segunda-feira, janeiro 25, 2010
Há vida lá fora. Fora do casulo, fora do meu lugar. Fora do meu caixão?! Estar só é como estar morto por um instante. Pelo banho que não toma e o cheiro que o toma após um dia a rolar sem nada fazer. O sono intermitente que vai e vem, fazendo tudo, menos estar acordado. Menos estar de pé. Acorde! Levante! Faça algo! Nada. As roupas ficam jogadas no canto de uma parede.
Visto um casaco. Desço. Boa noite. Bom dia. Boa tarde. A quantidade de palavras vai se reduzindo e é um prazer ver a moça errar o preço do sanduíche só para ter uma frase a mais. "Não. É três e oitenta. Olha aqui". Ainda sei falar! Ainda sei o que é abrir a boca e emitir sons para alguém! Mas logo me preocupo que a padaria tão próxima e vazia não é minha casa, e não lembro quando escovei os dentes.
Como quieto. Vou embora pela portas dos fundos. Caridoso, o mendigo me cumprimenta. Elevador. Quarto andar. Abro a porta e já é noite escura. Deixo a escuridão me envolver. É agora, quem sabe. Deito sobre o plástico do colchão guardado para quando tiver vida. Preciso de um banho. Preciso arrumar minhas coisas. Preciso ver se vai dar certo a máquina de lavar naquele canto. Preciso fazer o tempo passar.
Levanto. Vi que o telefone tocou. Ainda bem. Ligo, e volto à vida. Ainda com gosto acre na boca. Ainda em putrefação do ser e de aroma das axilas. A barba crescida como quem esqueceu o dia a dia. Quanto tempo faz?! Dois dias. Só dois dias. Mas só mais alguns para pular da tumba. Pular e dançar qualquer música sem graça. É que meu telefone tocou. E cada item da mochila, gigantesca mochila, ganharam justificativa. Ainda bem. Um avião vai me levar. Um avião vai me salvar.
sábado, janeiro 23, 2010
Kairós, Kairós, Kairós, Kairós... Nome grego ad infinitum.
Quando ouvi, pensei que era de tribo de índios. Até parece. Todos quase iguais, andando igual, comendo igual, falando igual, morando igual. Uma igualdade um pouco desigual, mas, no fim das contas, chegamos juntos e saímos unidos. Por pouco tempo. Tempo sem mensuração, tempo não cronológico, tempo Kairós. Como a medida de amar é amar sem medida, nosso tempo junto passou sem ser medido (apesar de todos os dias eu saber quantos dias faltavam).
Mas a turma que nós fôramos seria como o é hoje. Uns pensam em ir logo para casa. Outro pensa na conta de luz. Mais um com a cabeça na lua e um último "escama" sem conseguir parar. E o grito AZUL, que já tem até mais tempo, mas só duas vezes ao dia, ainda nem sequer saiu da garganta.
E eu quero gritar. Eu preciso. Estar de cabelo raspados e a roupa suja. Ou simplesmente ter um sentido para estar longe de casa.
Tenho-o.
domingo, janeiro 17, 2010
Estar trabalhando no frio, em plena madrugada, depois de um dia inteiro de trabalho não parece ser uma realização muito grande. Mas tem coisas que fazem a vida realmente valer à pena.
Estávamos na Base Aérea de Brasília, mais de 4 horas da manhã, e já havia sido feito o desembarque do caixão da Dra. Zilda Arns. Os jornalistas faziam perguntas diversas, e uma senhora tímida, de olhar triste, acompanhada de um rapaz chamou o Rachid pro canto e fez uma pergunta sobre os brasileiros repatriados pela Força Aérea.
Ele me chamou e eu cheguei como quem ia atender a uma jornalista, mas assim que eu falei os dois primeiros nomes a cidadã abriu um sorriso e demonstrou uma alegria realmente incríveis. Não era jornalista. Era família. Ela é madrasta de dois rapazes que sobreviveram ao terremoto no Haiti, uns dos poucos sobreviventes do prédio onde estavam. Já tinham notícia de que eles estavam bem, mas eu e o Rachid demos ali a certeza disso e, melhor, estavam vindo para o país.
Foi uma imensa, gigantesca, satisfação perceber tão claramente que cada nome em cada notícia é uma vida humana. E todo o esforço que a FAB e outras pessoas e instituições fazem em salvar quem mais precisa de ajuda é extremamente válido e necessário.
Fico muito feliz de poder lembrar disso por muitos anos e ter a certeza que mesmo distante da tragédia posso dar a minha contribuição. É quando o cansaço ganha sentido e a gente se sente simplesmente feliz.
quarta-feira, janeiro 13, 2010
A cidade finge não ser cidade. Mas é. Ando pelo Setor Comercial Sul. Lá estão os skatistas, comerciantes, vagabundos, prostitutas, criança em busca de brinquedo, ladrões, fotocópias e salgados a R$ 1,50. Escondidos atrás de parede gigantesca. Beco da Poeira, Uruguaia, 25 de março. Perdidas aqui, tão perto mas que não aparecem no suposto cartão postal.
Fez-me sentido em leve caminhada. Daquelas de resolver a vida sem pressa, olhando os prédios que parecem se preparar para uma tragédia com plutônio ou algo assim. As calçadas brigadas com as ruas. Tomam próprio rumo, em um charme que às vezes dá em uma parede, ou nos faz andar mais.
E por aqui Kombi é loja, com algumas delas estacionadas oferecendo serviços. A terra que pouco vale fizeram-nos todos acreditar que vale muito, e é mais fácil a VW levar o serviço tão simples onde ele é necessário. É que o cachorro quente da 404 Sul está fechado. Seria quase uma esquina. Não era.
E na W3 quase acredito ser uma cidade de verdade. De lá, quem sabe, posso ver os prédios de onde o barro é sujo e dizem ter "águas claras". Ainda não vi essas águas. Vejo o céu tão carregado despejando trovões e raios como enfurecido de terem construído tanto concreto onde o não há seria a regra geral.
Chego à biblioteca. Biblioteca sem livros, mas boa biblioteca. Como numa festa de amigos, cada um leva o que quer. E sentam. E estudam. E estudam. E estudam. Alguns dormem. Infelizmente, pouco produzem. Só reproduzem. Reproduzem. Reproduzem. Reproduzem cada alínea com desejo de reproduzir os que já estão nos prédios caixotes ali perto. Salário, segurança, financiamentos, investimentos, morte. Um livro de literatura me parece melhor.
Mais ao fundo, os que estão nos pratos virados, chegaram aqui como quem pode ver o Executivo e o Judiciário pela mesma praça. Cada um ao seu tempo, trazem a reboque placas de carro de todos os lugares, expectativas de qualquer parte e a mesma vontade de seguir pelo Eixão rumo ao aeroporto. Sempre lotado aeroporto. De cada voo que vejo e digo "em breve, estarei em um".
