quarta-feira, dezembro 15, 2010

Rio do inglês correto, mas errôneo. Mais uma vez, o voo está embarcando. Is now boarding. Snowboardig. Imagino a prancha colorida na montanha nevada. O sorriso do turista, entre todas essas caras.

São faces de olá. São faces de adeus. São faces como a minha, de até logo. Rostos que dizem "não vou mais para o trabalho de ônibus". Mas levam horas, dias até, para voltar para casa.

Ouço os sotaques de todos os locais. Nesse caos-aeroporto-lotação de capital do Brasil em um domingo à noite. Os R puxados. Os xiados que até irritam. Nosso canto cantado.

Se contar com os dos pés, uso os dedos para quando estarei na praia. Pai, mãe, todo mundo, areia, um natal como não tive ano passado. Feriado que conquistei e que agora conto em muitos dedos.
Há pouco estive lá. Quando a porta traseira abriu, abri os pulmões e inspirei fundo aquele ar que sempre confundi com vento. Não era frio, mas refrescava. Agrádavel, meio molhado, de casa.

Mas não pisei no solo. Não saí do avião. Deveria permanecer imóvel, pois não era meu destino. Cruel. Como quem rezou demais e recebeu punição. Eu, que tinha o Makro e a Lagoa da Parangaba como locais de tristeza, vontade e esperança, naquela hora só podia me esticar e ver de longe as ruas amigas sumirem sob a asa.

Ah! Aquele destino um pouco ao Norte, um pouco ao Leste! Um tanto da minha vida, que sorte! Como mais perto do sol, mais perto de mim. Mais perto de ser feliz. Onde não é mais casa, mas para sempre será um lar.

Atrás de mim, agora, uma fila vai para lá. Vontade de apertar as mãos, um a um, e desejar boa viagem. A fila se vai. A moça de preto e vermelho mal olhas fotos. Não confere os bilhetes. Nada. Ela só recolhe os papéis, nesse caos-aeroporto-BSB. Haverá uma poltrona vazia?

Posso correr, posso fugir. Posso só depois fingir que foi engano. Mas merda, sou lúcido, Campos. Vou mesmo para Manaus.

Com muitos dedos nas mãos. E nos pés.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Sexo e morte. Não há qualquer outra força além disso. Há quem pense que somos só uma grande máquina controlada por genes que querem se multiplicar a qualquer custo. Antes que o tempo acabe. Prefiro acreditar que somos simples, e só. Raiva, inveja, desejo, esperança. Tanto faz. São só derivados de duas forças opostas, mais fortes, acima do que somos, acima do que conseguimos pensar.

Tentamos raciocinar trocando os nomes. Pode-se chamar de amor. Pode-se chamar de medo. Pode-se chamar de Deus. Ou de Diabo. Tanto faz, não importa. Ilusões que complicam o que é para ser fácil. O ser humano se importa com os seus limites, mas só vivencia de fato o meio.

É o caminho que importa, e não a chegada, diria alguém de olho puxado. De fato, morremos só uma vez. Multiplicamos algumas, ou nenhuma. E temos medo de ambas as coisas! "É preciso se conhecer muito bem para se multiplicar", diria O Encontro Marcado. Já a morte vem calada.

Inventamos Deus. Egoístas. Um Deus à nossa imagem e semelhança. Um Deus panacéia, amigo que indica coisas certas, mas nos conforta nas erradas. Esquecido quando conveniente, solicitado mesmo que para passar por cima dos outros.

Desejo de sexo, medo da morte. É lógico que Deus surgiria ao se olhar as estrelas. A última visão de muitos. Na boca de um animal selvagem, atravessado por uma lança, convalescente de uma doença fatal. O melhor momento, quando em posição favorável. Mas também pedras, água, terra, lençois.

Vivamos o meio. Não os extremos. Pouco importa se o hormônio controlado dos ovários torna inócuo o momento de prazer. Ou capa de borraca. Não se interessa se os hormônios aplicados na comida reduzam o tempo de vida. Pouco importa a multiplicação, pouco importa a morte.

Nada de Deus, nada de sexo. Só os segundos de prazer. E mais nada. Como trocar o suor do rosto por água pura, concluir um pensamento e, aí sim, se auto-dizer: sim, eu existo. Chegar meio do dia e encontar lugar no mundo. Olhar para as estrelas sem sangrar, nem gozar. Ver limites e o que há muito mais além deles.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Natal venta Fortaleza
Mas não a é.
Não há ela

Brasília é uma estranha agora distante.
Mas com lugar que chamo de casa.
Absorto em emoções entre ser e o faça.

Neste mar eu flutuo imóvel. Meio afogado
Gosto salgado e voz de sotaque
Tendo opção, prossigo dócil
Ela, exceção a misantropia própria

Dentre caminhos passo incólume
Olho a velocidade de dia
Olho a ligeireza da noite
Anexo ao devir hoje forte

quinta-feira, outubro 07, 2010

A maior lição de economia que tive, na vida, foi aos dez anos. E foi uma lição doída, para não dizer odiada.

Tudo começou no dia do meu aniversário. Queria umas duas roupas, e, quem sabe, um brinquedo. Naquela época as crianças ainda queriam ganhar brinquedos - e a Mesbla resolveria tudo isso.

Mas minha mãe não queria. Ela contava o dinheiro, cuidado do cheque. Estava preocupada. Fiquei angustiado de sequer ir na parte nova do shopping, e fomos para casa.

Pouco menos de dois meses depois, lá estávamos novamente. Aniversário da minha irmã. Presente, roupa e até compramos nosso primeiro tocador de CD, aquele que conectava no AUX IN do som grande da sala.

No começo, fiquei com raiva. Depois, lembrei que o dia do meu aniversário de 10 foi histórico. Todo mundo passava o dia a multiplicar tudo por dois mil setecentos e cinquenta. Também torcia para receber uma ou outra daquelas notas novas.

Dezesseis anos depois, tenho dúvidas se alguém lembra que se ocorreram coisas boas, ou coisas ruins, tudo depende daquele 1° de Julho de 1994. Quando 2.750 virou Um.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Ouço vozes sobre rosto cansado. O meu.
Sou avisado de olheiras. Olho-as.

Penso em sentimento, deixado de lado. Sem tempo para abraço. Falta espaço para algo. O mundo explode, deixa para lá. Tenho felicidade, tudo bem. Passa a hora do sono, não passaram os fatos.

Tenho que mudar. Tenho que viver. Mas tudo bem. Tudo bem.
Abro o PC. Abro o arquivo. Ponho os fones de ouvido. Não é música que ouço. São falas. Olho fotos que não são minhas. Lamento cuidar do som e da cor tão bem. No rosto dos outros.

No meu cai um fio de cabelo branco.

What does it matter to ya
When ya got a job to do
Ya got to do it well
You got to give the other fella hell

quarta-feira, setembro 29, 2010

Perdoe-me o escatológico. O banheiro nos ensina a felicidade.

Utilizar o vaso jamais será sinônimo de prazer. Nunca. A não ser, claro, para um ou outro doente. Mas sigamos o mundo da normalidade. Nunca o desejamos. A não ser quando precisa. Quando o elevador parece demorar, quando as escadas não têm fim e o corredor comprido demais. Nessas horas, ir ao banheiro traz sorriso, traz alívio.

O ser humano está sempre desejoso por mudanças. Mudança para melhor. Um novo carro, uma casa própria, aquele CD, uma bolsa mais bonita, o computador veloz. Mas não há nada que mais desejamos que o status quo. Estar como é.

É por isso que o banheiro ensina a felicidade. Sorrimos por nada. Nada muda ali. Saímos com os mesmos compromissos, dívidas, preocupações e prazeres. Mas sorrimos. Um riso sincero, sozinho, feliz.

Como um avião no pouso de retorno. Toca a roda mas leva quase uma hora para pôr o pé na rua. Mesmo assim, às vezes tem palmas. Cansado, a mochila mais cheia peso menos na volta.

Desejamos, queremos, lutamos por mudança. Mas nada, nada, nada, nada como conseguir a vida de volta. A vida que se gosta.

sábado, setembro 18, 2010

"Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar!
Se quiser voar...."

Um texto na tela, uma conversa no fone, um vídeo na câmera, um PC a ser pronto. Toca telefone, toca telefone, toca, telefone. Dizem meu nome. Dizem meu novo nome. Pedem por meu nome.

Não sinto os pés. Desejo o fim das paredes. Desejo ter a curva como menor distância entre dois pontos. Penso no ácido jogado nos tecidos. No adiposo não corrido correndo nas veias que querem subir à testa.

Vou já voar, vou já voar. Não da janela, para o ar. Meu carimbo diz sim, sim, sim, sim.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Je ne parle pas anglais. Un petit peu, pero no mucho.
Mas adoro algumas palavras.

FATE.

Parece com fato, mas é mais forte. É fato irrevogável, desses da vida que a chama de destino. Rima com LATE, de atrasado, passado, demodé. Melhor assim.

Curvo os pés sobre os fatos tão claros e me pergunto como não havia pensado sobre isso antes. Se parecia só uma menina, é que seria minha. Minha última, minha única. De fato, mesmo que parecesse tarde, sempre.

