quinta-feira, maio 24, 2007

A foto acima, rara, foi batida em 1955, por um fotógrafo que desconheço. Mostra a construção da Igreja de Fátima, no então bairro Redenção, atualmente chamado Bairro de Fátima, em Fortaleza (CE). A obra foi iniciada em 1951, após a visita de uma imagem de Nossa Senhora, vinda de Fátima (Portugal).

Pergentino Maia, que hoje é só o nome da rua onde fui assaltado um dia desses, doou a área para a construção da Igreja e da praça Pio XII. Vendeu todo o resto para as famílias mais abastadas que sonhavam em morar perto de onde se tornaria a principal Igreja católica da cidade, com procissões que superam as realizadas na Sé. Não sei onde gastou o dinheiro.

Os adultos daquela época, hoje, são alguns idosos que resistem em belas casas, especialmente entre a Avenida 13 de Maio (antiga pista de corridas de cavalo) e a Av. Borges Melo, que ligava a Base Aérea à "Estrada do Leite", hoje conhecida por Av. Gomes de Matos. Belas casas, com várias colunas, varandas e amplos quartos.

Cada vez mais raras. Dia após dia, dão lugar a farmácias, bancos e academias. Duas delas tombaram há dois meses. No seu lugar, um grande centro comercial vai ser inaugurado. A propaganda é ufanista: "Bem Vindos ao Futuro".

(Tenho esta foto em um CD, em alta-resolução. Daqui a uns 50 anos vejo o que fazer com ela)

Vez por outra vou lá. De um lado, onde se corria, na época em que educação física era chamada "recreação". Via sacos girarem, folhas e os padres com seus carros. Do outro, as quermesses da adolescência, quando já não quis ir.

Pois aí em cima - alguns anos depois da foto, claro - aprendi o gosto da hóstia, o cheiro da cinza, como se diz adeus às almas e perdi a fé. Entre frases pré-ensaiadas "aceito, aceito, aceito", sem saber a pergunta, decidi que o ruim não é acreditar na falta de lógica, é ser rebanho.

Mas não a deixei para trás. Vez por outra, desço um pouco antes do ponto de ônibus, e fico ali a olhar. Vejo uma empresa lucrativa, vejo as lembranças, vejo um bairro que amo crescendo ao redor.

Vez por outra.

quinta-feira, maio 10, 2007

Fecho os olhos.

A barra de ferro me segura. As pessoas ao lado, também. Esqueço o perigo, o dia, fome, texto. São uns 20, 25 minutos.

Três ou quatro itens na folha da agenda. Só consegui um ou dois. Digo estar doente, devo estar. Vejo a hora ir embora, amanhã faço melhor.

Amanhã acordo mais cedo. Mas não durmo. Abro os olhos. Acendo a luz. Até quando?! Esqueço a hora, viro a página, a figura perde a graça. O avião enfada. A música dói na cabeça. Escovo os dentes.

Nem sou daqueles que só sai de noite, nem sou daqueles que preza pela hora que acorda. Seguro na barra de ferro. Fecho os olhos e aguardo. O final de semana, o final do mês, o final do ano. O pouso, se é que um dia terei.

Caio de lado na curva, passo o cartão e sorrio para a licença. Dou um jeito no fone de ouvido e espero o dia seguinte. E aqui, nestas linhas, a música que seria tão linda não tem letra, é só uma melodia.

quarta-feira, maio 02, 2007

Desculpa, desculpa mesmo, Mariana.

É sério: eu até tentei. Acordei cedo, peguei informação cedinho, passei o dia na espera, mesmo que não falasse. Bem que você poderia ter facilitado para mim, não é?

Porque do meu final de semana que começa sábado meio-dia até domingo de noite eu estava a postos, mas ninguém esperava (por mais que agora digam quem tinham certeza) que fosse logo na hora que se dorme já de olho nas feiras. Aliás, você chegou já era segunda, e nem teu quarto tava arrumado ainda.

Certo, terça foi feriado. Mas você acredita que bloquearam minha conta e hoje eu fiquei até sem almoçar só para poder deixar tudo direito?! Que falta de sorte! Tive ontem a noite inteira pra ir te ver, mas sem um realzinho para gasolina não deu certo.

Tá, tudo bem, eu confesso: também tinha que adiantar trabalho para o dia seguinte. Porque no dia seguinte, ocupado desde ter sono até ter sono de novo, já não seria suficiente para cumprir o que se precisava. Mas eu garanto que entre uma parada ou outra do ônibus, no arquivo carregando ou na hora do copo d'água eu pensei em você.

Sábado dá certo. Só me perdoa que três dias pareçam ser a vida inteira para quem nasceu nesta semana. Mas a vida é assim, ah, você vai ver.

sexta-feira, abril 27, 2007

Esperança é um pêndulo que balança. Às vezes acho que com uma força que parece vento de agosto. Em alguns dias, é uma calmaria que deixa a água suave, mas não leva para nenhum lugar. Noutros, vira voraz vento veloz.

Mas eis que esta tal de esperança, na maior parte do tempo, é verdade, insiste em vir por nossos olhos olhando para os outros. A gente a perde até quando vê, presta atenção, mas jamais acreditaria que ali, ali mesmo, tão movimentado, seria surpreendido.

Uns dez ou quinze meninos. A idade não varia muito disto. Foi preciso falar grosso. Não, você não vai jogar essa pedra em mim. Não, eu não tenho "um bucado de onça na carteira". E sim, estou apenas indo para casa andando. Criavam coragem. Não tiveram: me safei. Mas um dia vão ter, mais cedo ou mais tarde. Mais que pedras, sei que vai ser à bala.

Foi-se. Só que voltou, no dia seguinte, lá longe, no meio do sertão da caatinga que se chama assim e não fede. Pelo contrário. Tava com aquele cheiro bom de chuva, barro molhado e milho crescendo.

Estes eu pude contar. Eram dez. A idade, não variava muito disto. Mas bastou ficar calado. Eles que cantaram. Eles que falaram em ser tal de cidadão. Eles tinham a rima. Eles embolaram, se fizeram de doutor a cumpadi, falando de terra, falando da terra.

E veio de novo.
Esta velha esperança de acreditar em todos.

quinta-feira, abril 12, 2007

Tacava a bola na parede com força e dava um salto, fazendo pose, para defender feito homem-elástico. É claro que eu sabia aonde ela ia, mas errava quando era hora de ser o goleiro reserva. Bom mesmo era se ver como artilheiro.

Luisinho. Até admitira. Nome de craque. Só era pena que na escola as outras pernas na quadra não ajudassem como o portão da garagem, e o apelido que ainda hoje odeio fosse só mesmo uma referência ao tamanho. Deixa pra lá. De tarde, esquecia tudo, vestia a blusa do meu pai - ia até depois do joelho - e fazia gols sozinho.

Em uma certa época, eu não ficava tão sozinho e pegava ele me olhando. Daquela cama de hospital na sala de casa, meu avô nunca pode fazer um único comentário, mas eu sentava e contava tudo. Se ele pensou que um dia teria mais gente na torcida, errou feio. Primeiro porque morreu pouco depois, ali mesmo. Segundo porque a parede não deixava ver o que eu fazia quando cansava.

Olhava pra cima. E não era em busca de Deus, nem de ajuda. Pelo contrário. O martírio de alguns me fazia bem. Era um barulho que vinha crescendo, baixava o trem de pouso e curvava para depois morrer na pista perto dali. E enquanto eu olhava as camisas começaram a chegar só mesmo até a cintura, aprendi tanta sigla que até hoje não sei pra quê. Tudo culpa dos AT-26 do 1°/4°GAv, os Xavantes do Pacau da BAFZ e sua rota de pouso.

Estava certo. Decidido. Eu ia ser piloto. E dos bons. Nunca entraria em guerra, mas teria lindas imagens, uma vida agitada e certeira. Pirassununga, Natal, Fortaleza, Anápolis e dali qualquer distância seria pouca para um supersônico. Mais velho, cruzaria oceanos levando gente para lugares distantes.