Mas hoje eu não vou voar. Caminho até a rodoviária. Sono, cansaço e suor são iguais em qualquer lugar. Moça grávida que pede esmola e cheira à cola. Ao lado da gravata e do esvoaçante verde da saia bonita. Pastel, coxinha, produtos eletrônicos. La garantia soy jo. Filas dos apressados pelo descanso antes do cansaço do dia seguinte.
Vem vindo meu ônibus. Se eu perder, só amanhã. Subo e recosto na cadeira almofadada. Vem aí quase uma volta ao mundo. Quase. E ninguém, absolutamente ninguém, levantou o braço pedindo para nos acompanhar.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Clarice Lispector
quinta-feira, janeiro 07, 2010
E sorrio. O riso não vem de caminhada longa, mas de corte que parecia pequeno, mas é grande, mas alegra e conforta, mas não me mata, mas mata um pouco a saudade.
Mostro os dentes ao ouvir zabumba e sanfona, assim mesmo, sem triângulo, sem ser lá minha música preferida, mas só em ser perdida, como o sertão rodeado de cerrado, me agrada. vinte e cinco centavos pela lembrança do cheiro de pau d'arco.
E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Tá, tudo bem, foi à vista, sem crediário, mas foi Casas Bahia. Com aquele bonequinho que diz "sim, eu sei, eu também não sou daqui, então vem pra cá", preço baixo e satisfação depois de anos vendo propaganda da loja que não tem em Fortaleza.
Fortaleza. Como é bom pronunciá-la em cada letra. For-ta-le-za. FOR-TA-LE-ZA. Nome do meu time. Nome da minha terra. Nome certo de encontrar no site de passagem aérea.
Nome onde hoje está tudo. Mas, como eu disse, é só a lembrança do cheiro do mato. E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Em breve vou descer dos andaimes para me atirar em braços e abraços. Mesmo que a perna fique avermelhada. Mesmo que tenha ardido um pouco na hora de tomar banho. Mesmo que doa para dar uma leve caminhada.
Toda dor é válida se vale braços e abraços.
terça-feira, janeiro 05, 2010
É verdade que a ligação telefônica poucos minutos antes ganha força. Um capricho de petit gateaux há meses é a certeza de ter feito tudo corretamente. E aquela mão que me apertou com a força dos olhos que não piscavam enriqueceu, afinal, o último olhar.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
E sinto saudades de quando era só colocar Los Hermanos e todos gostavam. Falta de só atravesar a rua e vê-la. Ausência de amigos ateus, com piadas inteligentes e belas frases de teorias malucas com o "La Conjugasion" na mão. Oui, je sens que plus ça change, plus c'est la même chose. Je le sens. Je te sens.
Aquele corpo frio me fez chorar a dor da partida. E me deu certeza de que aquele creme de galinha nunca mais será provado. Como nunca mais vai existir o tempo em que não havia pêlos nas pernas. Ou o tempo quando havia galos, noites, quintais e barba.
Back in US
Back in USSR
Essa cidade é estranha. Sim. E irônica. Eis que no país de tantas praias, tantas paisagens e diversidade, muitos de todos os cantos decidem se reunir aqui, presos a serem iguais como os prédios são caixas de sapato.
E ficamos perdidos! Ficamos todos perdidos! Os que gostam da praia, percebemos, correm no asfalto de sunga e tênis. Ridículos. Não seriam tanto se o mar estivesse logo ali, mas não está.
Nos enganamos. Os prédios daquele canto me lembram a praia da infância. Naquele outro, os quase arranha céu parecem esconder um marzão entre eles. Mais para o sul, as casas fingem não ser daqui.
Não ser daqui. Poucos são. Na verdade, já a metade. Mas a outra parte que não o é tenta nomear as ruas sem nome com lembranças das terras tão distantes. Numa esquina, eis o Rio Grande do Sul. Na feira, sobe o cheiro de comida que minha avó faria.
Nas vias, avenidas e quadras, sejam elas super ou não, escorrem sotaques, costumes e placas de carro de todos os lugares. Entre concreto e asfalto, as próprias árvores também solitárias se retorcem como quem sente saudades da floresta.
E as vozes tentam se igualar como se aqui fosse um só lugar. Não é. Vejo os hipermercados um em frente ao outro e penso como deve ser difícil fazer comércio por aqui. Olho os carros parados em vagas públicas e sorrio pela ideia, e detesto a prática. Mas adoro as árvores.
Sim, senhoras e senhores, eu não sou daqui. Mas é o meu lugar. Uma cidade onde só se fala em dinheiro com o desenho de uma comuna para pensar o futuro do país. De todo um país. Toda uma nação que se encontra no aeroporto para chorar e matar as saudades de nomes de ruas, praias e temperos.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
A Abigail Breslin já tem 13 anos. Isso significa que eu estou cada vez mais velho. (E que em pouco tempo ela pode me decepcionar!)
Momento nacionalista:
Falam mal dos tradutores brasileiros, mas enquanto Little Miss Sunshine é Pequena Miss Sunshine por aqui, em Portugal eles chamam de "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos". Ainda bem que foi a Globo que passou na TV aberta. Se fosse o SBT, teria , com certeza, o nome lusitano. Dizem que "Lost", na emissora do Sílvio, seria "Uma ilha muito louca".
Momento esperançoso:
"Zombieland" tende a ser um dos melhores filmes que vou ver no cinema em 2010. E não vou ver sozinho!
Momento violento:
Dá vontade de sentar o dedo na fila de "Crepúsculo", "Anoitecer", "Tardezinha", "Finzim de dia" e todos esses filmes que só o cartaz já conta tudo. O de Zombieland também conta?! Pode até contar, mas cultura zumbi é alta costura!
http://www.youtube.com/watch?v=071KqJu7WVo
Ouço-a enquanto caminho, caminho como sem fim, caminho até pensar em percorrer a longa estrada só à pé. E vejo avião ao meu lado. E do outro. E sobre o viaduto acima da cabeça.
Vou só pela rua feita para ser só, sem ligar quase nada a nenhum lugar. Vou bem. Vou bem. Há pouco fiz o caminho à noite, sem luz, sem roupa pro frio, sem qualquer abraço na hora de nem poder dizer "cheguei".
E mesmo que a noite tenha sido salva, mesmo que o plano telefônico salve a minha alma, mesmo que o tênis sujo seja só uma lembrança da juventude que já passou, ainda olho para aquela figura na parede e nada sinto. Nada. Indiferente.
A festa é para todos nós. E é só uma festa. É só comida, presentes, e felicidade. Nada além. Nada.
