivencia de fato o meio.

É o caminho que importa, e não a chegada, diria alguém de olho puxado. De fato, morremos só uma vez. Multiplicamos algumas, ou nenhuma. E temos medo de ambas as coisas! "É preciso se conhecer muito bem para se multiplicar", diria O Encontro Marcado. Já a morte vem calada.

Inventamos Deus. Egoístas. Um Deus à nossa imagem e semelhança. Um Deus panacéia, amigo que indica coisas certas, mas nos conforta nas erradas. Esquecido quando conveniente, solicitado mesmo que para passar por cima dos outros.

Desejo de sexo, medo da morte. É lógico que Deus surgiria ao se olhar as estrelas. A última visão de muitos. Na boca de um animal selvagem, atravessado por uma lança, convalescente de uma doença fatal. O melhor momento, quando em posição favorável. Mas também pedras, água, terra, lençois.

Vivamos o meio. Não os extremos. Pouco importa se o hormônio controlado dos ovários torna inócuo o momento de prazer. Ou capa de borraca. Não se interessa se os hormônios aplicados na comida reduzam o tempo de vida. Pouco importa a multiplicação, pouco importa a morte.

Nada de Deus, nada de sexo. Só os segundos de prazer. E mais nada. Como trocar o suor do rosto por água pura, concluir um pensamento e, aí sim, se auto-dizer: sim, eu existo. Chegar meio do dia e encontar lugar no mundo. Olhar para as estrelas sem sangrar, nem gozar. Ver limites e o que há muito mais além deles.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Natal venta Fortaleza
Mas não a é.
Não há ela

Brasília é uma estranha agora distante.
Mas com lugar que chamo de casa.
Absorto em emoções entre ser e o faça.

Neste mar eu flutuo imóvel. Meio afogado
Gosto salgado e voz de sotaque
Tendo opção, prossigo dócil
Ela, exceção a misantropia própria

Dentre caminhos passo incólume
Olho a velocidade de dia
Olho a ligeireza da noite
Anexo ao devir hoje forte

quinta-feira, outubro 07, 2010

A maior lição de economia que tive, na vida, foi aos dez anos. E foi uma lição doída, para não dizer odiada.

Tudo começou no dia do meu aniversário. Queria umas duas roupas, e, quem sabe, um brinquedo. Naquela época as crianças ainda queriam ganhar brinquedos - e a Mesbla resolveria tudo isso.

Mas minha mãe não queria. Ela contava o dinheiro, cuidado do cheque. Estava preocupada. Fiquei angustiado de sequer ir na parte nova do shopping, e fomos para casa.

Pouco menos de dois meses depois, lá estávamos novamente. Aniversário da minha irmã. Presente, roupa e até compramos nosso primeiro tocador de CD, aquele que conectava no AUX IN do som grande da sala.

No começo, fiquei com raiva. Depois, lembrei que o dia do meu aniversário de 10 foi histórico. Todo mundo passava o dia a multiplicar tudo por dois mil setecentos e cinquenta. Também torcia para receber uma ou outra daquelas notas novas.

Dezesseis anos depois, tenho dúvidas se alguém lembra que se ocorreram coisas boas, ou coisas ruins, tudo depende daquele 1° de Julho de 1994. Quando 2.750 virou Um.