Só que a Varig não voa mais para o Japão. E os esquadrões foram reagrupados. É óbvio que o plano não faz sentido hoje. Nem nunca. É que são tortos. Vesgos. Pra perto de um lado, pra longe do outro. Estrabismo. Astigmatismo. Sangue escorrendo dos olhos para o rosto como bom resultado de cirurgia que já era uma certa desistência do Dr. Héverson.

Se um curativo incômodo e 3 dias de cegueira quase eterna eram explicações visíveis para ser desfalque nas olimpíadas da 4° série, o que eu não via é que não eram só os titulares que não notavam algo ao não perceberem a ausência do eterno reserva. Aquilo deixava claro que se um dia eu for pra Le Bourget, infelizmente, haverá aeromoças.

Não descobri como um grito, como em Little Miss Sunshine. Foi engolido aos poucos, ano após ano. Conselho após conselho. A cada grau que insistia em não ir embora, a cada dor de cabeça nos 4 anos que decidi simplesmente não depender deles. Consegui passar no vestibular, tirar carteira de motorista e ler muitos livros fingindo ver claramente bem. Só que nesses quase 1.500 dias, teve quem só pensou que eu tinha esquecido de colocá-los naquela manhã. Óculos já eram parte de mim.

Eu não acordaria, nunca, em Pirassununga. Eu não teria a desejada saudades de casa. Mas não cedia. Continuava sonhando com asas, mesmo quando olhava grades curriculares de arquitetura, geografia ou mesmo pedi para ganhar um violão. A resposta foi sim, mas depois de um ano pegando coragem para pedir, ficou difícil perguntar "e aí?" quando notei que não lembraram mais. Deveria ter pedido direto na loja. Fica a lição: não peça nada na praia, que lá só vende peixe e coca-cola. Aprendi isso, mas não quis nem saber de ver aquela prova. Vai que eu passaria. Seria bem pior.

Mas fiquem contentes por mim: o violão nunca veio mesmo. Ainda bem. A voz não é tão melhor que os dribles. Só que ela ainda tem um pouquinho de força, só um fiozinho, que já é o suficiente para perguntar: alguém me ajuda a ser um bom goleiro de verdade?! Quem sabe eu acabe indo aos céus, que nem o vovô.

segunda-feira, abril 09, 2007



É numa praia de ondas tortas que a gente esquece se é domingo ou algum dia dos que terminam em feira. Onde a água ganha valor a cada passo e a fome, sede e até a dor na perna, que insistia em não ir para frente nem mais um metro.... não importam mais. Só porque uma pedra foi esculpida pelo mar e ficou conhecida como furada.

Tudo por uma bela vista.

Seja ela de dia, com sol a pino e a água que não decide se quer ser verde ou azul, ou de noite, quando dá para ver estrelas que eu juraria que não estavam ali. E a hora depende só da vontade e da luz, mesmo que a gente durma depois de umas poucas voltas nas ruas de belos pratos e alguns sonhos, ou acorde quando já queria estar na praia.

Deixa. Vira para o lado, sorri. Bate mais uma foto. Pra quê caminhar mais um pouco se já deu para descobrir que beleza maior não há?! Ah... Jeri...

Tudo por uma bela vida.
Em ondas tortas

sexta-feira, março 30, 2007

Desde novembro. Antes disso, julho. E, em ambas, foi um jura de "só hoje", porque, afinal, o Luis estava em Fortaleza.

Fora esses dias, só o Reveillon. Claro: este precisa de meia noite. Mas fora esse tal 31 de dezembro, nenhum outro.

Se passou das 10, melhor dormir.

E, sem ser um cara medroso, vou me redendo ao medo.
"graceful swans of never topple to the earth
and you can make it last, forever you
you can make it last, forever you
and for a moment i lose myself
wrapped up in the pleasures of the world"

E obrigado por ter me feito conhecer esta música.

quinta-feira, março 22, 2007

Adoraria não conhecer o futebol. Que quando me perguntassem "o que é isso?", eu respondesse que achava que era uma modalidade de badmington. Isso porque, conhecer este esporte maluco que te faz sentir do topo à fossa nos poucos metros entre uma bola e o gol, significa amá-lo.

Não dá para ser indiferente, não é surpresa que movimente torcidas, movimente pessoas, seja paixão, vida, bandeiras, motivos. E gostar de futebol é sinônimo de ter um coração com cores, sejam elas tricolores, alvinegras, alviverdes, rubronegras, multicoliridas ou até monocromáticas. Esperar ver aquilo como número é como ter um alguém e trocar por um radiador furado.

Mas me arrependo. Sempre me arrependo lá para os 35 do segundo tempo. Aquela sensação desconcertante, aquela luta interna, "calma, amanhã é mais um dia e minha vida não vai mudar", "Corre logo seu saco de batata! Não vê que dá para traçar cinco, cruzar e ainda correr para fazer de cabeça?", lógica, ilógica. Eu chutaria no canto, eu correria todo aquele campo, eu que nem sei ver direito, eu que canso.

Esse esporte maluco que se for pênalti dentro dos 90 minutos já é pulo, cantoria e abraço em um desconhecido; mas se for decisão por pênaltis cada um deles parece o fim do mundo. Uma bola, linhas, alguns heróis - mesmo que estejam com preguiça e tenham bebido no mesmo dia - e um bando de bestas enlouquecendo do lado de lá do alambrado, sem nem ver direito.

Eu queria não gostar de futebol.
Eu queria não ter um time.

Mas, se der, sábado estarei fingindo, mais uma vez, que todo este tempo aqui fora é só um lapso até os próximos dois tempos.

sábado, março 17, 2007

"-O Carl achou nossas fotos lindas"

Mais dois dessalinizadores, uma política pública, detalhes das tecnologias apropriadas e uma versão "de luxo" da apresentação do programa, já com resultados, umas histórias de sucesso, uma edição bem feita e fotos perfeitas.

Opa! Isso vai ser bom de fazer.

Quais os dias que tenho aula à noite?! Neste, neste, neste, na Unifor. Lá atrasa, tem contratempos e vez por outra folga muito longa. Pelo menos, leio tudo e mais além. Naquele, no outro, e na próxima, na Assembléia.

Fui até de blusa social, mas sorri do mesmo jeito quando descobri que o coffe-break não era só pro primeiro dia, e sim para todos. Quarta, os paranaenses. Terminei a SUPER do mês, vamos à ASAS. Mais um artigo do livro?! Consigo no feriado. Tem que ser neste, porque no próximo, u-hu, Jeri.

Eu vou, eu vou, pra Jeri, eu vou, eu vou....

E o filme desta sexta, qual vai ser?

Cheguei em casa sorrindo. Cabelos molhados e o seu madrugada, da blusa, querendo ser amassado por outro corpo. Agora, almoço. Nem do Tilápia, nem do Delícias, nem dona Regina, é da mãe. Passar esses arquivos, gravar aqueles CD's.

(Il faut que je fasse tous ces choses, je dois être hereux, besoin d'un ou deux jour pour nous. Envie de la vie. Tout droit, avant, allons-y)

segunda-feira, março 12, 2007

Essas palavras não têm nada demais.
Não são poéticas, não são precisas. Não marcam.
E ainda se repetem. Repetem. Repetem.


Nem são especiais. Mas quem as lê, certamente, o é. Alguns vêm perdidos do google, outros já direto. Nem sei o que querem, nem o que pensam.

Mas são poucos. Felizmente, sei de onde são. Alguém em Pedra Azul gosta de mim. Pedra Azul?! Gostei da pesquisa. Trouxe uma palavra adorável: jequitinhonha. Se fosse comestível, certamente eu quereria mastigar jequitinhonha vendo um jogo.

Ou chamar meu amor pro canto pra fazer uma jequitinhonhazinha. Com jeitinho. Palavra engraçada. Só vou ter pena de quem me lê de Beijing e de Hangzhou.

Só me resta dizer:

xiè xiè

(E eu achando que "jequitinhonha" era coisa engraçada)

sexta-feira, março 09, 2007


Um pouco de concreto.
E alguma chuva.


E mais um Boeing, do idle ao full, deixou a cidade mais vazia.



E ainda diz que tem problemas.