E às vezes isso me dói na hora de andar pela rua, sozinho. Não por medo. É que essa rua não vai até longe. Para lá, preciso das asas, das turbinas, da autorização para decolar.
Eu não acredito. Definitivamente, e ainda mais, eu não acredito. E assim, na hora ter a noite salva, de fechar os olhos e ouvir a voz lá de longe, de ver a terra sumir depois da nuvem, eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo.
E uma vida só me basta.
domingo, dezembro 20, 2009
É quando o livro perfeito é o peso na mão, o trabalho bem pensado não sai em palavras mal escritas. E o passado que queria mudar é invejado, e o futuro que quer sem forças para levantar de manhã.
Ainda bem! Ainda bem! Ainda bem que amanhã é segunda-feira. Ou me levanto por querer, ou vão me ligar para perguntar o que houve. Em uma semana, estarei de cinto de segurança e feliz por retornar. Retornar à vida.
Ou eu me levanto por querer, ou vão me levantar. Mas em uma semana eu vou estar de volta à vida.
domingo, dezembro 06, 2009
havia você e o céu
Havia você e o mar
Já não há"
Prendo o fôlego e olho o calendário. Falta pouco, falta muito pouco. Antes ouvia isso para muitos, hoje olho pra mim e repito, baixinho, antes de dormir ou na hora de tanto acordar com a certeza do deitar sem braços.
A vida prossegue na mesa ao lado. Até na cama ao lado. E falo com os demais e ouço sobre "saudade" e "distância" dos Afonsos à Copa, de São Paulo ao Rio, da Asa Sul à Norte; mas meus bilhetes exigem mais que uma hora de antecedência, são os momentos sem fim da contagem regressiva alegre, ao vir, e tão triste, ao ir.
Mas penso no azul e penso em uma futura casinha. Uma nova futura casinha. Onde poderei fazer minha bagunça. Verde. E roxa. E poderei, sim, poderei, sair de chinelo no dedo e cabelos revoltados. Como casei, como sempre sou.
quarta-feira, novembro 18, 2009
E voava, neste dia 16, sem saber se o voo voava de ida, ou de volta. E a lista na minha agenda cresce só com a incerteza do nome dos lugares que anoto quando estou em viagem. Nas primeiras páginas, está lá um endereço que já não exite mais. Lugar de lembranças de quando como havia galos, noites e quintais; barbas; cabelos desgrenhados; sonhos em flexões de braço e convites de casamento à quatro mãos já de alianças.
Onde posso chamar de "casa", sou uma lembrança antiga em um retrato quase formal na sala. A expectaviva por ouvir o que fui ouvir, sentir o que havia a sentir, e, de surpresa, correr para o hospital cotendo o sangue vivo sobre os olhinhos fechados que assim permaneceram até bater a testa no canto da piscina.
Sim, ele vive. Sim, ela vive. E se o sangue correu o sangue do meu carro que corre longe de mim, é que ali naquele ponto do mapa há algo. Algo pra mim.
quarta-feira, novembro 11, 2009
Paredes em torno, nem tão esquisitas. A saudade como uma variável a ser administrada com uma força acima do normal, senão a ponte arrebenta do lado de lá. O calendário vai chegando ao fim.
Das fotos, lembranças do futuro. Lembrar que virá.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Mas mata e dá vida. Dá a vida como a dor do câncer que consome, cansa, destroça; e valoriza. Valoriza cada segundo. Cada frase em sinal fraco que não trazem nada além do previsto - era previsível ser assim.
E o sono que não mais quer vir quando a cidade dorme lá fora. Estranho dizer "bom dia" quando ainda é noite, "boa noite", quando é de tarde. E o telefone toca, e tudo muda. Tudo. Tudo muda. A dor pode ser só em um ponto. A esperança pode existir. E, quem sabe, eu possa até sorrir.
segunda-feira, outubro 12, 2009
E minha vó que já não é mais que ossos me liga a sobrenomes estranhos que posso chamar de família. Lembro do pé de cajaembú. E gosto! Como gosto! Como agora adoro as comidas antes sem graça, antes sem cor, antes sem marca. Agora a lembrança que explica meu modo de falar e o vazio do olhar que pode se tornar lacrimoso à lembrança do gosto de uma panela só ao fogo com arroz e feijão.
Mas abro o jornal e as letras miúdas com tantos números me dizem que um dia vou saber, quem sabe, o que é uma casa. Uma cama não sei qual para deitar e novos sonhos. Doida arte de sonhar. A gente faz planos, realiza, e depois fica se sentindo perdidão.
Daí vem a saia ao lado. E as saias são sempre muito mais que baús da felicidade. Se singular, é ela por si só.
quinta-feira, outubro 01, 2009
Estou onde quis. Não que seja perfeito. "É da Globo". "Qual Globo?!". Agora, há mais de uma. Não! Não sou dos que aparecem! Sou dos que fazem questão de ficar longe do vídeo, longe da foto, longe do discurso bonito que, talvez, eu mesmo escrevi. Ali, meio de lado. A autoridade necessária, a obediência esperada.
E alguém me fala que isso aqui não é para quem gosta de "aviãozinho", é pra quem "é bom", eu digo que sim. Que posso ser bom. Digo que o mundo é muito maior agora. Mas sei quem sou. E também sei, com toda força, que quando a gente se pega sorrindo pelo trabalho que acaba de receber, quando AMA o que faz, quando AMA sobre o que escreve, a cadeira fica macia e por mais que canse, no fim do dia, pensar... Estou aqui. Estou onde quis estar. Meu lugar.
Lugar longe. Lugar que dói. Lugar de estar perdido. Ruas que não sei o nome - é que elas não os têm. Rostos desconhecidos no corredor - e tantos "boa tarde", "bom dia", "obrigado" que trocaria por uma só conversa amiga.
E saudades. E saudades. E saudades. Saudades do que ficou há tempos, mas sempre esteve cá comigo. Saudades do que parecia novo, e hoje é antigo. Um viver que parece um eterno adeus. Datas que tanto trazem, tanto levam! De quando a gente conta os dias pros dias passarem logo, só para depois sentir falta deles.
E dentre tantos sentimentos, lembro do suco de goiaba dos almoços só com a minha mãe. Quando morava a dois quarteirões e já era longe. De uma passagem de luxo trocada por duas simples só porque eu queria ver a estrada. Da estrada de dois mil setecentos e setenta e cinco quilômetros muito bem contatos, seis gols e fotos que não sei onde estão - mas nunca, nunca, nunca vou esquecer do meu pai. E hoje só tenho uma foto deles.