O nome acima do texto pago, desejado, lido e relido, agora em uma tabela com telefone e pedidos a analisar. Por mim, faríamos todos! Por mim, um turbina em cada página de jornal! Se os jatos me fizeram delirar com uma só foto, que eu hoje eu clique ENVIAR e torça para que, em algum lugar, um menino também sonhe com os olhos um pouco menos tortos que os meus.

E penso que, não, não é tarde.
Nunca é tarde se já faz parte da vida.

Seja para os papéis na minha mesa. Seja para a alegria ao abrir minha porta.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Abro os olhos. Creme. Barba. Bigode. Banho. Sinto um pouco de frio e visto a primeira parte da roupa. Branco em cima, cores sólidas abaixo. Geladeira, caneca, leite, um minuto e vinte. Chocolate. Duas colheres. Bebo cereal, mastigo o leite. Olho o relógio.

Creme. Dente. Perfume. Resto da roupa. Sapato. Oi. Beijo.

Elevador. Caminho, espero, ônibus. Chego. Elevador. Oi.
Saio. Elevador. Caminho. Ônibus, espero, chego.

Elevador. Vem vindo elevador. Passos rápidos. Sorriso no rosto. Pulsação que ainda hoje insiste em subir. Só mais uns passos. Como é longo esse corredor! Chego! Sim, cheguei! Estou em casa! Dedo na sirene.

Péeem

Abre a porta. Sorrio.
E a vida faz todo o sentido.
Eu não anistiei ninguém.
Eu não abria uma só das grades. Não pouparia de um só choque elétrico quem ligou os fios. Tenho medo dos uniformes, mataria-os. Odeio os libertários em busca de troca de cabeças, e corte de tantos outros. Mataria-os. Todos. Todos. Todos.

Eu não anistiei ninguém.
Eu não sofri nenhum dos crimes.
Eu não tive uma só palavra apagada.
Nem sequer um sonho cancelado.

Mas tenho um país de mentes fechadas. Por quem as fechou. E por quem até hoje gostaria que assim fosse, só para ter um inimigo claro a derrotar.

Eu não anistiei ninguém.


"E tudo aquilo tudo o que eles sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são"
Às vezes tenho a impressão que Brasília nada mais é que um bairro de Fortaleza. Um bairro meio distante, onde levo minha vida. No sábado, depois do cinema, poderia pegar um ônibus barato ou dirigir por alguns buracos até chegar onde gostaria.

Iria. Poderia. Seria.

Lembro dos dois mil e tantos quilômetros. Lembro dos amigos que não vejo em uma contagem crescente de meses. Será que eles ainda me estimam como o contrário é tao real?!

Tive meus pais. Tive meu sobrinho. Tive até sorriso de conhecer essa cidade que antes, de verdade, não conhecia. Eu me senti como lá. Até uma perna fazer barulho de quebra.

De tão perto, tão distante. Tão frágil como um corpo que se protege sob capuz e braços abraçados de desespero do que fazer. Sem saber. Sem ter muita ideia. Sem sentir a dor, mas a todo instante imaginá-la negociando entre uma dor que poderia ser fatal e o alívio de uma chegada.

Mas visto azul. Sim. Eu visto azul! E por toda aquela tarde pensei como cada revista de avião valeu por existir. No céu mais alto que já voei. No cuidado mais importante que já fiz. Ter minhas mãos mais confiáveis que qualquer instrumento médico.

Feliz aniversário pra mim. Feliz dia das mães, pra ela. Feliz por todos os dias que perdemos.

quinta-feira, julho 08, 2010

Nunca pensei que, aos 26 anos, pulsaria por meus pais como quem pede pedido de aniversário. Eles chegam com mala e cheiro de maresia. Vem com vontade de conhecer ruas e lugares de fotos, mas têm maior prazer de estarmos, assim, com sofá e filme. E aqui, um duo feliz de gordura e calos nas mãos.

Como em um domingo à tarde de uma vida que passou. Como eu os sinto em saudade.

Percebo, mais uma vez, ser uma mistura entre a escrotização dela e a permissividade social dele. De um lado, maravilhoso humor negro e acidez gostosa, como um copo de coca-cola. Ao par, o talento de encontrar vida nas entranhas verdes de uma superquadra. Fazer o vendedor dizer obrigado, assim mesmo, em itálico, verdadeiro.

Daremos, juntos, adeus ao roxinho aos 60 mil Km e dizemos Oi ao raivosinho pegue na maternidade. Pegue com um sorriso deles que diz "eu gostaria de ser comigo, mas é bom ser seu". Agora vejo mapas rodoviários com mais coragem.

Sinto saudades, mato saudades. Traço caminhos e arrumo novas rodas para os próximos. Sempre nós dois.

quarta-feira, junho 23, 2010

Que seja como Policarpo!

Veja em matas e céus um sentido de pátria. Sinta nos sotaques a beleza de diversidade. Sofra do frio, do calor, e lembre como é grande da ponta a outra. De imensidões verdes, de gigantescos azuis. E no meio o belo amaralo das praias.

Ah, as praias!

Que não me seja pecado achar mais belo os quadros que me mostram como há de ser. Cabeça, tronco, membros. Piso, teto, janelas, cenário. Acusem-me de não saber compreender o gênio. Respondo que sei reconhecer talento, e um bem-feito é sempre maravilhoso.

Longe das dúvidas provocadas, das questões postas por questionar, da beleza idiota da roda de bibicleta na entrada do salão. Afasta-me de mim este cálice. De pura bobagem e somente sangue quente.

O seio nú encanta por se esconder. E não me culpem! Quero os poemas de métrica, quero ver o cunho vernáculo do vocábulo. A beleza a ser apreciada, e não uma gosma a dizer que assim acho. Minha beleza. Meu seio em outrem.

Achar. Achem o que quiserem. Não sou moderno. E amo os hinos do Bilac.

quinta-feira, junho 17, 2010

Não deixo de escrever, apenas não concluo. São frases pela metade, capítulos sozinhos de livros sem começo nem fim, pensamentos de elevador. Nego que só escrevo quando estou triste. Se só o faço por saudades, deveria fazê-lo todos os dias. É a ausência de amigo ateu, de pensamento rápido. Dos finais de semana planejados, de tanto em tão pouco tempo.

Olho no calendário e vejo os finais de semana. Acesso o mapa e tento traçar planos. Às vezes mudar paredes, em algumas ter como grande surpresa um retorno a mais. Sim. Eu me sinto mais completo, mais amado, mas além de beijos também há abraços.

Avião já não é novidade. "Vamos às instruções de segurança, mesmo se o senhor for um passageiro frequente". Eis, afinal, o ser desejado no olhar da então janela de ônibus. "Passageiro frequente". E é bom! Como é maravilhoso! Vejo nuvens e luzes e sorrio por ter sentido. Às vezes vestido de azul, às vezes não, sempre com o mesmo compromisso e fé. Azul na pele, mesmo desnudo.

E fé. A fé que faltaria nos joelhos, palavras e genuflexório. E me sobra em acreditar. Me sobra em entender. Me sobra em confiar. Confiar ao ponto de permitir até os erros para alguém.

Palavras. Palavras não exatas. Vindas tantos anos pós inventadas. Agora que não é mais a barba que diz que estou velho. É a falta dela.

Eterna presença etérea.

quinta-feira, abril 01, 2010

Confundo as roupas e as uso como não usava. Duas blusas, e às vezes é pouco. Quero casaco, quero fechar a janela antes de dormir.

O ventilador, fiz questão, era tão pouco e agora é imóvel. Em Brasília, máxima, 26 graus. Engraçado, em Fortaleza é a mínima.

Mas senti, senti saudades dessas ruas de carros velozes e sotaque que nunca é realmente daqui. Fiz de um canto de uma das caixas de sapato o que posso chamar de casa. Pus a mulher lá dentro, o carro ali na chuva e umas mil e tantas lembranças em caixas do bagageiro.

Olho o calendário e penso o ano como quem prende o ar. Dessa vez eu fico meses, semestres, podendo ir ao Iguatemi. Mas sem Pici Unifor. Podendo sentir frio ao sair do banho, mas não do mar.

segunda-feira, março 29, 2010

Vejo a vida hoje como um texto descritivo do passado.

Vejo as luzes da cidade, depois do Natal, e consigo achar lindo o Congresso com o amanhecer vindo aos poucos.

Vivo em endereço de numeral, pego o trânsito com cuidado para não amassar a roupa. Encontro-os, rio com tempo certo, deixo os dedos nos numerais pelos números da conta.

Como quem ainda não disse "Senhôra, sou eu", tenho os dias de elevador, supermercado, cotidiano de quem pra mim ainda mora longe. Por favor, obrigado.

Sou, eu mesmo, a pessoa estranha de longe.

O longe de onde já senti saudades. É, a terra tremeu. Senti tremer como nunca havia sentido antes. Com sono, com frio, com visa linda dos Andes, e um certo pensamento de que ia morrer.

A terra tremeu. E agora eu estou aqui.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Se você me perguntar o que é o amor eu vou pedir para imaginar um carro com um casal de 20 e poucos anos dentro. A estrada está ótima. Eles vão céleres. Escutam as melhores músicas que se pode escutar. Só tem os dois dentro do carro, mas toda a parte traseira está lotada. São roupas, panelas, livros, são uma mudança. Mudança para nova vida. Mudança rumo ao futuro.