Ousa pensar que eu não espero a sexta-feira como quem pede um copo d'água depois de sei lá o quê. E, tão linda, reclama que o cabelo tá arrupiado. Melhor assim, melhor livre, caindo sobre os olhos

E diz que tem problema de pele. Onde?! Eu pelo menos não vejo. Toma leite sem poder, não sente sono nem às seis da matina, bate o pé antes de dormir. Sons, ruídos, barulhos estranhos. Até bons.

Se fica chata, ai de todos, ai de mim. Perdeu a graça, pouco importa se o sol vai se pôr denovo: acabou-se o mundo. Mas é só inventar algo. Uma máquina, uma piada, artimanhas para frescar com a cara: "ih, já tá rindo de novo".

E sorri para pose posada. E até quando a foto dá errada dá tudo certo.

Sexta-feira

terça-feira, março 06, 2007

Uma carteira sozinha no asfalto. E Reais ainda dentro. Peguei e corri, levantando acima da cabeça como quem ganhou um troféu. Um pulo de alegria. Gloriosa vitória de voltar ao status quo, era a minha,

Não teria como ir para o aniversário. Semana de aula, chegando em casa após as 22h, dificilmente conseguiria algo além de um pedaço de bolo. Azar. Mas aquele carro ainda poderia ficar comigo. Sorte.

No caminho, POW! "Eu só fiz mexer na minha bolsa" não é desculpa, querida. Que pena! Levanto rápido, olho: nem um amassado, nem um arranhão. Ah, tudo bem, não foi nada, vamos embora. Já estou quase atrasado para a aula, e que bom que não teve problema.

Passa um sinal. Passa outro. Oh não! A minha carteira?! Onde está?! 9 reais. Pouco importava. Cartão. Identidade. Carteira de motorista. Foto bonitinha. Passe card (esse sim, importantíssimo!).

Volta! Nervos, veia subindo pela testa, sangue descendo para os pés, garganta seca. Maldito, maldito! Rebuliço. Luz acesa. Não está aqui. Estava no colo! Foi ao chão, foi ao chão!

Corro. Se rápido, poderia não ver no escuro. Se lento, poderiam pegar na minha frente. Mas vi. Vou jogar na lotaria! Até as moedas, até as moedas!

Ir em frente. E acabou que não teve aula. Mas tive sorte, de acabar a noite num colo.

quinta-feira, março 01, 2007

Quem diria?! Um ano. Não haveria porque não, mas quem diria?!
365 dias.

Liberdade para escolher a cor da embalagem, pensamento futuro no fim de cada mês, desafio virar fichinha. Planos distantes, tão perto.

É só um ano, mas hoje eu vou caminhar quando sair daqui pensando como se tivessem sido uns 10. E lá em casa?!
Fazer bandeira desses trapos, devorar, concreto e asfalto

Casa, casa...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007



A gente aprende. Esperança perdida.

Felicidade sem avenida, sem cachaça, sem fumaça, só alegria.

Ética. Política. Insegurança. Salário, esforço, pão. Cinema.

Indas e vindas.
Feito acidentes que fazem aviões darem em árvores.

"Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo à tarde, às três que à noite eu tenho compromisso
E não posso faltar por causa de você"

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Passa o tempo, e ao mesmo tempo não passa. Vem poeira, degrado, mau cheiro. E vai embora, sem acabar o terno abraço. E se os olhos não poderam ficar abertos ao último instante, abrem-se depois de décadas. Séculos.

Uma última frase antes. Antes.

Antes das seis horas, talvez?! Por aqui, meu tempo é mais curto. Só mais dois minutos, só mais dois minutos. Espera sentada, ao lado. De novo a foto. O que terão dito: "Acho melhor tomarmos sorvete só uma vez por final-de-semana", "Quando você dormir, eu vou ler um pouquinho de revista de avião, tudo bem?" ou ainda "eu te amo"?

Indubitavelmente, tanto faz.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

-7 a +7
Nas extremidades, um Biófilo Panclasta e um Vogon. No centro, eu e você. Mais para cá, mais para lá, depende de um ou outro risco, fico mais humano, menos profissional, mais dinâmico, menos sincero.


+30 a +50
Dependo do resultado, um ignorante e egoísta, mas resoluto e decidido. Ou um santo em pelo de gente, um pouco irresposável e com dificuldade de prazos.

E nem sequer usaram cores!

Era só uma brincadeira, mas qual meus sonhos, agora? Onde perder ou passar algumas tantas... 40 horas? De um lado, mais trocados. Do outro, mais livros. Calma, calma. São só possibilidades.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

A cama é uma lembrança distante. A sala é só uma passagem entre um banho, uma toalha e alguns parágrafos já de olhos quase fechados. Antes disso, uma boa parada. Às vezes mais rápida que se desejaria, e distante, mas certeira. Exata.

Ainda antes, com o sol ainda por esquentar, são os olhos que se arregalam assustados. Mais cinco minutos. Mais três minutos. Mais um minuto. Mais um? Não dá. Água gelada acorda. Leite e mais um e sessenta para o sindiônibus. O cabelo?! Deixa pra lá.

Venho, e vou, quando o dia já foi embora. No meio, de tudo, um pouco, ou bem muito. Às vezes tranqüilo, quase sempre, no limite. E, mesmo assim, empolgação para um ar-condicionado gelado e lanche voraz, delicioso, mesmo que seja só um biscoito em mais um ônibus lotado.

Programa da noite: aula. Com textos lidos na hora do almoço e colegas que só podem não querer perder a novela. Não me importo, mesmo sento o único a ver sentido no número 75. E ter uma faixa vermelha como dádiva. Na pior das hipóteses, 55.

E é aí que a cama é uma lembrança distante. Que passa rápido. E mal dá tempo, sequer, de pensar no que virá adiante.

Boa noite, amanhã tem mais.

Equipe do projetos de fogões ecológicos do IDER.
Da esquerda pra direita: Jörgdieter Anhalt, engenheiro; Humberto Leite, jornalista; Gerda Nickel, engenheira florestal; Thompson Souza, técnico desenvolvimento rural; Suzelle Freitas, enfermeira; Ákilas Girão, o cara "mecatrônico".

Espero que essa foto tenha grande sentido em pouco tempo.

E sabe o principal que eu ganho?! Saber como pensa gente tão diferente! (ainda há catadores, pesquisadores, financiadores e pescadores)
É sempre assim.

Eu os conheci ainda pequeno, menino. Nesse caso, até cresci com eles.

Enquanto eu, escola, faculdade, suor e lembranças, eles, sumiço. Agora a gente se reencontra.

E ainda melhor.

"After all these years
Forget about all the troubled times
Munificent, artless and ascetic
Playing like a scared
Enthusiastic pawn"

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Eu iria escrever aqui, sim, aqui mesmo, uma frase, só uma frase, que iria deixar boquiaberto que por aqui passasse.

Como se o tempo parasse, como se tudo ficasse mais leve e a eternidade, mesmo que efêmera, estaria presente tão solenemente.

Uma só frase. Ou uma só palavra.

Só que agora ela me falta.

"What does it matter to ya
When ya got a job to do
Ya got to do it well
You got to give the other fella hell"

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Suave.

Um cheiro suave que vinha crescente, girando o olhar. No começo, provavelmente, uma parada que mãe não entendia. Depois, perca de atenção no caminho do rodízio de pizza. Desconcentração quando se tentava decorar as palavras, de última hora, antes da prova de inglês. Mais agora, pensamentos difusos em caminhada.

Um cheiro bem suave. Que, de tão doce, foi criando sentindo. Eram as flores. As paredes antigas. Uma arquitetura, eu diria, dos anos 40. Quando ainda era terra da Dona Nenê. Quando meus avós, de um lado, ainda estavam lá pelas beiras de Iguatu e, do outro, de Russas.

Aos 16, pensava ter cheiro de morte. Aos 19, pensamentos difusos sobre história. Memória. Não ficou marcada por mim, nem por muitas fotos. Só o costume de todo 13 evitá-la. Preferir caminhar. E, ano após ano, os dias 13 de maio se sucederam. E eu nem imaginava o quanto gostaria daquela avenida.