E basta-me. Qualquer avenida dupla sem nenhum carro passando por ser minha casa se eu fecho os olhos e sinto aquele vento que só tem lá.
domingo, agosto 30, 2009
Jovem que desce do norte pra cidade grande
Os pés cansados e feridos de andar legua tirana...
E a lágrima nos olhos de ler o Pessoa
e de ver o verde da cana..
Em cada esquina que eu passavaum guarda me parava,
pedia os meus documentos e depois sorria,
examinando o três-por-quatro da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha.
Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade,
disso Newton já sabia!
Cai no sul grande cidade
(...)
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar,
mas a mulher, a mulher que eu amei
não pode me seguir não
esses casos de familia e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso o sol não é tao bonito pra quem vemdo norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu diae pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizera minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como, como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora. Eu sou como você."
sábado, agosto 15, 2009
Prometo cumprir rigorosamente
as ordens das autoridades
A que estiver subordinado
Respeitar os superiores hierárquicos
Tratar com afeição os irmãos de arma
E com bondade os subordinados
E dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria
Cuja honra, integridade e instituições
Defenderei
com o sacrifício da própria vida"
terça-feira, agosto 11, 2009
O que sei, agora, e tão somente só agora, é que entre o estive e o estou houve suor, sonho e esforço. Uma fé em si mesmo que só existe porque não há ser só. A certeza de que não sou. A certeza de que somos.
Que entre a fraqueza e o chão há braços amigos. Entre o medo e a realização há gritos de incentivo. De perdidos entre pedras e matagais, sem fôlego e sem forças; temos ânimo para cantar à pátria e às asas.
E mesmo que o sono tenha ficado para depois, que a lama seque no corpo e que haja mais dias que banhos; na hora da alegria há abraços. Há conquista. Há a certeza.
Certeza. Certeza de que mesmo quanto tudo parecer incerto, difícil, impossível... ...nada disso o é. Porque às vezes parece que não posso absolutamente nada. Mas SEMPRE podemos absolutamente tudo. Absolutamente TUDO.
E sorrio. Algum dedo do pé não dói mais. Um ou dois deles.
sexta-feira, julho 31, 2009
Lembro do filme, 2 reais. Lindinho, sessão da tarde alternativa para universitários de férias. Filme, barra de chocolate, travesseiro. Wouldn't be Nice?!
Lembro daqueles dias. Lembro dos beijos. Da saudade completa de alegria repleta de banquinho e sonhos pro futuro que, voilá, são agora o presente! Alguns, feito um barco, até passado.
Sonhos de um filme de 2 reais. De duas cabeças em um travesseiro só. De beijos em colchão na sala, e daquela sala, daquele banquinho, agora, bem agora, em meus ouvidos.
Em todo lugar
domingo, julho 05, 2009
domingo, junho 28, 2009
É ligar para casa e dizer a hora que vai chegar. É apanhar um vôo e na mesma noite a cama macia de sempre. É ir para o aeroporto e enfrentar o sono por um dia e pouco de alegria.
É também ficar, sorrir e soltar um pensamento de felicidade: hoje, o telefonema não acaba rápido!
Mas quanto mais rápido, mais rápido. Passam semanas e passam sentidos. Volvers. Firmes. E canções. Sob chuva, sob sol. Sob madrugada, sob asas.
E em mais 10 semanas, livre. Livre na liberdade que vem de graça, mas não é gratuita.
-Você tem bala, estagiária?!
Com a caixa nas mãos, ela me responde, risonha.
-Tem 9 mm.
E sorrio. Mas militar não chama "bala". Militar chama "cartucho". Militar não ri. Nem tem qualquer prazer polissêmico.
sexta-feira, junho 05, 2009
Nomes novos. Celular também novo e... ...como era mesmo o número lá da casa dela?! Pergunta sobre onde estarei quando nem sequer vou poder sair! Religião, espaço em branco. Branco?! Não sei como dizer a cor da cútis... Calma, eu disse cútis?! Cútis?!
Direi muitas palavras. Palavras que ainda não conheço, gestos e roupas que serão quem sou. Sem os cabelos de antes. Sem a mesma terra debaixo dos pés. Com um travesseiro que nem sei ao certo como será a partir de amanhã. E, quem sabe, até novo nome.
Mas os sonhos e amores, esses sim, são exatamente os mesmos. São minhas forças.
"pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você
às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você"
sábado, maio 23, 2009
E faltam poucas horas para as caixas, carro grande, datas planejadas lá pra lá. E não saio, não durmo, não vibro, não sorrio nem choro. Só abraço esse coorpo letárgico logo ao lado, em sono profundo de ansiedade e pré-saudades, de beleza só pra mim e fome saciada de prato de sorrisos e dedos nas costas.
E é meu destino, é meu caminho, de usar asas com olhos assim. Sentir saudades, querer sofrer, querer querer não querer mais, e querer à distância, saber o que sonha, saber o que virá. Tantos adeus que não consigo juntar em um lugar só. E ainda respirando como o nosso dia no mar.
"Eles só precisam de um livro e de uma árvore". Embalo meus livros. Vou para onde tem árvores. Mas como passar páginas com sendo um só?!
sexta-feira, maio 15, 2009
E me desfaço. E me desfaço. E me desfaço de algo físico. Desfaleço em julgo, reconstruo em fatos. Vontades. Planos. Planos perfeitos de tantos poréns de línguas longas que já não me tocam.
Insensível. Insensato. Insano. Indelével. Decidido. Decididos.
Dar muitos adeus e valorizar um único e singelo "olá". Com frio, queijo e roupas difíceis de passar.
Quem gosta de linhas tortas não sou eu.
sábado, abril 18, 2009

O dia mais bonito da minha vida, até agora.
E digo - até agora - porque espero mais. Espero, quero e vou. Como essa foto - sonho meio louco - se tornou tão real. Como o sorriso do almoço pronto, louças lavadas e a espera dela chegar.
Quando sonhávamos com a nossa futura casinha. Quando sonhava em vê-la com o horizonte como fachada. Quando o rosto vermelho na água era vontade, só vontade.
Realidade. Dos sorvetes simples para cobrir horas em batente longe do ar-condicionado, do banquinho na história, da ponte, dos meio-dia de sábado com longa fila pro cinema barato, de quando nada podíamos fazer, bastava estar junto. E só assim se vai bem além. Bem além.
E aqui escuto o CD3 da playlist que fiz - e só nós ouvimos. E ouço infinitamente, infinitamente, infinitamente. Com acordes de muitos anos e pensamentos para tantos outros.