Passam de 100. O asfalto é bom. Passam vários outros, lentos, e o sonho fica mais próximo. Mas aí, nesse momento, sobe um leve cheiro de óleo, vem uma luz e um barulho estranho. Pronto. É iniciada uma contagem, no meio do nada, em que cada minuto a mais de fome e de sede trazem consigo o pensamento de "onde estaríamos agora". O sol fica mais forte, e o mecânico desconfiado fala o que é péssimo de ser falado. Há fome. Há replanejamento. E há lamentáveis "e se" que já fogem ao mapa e julgam ações da última meia hora. Dos últimos dias, meses, anos. Sete anos.

Sete anos ou cento e setenta e dois quilômetros. Nenhum padre, pastor ou juiz vai perguntar "aos sete anos ou aos 178 quilômetros". É isso amor. Pra bom ou pra ruim.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Sinto o cheiro de sanduíche e sinto uma alegria incrível. É meu primeiro sanduíche em muitos, muitos, muitos meses. Um misto com requeijão nunca terá um sabor tão grande! O que já se passou desde o último?! Não falo desde o último sanduíche, pois tive muitos nos últimos tempos. Mas eles vinham em embalagens, pacotes, com nota, com "obrigado, senhor. PRÓXIMO!".

É meu primeiro sanduíche, na verdade, são meus dois primeiros sanduíches, em muitos meses. Sanduíche com gosto de pé no chão, bermuda, cabelo bagunçado e sentimento de "estou em casa".

Casa! Sim! Casa! Agora olho para as paredes azuis e sinto um pouco o que é casa. Deito na cama recém chegada e ainda convivo com os isopores, plásticos e papelão. Nem acredito: está acabando esse interlúdio da vida.

Ouço música e adoro pensar que agora posso simplesmente voltar a pensar com a paz de estar em casa. Penso na teoria que mais me inquieta: o autor morreu?! Isso me parece tão sensível quanto a quarta dimensão. Entendo pouco, não pesquiso muito as vezes, acredito que sim. Outras, acredito que não.

Mas ouço a música sobre cachorros e rio do trecho que parece meu dia a dia:

"Minha vida vai
Um ano contam sete
Rumo ao fim
Acho que ninguém tem dó de mim

Quase não me sobra tempo algum
Não conheço bem lugar nenhum
Fora do trabalho
Eu acho essa cidade
Tão ruim
Acho que ninguém tem dó de mim"

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Há um ano, minha vida se chama mudança. Um calendário inteiro de passar os dedos nos números com uma conta na cabeça. Uma ida ao Recife lembrando que foi lá que minha mãe mudou a vida dela. Chorei naquela volta de Guanabara como quem já sentia tudo o que vinha.

Eu andava de Guanabara, naquela época.

Mais duas idas, mais certezas do que viria. Corri. Suei. Comi bananada e passei muito gelo nos braços. Senti medo das minhas forças, mas era mais forte. Sorri. Sorri. Sorri e vibrei naquele centro histórico. Visitei o Bruno. E adorei vê-lo.

Voltei. Metade do caminho, até Natal, pela FAB. De lá, um ônibus diurno para minha terra. Como pensei ali. Já planejei todas as datas, até as de hoje. Meses de atencedência! E, ao chegar, vi o pai, a mãe e ela com o sorriso e o abraço que já parecem ser os de quando volto, hoje.

Toalhas, calças jeans e venda de móveis depois, tive minha última data. Corri sob o sol de meio dia em Quixadá. Angustiei-me com a certeza de que aquela era a última faxina. Transformei uma casinha de sonhos em uma casinha de saudades.

E, agora, cá estou. Um colcão, um fogão sem gás. E eu. Só eu. Por pouco tempo. Percorro as datas com o dedo no calendário. E minha conta é cada vez menor.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Estar só é como se todos tivessem morrido por um instante. A janela só mostra a árvore, as paredes não dizem nada, não há água, não nada. Mas, logo em seguida, descobre que lá onde seria sua casa há sorrisos, comida e animação. Desliga o som da música repetida e um dos vizinhos faz lembrar que sim, há vida. Há vida.

Há vida lá fora. Fora do casulo, fora do meu lugar. Fora do meu caixão?! Estar só é como estar morto por um instante. Pelo banho que não toma e o cheiro que o toma após um dia a rolar sem nada fazer. O sono intermitente que vai e vem, fazendo tudo, menos estar acordado. Menos estar de pé. Acorde! Levante! Faça algo! Nada. As roupas ficam jogadas no canto de uma parede.


Visto um casaco. Desço. Boa noite. Bom dia. Boa tarde. A quantidade de palavras vai se reduzindo e é um prazer ver a moça errar o preço do sanduíche só para ter uma frase a mais. "Não. É três e oitenta. Olha aqui". Ainda sei falar! Ainda sei o que é abrir a boca e emitir sons para alguém! Mas logo me preocupo que a padaria tão próxima e vazia não é minha casa, e não lembro quando escovei os dentes.


Como quieto. Vou embora pela portas dos fundos. Caridoso, o mendigo me cumprimenta. Elevador. Quarto andar. Abro a porta e já é noite escura. Deixo a escuridão me envolver. É agora, quem sabe. Deito sobre o plástico do colchão guardado para quando tiver vida. Preciso de um banho. Preciso arrumar minhas coisas. Preciso ver se vai dar certo a máquina de lavar naquele canto. Preciso fazer o tempo passar.

Levanto. Vi que o telefone tocou. Ainda bem. Ligo, e volto à vida. Ainda com gosto acre na boca. Ainda em putrefação do ser e de aroma das axilas. A barba crescida como quem esqueceu o dia a dia. Quanto tempo faz?! Dois dias. Só dois dias. Mas só mais alguns para pular da tumba.
Pular e dançar qualquer música sem graça. É que meu telefone tocou. E cada item da mochila, gigantesca mochila, ganharam justificativa. Ainda bem. Um avião vai me levar. Um avião vai me salvar.



sábado, janeiro 23, 2010

Há pouco, gritava Kairós. Uma bem cedo, depois do café, outra mais tarde, antes do almoço, outro um pouco depois, exatamente antes do almoço, mais uma para começar a tarde e, por fim, outra para terminar as atividades diárias. Vez por outra, algumas adicionais para sair correndo, fazer ensaio com dificuldade de alinhamento ou qualquer outra coisa a mais.

Kairós, Kairós, Kairós, Kairós... Nome grego ad infinitum.

Quando ouvi, pensei que era de tribo de índios. Até parece. Todos quase iguais, andando igual, comendo igual, falando igual, morando igual. Uma igualdade um pouco desigual, mas, no fim das contas, chegamos juntos e saímos unidos. Por pouco tempo. Tempo sem mensuração, tempo não cronológico, tempo Kairós. Como a medida de amar é amar sem medida, nosso tempo junto passou sem ser medido (apesar de todos os dias eu saber quantos dias faltavam).

Mas a turma que nós fôramos seria como o é hoje. Uns pensam em ir logo para casa. Outro pensa na conta de luz. Mais um com a cabeça na lua e um último "escama" sem conseguir parar. E o grito AZUL, que já tem até mais tempo, mas só duas vezes ao dia, ainda nem sequer saiu da garganta.

E eu quero gritar. Eu preciso. Estar de cabelo raspados e a roupa suja. Ou simplesmente ter um sentido para estar longe de casa.

Tenho-o.

domingo, janeiro 17, 2010

Meus amigos, eu preciso contar uma história que ontem aconteceu comigo e com o Tenente Rachid.

Estar trabalhando no frio, em plena madrugada, depois de um dia inteiro de trabalho não parece ser uma realização muito grande. Mas tem coisas que fazem a vida realmente valer à pena.

Estávamos na Base Aérea de Brasília, mais de 4 horas da manhã, e já havia sido feito o desembarque do caixão da Dra. Zilda Arns. Os jornalistas faziam perguntas diversas, e uma senhora tímida, de olhar triste, acompanhada de um rapaz chamou o Rachid pro canto e fez uma pergunta sobre os brasileiros repatriados pela Força Aérea.

Ele me chamou e eu cheguei como quem ia atender a uma jornalista, mas assim que eu falei os dois primeiros nomes a cidadã abriu um sorriso e demonstrou uma alegria realmente incríveis. Não era jornalista. Era família. Ela é madrasta de dois rapazes que sobreviveram ao terremoto no Haiti, uns dos poucos sobreviventes do prédio onde estavam. Já tinham notícia de que eles estavam bem, mas eu e o Rachid demos ali a certeza disso e, melhor, estavam vindo para o país.

Foi uma imensa, gigantesca, satisfação perceber tão claramente que cada nome em cada notícia é uma vida humana. E todo o esforço que a FAB e outras pessoas e instituições fazem em salvar quem mais precisa de ajuda é extremamente válido e necessário.