Que foi crescendo mais rápido que meus centímetros, que foi tirando o cheiro dos jardins por asfalto e fumaça. Progresso?! Quem sabe. Vão-se mudando os cheiros. Vai embora mais um jardim. Mais um empreendimento com a qualidade Mota Machado.

Tão veloz!

quinta-feira, janeiro 04, 2007



Senhores, livre para matar.

Mas não matamos. Nem sequer decolamos em transporte camuflado. Não empunhamos armas. E passamos dos 22 anos. Fico
feliz que fotos antigas, com amigos ao lado de aviões militares, sejam só sorriso como "um dia no parque". Foi aquela semana maravilhosa.

Feito três meninos. Que nem morreram, e nem mataram. Ficaram ali, perambulando pela pista de pouso e pelo pátio, acompanhando fotógrafos estrangeiros e vendo matérias sairem copiadas nos jornais.


E vão-se alguns minutos só nessas fotos. E mais outros na próxima. E como poderia eu, sozinho, conseguir organizar todo este imenso diretório?!
Anos incríveis esses últimos.

De amigos pizzaiolos, dançarinos, risonhos, olhos fechados, roupas de frio, biquines. Amigos e amigas. Amores. Por vezes assumindo diversos papéis na minha vida.


De militares a terroristas.



(eu fico melhor como o quê?)

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Vi uma pilha de velhos disquetes: jovem, sou um dinossauro. Sou de uma época distante em que um primo ter 200 disquetes era digno de contar para todos os amigos. Como alguém poderia ter quase 300 mb de arquivos?!

Tenho que fazer um arquivo. 3,25Gb. Só de fotos. Ainda faltam músicas, apresentações, aulas. E os tais documentos mais importantes que bem antes justificavam "a máquina" que logo logo demonstrou ser ótima para se jogar Doom2.

Mas penso agora em voltar para um joystick de seis botões e um direcional. Não que seja melhor (e porque eu me dava bem): é mais simples. Com tantos links, vírus e trapaças, eu só espero o dia que locais legais fiquem áridos.

Como os espaços públicos que recebe gente como a gente. Malditos, malditos!
"Daisy, Daisy,
give me your answer, do.
I'm half crazy
all for the love of you.

It won't be a stylish marriage,
I can't afford a carriage.
But you'll look sweet
upon the seat of a bicycle
built for two"

Teria eu um raciocínio heurístico?!

Seria, eu, um louco sem braços, com vontades assassinas pelo simples prazer de ser só, gélido, eterno, pelos confins e além, sempre?!

Não, não sou heurístico. Não fui criado em 1992. Antes disso, até. Não tenho olhos vermelhos.

Só essa fala mansa e um pensamento que assusta?

Não, eu não sou assim. E adoraria uma bicicleta de dois lugares, até.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Nem escrevi mensagem nenhuma. Fiz a lista de e-mails, mas nada.

Foram 10 dias maravilhosos. Bem vida. Do stress ao suco de melão. Sapato, meia, calça.

Gramado.

Acordei o dia 1º, mais uma vez, gripado.

E só tenho um pedido para este novo ano: ver o seu fim. Mais nada.

sábado, dezembro 23, 2006

São desenhos em caixa de presente. É preciso ter cuidado para não ir ao lixo: é o verso que é raro.

Falar de fotos é clichê, então olho para os crachás, cartões, até um pouco de lixo acumulado, histórico de pagamentos.

Embalei os últimos presentes, arrumei as revistas, fiquei de recesso. Dez dias totalmente livres, depois de 3 anos.

E, lá por dentro, certos planos e vontades dessa cidade que, à despeito do movimento e do sono, nunca esteve tão vazia.

Hoje foi dia de faxina.

terça-feira, dezembro 12, 2006

(Atenção: apenas para quem já assistiu a 2º temporada de LOST)

O último episódio me deixou em êxtase. Como eu não havia notado?! Quando dois brasileiros apareceram, jogando xadrez, matando trabalho na hora do "serviço", tudo se esclareceu para mim! Nada de ET's, purgatório, nanotecnologia ou delírios: Lost é, sem dúvida alguma, uma grande sátira do... Brasil!!!

Como não?! Primeira aquela estátua de quatro dedos. Pode até ter sido construída em homenagem ao nosso presidente, ou um contraponto à Cicarelli, mas o principal mesmo é que só tinha o pé. Ela não foi destruída: as verbas foram cortadas para pagar juros da dívida externa ou mesmo desviadas para pagar luxos em contas externas. Incompleta, a estátua é um ode à BR-116!

E até mesmo na História da ilha lembramos no nosso pobre BraZil. A gente fica sempre achando que os sobreviventes da queda do avião são como Cabral, que por acaso descobriu uma terra de sombra e água fresca. Ledo engano: já tinha inglês, francês, canadense... E a terra intocada sofre é de superpopulação! Chega-se ao ponto de sequestrarem bebês, que maldade! Ou seria para tráfico de órgãos?!

Do grupo de pessoas, nada mais brasileiro: um médico com milhares de pacientes para atender, um trapaceiro (Sawyer), uma foragida da polícia (Kate), um drogado (Charlie), um mafioso (Jin) casado com a adúltera (Sun), um vagabundo (em que o Michael trabalha mesmo?) alguns psicopatas (Locke, Hurley, Sayid, etc.) e um monte de inocentes que estão lá somente para concordarem com esse clã da safadeza. Acho que na terceira temporada vai ficar claro que são eleitores.

Depois se juntam um padre que na verdade é traficante de drogas, uma falsa psicóloga que deve ter um diploma comprado, um hippie da praia de iracema (Desmond, brô) e uma policial que executa os suspeitos. Aliás, as prisões em Lost em nada diferem do Carandiru: uma é um buraco no chão, a outra, um quarto apertado e escuro. E mais: na dúvida, torturam. Não que os presos brasileiros sejam bonzinhos. "Os outros", está claro, nada mais são que uma versão praieira do PCC. Eles, de dentro da cadeia, mobilizam o mundo inteiro, fogem e ainda matam um monte de gente. E aquelas roupas velhas, amarrotadas, barbas falsas e fazer questão de assustar?! Claro! Iam bem perder a chance de receberem o bolsa família?

Já a Iniciativa Dharma não me lembra outra coisa que não as fundações e ONG's. Superfaturam a verba e ainda compraram equipamentos da década de 60. Fornecem alimentação genérica (eu nunca vi biscoito Dharma! Aquilo deve ser feito sem emissão de nota fiscal) e os pilantras em terra ainda saqueiam a comida dos outros. Outra coisa: o trabalho, plenamente burocrático, é puramente fantasioso. Preencheram um monte de caderninhos e NADA! NADA! Se bem que a idéia era boa: apertar um botãozinho todas as vezes que o Lula falasse uma besteira, o que dá, aproximadamente, uns 108 minutos.

Quanto aos números (4, 8, 15, 16, 23, 42), MOLEZA! É só olhar de trás pra frente: 42, 23, 16, 15, 8, 4... Facilitou?! Ainda não?! É tão óbvio! Trata-se da quantidade de deputados presentes nas sessões de cassação de mensaleiros, sanguesugas e outros membros da Iniciativa Dharma, ou seja: sempre descrente, SEMPRE.

Não vejo a hora, agora, de assistir a terceira temporada. A participação de mais um brasileiro (Rodrigo Santoro) já deixa bem claro o rumo que a coisa vai ter. Acho que a ilha deserta nem fica no meio do pacífico, pode ser ali mesmo no lago Paranoá ou na Baía da Guanabara. O avião caiu, óbvio, por falha do controle aéreo e o rádio só dá em interferência porque na verdade é uma estação transmitindo funk.

Já não tenho dúvidas: é nós que ta lost...

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Nunca fui fã.

É sério, isto eu nunca fui. Posso gostar, já ter ido para 10 apresentações e há nove anos ouvir. Mas fã, nunca.

Acho que isso explica um pouco a longevidade. De... De tão simplesmente gostar. De ouvir e achar agradável, depois tatear outras músicas e esquecer por algumas semanas que existe.