(Deixa eu ainda tentar acreditar. Eu casei em um barco. De chinela. Minha noiva estava linda. De all-star. A cerimônia foi no mar. Não teve dogma. Teve amor. Não teve machismo. Teve juíza. Não teve trufa. Teve frutas. Perfeito. Perfeito. Perfeito.)
quinta-feira, abril 16, 2009
Se antes faltava um urro, andei soltando uivos de alegria praticamente de quinze em quinze dias. Sim, eu estou realizando meus sonhos. Sim, eu estou realizando os sonhos dela. Sim, ela casou de all-star num barco. Eu, de chinelas.
Vou para o jogo e deixo para bater as fotos hoje. Baterei as fotos, me desfazerei de coisas, arrumarei outras. São aqueles planos distantes cada vez mais perto e, enquanto mais perto, mais percebo que o hoje já é maravilhoso. Maravilhoso estado de espírito de um acordado tão bom de onde não quero acordar.
Mas e quando o estado de espírito foi realmente mudar?! Mudar de estado?!
Me vem o sorriso de quem diz "legal" quando a gente diz que vai fazer algo um dia. E um cálculo de quantas blusas brancas em duas semanas.
segunda-feira, abril 13, 2009
Vou. Vou desta que me despeço. Entre longas caminhadas por uma toalha de mesa bordada, regadas à vento e vista. Entre longas programações e poucas horas somente para estar em casa. Em devolver filme não visto, e sorrir por isso.
E, sem vontade nenhuma de acordar de um acordado tão idílico, penso em levar um pouco dela - que hoje aniversaria - para onde quer que eu vá. Seja onde for, não serei só. Seja onde for, sei que essas últimas semanas foram maravilhosas.
Seja onde for, eternamente o nome ao lado dos dias do meu nascer. Seja onde for, nunca desta longe da luz.
segunda-feira, abril 06, 2009
-Sim, nós fizemos.
-Sim, nós conseguimos!
Realização de escolher do patê de dentro do pão às frases das fotos entre flores no barco branco que agora, sei que pra mim e pra tantos outros, é sinônimo de felicidade. Escolher juntos. Organizar juntos. Ser feliz em plural.
E se o véu da noiva rasga, ela fica mais bela só com a coroa. E se o motor do barco quebra, ficar parado foi melhor para os convidados. E se havia qualquer medo, ele se desfez sob o sol sem chuva e a mais bela visão.
Não falo da praia. Não falo do barco. Não apenas de reunir poucas, mas maravilhosas pessoas, em um dia realmente especial. A bela visão foi ver todos calados, parados, como quem espera um ano chegar, como quem sabe que o melhor vai chegar, olhando o barquinho chegar devagar trazendo ali o melhor sorriso do mundo.
-Sim, nós fizemos!
-Sim, nós conseguimos!
-Sim.
-Sim.
E tá consumado.
quinta-feira, março 12, 2009
E essa outra, que me agonia, que me explode de alegria, que me esforço, que me contorço no dia-a-dia, é tão boba quanto o suor no rosto. Depois de tanto pensar na vida, estudo e sonho, resta o esforço mais simplório dos braços que vão e vêm 17 vezes, do abdômen contorcido 29 vezes e das pernas indo e voltando por longos 12 minutos e 2000 e quarenta metros.
Esforço tolo. Esforço recompensador. Bem mais perto que longe e não, não sou azarão. Vi as chuvas às seis da manhã e ainda assim alonguei a perna dolorida, li do carnaval agitado e, sozinho na praça outrora lotada, rebaixei meu grande amor a um controle de cronômetro e boa notícia no final.
E me perdôo por me alegrar com coincidências bobas, como placas de carro, frases soltas ou lembranças. Como uma crença dos cegos que a vida é como Lost, só que mais otimista. Se penso assim, e se devo acreditar em mim, significa que estou fraco. E preciso é de força.
Perdoem-me. Perdoem-me. Perdoem-me. Sou muito mais que músculos que com tanto amor cultivei. Mas é que meus sonhos, confesso, lembram um capacete de quem nasceu para matar, mas tem símbolos hippies. Dualidade humana.
Que meus lados não entrem em conflito. Que eu não esqueça quem eu sou. Que meu otimismo seja verdadeiro. Que os gritos na reta se tornem gritos ao final.
Que eu grite de alegria.
17, 29, 2040 e quantas vezes mais forem necessárias.
quarta-feira, março 04, 2009
Não sei se viajo na quarta. Não sei se viajo na terça. Sou forte ou sou fraco?! Não sei se me jogo no chão e suo até não poder mais, não sei se guardo meu corpo para a hora certa de suar. Conto os exercícios com força e garra ou faço calado, como quem não quer nada, e deixa sobrar um tiquinho sequer de energia?! Cansado, vou lá e consigo. Ciente, desisto na metade. Adivinhar as chances tentando achançar.
Olho os mapas e só vejo a distância, imaginando meu tempo. Ouço as músicas e as cancelo antes do solo final. Olho os braços e os imagino obedientes. Inicio cada frase e sinto vontade de me levantar, como quem pula o tempo. Nessa mania boba de frases curtas. Bem curtas. Curtas. Por que pular se às vezes também quero que ele não passe?! Por que pular se quero é correr?!
V-E-L-O-C-I-D-A-D-E. Já!
Arranco gritos da praça. Arranco grito dos braços. Arranco grito repressor de quando sou derrotado por minhas próprias palavras. E grito, grito, grito de assustar quando os números da contagem ou do relógio me levam ao pódio.
AHHHH!
E está tudo bem.
Está tudo certo.
Está tudo Ok.
Mas a perna treme acima, com glórias no fone de ouvido, e treme abaixo, com coragem fraca ao mesmo tempo do medo de mais nada.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Meus olhos eu olho certo, certeiro, mesmo que embaçado, mesmo que "-é assimétrico, confirma?!". Confirma, mas diz "tudo bem, fique tranquilo". Vem tranquilizar!
E lágrima cai dos olhos de alegria dos olhos tortos, ao que parece, aprovados. E caem entre palavras embaçadas mais rápidas que sangue deixado em estado estranho, hospital restrito, mãos felizmente delicadas e mãos amigas recentes entre pernas e braços sem forças.
Cidade nem tão diferente, nem tão limpa, nem tão distante. Suficientemente grande para me achar e me perder. Suficientemente longe para no caminho me cantarem Fernanda, Duca, Gessinger, os barbados, os garotos da praia, o Corgan e o Chico, claro, com cheiro de mangue e idéias que precisei desligar para sonhar reto por olhos tortos.
De onde também caem lágrimas em ônibus. De alegria, de incerteza, de estar junto, de estar longe, de ser, pois não é que realmente sou, sensível. E foi isso que eles me cantaram.
A noite inteira.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Não há mais sorriso que venha.
Deixe as louças podres.
Deixa as baratas virem.
Faz a folha dobrar sob o corpo.