Fico muito feliz de poder lembrar disso por muitos anos e ter a certeza que mesmo distante da tragédia posso dar a minha contribuição. É quando o cansaço ganha sentido e a gente se sente simplesmente feliz.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Brasília me faz sentido, aos poucos. No bordado do colchão jogado no quarto ainda sem luz, no tempo calculado da caminhada do elevador de lá pro elevador de casa.

A cidade finge não ser cidade. Mas é. Ando pelo Setor Comercial Sul. Lá estão os skatistas, comerciantes, vagabundos, prostitutas, criança em busca de brinquedo, ladrões, fotocópias e salgados a R$ 1,50. Escondidos atrás de parede gigantesca. Beco da Poeira, Uruguaia, 25 de março. Perdidas aqui, tão perto mas que não aparecem no suposto cartão postal.

Fez-me sentido em leve caminhada. Daquelas de resolver a vida sem pressa, olhando os prédios que parecem se preparar para uma tragédia com plutônio ou algo assim. As calçadas brigadas com as ruas. Tomam próprio rumo, em um charme que às vezes dá em uma parede, ou nos faz andar mais.

E por aqui Kombi é loja, com algumas delas estacionadas oferecendo serviços. A terra que pouco vale fizeram-nos todos acreditar que vale muito, e é mais fácil a VW levar o serviço tão simples onde ele é necessário. É que o cachorro quente da 404 Sul está fechado. Seria quase uma esquina. Não era.

E na W3 quase acredito ser uma cidade de verdade. De lá, quem sabe, posso ver os prédios de onde o barro é sujo e dizem ter "águas claras". Ainda não vi essas águas. Vejo o céu tão carregado despejando trovões e raios como enfurecido de terem construído tanto concreto onde o não há seria a regra geral.

Chego à biblioteca. Biblioteca sem livros, mas boa biblioteca. Como numa festa de amigos, cada um leva o que quer. E sentam. E estudam. E estudam. E estudam. Alguns dormem. Infelizmente, pouco produzem. Só reproduzem. Reproduzem. Reproduzem. Reproduzem cada alínea com desejo de reproduzir os que já estão nos prédios caixotes ali perto. Salário, segurança, financiamentos, investimentos, morte. Um livro de literatura me parece melhor.

Mais ao fundo, os que estão nos pratos virados, chegaram aqui como quem pode ver o Executivo e o Judiciário pela mesma praça. Cada um ao seu tempo, trazem a reboque placas de carro de todos os lugares, expectativas de qualquer parte e a mesma vontade de seguir pelo Eixão rumo ao aeroporto. Sempre lotado aeroporto. De cada voo que vejo e digo "em breve, estarei em um".

Mas hoje eu não vou voar. Caminho até a rodoviária. Sono, cansaço e suor são iguais em qualquer lugar. Moça grávida que pede esmola e cheira à cola. Ao lado da gravata e do esvoaçante verde da saia bonita. Pastel, coxinha, produtos eletrônicos. La garantia soy jo. Filas dos apressados pelo descanso antes do cansaço do dia seguinte.

Vem vindo meu ônibus. Se eu perder, só amanhã. Subo e recosto na cadeira almofadada. Vem aí quase uma volta ao mundo. Quase. E ninguém, absolutamente ninguém, levantou o braço pedindo para nos acompanhar.

terça-feira, janeiro 12, 2010

"Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério".

Clarice Lispector

quinta-feira, janeiro 07, 2010

A perna dói.

E sorrio. O riso não vem de caminhada longa, mas de corte que parecia pequeno, mas é grande, mas alegra e conforta, mas não me mata, mas mata um pouco a saudade.

Mostro os dentes ao ouvir zabumba e sanfona, assim mesmo, sem triângulo, sem ser lá minha música preferida, mas só em ser perdida, como o sertão rodeado de cerrado, me agrada. vinte e cinco centavos pela lembrança do cheiro de pau d'arco.

E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Tá, tudo bem, foi à vista, sem crediário, mas foi Casas Bahia. Com aquele bonequinho que diz "sim, eu sei, eu também não sou daqui, então vem pra cá", preço baixo e satisfação depois de anos vendo propaganda da loja que não tem em Fortaleza.

Fortaleza. Como é bom pronunciá-la em cada letra. For-ta-le-za. FOR-TA-LE-ZA. Nome do meu time. Nome da minha terra. Nome certo de encontrar no site de passagem aérea.

Nome onde hoje está tudo. Mas, como eu disse, é só a lembrança do cheiro do mato. E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Em breve vou descer dos andaimes para me atirar em braços e abraços. Mesmo que a perna fique avermelhada. Mesmo que tenha ardido um pouco na hora de tomar banho. Mesmo que doa para dar uma leve caminhada.

Toda dor é válida se vale braços e abraços.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Não há hora para morrer. Não há o que dizer ao corpo enrijecido. Não adianta falar em alguém se na mesma noite vamos dormir com a certeza daquele alguém ter ficado sob cimento. É duro. É fato. E é verdade.

É verdade que a ligação telefônica poucos minutos antes ganha força. Um capricho de petit gateaux há meses é a certeza de ter feito tudo corretamente. E aquela mão que me apertou com a força dos olhos que não piscavam enriqueceu, afinal, o último olhar.

Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.

E sinto saudades de quando era só colocar Los Hermanos e todos gostavam. Falta de só atravesar a rua e vê-la. Ausência de amigos ateus, com piadas inteligentes e belas frases de teorias malucas com o "La Conjugasion" na mão. Oui, je sens que plus ça change, plus c'est la même chose. Je le sens. Je te sens.

Aquele corpo frio me fez chorar a dor da partida. E me deu certeza de que aquele creme de galinha nunca mais será provado. Como nunca mais vai existir o tempo em que não havia pêlos nas pernas. Ou o tempo quando havia galos, noites, quintais e barba.
Back in US
Back in US
Back in USSR

Essa cidade é estranha. Sim. E irônica. Eis que no país de tantas praias, tantas paisagens e diversidade, muitos de todos os cantos decidem se reunir aqui, presos a serem iguais como os prédios são caixas de sapato.

E ficamos perdidos! Ficamos todos perdidos! Os que gostam da praia, percebemos, correm no asfalto de sunga e tênis. Ridículos. Não seriam tanto se o mar estivesse logo ali, mas não está.

Nos enganamos. Os prédios daquele canto me lembram a praia da infância. Naquele outro, os quase arranha céu parecem esconder um marzão entre eles. Mais para o sul, as casas fingem não ser daqui.

Não ser daqui. Poucos são. Na verdade, já a metade. Mas a outra parte que não o é tenta nomear as ruas sem nome com lembranças das terras tão distantes. Numa esquina, eis o Rio Grande do Sul. Na feira, sobe o cheiro de comida que minha avó faria.

Nas vias, avenidas e quadras, sejam elas super ou não, escorrem sotaques, costumes e placas de carro de todos os lugares. Entre concreto e asfalto, as próprias árvores também solitárias se retorcem como quem sente saudades da floresta.

E as vozes tentam se igualar como se aqui fosse um só lugar. Não é. Vejo os hipermercados um em frente ao outro e penso como deve ser difícil fazer comércio por aqui. Olho os carros parados em vagas públicas e sorrio pela ideia, e detesto a prática. Mas adoro as árvores.

Sim, senhoras e senhores, eu não sou daqui. Mas é o meu lugar. Uma cidade onde só se fala em dinheiro com o desenho de uma comuna para pensar o futuro do país. De todo um país. Toda uma nação que se encontra no aeroporto para chorar e matar as saudades de nomes de ruas, praias e temperos.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Momento velhice:

A Abigail Breslin já tem 13 anos. Isso significa que eu estou cada vez mais velho. (E que em pouco tempo ela pode me decepcionar!)

Momento nacionalista:

Falam mal dos tradutores brasileiros, mas enquanto Little Miss Sunshine é Pequena Miss Sunshine por aqui, em Portugal eles chamam de "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos". Ainda bem que foi a Globo que passou na TV aberta. Se fosse o SBT, teria , com certeza, o nome lusitano. Dizem que "Lost", na emissora do Sílvio, seria "Uma ilha muito louca".

Momento esperançoso:

"Zombieland" tende a ser um dos melhores filmes que vou ver no cinema em 2010. E não vou ver sozinho!

Momento violento:

Dá vontade de sentar o dedo na fila de "Crepúsculo", "Anoitecer", "Tardezinha", "Finzim de dia" e todos esses filmes que só o cartaz já conta tudo. O de Zombieland também conta?! Pode até contar, mas cultura zumbi é alta costura!

http://www.youtube.com/watch?v=071KqJu7WVo

Ouço The Winner Is e lembro daquela maravilhosa manhã, que já faz tempo, e tão poucos meses!

Ouço-a enquanto caminho, caminho como sem fim, caminho até pensar em percorrer a longa estrada só à pé. E vejo avião ao meu lado. E do outro. E sobre o viaduto acima da cabeça.


Vou só pela rua feita para ser só, sem ligar quase nada a nenhum lugar. Vou bem. Vou bem. Há pouco fiz o caminho à noite, sem luz, sem roupa pro frio, sem qualquer abraço na hora de nem poder dizer "cheguei".

E mesmo que a noite tenha sido salva, mesmo que o plano telefônico salve a minha alma, mesmo que o tênis sujo seja só uma lembrança da juventude que já passou, ainda olho para aquela figura na parede e nada sinto. Nada. Indiferente.