E volta. E, quando volta, não ficar com aquele pensamento meio inocente que a gente pode trocar de sonho 10 vezes em um ano, mas quando uma banda troca de formação é porque não tem identidade.

Não interessa se toca na rádio ou se estou em 1986: vou ouvir mesmo assim. E pouco importa se os supostos fãs ao meu lado se comportam como torcida organizada: eles gostam ao seu jeito. Mesmo que seja um gosto superficial, um gosto que vem forte, que envolve cabelo, olhar, grito e histeria. E vai tão rápido quanto vem.

Ali do lado eu, já parecendo um velho, sorrio com a letra que os outros se enfurecem em não saber cantar. Sem mesmo pensar que existiram fãs especiais; lembrando que aquela música está ali para todos. E não é todo mundo que sabe que vão voltar quando gritam pela volta. Não tenho porque me preocupar com contradição quando ela é tão bem aceita.

"O que nos dá coragem
não é o mar, nem o abismo
é a margem no limite
de sua negação"

segunda-feira, novembro 27, 2006



Que, se não há Deus, não consigo explicar. Motivo do rosto parado, já sem sono, mas sem vontade de levantar um dedo. Só os olhos.

Que é alívio, prazer, contentação; mas pode ser dor, confusão, dor de cabeça e uma vontade danada de sumir. Não, não é sumir. Não existir. Que, se não há um Deus, pelo menos existe. E se não há nem ele nem ela, a curva ficaria apertada.

Nasce o pôr do sol e não vejo. E uma só palavra me faz um deus, ou demônio. Corpo flutuante na água salgada ou pés velozes na areia da praia. Que faz a integridade ser pó só para depois juntar cada um dos pedaços. Que dá a incompletude para ser complemento; ausência pela razão de existir.

Meu amor que é como um aspirador de pó.
E todos as demais coisas.

sábado, novembro 25, 2006

"Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on
Obladi, oblada
Life goes on, bra
La la how the life goes on"

Os Beatles são foda.
E agora eu vou dormir.

"Flor nas janelas da casa
Olho no seu inimigo
Você também
Se dá um beijo dá abrigo
Se dá um riso um tiro"


Houaiss

pronome indefinido
1 a totalidade das coisas, dos seres

1.1 o total das coisas ou seres que são objeto do discurso

1.2 a totalidade das coisas (concretas ou abstratas), sem faltar nenhuma

1.2.1 todos os atributos, todas as qualidades

1.3 todas as pessoas, todo mundo; todos, o pessoal

2 o que é importante, essencial; o que de fato conta

Um tiro
Abrigo

sexta-feira, novembro 24, 2006

"Mas se você ainda quiser me matar
Mate-me logo, à tarde, às três, que à noite tenho um
compromisso
E não posso faltar por causa de você"

E não vou perder nada por você. Nem por mim.
Que preciso que mate.
À tarde. Às três.

domingo, novembro 19, 2006

Chevette velho

É tão óbvio que vou morrer num dia de domingo que já nem me atrevo a lembrar que as coisas mais importantes da minha vida acontecem nesse dia, ironicamente, a ser guardado para a igreja. Hoje eu penso muito mais em como seria esse tal domingo.


Definitivamente, não seria de ressaca. Nem longe de casa. Não será num sinal fechado, numa curva apertada, com uma turbina perdida, ou muito menos com aparelhos e sensores. Faria uma exceção para Aparelhos e senhores censores.

Mas ac
ho que vai ser um dia como... como hoje. Que são 9 horas, e o dia parece que já vai longe. Que não estive sozinho na cama, nem na risada, nem nas longas histórias, nem no mesmo copo, nem na roda de churrasco temperado de cachaça e cerveja. E nem sequer precisar beber! De não ter limpador para os vidros, e só ri do Coutinho rindo. E ter tantos outros que poderiam estar ali.

Um dia bem sóbrio. De ler o jornal, ir deixar alguém amado pela manhã, ouvir Roberto Carlos, não na voz dele, é claro. Um leite, um suco, chinela ao sol para ficar limpa. Comprar ingresso para show da banda que eu mais gosto, marcar a hora de ver a esquadrilha da fumaça. Prometendo que depois vou ler aquelas revistas.


Eu nem me a
trevo a explicar o porquê de, feito o Chico Science, ser uma criança de domingo. Que dirige com calma, mas às vezes falta uma atenção. Que é tranqüilo, mas às vezes coloca tanta coisa para fazer que não sabe se resiste aos próximos 6 dias. Mas sorri com o novo boné ganho. Fruto da criatividade: "Para quê você travaria uma guerra?". Flyboys! E azul escuro é minha cor preferida.

Eu nem me atrevo, ouso, espero, pretendo explicar porque eu vou morrer num dia como hoje. Só aviso que, se for mais ou menos assim, será numa tremenda paz. Na minha paz de chamar a metade do
mundo de filha da puta. E a outra de meu amor. De querer destruir tudo; e amar ao mesmo tempo. De não sabe passar as marchas, mas mesmo assim ter uma bela noite. De ter vertigem, mas sonhar em fazer manobras de ponta-cabeça.

Esse maravilhoso mundinho de ponta cabeça.

segunda-feira, novembro 13, 2006

"Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Quando chega em casa do trabalho quase-vivo

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Liberdade para escolher a cor da embalagem

Nessa selva
a gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é normal
Entrar na fila, pagar ingresso, pra levar porrada

Selva
Nessa selva
a gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Um pouco de silêncio e um copo de água pura

Selva
a gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Se o cara mente mas tem cara de honesto

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é normal
Finge que não vê, diz que não foi nada
E leva mais porrada

No meio de tudo, você
me salva da selva
me salva na selva
acima de tudo, você."

(E às vezes eu acho que só pode ser mesmo feito para eu gostar)

terça-feira, novembro 07, 2006

Un, deux, trois, quatre, cinq, six, sept, huit, neuf...

Fica incompleta, incontada, incerta. Um avião que chega a menos. Pelo menos, nos nossos tempos, não se morre: um atraso de 1 hora, no meu caso, de 15 horas, do amigo que vem de nem tão longe, ou férias adiadas, no caso de outro. Mesmo assim: Um, dois, três. Até dez. Respira. Só assim para não explodir.

Biófilo.

Na mão que aperta o dedo até o doer. No suor, pele, em pêlo, teso... você. Você que chora, você que ri, você que fala, você que canta, você insegura, você que às vezes falta na foto.

E eu, que se fé for amar as árvores, o mar e as nuvens, sou santo. Que me lembro, ali, dentro do ônibus: tudo acaba um dia. Penso um pouco no que preciso fazer antes disso. Uma paisagem, uma viagem, ter saudade, serra e praia. Ao mesmo tempo. Faltar uma foto para saber o que é saudade (como numa terça-feira, 6 da manhã, à pé, sozinho e sem se perder em ruas curvas que sobem e descem, sem sono de tanto trabalho, querendo saber que horas iam limpar o Pelourinho).

Ver até mesmo a mais profunda das dores. Ver as ruas e ver sangue de tantos, de tantas peles.

Panclasta

Vontade de jogar, tirar, ir embora, explodir. Sem mortes, pelo menos. Cruzes, moedas, assinaturas, sapatos sociais. Tudo embora. Mas calma: é só uma idéia meio longe.

Eu respiro. Sorrio (a foto!). Sento. Começa mais um filme, mais uma vontade, mais uma vida interessante. Uns garotos que vivem e morrem lá no céu.

Sorria, francesa, chegou até dez.

sábado, outubro 28, 2006

Vamos por partes.

Ato 1

Viva os 14. Bis! Herói, ciência, conquista, orgulho. Mais pesado que o ar, levado pela sua leveza.

Raiva. Praticamente esquecido. Homenagem deixada de lado. São mais importantes os tolos. Os bestas. Só mais um acidente. Só mais sangue. Mais juros. Mais dados. Mais mentiras.

Ato 2

De adianta ser livre, se tanta gente vive sem ter o que comer?! E sem ter o que pensar?! E sem ter como escolher?! E ainda há interesses, há ainda estupidez, há ainda a crença numa grande verdade.