Perfeito sonho ser só ter sono.
(...)
Vêm você à noite. Ou venho à tarde.
E, entre novidades, somas, um lençol, subtrações, dois corpos numa rede só, sorrisos, louças lavadas, nova receita prática e páginas de livros, somos, em plural, indivíduos novamente.
Somos nós em saudade proletária.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
São 10 horas da tarde e vamos fazer isso. So Hard! Vai já anoitecer na hora do almoço e a cama pende de lado com os números da conta.
Olha pra cá, criatura!
Até mais tarde, até mais tarde!
São 14 ônibus e volto de noite pra ver a miserávi no mesmo canto. Vai prali, rai pra lá, ramu, ramu, ramu!
E eita que tem verme na goiaba e o liquidificador liquidifica sem mixar! Então manda os recurso lá da redação que "fácil" e "difícil" era só questão de estilo e acabou foi dando medo nur minim. Bando de infiliz.
Tem casa aqui, tem cada uma lá, inda tem que casar, acho melhor esperar. Lá pra 27, lá pra fim de março, lá pra depois do barco, lá pra vê quanto que vai sobrar. Esperar lá pras banda de Quixadá, má rá pá. Se é tão longe e eu tenho o passecard vamo pra longe, sem motor e com janela.
Arriégua.
Ter dúvidas é melhor que duvidar!
terça-feira, dezembro 09, 2008
E a vontade de nas cidades distantes descobrir o que há depois de cada prédio grande, numa busca que têm nomes e números estranhos com um sono que não se satisfaz nem se realiza. Olhar pra baixo em busca de sombra ou um copo d'água já quente por entre lençóis de ontem mal compreendidos pelos olhos vagos, vesgos e embaçados.
E sangrou, sangrou, sangrou meu avô que nunca morreria, e tinha certeza eu, agora morreria, mas já come carne e vê TV em silêncio no barulho que tanto ama. Não morre. Não morre. Não morre. E se não bebo mais, não fumo, e ando, tenho que ter medo de sangue?! Medo de carne podre servindo de viva, agonia, aquela agonia, descendo a virilha e saindo na ponta da agulha.
Agulhas, agulhas, agulhas, gosto acre na boca, suor, horas acordado, de olhos fechados, madrugada sem fim ao escutar as paredes e ver os sabores e cheiros. Por anos?!
Eleições para presidente. Novas moedas?! Desinteresse na sombra com pedaços de pano que vão embora e antes davam prazer. E antes ainda davam medo de formas disformes ou precisas como marcar a hora do último suspiro ou se trancar na geladeira vendo ferro e fogo dos céus.
Céus, céus, céus. Para onde não vou. Da vertigem, dor de cabeça de pouco ar, medo e olhos imprecisos de quem não voa. Boca seca. E um copo d´água vazio ao lado. Tantas cortinas e um telefone sem números.
Até logo, até logo. É quase hora do almoço.
sábado, novembro 08, 2008
"Sorte de hoje: Você é o próximo a ser promovido na sua empresa"
Álvaro de Campos:
"Merda! Sou lúcido"
E o post vai curto que o trabalho não acabou. Sábado, 16 horas e 42. O 16 do F-16 aberto à visitação a menos de 500 quilômetros de mim, mas só pelos próximos 18 minutos. O 42 do sentido de vida.
Garçom, ou sei lá quem, traz conta.
Quanto dá?! Quando dará?!
segunda-feira, novembro 03, 2008

A diferença é o que temos em comum. Nossa diferença.
Pés rápidos de um lado; música instrumental aqui; o que será, que será, por trás daquela pose e óculos quadrado que ainda ousa dizer ficar melhor em mim?! Iogurte, ou iorgute, como diríamos por aqui, ou no Piauí, aqui, ao lado do pão de queijo; refrigerante zero, um pouco de guaraná, carne moída e um chocolate, logo ali. Como será, será, será, dos que levam feijão e dois quilos de café?!
Eu não. Eu não.
Calculo o leite por dias só, seja só sem ela aqui, seja só sem ela lá. Ganhei, neste mês, de 10 a 2. No próximo, levo de goleada.Contas de centavos. Trôco do bombom e o almoço, se tão barato, não é almoço não, é lanche... Juízo!
Casa perto, casa longe; com janelas, mas sem praça. Antidesengordurante já tenho, água, nem sempre. Hora colocar água de radiador?! Não, não mais. Casar. Sim, sim, sim. Já é. E será.
E vejo leite em uma caneca só. Chocolate em pó, saudades. Futuros. Com Pouca Vogal, uma panela de queijo derretido pedindo atenção e esses sons lentos de viola rápida.
Passos lentos, já agora. Peso da leveza de uma linha tênue sem assinatura, sendo Leite só, sem sequer duas canecas para água. Tênue e forte. Como o chocolate em pó, nosso.
quinta-feira, outubro 30, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
Todas as vezes que vejo um filme baseado em um livro e, geralmente, um livro bem conhecido, o debate entre "livro X filme" é de uma mediocridade notável. Com críticas tão severas ao cinema, dá vontade de dizer: "pois me dê o seu ingresso e vai ler ali no estacionamento, vai".
É óbvio que a experiência de um livro é melhor. Pra começar, a gente quase sempre lê sozinho, sem precisar fazer todo o social de ir pro cinema, quase sempre acompanhado. Ler é uma aventura que dura dias ou semanas, solitária e libertária.
Ler é ter um relacionamento íntimo com cada parágrafo. Ver um filme é sexo rápido no tempo de estada de um motel.
Cada personagem tem o rosto que o leitor quiser. A imaginação, com mais poder que as limitadas combinações de letras, dá cheiro, gosto, cor e vida. O cinema não tem cheiro, mas tem rosto. Tem sotaque. Tem uma face que estava lá, naquela outra história. Tem o som, esse sim mais irritante ainda, de quem pensa que milho estourado combina com legendas.
Mas, e daí?!
José Saramago é difícil demais para a maioria das pessoas. É longo demais para a maioria dos dias. E também é bom demais para ficar restrito somente aos que podem encher a boca, sem ninguém perguntar, que já leram o livro. E ele é bem melhor.
Mas, pelo menos, pode chegar a mais gente. E o próprio Saramago gostou, como mostra esse vídeo emocionante do diálogo entre o autor e o diretor Fernando Meireles.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Vontade do sabor dos outros. E essa receita, aqui na cabeça, com ingredientes e fazeres para meus próprios pratos entre as mesmas paredes.
Certo plano de blusa preta, calça preta e tênis de cor, feito fazer o tipo que essa barba é nova, com olhos nos horários e sem hora pela chave do no bolso. Mas ela é uma só, os relógios são decorados e a única a se impressionar do cabelo e do calçado tem minha cama como certa.