A festa é para todos nós. E é só uma festa. É só comida, presentes, e felicidade. Nada além. Nada.

E às vezes isso me dói na hora de andar pela rua, sozinho. Não por medo. É que essa rua não vai até longe. Para lá, preciso das asas, das turbinas, da autorização para decolar.

Eu não acredito. Definitivamente, e ainda mais, eu não acredito. E assim, na hora ter a noite salva, de fechar os olhos e ouvir a voz lá de longe, de ver a terra sumir depois da nuvem, eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo.

E uma vida só me basta.


Saudades do jornalismo cearense. E seu hilário humor negro.

domingo, dezembro 20, 2009

























(E é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso)

Da última vez que fiz isso, mudei a história da minha vida. Em outras palavras, é outra forma de chamar ela pra mim.
Não é só liquidificador e bermuda. A ausência tem muitos nomes. Vazio. Sozinho. Calado. Desfruição?!

É quando o livro perfeito é o peso na mão, o trabalho bem pensado não sai em palavras mal escritas. E o passado que queria mudar é invejado, e o futuro que quer sem forças para levantar de manhã.

Ainda bem! Ainda bem! Ainda bem que amanhã é segunda-feira. Ou me levanto por querer, ou vão me ligar para perguntar o que houve. Em uma semana, estarei de cinto de segurança e feliz por retornar. Retornar à vida.

Ou eu me levanto por querer, ou vão me levantar. Mas em uma semana eu vou estar de volta à vida.

domingo, dezembro 06, 2009

"Me explica
havia você e o céu
Havia você e o mar
Já não há"

Prendo o fôlego e olho o calendário. Falta pouco, falta muito pouco. Antes ouvia isso para muitos, hoje olho pra mim e repito, baixinho, antes de dormir ou na hora de tanto acordar com a certeza do deitar sem braços.

A vida prossegue na mesa ao lado. Até na cama ao lado. E falo com os demais e ouço sobre "saudade" e "distância" dos Afonsos à Copa, de São Paulo ao Rio, da Asa Sul à Norte; mas meus bilhetes exigem mais que uma hora de antecedência, são os momentos sem fim da contagem regressiva alegre, ao vir, e tão triste, ao ir.

Mas penso no azul e penso em uma futura casinha. Uma nova futura casinha. Onde poderei fazer minha bagunça. Verde. E roxa. E poderei, sim, poderei, sair de chinelo no dedo e cabelos revoltados. Como casei, como sempre sou.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Pensava no dia 16. Pensava que cinco antes eu ganhava os ares e escrevia palavras bonitas sobre o azul. Lembrava que um ano antes, com aquela certeza que não soube de onde vinha, não, eu sabia, sabia muito bem, acordei cedo e tranquilo. Saí de casa para hoje vestir azul.

E voava, neste dia 16, sem saber se o voo voava de ida, ou de volta. E a lista na minha agenda cresce só com a incerteza do nome dos lugares que anoto quando estou em viagem. Nas primeiras páginas, está lá um endereço que já não exite mais. Lugar de lembranças de quando como havia galos, noites e quintais; barbas; cabelos desgrenhados; sonhos em flexões de braço e convites de casamento à quatro mãos já de alianças.

Onde posso chamar de "casa", sou uma lembrança antiga em um retrato quase formal na sala. A expectaviva por ouvir o que fui ouvir, sentir o que havia a sentir, e, de surpresa, correr para o hospital cotendo o sangue vivo sobre os olhinhos fechados que assim permaneceram até bater a testa no canto da piscina.

Sim, ele vive. Sim, ela vive. E se o sangue correu o sangue do meu carro que corre longe de mim, é que ali naquele ponto do mapa há algo. Algo pra mim.

quarta-feira, novembro 11, 2009

E ainda acordo algumas noites perdido no espaço e no tempo. Como quem vai levantar e pegar o zero onze, ou o zero vinte-e-nove, ou o zero-trinta. Ou um zero-sete-cinto, com faixa vermelha, que traz o sorriso do frio que hoje até atormenta.

Paredes em torno, nem tão esquisitas. A saudade como uma variável a ser administrada com uma força acima do normal, senão a ponte arrebenta do lado de lá. O calendário vai chegando ao fim.

Das fotos, lembranças do futuro. Lembrar que virá.

sexta-feira, outubro 23, 2009

A doce dor de uma tarde livre. A estranha agonia de querer ver dias livres, mas vê-los e precisar olhar para semanas seguintes. Nunca ninguém vos disse, senhores, que seria fácil. E eu me faço sempre de difícil! O que quero, o que espero, o que almejo; o que me mata.

Mas mata e dá vida. Dá a vida como a dor do câncer que consome, cansa, destroça; e valoriza. Valoriza cada segundo. Cada frase em sinal fraco que não trazem nada além do previsto - era previsível ser assim.

E o sono que não mais quer vir quando a cidade dorme lá fora. Estranho dizer "bom dia" quando ainda é noite, "boa noite", quando é de tarde. E o telefone toca, e tudo muda. Tudo. Tudo muda. A dor pode ser só em um ponto. A esperança pode existir. E, quem sabe, eu possa até sorrir.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Vejo os raios distantes de terra estranha. Olho e sei que estão ao sul. É que giro, vou, alcanço e sempre sei para onde olhar. Algo entre o Norte e o lado de onde vem o sol. Onde há mais que ondas tortas e tranquilidade. Há lembranças nas ruas, chances de ver conhecido em esquina. Onde há, veja só, esquinas.

E minha vó que já não é mais que ossos me liga a sobrenomes estranhos que posso chamar de família. Lembro do pé de cajaembú. E gosto! Como gosto! Como agora adoro as comidas antes sem graça, antes sem cor, antes sem marca. Agora a lembrança que explica meu modo de falar e o vazio do olhar que pode se tornar lacrimoso à lembrança do gosto de uma panela só ao fogo com arroz e feijão.

Mas abro o jornal e as letras miúdas com tantos números me dizem que um dia vou saber, quem sabe, o que é uma casa. Uma cama não sei qual para deitar e novos sonhos. Doida arte de sonhar. A gente faz planos, realiza, e depois fica se sentindo perdidão.

Daí vem a saia ao lado. E as saias são sempre muito mais que baús da felicidade. Se singular, é ela por si só.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Há quatro rostos para quatro computadores. Sorriem de fones de ouvido e às vezes falam para o nada. Há outro ali perto, com livro. Outros dois matam a fome. Sem pressa. Faz um barulho de avião ao longe. Sorrio. Para mim, é música. Música antiga. Música boa. Música que sempre gostei. Música que agora é minha casa.

Estou onde quis. Não que seja perfeito. "É da Globo". "Qual Globo?!". Agora, há mais de uma. Não! Não sou dos que aparecem! Sou dos que fazem questão de ficar longe do vídeo, longe da foto, longe do discurso bonito que, talvez, eu mesmo escrevi. Ali, meio de lado. A autoridade necessária, a obediência esperada.

E alguém me fala que isso aqui não é para quem gosta de "aviãozinho", é pra quem "é bom", eu digo que sim. Que posso ser bom. Digo que o mundo é muito maior agora. Mas sei quem sou. E também sei, com toda força, que quando a gente se pega sorrindo pelo trabalho que acaba de receber, quando AMA o que faz, quando AMA sobre o que escreve, a cadeira fica macia e por mais que canse, no fim do dia, pensar... Estou aqui. Estou onde quis estar. Meu lugar.

Lugar longe. Lugar que dói. Lugar de estar perdido. Ruas que não sei o nome - é que elas não os têm. Rostos desconhecidos no corredor - e tantos "boa tarde", "bom dia", "obrigado" que trocaria por uma só conversa amiga.

E saudades. E saudades. E saudades. Saudades do que ficou há tempos, mas sempre esteve cá comigo. Saudades do que parecia novo, e hoje é antigo. Um viver que parece um eterno adeus. Datas que tanto trazem, tanto levam! De quando a gente conta os dias pros dias passarem logo, só para depois sentir falta deles.

E dentre tantos sentimentos, lembro do suco de goiaba dos almoços só com a minha mãe. Quando morava a dois quarteirões e já era longe. De uma passagem de luxo trocada por duas simples só porque eu queria ver a estrada. Da estrada de dois mil setecentos e setenta e cinco quilômetros muito bem contatos, seis gols e fotos que não sei onde estão - mas nunca, nunca, nunca vou esquecer do meu pai. E hoje só tenho uma foto deles.