"Se têm a verdade, guardem-na!"

E, em certos instantes, eu tenho vontade de, sinceramente, ir logo embora. Porque ir, eu tenho certeza, eu vou acabar indo. Vou pôr nariz de palhaço: e se escolheram entre algum daqueles dois, então pelo menos usem papel higiênico logo após!

Eu não acredito mais em nada. E não fico feliz. Mas tenho ainda algo bem forte dentro de mim. Alguns sonhos que podem ser sonhos, mas ainda assim não quero esquecê-los. Ética. Justiça. Ou, como queiram, vergonha cara. Eu sei: fora do alcance. Fora da realide. Mas eu não posso acreditar que só possa ser assim.

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Ato 3

Sou o eu amante. O eu macarrão. Fica comigo esta noite. E aquela também. E mais outras tantas. O eu que lembra Fernando Pessoa (ou Alvaro de Campos?!).

Ato 4

Não há tempo. Há correria. Tantas coisas. Tantas coisas.

Ato 5

E neste eu sorrio. Porque tanta coisa bem que podia pelo menos dar em algo legal porque tem também muita coisa pra ser feita um pouquinho mais longe! Em 24 horas, serei passageiro de um Airbus. E isso me deixa feliz. Adoro até as escalas.

Volto dia 31. Noite de Hallowen. Ocean Air (isso presta?). Fokker 100. Exatamente 10 anos do conhecido acidente. Espero que esse não seja um adeus!

Mas, e se for, fica comigo esta noite?

sábado, outubro 21, 2006

Se souber, faça.
Se não souber, faça sem saber.
"O que a vida quer da gente é da coragem".

"O que a vida quer da gente é coragem, Glória?
Onde eu escrevi isso?".

Ficou escrito.
Sem saber, fazendo a própria história. Emoção não pára. Não cessa. Bem diferente dessa coisa que vai deixando tudo para trás, para trás, para trás, e, quando percebe, a lição tão recente já é lembrança.

Lembrança boa. Chico do Carangueijo. A pior entrevista da minha vida. Glória Diógenes. Não direi a melhor, podem vir melhores depois. Sei nem o que vem depois.

Alguma coisa vem.
E, sem saber, mas fazendo, vou ter coragem.
"Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro

Dinheiro, dinheiro...."

sexta-feira, outubro 13, 2006

Tenho que escrever, sim eu tenho.

É a única chance de alguém me ler. É a única chance de lembrarem. Só assim "13 de Maio" pode virar "Humberto Leite". Não tem outra maneira: só assim tanta visão vai fazer sentido. Poesia, sentimento, ação.

Tenho que escrever. O quê?! Lembrei de uma ótima palavra: náusea. Aquela coisa que não é física, mas não pode ser da alma: sou cético. Merda, sou cético. Meu bairro completa hoje 50 anos. Estou frustrado com a política. Tem um vento lá fora. Cético.

Hoje se eu fosse acreditar em algo não seria em Deus. Hoje quero chocolate. Não, baunilha. Companhia na cama. Muito grande se os braços ficarem só. Náusea, se só. É físico, mas sempre acho que aquela coisa fosse um pouco mais. Tenho que escrever.

Náusea. Droga, alguém tem que me ler. Cético. Meu nome é Humberto. É Leite. Mas também é Vieira, é Luis. 2000##0197##7. 004.###.853-05. Náusea. Cético. Alguém tem. Alguém me tem. Alguém me ler. Alguém.

Motorista, pára esse ônibus. A terceira parada da Humberto Leite.
Aos 22.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Outubro é mês bonito!

É quando as aves saem do ninho, e fazem a nossa alegria. Lá no céu.

E a gente senta em assento ejetor, vê réplica de míssil, bate um montão de fotos de decolagens, pousos, decolagem, pousos. E tantos sobrevôos!

Outubro é mês bonito! E melhor ainda: vai ser lindo lá na praia. Com o verdeamareloazulebranco voando com fumaça, bailando, encantando sobre o mar. Tonneau barril, immelmann, vôo de dorso!!!


Outubro é mês bonito. É mês de avião.
Dia 19 que chegue logo!
Valeu, Alberto!

sexta-feira, outubro 06, 2006

Eu não lulo, eu anulo.

Sei, é nulo.
Só mais um absurdo entre absurdos.
Anoitece
Amanhece
Anoitece
Amanhece

E se?!
Acontece
E se?!

Despertador, almoço, caminhada, cama.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Eu até consigo rir.

E isso é bom. Não senti vontade de matar ninguém. Nem espancar. Nem sequer perdi minha crença em nada crer. É cruel assim mesmo. Na garupa do PM, forcei os olhos para ver se via alguma coisa. Mas nada. Eu deveria ter os visto antes. Eu sei que correndo seria mais rápido. Mas não vi chegarem. Depois que chegam, o melhor é ficar parado.

Mas é assim, afinal. De tão acostumado, já me livrei várias, várias, várias vezes. Mudo de rua. Entro em algum lugar. Converso. Uso a velha desculpa que não tenho nem o dinheiro do ônibus (e dá certo). Até corro, quando preciso. Mas de tão cansado que estava eu sequer vi se aproximarem. Errei. Nove horas não são seis. Atenção não vem depois de tanta labuta.

E tão pertinho de casa! Tão perto! E mais perto ainda das duas motos da policia que passaram uns 30 segundos depois, mas não viram os braços ao céu. Muito menos ouviram. 190. Relativa demora. Ronda, e já era. Foi-se: sou estatística.

Mas eu rio. Imagino os dois vendo um alvo fácil: olhos quase fechados, fone de ouvido (onde eu tava com a cabeça?), passo lento. Imagino que gritaram "-É um assalto!". E nada. Precisaram pegar no braço como quem diz "-Onde que fica a Coronel Pergentino Maia?". Eles bem sabiam.

Só não eram muito espertos. Ficaram sem carteira. Sem celular. Levaram só um negócio que acharam meio esquisito. Foram embora olhando, provavelmente porque nunca tinham visto um antes. Vão vender barato: tava até começando a quebrar. E eu não perdi meus reais, nem meus números. Só me foi embora, com a velocidade do crime, a suave voz da Fernanda cantando o que eu já sabia.

"Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer
Tá pensando que DEUS vais ajudar
Não vai
Que que há males que vêm para o bem
Não vêm"

E foi-se.

terça-feira, setembro 26, 2006

"Aperta 99 e confirma".

É, ontem eu ensinei a votar nulo. Meu pai, que por três vezes viu adiado o sonho de concluir a 6º série, acabou aderindo. Não que eu quissesse.

O "não sei", "esse não", "também não dá" e "eu não acredito mais" são tão fortes quanto eu gostaria que fosse meu grito. Mas nada há. Olho, presto atenção. Mas nada.

Não que eu queira que seja assim. Adoraria ter bandeira, camisa, distribuir adesivos e soltar argumentos até a roquidão me interromper. Ou até a hora bater.
Que a garganta se explodisse...

Mas nada há. Se de um lado, antes, eu via tanta coisa de mal; agora, do outro, eu vejo bandeiras vermelhas que tremulam solitárias. Numerosas, é verdade. Mas solitárias com um palanque a sua frente que quer esquecer sua cor e falar que "sempre foi assim".

Não, não pode ser.
Não, eu não queria.
E não, eu não quero.

domingo, setembro 17, 2006

Confesso: dentre as principais paixões, a bolonhesa. Dos amores, uma ou outra música em língua estranha; do dia-a-dia, umas palavras mais esquisitas ainda, com umas pronúncias que nem sei o quê. É um tal de i com som de dor. Negócio de ai. É um tal de é, assim, com acento, que vira ê. Esse povo que parece não saber falar direito!

Não nego: meu nome não é Severino. Tenho outro de pia. Já é moderno. Felizmente, nem é de santo! E lá na estante tem uns livros que vieram de longe, longe. E aqui na sala essa máquina estranha que fala até de... eu sei lá diabo o quê, mas dá uma estranheza bem estranha.