Das vontades de agradar e agradar-se; dos risos e sorrisos planejados ou eleitorais; falta água, fico fora - culpa da única chave. E antes que ouse falar de perfeito, sinto o cheiro real do nosso sabor. Agridoce.
sábado, setembro 06, 2008
sábado, agosto 30, 2008
Sim. Eu aceito.
A vós jogo toda glicerina que passou pelo couro acima da cabeça. À vós os cabelos que um dia foram cuidados, um dia descuidados, e que hoje sonho em cuidar de novo. Tanto faz, agora. Sim, meus senhores, os pêlos acima e abaixo da boca; como o suor acima da vida debaixo de qualquer tic-tac de cronômetro em corrida em voltas.
Mais que glicerina. Bem mais que glicerina. Em troca, basta, tão somente, e tão unicamente, repassarem-me essas asas de galinha.
Não fazem voar por si. Mas já dava para sorrir entre aquelas aves de olhos mais retos.
E até.
quarta-feira, agosto 27, 2008
E lá na rua, aqui na rua, automóveis, tão velozes, queimam. Imóveis. A fumaça sobe entre as linhas mal pintadas, no chão escuro e nos buracos maus, mal tapados quando longe do muro de vermelho e números. Mesmos números dos sorrisos de estúdio e frases decoradas.
Tudo feito de palavras. Uma ou duas; não dizem nada, mas sabem o que pedem. Pedem os dedos, ver a foto e barulhinho. Pronto. Quatro anos para duas ou três palavras se desfazerem.
Eu, estudante da UFMG. Eu, entre as horas sentado com pontos em negro na agenda; ousando ter pontos azuis de compromissos em que faço meu horário. Eu, entre antidesengordurante e sabores de amores de mais cedo, com o pensamento em opressivas instituições democráticas de muita liberdade.
E o eu, sonhador, decidindo sonhar em se sentir um estrangeiro. Mesmo que um estranho só de sotaque. Mas entre o sonho de nudez e o sonho de uniforme.
Sentido, sim, senhor.
Não faz sentido, não senhor.
Senhor.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Cresceu com uma marca estranha, na bunda. Não lembra como foi, nem sequer chorou: ao som da faca e cor de sangue, só tombou mais forte entre os peitos da mãe. Essa outra, tão acostumada a ver vida crescer entre pernas de partos, via morte na pequena terra da família. Foram os dois cabras que cuidavam das cabeças e do pasto, foi-se a pouca riqueza praqueles homens de chapéu de cangaço.
Lá longe, bem longe, lá pras terras de muito mato, muita água e muito trabalho, a outra que não sei o nome, mas diz-se ter Leite ao fim, lavava roupa em um tanque maior que o Rio Nilo. Pobre dela. Como conta da lavanderia, perdeu um filho que nem sequer se decompôs em terra. Deglutido.
Relato lúcido do último ano de lucidez da mãe da minha mãe, entre promoção de Fiesta 97 0 Km e resultados de exames com vista para a escada do Center Um.
História do pai do meu pai. Das barbas incompletas bem antes que sujas de graxa e chinelas sem conceito de propriedade privada.
E eu, bisneto do irmão do devorado pela cobra, sobrinho-neto da esfaqueada por cangaceiro, criado com leite de salas de aula e motores batidos de Fuscas e Opalas, sorrio com a aprovação do Departamento de Ciências Políticas. E, por si só, isso me faz otimista.
Leite entre dentes no achocolatado de manhã cedo. Copo de água antes de dormir.
Minha apostasia em sorriso, em raiva, em ira, em felicidade.
Felicidade. Cada suspiro uma negação da certeza infalível.
E essa apostasia! Essa apostasia, cada vez mais definitiva, em cada passada sob o viaduto e sobre as dunas.
Pôr do sol.
Pedaço de pizza.
domingo, junho 29, 2008
Aí ele pensa em querer sair para andar de bicicleta, lutar contra nazistas só com o mouse e o teclado, pular onda no mar. Não, menino, não pode. Vai tirar esses pêlos do rosto e saber quanto deu a conta de luz.
Tem e-mails para ler. Tem aqueles planos maravilhosos para colocar em prática. Tem que planejar o futuro. Tem que acreditar. Mesmo se for muito difícil, tem que acreditar.
Hoje eu já tenho litros de antidesengordurante. E uma fé ainda maior em Le Bourget.
sexta-feira, junho 13, 2008

Treze de junho de 1983. Há exatos 25 anos, a humanidade foi além de qualquer limite antes conhecido. Naquele dia, um objeto construído pelo homem cruzava as fronteiras do Sistema de Solar pela primeira vez. Em tempos de Guerra Fria, quando uma hecatombe nuclear poderia acontecer a qualquer momento, foi um dia de esperança. Hoje, com o medo do aquecimento global, há quem ainda espere algum sinal positivo vindo do espaço.
quarta-feira, junho 04, 2008
Imagino quantos viram aqueles prédios, como eu vi, mas sem saber direito em qual quarto dormiriam na semana seguinte. Monstros de ferro, concreto e vidro a engolir milhões de vidas com o sonho de asfalto e cifras.
Mesmo que cifras só para o feijão e a vontade de voltar.
Teria eu, também, este sonho de falar como falo e ser acusado de sotaque arrastado?! Tirar uma lasquinha de tanto cinza, enfrentar o frio e perder-se entre o ônibus e o jantar?!
Em um metrô debaixo da terra, em avenidas anônimas, em querer tirar foto onde é só mais uma esquina pra quem passa ao lado. Impressionado com o preço de tudo, com o tanto de revistas na banca, as possibilidades, as possibilidades.
Não há concreto. Não há vidro. Não há asfalto. Não há sequer só aquele cinza sem fim no céu. São Paulo pulsa saudades nos buracos daqueles trilhos escuros, sem sequer sinal de celular.
Algo aconteceu.
Algodão no nariz, medo, lágrimas. Dizem que ele teria saudades, mas que não gostaria de nada. Só uma dor pela dor dela, e um lamento pelo será.
Seis mãos na peça de madeira barata, para virar pó, quem sabe. Palavras pouco importariam. O ouvido não escutava mais. A boca não falaria mais. O nariz, só um enfeite de face fria e fechada.
quarta-feira, maio 21, 2008

Ok, vamos fazer um acordo.
É que eu pulso como quem pulsa pela primeira vez. Falo palavras de amor como confissões assinadas de supetão ao relento do horizonte perto. Corro quarteirões ao ritmo da fome que se desfaz ao sorriso e ao olá.
E filme de domingo a noite vira trilha sonora da semana, vontade de gostar até não poder mais e ficar na cama. Na cama. Na cama. Como que em coma. Sem querer acordar de um acordado tão bom.