E basta-me. Qualquer avenida dupla sem nenhum carro passando por ser minha casa se eu fecho os olhos e sinto aquele vento que só tem lá.

domingo, agosto 30, 2009

"Eu me lembro muito bem do dia em que eu cheguei
Jovem que desce do norte pra cidade grande
Os pés cansados e feridos de andar legua tirana...
E a lágrima nos olhos de ler o Pessoa
e de ver o verde da cana..
Em cada esquina que eu passavaum guarda me parava,
pedia os meus documentos e depois sorria,
examinando o três-por-quatro da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha.
Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade,
disso Newton já sabia!
Cai no sul grande cidade
(...)
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar,
mas a mulher, a mulher que eu amei
não pode me seguir não
esses casos de familia e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso o sol não é tao bonito pra quem vemdo norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu diae pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizera minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como, como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora. Eu sou como você."

sábado, agosto 15, 2009

"Incorporando-me à Força Aérea Brasileira
Prometo cumprir rigorosamente
as ordens das autoridades
A que estiver subordinado
Respeitar os superiores hierárquicos
Tratar com afeição os irmãos de arma
E com bondade os subordinados
E dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria
Cuja honra, integridade e instituições
Defenderei
com o sacrifício da própria vida"

terça-feira, agosto 11, 2009

Não sei ao certo quais partes do meu corpo doem. Na realidade, seria até mais fácil listar as que não doem. Mas não é isso o que me importa.

O que sei, agora, e tão somente só agora, é que entre o estive e o estou houve suor, sonho e esforço. Uma fé em si mesmo que só existe porque não há ser só. A certeza de que não sou. A certeza de que somos.

Que entre a fraqueza e o chão há braços amigos. Entre o medo e a realização há gritos de incentivo. De perdidos entre pedras e matagais, sem fôlego e sem forças; temos ânimo para cantar à pátria e às asas.

E mesmo que o sono tenha ficado para depois, que a lama seque no corpo e que haja mais dias que banhos; na hora da alegria há abraços. Há conquista. Há a certeza.

Certeza. Certeza de que mesmo quanto tudo parecer incerto, difícil, impossível... ...nada disso o é. Porque às vezes parece que não posso absolutamente nada. Mas SEMPRE podemos absolutamente tudo. Absolutamente TUDO.

E sorrio. Algum dedo do pé não dói mais. Um ou dois deles.

sexta-feira, julho 31, 2009

Escuto Beach Boys.

Lembro do filme, 2 reais. Lindinho, sessão da tarde alternativa para universitários de férias. Filme, barra de chocolate, travesseiro. Wouldn't be Nice?!

Lembro daqueles dias. Lembro dos beijos. Da saudade completa de alegria repleta de banquinho e sonhos pro futuro que, voilá, são agora o presente! Alguns, feito um barco, até passado.

Sonhos de um filme de 2 reais. De duas cabeças em um travesseiro só. De beijos em colchão na sala, e daquela sala, daquele banquinho, agora, bem agora, em meus ouvidos.

Em todo lugar

domingo, julho 05, 2009



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

domingo, junho 28, 2009

O que é a liberdade?!

É ligar para casa e dizer a hora que vai chegar. É apanhar um vôo e na mesma noite a cama macia de sempre. É ir para o aeroporto e enfrentar o sono por um dia e pouco de alegria.

É também ficar, sorrir e soltar um pensamento de felicidade: hoje, o telefonema não acaba rápido!

Mas quanto mais rápido, mais rápido. Passam semanas e passam sentidos. Volvers. Firmes. E canções. Sob chuva, sob sol. Sob madrugada, sob asas.

E em mais 10 semanas, livre. Livre na liberdade que vem de graça, mas não é gratuita.
Soa o intervalo. Bombons, chocolates, biscoitos e pastilhas. Olho para a moça ao lado e planejo o prazer da língua.

-Você tem bala, estagiária?!

Com a caixa nas mãos, ela me responde, risonha.

-Tem 9 mm.

E sorrio. Mas militar não chama "bala". Militar chama "cartucho". Militar não ri. Nem tem qualquer prazer polissêmico.

sexta-feira, junho 05, 2009

No começo, era a estranheza. Dos planos para terça-feira como lavar roupas e ir fazer prova. Das ruas de sobe e desce e curvas e túnel e norte que era aqui, é acolá, não, é pra lá agora. Das esquinas de oito cantos de obelisco onipresente. Correr por praças, boulevares e poucos graus celsius. Às três da matina.

Nomes novos. Celular também novo e... ...como era mesmo o número lá da casa dela?! Pergunta sobre onde estarei quando nem sequer vou poder sair! Religião, espaço em branco. Branco?! Não sei como dizer a cor da cútis... Calma, eu disse cútis?! Cútis?!

Direi muitas palavras. Palavras que ainda não conheço, gestos e roupas que serão quem sou. Sem os cabelos de antes. Sem a mesma terra debaixo dos pés. Com um travesseiro que nem sei ao certo como será a partir de amanhã. E, quem sabe, até novo nome.

Mas os sonhos e amores, esses sim, são exatamente os mesmos. São minhas forças.
Arnaldo, permita-me:

"pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você

às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você

talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você"

sábado, maio 23, 2009

"Daqui pro futuro falta só um piscar"

E faltam poucas horas para as caixas, carro grande, datas planejadas lá pra lá. E não saio, não durmo, não vibro, não sorrio nem choro. Só abraço esse coorpo letárgico logo ao lado, em sono profundo de ansiedade e pré-saudades, de beleza só pra mim e fome saciada de prato de sorrisos e dedos nas costas.

E é meu destino, é meu caminho, de usar asas com olhos assim. Sentir saudades, querer sofrer, querer querer não querer mais, e querer à distância, saber o que sonha, saber o que virá. Tantos adeus que não consigo juntar em um lugar só. E ainda respirando como o nosso dia no mar.

"Eles só precisam de um livro e de uma árvore". Embalo meus livros. Vou para onde tem árvores. Mas como passar páginas com sendo um só?!

sexta-feira, maio 15, 2009

Quantas semanas faltam, quantas semanas faltam?! Os móveis vão embora, os nomes na agenda vem e vão. A insônia da pré-saudade, o êxtase da ansiedade. As datas descritas em pequeno pedaço de arquivo.

E me desfaço. E me desfaço. E me desfaço de algo físico. Desfaleço em julgo, reconstruo em fatos. Vontades. Planos. Planos perfeitos de tantos poréns de línguas longas que já não me tocam.

Insensível. Insensato. Insano. Indelével. Decidido. Decididos.

Dar muitos adeus e valorizar um único e singelo "olá". Com frio, queijo e roupas difíceis de passar.

Quem gosta de linhas tortas não sou eu.

sábado, abril 18, 2009



O dia mais bonito da minha vida, até agora.

E digo - até agora - porque espero mais. Espero, quero e vou. Como essa foto - sonho meio louco - se tornou tão real. Como o sorriso do almoço pronto, louças lavadas e a espera dela chegar.

Quando sonhávamos com a nossa futura casinha. Quando sonhava em vê-la com o horizonte como fachada. Quando o rosto vermelho na água era vontade, só vontade.

Realidade. Dos sorvetes simples para cobrir horas em batente longe do ar-condicionado, do banquinho na história, da ponte, dos meio-dia de sábado com longa fila pro cinema barato, de quando nada podíamos fazer, bastava estar junto. E só assim se vai bem além. Bem além.

E aqui escuto o CD3 da playlist que fiz - e só nós ouvimos. E ouço infinitamente, infinitamente, infinitamente. Com acordes de muitos anos e pensamentos para tantos outros.


(Deixa eu ainda tentar acreditar. Eu casei em um barco. De chinela. Minha noiva estava linda. De all-star. A cerimônia foi no mar. Não teve dogma. Teve amor. Não teve machismo. Teve juíza. Não teve trufa. Teve frutas. Perfeito. Perfeito. Perfeito.)

quinta-feira, abril 16, 2009

Bato e assopro. Ser sozinho o policial-bom e o policial-ruim, feito piada da Pantera Cor de Rosa.

Se antes faltava um urro, andei soltando uivos de alegria praticamente de quinze em quinze dias. Sim, eu estou realizando meus sonhos. Sim, eu estou realizando os sonhos dela. Sim, ela casou de all-star num barco. Eu, de chinelas.


Vou para o jogo e deixo para bater as fotos hoje. Baterei as fotos, me desfazerei de coisas, arrumarei outras. São aqueles planos distantes cada vez mais perto e, enquanto mais perto, mais percebo que o hoje já é maravilhoso. Maravilhoso estado de espírito de um acordado tão bom de onde não quero acordar.

Mas e quando o estado de espírito foi realmente mudar?! Mudar de estado?!

Me vem o sorriso de quem diz "legal" quando a gente diz que vai fazer algo um dia. E um cálculo de quantas blusas brancas em duas semanas.

segunda-feira, abril 13, 2009

Que chover hoje não faça esquecer que essa é a "Terra da Luz". Iluminação que vem do sol, é verdade, mas que recebeu homenagem pelas mãos libertas e luzes de idéias que quando veem nos mudam. De limites tão vistos como a linha do mar.

Vou. Vou desta que me despeço. Entre longas caminhadas por uma toalha de mesa bordada, regadas à vento e vista. Entre longas programações e poucas horas somente para estar em casa. Em devolver filme não visto, e sorrir por isso.

E, sem vontade nenhuma de acordar de um acordado tão idílico, penso em levar um pouco dela - que hoje aniversaria - para onde quer que eu vá. Seja onde for, não serei só. Seja onde for, sei que essas últimas semanas foram maravilhosas.