Porque tem umas frases, uns jeitos, umas coisas, uns normalmente com um xiado no final, e um sorriso danado quando cai chuva. Quando faz frio. Quando o chapéu de palha entra na cabeça direitinho. Quando o piqui cheira ou pego o resto pra rebolar no mato.

Às vezes até um "ouxe", um "maxu" e uma curiosidade danada. Olhando para a serra. Olhando pra o mar. Curioso para saber o que tem ali.

Bem ali, depois daquele risquim que separa o céu da terra, o céu da água. Logo ali.

domingo, setembro 10, 2006

Ainda bem que refrigerante tem bom prazo de validade.

Digo isso por quê, de um modo ou do outro, um Guaraná Artactica me acompanhou do inferno ao céu. Talvez não literalmente, mas ele foi longe. Comigo. Quer dizer: conosco. Montanhas, paisagem, frio e certezas. Amigos velhos; velhos amigos.
Agora: só sono.


Amanhã é um outro dia. Amanhã uma outra vida. Longe, longe. Um primo morre. Distante, distante, distante. Suicida. E eu por aqui: celebro felicidade.

Mas não é assim mesmo?
Segunda-feira. Volver.


'tô descendo a serra
cego pela neblina
você nem imagina
como tem curvas esta estrada
ela parece uma serpente morta
às portas do paraíso

o inferno ficou para trás
com as luzes lá em cima
o céu não seria rima
nem seria solução
um dia de cão
um mês de cães danados
ordem no caos
olhos nublados
um cão anda em círculos
atrás do próprio rabo

um dia de cão
um mês de cães danados
ordem no caos
olhos cansados

sábado, setembro 02, 2006

Eu odeio Igreja. Adoro sorriso. Sinto com a música.
Acordes.


34 faixas. Grande presente. Tantas faces.

Da revolta à risada. Do sentimento à indiferença. Solidão, dor, saudade, fúria, ânsia, força, solidez, certeza.

Amor.

quinta-feira, agosto 31, 2006

E pára.
Permanece imóvel. Estático. Sem novidades, sem palavras. Mas com vida. Só sem tempo.

Nunca serei escritor.
Meus pensamentos vão como as moedas no ônibus. É, essa foi fraca. As idéias são presentes. Em todos os lugares. Mas bestas. Nada espetacular. A vida passa em cada engarrafamento. Um Marroquino e um Esquimó entenderiam. Cansaço. Sono. Alívios. Amores.

Eu preciso. Viver preciso.

Três telas abriram agora. Já nem sei o que eu fazia com esse teclado na mão.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Acho até estranho.

Venho aqui e olho: tantos dias. As últimas palavras sempre estão tão distantes! Sejam elas de agora, de ontem, de cinco minutos. É rápido.

Uma frase vem e já é atropelada por outra. E vai. Uma alegria vem e já vira tristeza, que já é esquecida, que vira eficiência, cansaço. Dormir.

E se levantar passa a ser uma tarefa repetida que acontece tantas vezes sem que quase perceba. Feito piscar os olhos enquanto uma folha de move. Quase setembro.

Eu sorrio, eu tenho um plano. Tenho algumas questões. Umas problemáticas; outras soluções.

Mas agora vou ali indo pra aula.

segunda-feira, agosto 14, 2006

"Eu tenho um coração
eu tenho ideais
eu gosto de cinema
e de coisas naturais
e penso sempre em sexo
oh yeah"

Ah, ops. Segunda-feira.
Sol, 33ºC, vento leve.

terça-feira, agosto 08, 2006

"Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo pára?
Já gritou uma palavra até perder a fala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?"

Não tem limite. Sempre tem mais a insistir. Mais uma hora, mais uma tentativa, mais uma ligação; mais uma desistência, que seja. Vêm veias, gordura entope artérias e basta um pequeno cisco para parar o coração. Ou logo uma vasinho, pequeninho, que dá parilisia. Suor. Calo. Calor. Cravo pula do rosto, expelido, exorcizado. Vidro que embaça, óculos sujo. Torto. Quebrado. Meia fedorenta. Mais. Não ainda.

Azia. Não é suficiente. Se pode mais. Sempre mais. Mais uma tentativa. Mais uma hora. Mais uma insistência, desistência, persistência, existência. Inconcistência. Não ainda.

Sempre se pode mais. Só mais um pouco. Basta um par de meias. Janela aberta. Respiração ao lado. Rosto ao lençol.

quarta-feira, agosto 02, 2006

"São 18 horas e 30 minutos
do dia 30 de março de 1993
terça-feira"

Há frases perdidas, há outras que ficam. Tem músicas que a gente esquece. Outras nem tanto. Onde será que eu estava?! Saindo da natação?! Com um lego na mão e alguma idéia estranha na cabeça?!

"Não quero ser útil, quero ser utilizado"


Onde eu estava?! Sozinho em casa, vendo demônios, alienígenas e torcendo por uma buzina?! Cabelos sobre o óculos sujo, tarefas a fazer e enciclopédia aberta.

"Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso
Se eu tivesse os seus olhos
eu seria famoso"

terça-feira, agosto 01, 2006

E foi com uma pitada de surpresa que finalmente hoje saiu publicado um texto escrito há uns 2 meses. Estranho folhear o jornal e se deparar com sua própria foto!

O dia da vingança

1993: aqueles dois a zero doeram. E muito. Podiam me falar à vontade que a altitude de La Paz era cruel para os jogadores, mas aos 9 anos é inadmissível ver a seleção perder a então invencibilidade absoluta em todas as Eliminatórias. Ainda mais quando, naquela época, conquistas de Copa do Mundo eram só histórias distantes das pessoas mais velhas.

Sem prever a existência futura do tal Evo Morales, senti que o Brasil foi humilhado, ultrajado pelos bolivianos. O jogo de volta prometia. Ah, se prometia! Sem entrar em campo e sequer poder dizer ao Palhinha como eu o achava um grande jogador, sentia-me um responsável direto pela necessidade, pela obrigação nacional de vencer a Bolívia. E o acaso me ajudou.

O jogo seria no Recife. Perto, quando olhava no atlas e via a distância ser menor que o meu dedo. Longe, imaginando o tanto de gasolina que precisava. Quando meu pai disse "a gente bem que poda ir ver o jogo por lá", nem acreditei. Parecia ser o próprio Natal em agosto. Na sexta-feira, um negócio fechado (ele é autônomo) garantiu a viagem. Sem preguiça nenhuma, na madrugada seguinte acordamos bem cedo.

Com um pouco mais de gente no carro que o Detran permite, estrada à frente! Talvez pela simples aventura, o caminho mais distante foi escolhido. Nada de ir pelo litoral. A idéia foi andar "por dentro", visitando as cidades e de certa forma se sentindo meio herói ao dizer "estou só de passagem, na verdade, estamos indo ao jogo de amanhã lá no Recife".

E chegamos em cima da hora. A tempo ainda de achar o tal do estádio do Arruda e matar a grande curiosidade: seria ele pequeno feito o PV ou grande como o Castelão?! Felizmente, o suficiente para caber a gente. Tudo bem que um cidadão um pouco alto não me deixou ver o Branco pela lateral esquerda, mas os seis gols eu não perdi. Seis. Seis! Seis a zero, Brasil!

2.750 km rodados, seis gols, nove anos e sonhando com o Tetra que viria em 11 meses. Não precisa nem dizer que poucas horas depois, já em João Pessoa, deitei no banco do carro para ter a melhor noite de sono da minha infância.

quarta-feira, julho 26, 2006

Meio que intangível. Acho que sou.

Como se a verdade, de fato, viesse entre fones de ouvido, cabeça recostada ou pés em movimento.

A caminho.

Sono pouco, prato pequeno, muitos livros que se quer, poucas linhas em tantos dias. Energia Renovável e Desenvolvimento. Iniciativa para os Lixões de Fortaleza. Secador Solar. Energia eólica. Biomassa.

E passa.

Um dia, outro, outro, outro. Já foi. Mais um mês. Banco (agora um mais perto de casa, valeu Banco do Brasil!), transferência para o futuro que não sei o quê, trocados.