Voz doce e baixa; ou alta para ser ouvida no banheiro. Eis meu grito e canto. Abraço rápido de meio-dia corrido; ou carinhoso de meia-noite sonolenta. Eis minha dança.
Mesmo sem cabelo grande, nem barba, nem grandes descobertas; esse dia-a-dia como quem descreve o que é ser feliz.
(À propósito: achei minha antiga cabeleleira. E continuo ouvindo she loves you, yeah, yeah, yeah...)
quinta-feira, maio 01, 2008
Só mais um domingo. Um domingo vazio. De manhã sem sentido. Desde que o Senna se foi, domingo não é mais domingo.
Domingo de tarde de melancolia. Tarde vazia como batida em um poste. Noite sem notícias e tristeza por anos. Desde que o Chico se foi que domingo não tem mais cara de domingo.
Mais um daqueles dias que na hora do almoço eu lembro quando um frango e uma coca-cola de 1 litro dava para muita gente. Frango, não, galinha. Galinha com cheiro de quintal da vovó e caminho para o Veneza Tropical.
E desde que meu avô morreu, numa noite de domingo, que a segunda parece um porto seguro.
Vou morrer em um dia de domingo. Não sei se como criança de domingo. Se como velhinho com sondas, memórias e mãos-filhas em volta. Ou herói que dá sentido até em dia sem trabalho.
Tenho uma bermuda verde-limão.
Comprei como piada. Um calção de banho de inédito. Ele foi para algumas feijoadas, churrascos e aniversários. Traje básico de quem falava, falava, citava, recitava, bebia, e não sabia sequer para onde ir. Um dia, após elogio de "o Humberto sabe beber", enchi a grama de vômito e a boca de grama. O corpo no chão, a risada perdida, a lembrança pela metade e, lá longe, uma menina via. "Que decadência!". E "decadência" também era ela!
Não sabia, mas tinha conhecido dez dias antes. "Quem és tu, criatura?". Como ela odiava o boçal "quem és tu". Como ela odiava, quer dizer, odeia, o "criatura". Nem lembrei do nome um dia depois. Passou. Só mais uma interessada em frases fortes e piadas sem graça em um blog que, aquele sim, tinha muitos visitantes. Até bonitinha. Belos beiços.
Passa ano. Passa noite de sono em quadra de concreto. Sol que nasce em amigo-irmão que hoje é só conhecido. Passa, tudo passa.
Até que passou da hora daquela boate chata. Fui lá fora, encontrei outro amigo. E ela, a que me viu de bermudinha verde-limão, lá fora, enchendo o saco, ela ali, sim, bem "criatura". Perdida que nem eu, ela de um jeito, eu do outro.
Aí eu pensei, mais ou menos uns 2 meses depois: "quer saber?! Hoje eu vou ser inconseqüente! O que tiver que ser será. Eu quero é aproveitar!". Saí então feito doido, com umas gotas de perfume e 7 reais, "será que dá?", no bolso.
Passaram-se cinco anos. E agora estou em casa. Nossa casa.
Eu não bebo mais. Nem ela. A bermuda verde limão continua lá, firme e forte. E se eu quiser saber "quem és tu, criatura", eu mesmo respondo, "é minha mulher, é minha companheira". A melhor inconseqüência da minha vida. A melhor vida que eu poderia sonhar entre copos de vinho barato, frases-sinceras entre sorrisos e caminhadas sem fim.
E eu me sinto como o Jonh, no começo da carreira, sorridente e feliz.
She loves you
Yeah, yeah, yeah....
quinta-feira, abril 17, 2008
Morrer, eu não morri. Na verdade, nunca estive tão vivo. Mas se tem alguma coisa moderna, pós moderna, modernista e contemporânea, ao mesmo tudo, tudo ao mesmo tempo, agora, é escrever e ser interpretado. Livremente.
E o autor não morre. Torna-se imortal. Nem que seja para minha única comentarista. Que de comentário, vira post.
ariadnecoelho disse...
da boa surpresa da promoção da tábua que rendeu banquinhos perfeitos, que nos lembram anos 70 e muito mais.
da singela surpresa, penduradas palavras por palavras exatas, com prendedores verdes...resultado lindo e mais fofo do mundo.
e não era só isso.
a fada das roupas agora tem companhia.
elfo das roupas e do "leite da manhã".
"vem cá meu bem, que é bom te ver"
os dias andam e andam, e eu só quero fazer "tudo por você".
e obrigada por fazer tudo por mim...
meu eterno inseparável tudão com refil infinito.
meu companheiro!
amo-te.
em verde e roxo e em todas as cores que a gente quiser combinar.
de tua namorada em caixa alta e garrafal
passo a tua esposa,
grifado na "aquarela".
beijos!
5:53 PM
quarta-feira, abril 09, 2008
De ser só um, por desabrochar, a realizar, por planejar, por se realizar...
Realizado.
De colchão velho com dor nas costas e saudades, companhia todas as noites e copo de leite divido na manhã seguinte. Geladeira que se pinta, oba, a máquina de lavar lava, o Guarda-Roupa coube, o chão tá limpo e a Tv televisiona. Contas, contas, contas, e o resultado final de dormir feliz.
Hoje faltou água. Ontem ligamos a máquina. Amanhã comprar mais presunto e nos próximos meses, pelo visto, ter moedas contadas mas um sorriso como nunca se teve. Prateleiras, gás, mais pano de chão. Um tapete.
Ouro em um dedo e os melhores planos do mundo. A começar pelo primeiro. O primeiro litro de anti-desengordurante.
Aos 23. Quem diria? Agora eu digo. E disse sim.
"Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor "
sábado, março 29, 2008
Daqui a pouco, vão parecer muito pouco.
Na tela, a contagem de pontos. Tantos mil porque acabamos de matar o "chefão". Só mais um de tantos outros que vêm por aí.
É nova fase. E o jogo, bem longe de ser finalizado, dá é uma vontade de ir na cozinha, pegar um copo de água, e encarar o que vem por aí.
Com um sorriso no rosto sem nem saber direito quem é o Player 1 ou o 2...
terça-feira, março 18, 2008
É um calendário em que cada tracinho são 20 anos ou mais de juízo e, que alegria, de contagem regressiva.
É também um coração apertado que pensa em hora não como as 12 do meio dia à meia noite, mas se é a hora. Se é tristeza?! Não, não é, talvez um pouco de medo. Sentimentos estranhos.
Mas como não ser estranho se são tantas coisas novas?!
Te trago as boas novas: é fim, é começo. É momento.
segunda-feira, março 10, 2008
A palavra "Preso" já não parece ser coisa muito boa.
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to"