Seja onde for, eternamente o nome ao lado dos dias do meu nascer. Seja onde for, nunca desta longe da luz.

segunda-feira, abril 06, 2009

Se creio que a vida é um sopro, que sopre forte como o vento da praia. Se o sonho que parecia distante pode se fazer real, que corramos, lutemos e façamos o que for possível.

-Sim, nós fizemos.
-Sim, nós conseguimos!

Realização de escolher do patê de dentro do pão às frases das fotos entre flores no barco branco que agora, sei que pra mim e pra tantos outros, é sinônimo de felicidade. Escolher juntos. Organizar juntos. Ser feliz em plural.

E se o véu da noiva rasga, ela fica mais bela só com a coroa. E se o motor do barco quebra, ficar parado foi melhor para os convidados. E se havia qualquer medo, ele se desfez sob o sol sem chuva e a mais bela visão.

Não falo da praia. Não falo do barco. Não apenas de reunir poucas, mas maravilhosas pessoas, em um dia realmente especial. A bela visão foi ver todos calados, parados, como quem espera um ano chegar, como quem sabe que o melhor vai chegar, olhando o barquinho chegar devagar trazendo ali o melhor sorriso do mundo.

-Sim, nós fizemos!
-Sim, nós conseguimos!

-Sim.
-Sim.

E tá consumado.

quinta-feira, março 12, 2009

Poucas foram as coisas de três textos seguidos. E, mais ainda, mais injusto, pouco faz sentido se há uma outra muito mais profunda a ser pensada. Planejada há muito.

E essa outra, que me agonia, que me explode de alegria, que me esforço, que me contorço no dia-a-dia, é tão boba quanto o suor no rosto. Depois de tanto pensar na vida, estudo e sonho, resta o esforço mais simplório dos braços que vão e vêm 17 vezes, do abdômen contorcido 29 vezes e das pernas indo e voltando por longos 12 minutos e 2000 e quarenta metros.

Esforço tolo. Esforço recompensador. Bem mais perto que longe e não, não sou azarão. Vi as chuvas às seis da manhã e ainda assim alonguei a perna dolorida, li do carnaval agitado e, sozinho na praça outrora lotada, rebaixei meu grande amor a um controle de cronômetro e boa notícia no final.

E me perdôo por me alegrar com coincidências bobas, como placas de carro, frases soltas ou lembranças. Como uma crença dos cegos que a vida é como Lost, só que mais otimista. Se penso assim, e se devo acreditar em mim, significa que estou fraco. E preciso é de força.

Perdoem-me. Perdoem-me. Perdoem-me. Sou muito mais que músculos que com tanto amor cultivei. Mas é que meus sonhos, confesso, lembram um capacete de quem nasceu para matar, mas tem símbolos hippies. Dualidade humana.

Que meus lados não entrem em conflito. Que eu não esqueça quem eu sou. Que meu otimismo seja verdadeiro. Que os gritos na reta se tornem gritos ao final.

Que eu grite de alegria.

17, 29, 2040 e quantas vezes mais forem necessárias.

quarta-feira, março 04, 2009

Chove lá fora, está tudo bem, está tudo certo, está tudo OK, mas estou nervoso. O almoço foi gostoso, o salário está em dia, as contas, pagas. E essa expectativa.

Não sei se viajo na quarta. Não sei se viajo na terça. Sou forte ou sou fraco?! Não sei se me jogo no chão e suo até não poder mais, não sei se guardo meu corpo para a hora certa de suar. Conto os exercícios com força e garra ou faço calado, como quem não quer nada, e deixa sobrar um tiquinho sequer de energia?! Cansado, vou lá e consigo. Ciente, desisto na metade. Adivinhar as chances tentando achançar.

Olho os mapas e só vejo a distância, imaginando meu tempo. Ouço as músicas e as cancelo antes do solo final. Olho os braços e os imagino obedientes. Inicio cada frase e sinto vontade de me levantar, como quem pula o tempo. Nessa mania boba de frases curtas. Bem curtas. Curtas. Por que pular se às vezes também quero que ele não passe?! Por que pular se quero é correr?!

V-E-L-O-C-I-D-A-D-E. Já!

Arranco gritos da praça. Arranco grito dos braços. Arranco grito repressor de quando sou derrotado por minhas próprias palavras. E grito, grito, grito de assustar quando os números da contagem ou do relógio me levam ao pódio.

AHHHH!


E está tudo bem.
Está tudo certo.
Está tudo Ok.

Mas a perna treme acima, com glórias no fone de ouvido, e treme abaixo, com coragem fraca ao mesmo tempo do medo de mais nada.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Meu calo eu finjo que não tenho.
Meus olhos eu olho certo, certeiro, mesmo que embaçado, mesmo que "-é assimétrico, confirma?!". Confirma, mas diz "tudo bem, fique tranquilo". Vem tranquilizar!

E lágrima cai dos olhos de alegria dos olhos tortos, ao que parece, aprovados. E caem entre palavras embaçadas mais rápidas que sangue deixado em estado estranho, hospital restrito, mãos felizmente delicadas e mãos amigas recentes entre pernas e braços sem forças.

Cidade nem tão diferente, nem tão limpa, nem tão distante. Suficientemente grande para me achar e me perder. Suficientemente longe para no caminho me cantarem Fernanda, Duca, Gessinger, os barbados, os garotos da praia, o Corgan e o Chico, claro, com cheiro de mangue e idéias que precisei desligar para sonhar reto por olhos tortos.

De onde também caem lágrimas em ônibus. De alegria, de incerteza, de estar junto, de estar longe, de ser, pois não é que realmente sou, sensível. E foi isso que eles me cantaram.

A noite inteira.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Sonhei com a minha avó.
E ela sorria.

Olhei meu nome da lista.
E ela me ligou dizendo que sentia.

Mais alguns detalhes. Mais alguns detalhes.
Passo adiante, em frente, avante!

Obrigado, Xavantes.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Não há nada mais que me anime.
Não há mais sorriso que venha.

Deixe as louças podres.
Deixa as baratas virem.

Faz a folha dobrar sob o corpo.
Perfeito sonho ser só ter sono.

(...)

Vêm você à noite. Ou venho à tarde.
E, entre novidades, somas, um lençol, subtrações, dois corpos numa rede só, sorrisos, louças lavadas, nova receita prática e páginas de livros, somos, em plural, indivíduos novamente.

Somos nós em saudade proletária.
You say you want a revolution
Well you know

We all want to change the world


You tell me that it's evolution
Well you know

We all want to change the world



But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Boa noite! Boa noite!

São 10 horas da tarde e vamos fazer isso. So Hard! Vai já anoitecer na hora do almoço e a cama pende de lado com os números da conta.

Olha pra cá, criatura!

Até mais tarde, até mais tarde!
São 14 ônibus e volto de noite pra ver a miserávi no mesmo canto. Vai prali, rai pra lá, ramu, ramu, ramu!

E eita que tem verme na goiaba e o liquidificador liquidifica sem mixar! Então manda os recurso lá da redação que "fácil" e "difícil" era só questão de estilo e acabou foi dando medo nur minim. Bando de infiliz.

Tem casa aqui, tem cada uma lá, inda tem que casar, acho melhor esperar. Lá pra 27, lá pra fim de março, lá pra depois do barco, lá pra vê quanto que vai sobrar. Esperar lá pras banda de Quixadá, má rá pá. Se é tão longe e eu tenho o passecard vamo pra longe, sem motor e com janela.

Arriégua.

Ter dúvidas é melhor que duvidar!

terça-feira, dezembro 09, 2008

Primeira vez que voei, só pensava em uma música na voz de Roger Waters. A mesma plenitude de não ser vivo, de ter corpo, de não ter medo de quando li um livro num dia, cai no chão com um copo de vinho barato e, mais tarde, só com meu pai, vi um jogo de futebol.

E a vontade de nas cidades distantes descobrir o que há depois de cada prédio grande, numa busca que têm nomes e números estranhos com um sono que não se satisfaz nem se realiza. Olhar pra baixo em busca de sombra ou um copo d'água já quente por entre lençóis de ontem mal compreendidos pelos olhos vagos, vesgos e embaçados.

E sangrou, sangrou, sangrou meu avô que nunca morreria, e tinha certeza eu, agora morreria, mas já come carne e vê TV em silêncio no barulho que tanto ama. Não morre. Não morre. Não morre. E se não bebo mais, não fumo, e ando, tenho que ter medo de sangue?! Medo de carne podre servindo de viva, agonia, aquela agonia, descendo a virilha e saindo na ponta da agulha.

Agulhas, agulhas, agulhas, gosto acre na boca, suor, horas acordado, de olhos fechados, madrugada sem fim ao escutar as paredes e ver os sabores e cheiros. Por anos?!

Eleições para presidente. Novas moedas?! Desinteresse na sombra com pedaços de pano que vão embora e antes davam prazer. E antes ainda davam medo de formas disformes ou precisas como marcar a hora do último suspiro ou se trancar na geladeira vendo ferro e fogo dos céus.

Céus, céus, céus. Para onde não vou. Da vertigem, dor de cabeça de pouco ar, medo e olhos imprecisos de quem não voa. Boca seca. E um copo d´água vazio ao lado. Tantas cortinas e um telefone sem números.