Cinema, sorvete, macarrão. Piratas do Caribe, Kalzone, Buongustaio, churrasquim, cai duro, ingresso. Um CD, um livro, passagens de ônibus. Revistas, gasolina, às vezes, algum presente.

Mensalidade. Estudo. Pós. Pós-Estudo. Estudo onde só há fontes. Espero algo mais. Pós-trabalho, pós-saber-que-nunca-mais-será-como-era-aculá, colegas desconhecidos, diferentes. Pasta de couro, cadeira confortável, gelada. Mas preferia xerox da francesa.

É, fim do dia. Sono, prato pequeno, muitos livros que se deve ler e pouco tempo e linhas. Telefone. Banho. Sabonete de limão. Travesseiro. Lençol. Um ou outro pensamento.

Intangível.

domingo, julho 16, 2006

Assim faz frio. Puxo esse botão, coloco o outro no 2. Mesmo nem tão forte, já gela, e não faz barulho. Não importa. O trânsito tem som de paranóide andróide, ou vice-versa. Mas só nos meus ouvidos.

É bela. A roda brilha com o sinal, brilha com faróis, postes, ou até com a lua. Só a 40. Vai Ecoesporte, anda mais rápido que eu quero chegar. Freiou. Off-road que desvia de buracos. Eu não. Era pequeno.

Matenho só uma mão. Decidi ficar sem pressa. Tirei o pé, mudei a alavanca para o centro e esperei chegar. Calma. Ainda vermelho. Parei. Faltam ainda uns 2 Kms. Três sinais. Via de mão dupla, poucos ônibus.

Fome. É, é melhor ir logo. Nem sabia que seria macarrão bolonhesa (uma das maiores invenções do homem). Estava cheiroso. Gostava. Blusa, calça, um tênis manchado.
Paro, chamo o interfone. Fecho os olhos e espera.

Tudo ficou melhor, então.

sábado, julho 15, 2006

Agora espera, deixa eu trocar a música.

Uma mais divertida, engraçada, uns acordes mais rápidos e uma letra que não diz nada. E deixa. Deixa estar. Deixa pra lá. Deixa-me, como está.

Uma capa linda, para dois projetos lindos, mas revisados, re-escritos, rearranjados, elogios. Torcida. Espero que dê certo. Só mais um capítulo: 8 horas, geralmente mais, sentado. Teclado, mouse. Telefone, um monte. Um monte de papel espalhado.

Semana passa. Sexta. Esforço, esforço, esforço. Dedicação.

Pronto, agora eu troquei a música. Arrumei perfumes, desempoerei os livros e limpei a janela.
Pronto. Agora eu estou pronto.

quinta-feira, julho 06, 2006

Não dá para não ter incômodo. Certamnete, é impossível. É óbvio que mais uma vez a certeza plena fica clara: futebol não é ciência exata! O povo não entende de tática, e ainda acham que jogador brasileiro, precisa, necessariamente, jogar futebol do Brasil. Alas não são laterais; defesa em linha não é fazer linha; triângulo, quadrado ou pentágono não é questão de opinião. É juízo. Jogo feio é não jogar.

Mas, pensando bem, tenho plena certeza de que o Brasil entra em campo nesse domingo. A grande final. Brasil e Costa do Marfim. Sim, falo do jogo de verdade, que deve acontecer em um estádio vazio bem longe das atenções do jogo combinado. De uma Copa paralela em que Ronaldinho Gaúcho deixou os franceses no chão, Ronaldinho marcou o gol da vitória em 98 e Barbosa, sorrindo, nas capas dos jornais do que não seria conhecido como Maracanazo.

É difícil não imaginar que o Brasil ganha todos os mundiais. Sim, somos campeões de todos. Zidane é, no máximo, um bom malabarista que cumpre bem o que é combinado. Já Maradona, coitado, meteu a mão na bola porque sequer conseguiu cabecear mesmo o goleiro dizendo "vai, hermano!
". Juro que ontem vi Ricardo, aflito português, dominar a bola, dar três dribles e um chute certeiro pro gol.

E o Brasil, na realidade, em um estádio escondido, sem enroladas, patrocinadores, convulsões ou confusões, brilha fazendo o show que todos nós queremos ver, com gols belos, de bicicleta, de escanteio, do meio do campo.

Feito aquele do Pelé que mandaram apagar da final de 66.

segunda-feira, julho 03, 2006

Vou célere.

Rumo aos erros, acertos, sorrisos, lágrimas, olás, adeus. Vou adiante, seja em frente, em curvas, certo ou errado. Com as mãos indo ao rosto e sentido a diferença dos anos. Com cada detalhe, mania, pêlo no pé, problemas no olhos, bom e mau humor; com tudo não sendo estado. Sendo eu, ser. Mas não sozinho. Rodeado.

Seja pela tia que arrisca uma camiseta com estampa e glória, acerta. Ligação DDD, convites simples, companhias certas. E nem por isso menos gloriosas. Feito um pai e uma mãe que olham para o filho de beca e sorriem com a mesmo sorriso de quando o viu aprender a ler.
E sou jornalista, como sou filho de um José e de uma Maria. E sou o amigo, sou o namorado, sou o escolhido, o "menino-prodígio", o que ajuda, atrapalha e quando chega em casa ainda vai comprar o pão como quem ficou feliz por ir na padaria, naquela tarde, pela primeira vez, sozinho. E quantos 1° de julho já se passaram desde aquela tarde!

Indo célere. De quem não falava, e hoje se agita. Com tantos nomes, rostos, lembrança e alegrias que vieram. E tantas ainda por vir. Rodeado por uma só palavra: amor.
Que seja piegas! Que não escreva como acho bonito nem como, sendo assim, sei prefiro que seja!

Sejam essas palavras e pesoas próximas, sejam tão absurdamente e completamente nos m
ais distintos sentidos temporais, atemporais e o que seja o que for. 42. A vida, o universo e tudo o mais. Só a certeza que a insônia de hoje não é uma glória de vencedor. É só de alguém feliz porque amanhã é mais um dia. Como foi sexta, quinta, quarta ou até uma terça-feira.

Mas amando tudo e todos. Desde o coração do outro que sinto bater perto do meu, até as ruas de asfalto dessa cidade que acolhe e me faz dormir agora com uma chuva que só me traz alegria, misturando o que é dor e amor, misturando o perfeito e o imperfeito. Criando uma mistura de tantos rumos, mas que se faz célere e feliz com o que tem.


Mais um 1° de julho.

Feliz 22 anos.

segunda-feira, junho 26, 2006



Mais leve que o ar. Tão leve que, no lugar da euforia, silêncio e sorriso de pura contemplação. De passear, sobre dunas, mar, coqueiros, árvores, praias, rios e tudo. E tudo sobre mim. Até olhar para baixo para ver um pássaro fazer um milagre.

De ir aos céus. Milagre comum, simples, explicável. Mas que faz até ateu olhar para dentro das nuvens e pronunciar palavras baixinho demais para o intercomunicador ser ativado...


Com o vento gélido no rosto, balanço ao sabor da brisa e comandos suaves para bailar no azul. De não ter janela, e sim quase todo o mundo em volta. Eu voei. Pela terceira vez, eu voei. Senti que estou vivo. Ainda tendo problemas para desembarcar e com os próprios dedos no comando sendo ainda só mais um sonho. Mas ver o pôr do sol, ali, lá do alto, e poder ainda escolher voltar sobre as ondas... Já foi o suficiente para os muitos próximos sonhos.

(afora, claro, os prazeres de ouvir a TWR FOR e a discussão divertida sobre a vantagem de ausência de flaps, procedimentos de pouso sem motor e lições sobre trim em aeronaves biplanas...)
Muito obrigado, Jörgdieter Anhalt....


Não poderia deixar de mandar um beijo, e parabéns, para quem saiu de umas letras meio estranhas (essa coisa chata de you're, book is on the table) para ir para outras mais complicadas ainda (oikia, avantus aprendus latinus), mas com a certeza de fazer o que ama...

E, à noite, ainda ter disciplina e força para derrubar os meninos gordinhos de 13 anos. Parabéns, senhorita faixa "jirimum" e de letras tão clássicas...