Até logo, até logo. É quase hora do almoço.

sábado, novembro 08, 2008

Orkut:
"Sorte de hoje: Você é o próximo a ser promovido na sua empresa"

Álvaro de Campos:
"Merda! Sou lúcido"

E o post vai curto que o trabalho não acabou. Sábado, 16 horas e 42. O 16 do F-16 aberto à visitação a menos de 500 quilômetros de mim, mas só pelos próximos 18 minutos. O 42 do sentido de vida.

Garçom, ou sei lá quem, traz conta.
Quanto dá?! Quando dará?!

segunda-feira, novembro 03, 2008


A diferença é o que temos em comum. Nossa diferença.

Pés rápidos de um lado; música instrumental aqui; o que será, que será, por trás daquela pose e óculos quadrado que ainda ousa dizer ficar melhor em mim?! Iogurte, ou iorgute, como diríamos por aqui, ou no Piauí, aqui, ao lado do pão de queijo; refrigerante zero, um pouco de guaraná, carne moída e um chocolate, logo ali. Como será, será, será, dos que levam feijão e dois quilos de café?!

Eu não. Eu não.

Calculo o leite por dias só, seja só sem ela aqui, seja só sem ela lá. Ganhei, neste mês, de 10 a 2. No próximo, levo de goleada.Contas de centavos. Trôco do bombom e o almoço, se tão barato, não é almoço não, é lanche... Juízo!

Casa perto, casa longe; com janelas, mas sem praça. Antidesengordurante já tenho, água, nem sempre. Hora colocar água de radiador?! Não, não mais. Casar. Sim, sim, sim. Já é. E será.

E vejo leite em uma caneca só. Chocolate em pó, saudades. Futuros. Com Pouca Vogal, uma panela de queijo derretido pedindo atenção e esses sons lentos de viola rápida.

Passos lentos, já agora. Peso da leveza de uma linha tênue sem assinatura, sendo Leite só, sem sequer duas canecas para água. Tênue e forte. Como o chocolate em pó, nosso.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Esse silêncio de mais de mês.
Mês?!

Outubro, de tantas alegrias, tantas tristezas, tanta vida e tanta morte.

Vá embora!

segunda-feira, setembro 29, 2008

É irritante o velho comentário: "O livro é melhor".

Todas as vezes que vejo um filme baseado em um livro e, geralmente, um livro bem conhecido, o debate entre "livro X filme" é de uma mediocridade notável. Com críticas tão severas ao cinema, dá vontade de dizer: "pois me dê o seu ingresso e vai ler ali no estacionamento, vai".

É óbvio que a experiência de um livro é melhor. Pra começar, a gente quase sempre lê sozinho, sem precisar fazer todo o social de ir pro cinema, quase sempre acompanhado. Ler é uma aventura que dura dias ou semanas, solitária e libertária.

Ler é ter um relacionamento íntimo com cada parágrafo. Ver um filme é sexo rápido no tempo de estada de um motel.

Cada personagem tem o rosto que o leitor quiser. A imaginação, com mais poder que as limitadas combinações de letras, dá cheiro, gosto, cor e vida. O cinema não tem cheiro, mas tem rosto. Tem sotaque. Tem uma face que estava lá, naquela outra história. Tem o som, esse sim mais irritante ainda, de quem pensa que milho estourado combina com legendas.

Mas, e daí?!

José Saramago é difícil demais para a maioria das pessoas. É longo demais para a maioria dos dias. E também é bom demais para ficar restrito somente aos que podem encher a boca, sem ninguém perguntar, que já leram o livro. E ele é bem melhor.

Mas, pelo menos, pode chegar a mais gente. E o próprio Saramago gostou, como mostra esse vídeo emocionante do diálogo entre o autor e o diretor Fernando Meireles.


sexta-feira, setembro 12, 2008

Sonhos implacáveis de suor para lágrimas. E esta preguiça, de agora, que me permite - no máximo - o mais burocrático e fácil.

Vontade do sabor dos outros. E essa receita, aqui na cabeça, com ingredientes e fazeres para meus próprios pratos entre as mesmas paredes.

Certo plano de blusa preta, calça preta e tênis de cor, feito fazer o tipo que essa barba é nova, com olhos nos horários e sem hora pela chave do no bolso. Mas ela é uma só, os relógios são decorados e a única a se impressionar do cabelo e do calçado tem minha cama como certa.

Das vontades de agradar e agradar-se; dos risos e sorrisos planejados ou eleitorais; falta água, fico fora - culpa da única chave. E antes que ouse falar de perfeito, sinto o cheiro real do nosso sabor. Agridoce.

sábado, setembro 06, 2008

Se o se for é.
Se teu se for teu.
Se o meu talvez seja daqui a pouco.

Caminhos diferentes para a mesma cidade.
Velocidade de cruzeiro e ônibus no sertão.

Dois no carro. Pratos e panelas também.

sábado, agosto 30, 2008

Glicerina.
Sim. Eu aceito.

A vós jogo toda glicerina que passou pelo couro acima da cabeça. À vós os cabelos que um dia foram cuidados, um dia descuidados, e que hoje sonho em cuidar de novo. Tanto faz, agora. Sim, meus senhores, os pêlos acima e abaixo da boca; como o suor acima da vida debaixo de qualquer tic-tac de cronômetro em corrida em voltas.

Mais que glicerina. Bem mais que glicerina. Em troca, basta, tão somente, e tão unicamente, repassarem-me essas asas de galinha.

Não fazem voar por si. Mas já dava para sorrir entre aquelas aves de olhos mais retos.

E até.

quarta-feira, agosto 27, 2008

O cantor canta em língua estranha, mas eles só pedem "forró", "forró", "forró". Não é forró, é música mal cantada, lembra a de língua estranha, mas feita para só bocas e curvas.

E lá na rua, aqui na rua, automóveis, tão velozes, queimam. Imóveis. A fumaça sobe entre as linhas mal pintadas, no chão escuro e nos buracos maus, mal tapados quando longe do muro de vermelho e números. Mesmos números dos sorrisos de estúdio e frases decoradas.

Tudo feito de palavras. Uma ou duas; não dizem nada, mas sabem o que pedem. Pedem os dedos, ver a foto e barulhinho. Pronto. Quatro anos para duas ou três palavras se desfazerem.
Volto aos nomes em letra maiúscula com um ano em seguida. A régua com manchas azuis que não desenha, sublinha. Entre Rousseau e a Rússia pós-moderna, pensar em como entender aqueles outros nomes que ainda não conheci, misturar um pouquinho com os que eu sei, e sair algo interessante. Interessante para o professor que ninguém vê. Meus colegas de todos os lugares e currículos incríveis.

Eu, estudante da UFMG.
Eu, entre as horas sentado com pontos em negro na agenda; ousando ter pontos azuis de compromissos em que faço meu horário. Eu, entre antidesengordurante e sabores de amores de mais cedo, com o pensamento em opressivas instituições democráticas de muita liberdade.

E o eu, sonhador, decidindo sonhar em se sentir um estrangeiro. Mesmo que um estranho só de sotaque. Mas entre o sonho de nudez e o sonho de uniforme.

Sentido, sim, senhor.
Não faz sentido, não senhor.
Senhor.

sexta-feira, agosto 01, 2008

O nome dela era Letícia. Correia Rodrigues, acho.

Cresceu com uma marca estranha, na bunda. Não lembra como foi, nem sequer chorou: ao som da faca e cor de sangue, só tombou mais forte entre os peitos da mãe. Essa outra, tão acostumada a ver vida crescer entre pernas de partos, via morte na pequena terra da família. Foram os dois cabras que cuidavam das cabeças e do pasto, foi-se a pouca riqueza praqueles homens de chapéu de cangaço.

Lá longe, bem longe, lá pras terras de muito mato, muita água e muito trabalho, a outra que não sei o nome, mas diz-se ter Leite ao fim, lavava roupa em um tanque maior que o Rio Nilo. Pobre dela. Como conta da lavanderia, perdeu um filho que nem sequer se decompôs em terra. Deglutido.

Relato lúcido do último ano de lucidez da mãe da minha mãe, entre promoção de Fiesta 97 0 Km e resultados de exames com vista para a escada do Center Um.
História do pai do meu pai. Das barbas incompletas bem antes que sujas de graxa e chinelas sem conceito de propriedade privada.

E eu, bisneto do irmão do devorado pela cobra, sobrinho-neto da esfaqueada por cangaceiro, criado com leite de salas de aula e motores batidos de Fuscas e Opalas, sorrio com a aprovação do Departamento de Ciências Políticas. E, por si só, isso me faz otimista.
Um mês sem textos.
31 dias sem sequer uma vírgula.

É o fim?! Apatia?! Falta vida?!

Nada. Nada. Nada. Nada disso.

Pelo contrário. É o tudo, é o plano, é o casulo.
Eu e minha apostasia.

Leite entre dentes no achocolatado de manhã cedo. Copo de água antes de dormir.

Minha apostasia em sorriso, em raiva, em ira, em felicidade.
Felicidade. Cada suspiro uma negação da certeza infalível.

E essa apostasia! Essa apostasia, cada vez mais definitiva, em cada passada sob o viaduto e sobre as dunas.

Pôr do sol.
Pedaço de pizza.