
Constante.
Como as repostas não estariam na Constante?!
Quem seria minha constante, brotha?

Como as repostas não estariam na Constante?!
Quem seria minha constante, brotha?
Queijo Coalho.
Nunca fiz muita questão de queijo coalho. É gostoso, no baião, com carne de sol, ou frito na chapa. Mas é que é mais ou menos como se o pão do sanduíche da lanchonete tem gergelim ou não. Se tiver, beleza, bonitinho, -obrigado, deve fazer bem. Se não, eu nem sinto falta.
-Queijo coalho!
-Infelizmente não temos. Quais seriam, então?!
Porta fechada, quarto escuro. Era tempo de ter vontade de ter olho nas costas, luz acesa sem interromper o sono, janela aberta... Ou melhor fechada?! Teria medo de um leve toque na ponta do pé debaixo do lençol, uma voz, uma luz, qualquer coisa. Uma Criatura?! Eu riria.Temor, hoje, é uma bola de pêlos cheia de dentes e frases engraçadas que imito. Alma (alma, não: fantasma. Se é nossa conhecida, é alma. Se é dos outros, é assombração), ET, monstro, sei lá o quê.
Síncope
Como foi o carnaval do ano antes de você nascer?! Escolas de samba, sol, cerveja e tua não lembrança. Morrer não deve ser difícil: quem sabe só esse vazio sem pulso e amarelado das páginas de arquivo. Cheiro de mofo.
Ninguém sentiu falta antes; então saudades vão embora com quem morre com ela. Filhos, é certo. Netos, um pouco. Depois não mais. Só história.
Mas não. Eu não morri. Os lábios ficaram roxos, a pele, branca, e as unhas, geladas. Desliguei o ar condicionado. Sentei. Pedi sal. Com um cantinho do cérebro ainda deu para pensar: vou deixar saudades se esse frio for fim?! Não. Quase nada: só uma síncope.
Rápida e fugaz. Como os faróis do carro da faixa esquerda, à nossa frente, se espremendo no acostamento de olhos fechados.
Tenho fome.
É certo que este blog recebe agora palavras tão perdidas no tempo quanto as árvores de Natal
E tão ou não semanticamente direto, escreveria sobre os três discos mais importantes do ano. Ou de um show que me fez menino de novo. Da Asa Branca no mato queimado do sertão sem fim, do Natal de árvore de rede, da folga de um dia não fazer nada, absolutamente nada. Nem sequer escrevi.
Fiz foi olhar para a janela, tomar banho de mar, prender a respiração e ver o horizonte do pôr do sol em tanto canto diferente. Com uma mão sob e sobre a minha, em silêncio e sem escrita, como a roupa bonita e o perfume escolhidos à dedo para nem sequer abrir uma porta.
Da lembrança dos sorrisos ao pensar de como seria bela a idéia de ter todas as noites, estar acima, ser tudo. Mais ainda, como são boas as férias.
Entenda-me. Dentre tantos sistemas, sensores e controles, os parcos e maravilhosos momentos de mandar um beijo, um abraço e pensar em felicidade. Perfeitos.
De se esquecer de estar isolado. Nessa cápsula diminuta que me leva à lua. Com tão pouco ar que um grito ou um sorriso já podem fazer os olhos vermelhos e o peito doer.
Ar?
Daí eu lembro que, lá na lua, eu morreria em um ou dois segundos. Um só instante. Até antes, talvez, de sentar os dois pés. Sem vento. Sem ter o que comer. Tudo por poeira e pouca gravidade.
É quando bato meus dedos nesse botão vermelho, com letras amarelas, como quem dedilha uma canção. Uma das tantas que eu não sei cantar.
"Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas"
Então, por quê?! Pra que fazer questão de burlar o único exame físico para se sentir por cima?! Pensando bem, "Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas" devia vir estampado da capa de todas as minhas revistas ao copo com leite.

Daí eu respirei. Fiquei com um pouco mais de medo do balão. Mas sempre que vôo, imagino um pouco como poderá ser lá: agua em sua forma gasosa, atmosfera rala. Maldita ponta de asa, que insiste em existir!



A foto acima, rara, foi batida em 1955, por um fotógrafo que desconheço. Mostra a construção da Igreja de Fátima, no então bairro Redenção, atualmente chamado Bairro de Fátima, em Fortaleza (CE). A obra foi iniciada em 1951, após a visita de uma imagem de Nossa Senhora, vinda de Fátima (Portugal).
Pergentino Maia, que hoje é só o nome da rua onde fui assaltado um dia desses, doou a área para a construção da Igreja e da praça Pio XII. Vendeu todo o resto para as famílias mais abastadas que sonhavam em morar perto de onde se tornaria a principal Igreja católica da cidade, com procissões que superam as realizadas na Sé. Não sei onde gastou o dinheiro.
Os adultos daquela época, hoje, são alguns idosos que resistem em belas casas, especialmente entre a Avenida 13 de Maio (antiga pista de corridas de cavalo) e a Av. Borges Melo, que ligava a Base Aérea à "Estrada do Leite", hoje conhecida por Av. Gomes de Matos. Belas casas, com várias colunas, varandas e amplos quartos.
Cada vez mais raras. Dia após dia, dão lugar a farmácias, bancos e academias. Duas delas tombaram há dois meses. No seu lugar, um grande centro comercial vai ser inaugurado. A propaganda é ufanista: "Bem Vindos ao Futuro".
(Tenho esta foto em um CD, em alta-resolução. Daqui a uns 50 anos vejo o que fazer com ela)

Adoraria não conhecer o futebol. Que quando me perguntassem "o que é isso?", eu respondesse que achava que era uma modalidade de badmington. Isso porque, conhecer este esporte maluco que te faz sentir do topo à fossa nos poucos metros entre uma bola e o gol, significa amá-lo.
Eu queria não ter um time.

Uma carteira sozinha no asfalto. E Reais ainda dentro. Peguei e corri, levantando acima da cabeça como quem ganhou um troféu. Um pulo de alegria. Gloriosa vitória de voltar ao status quo, era a minha,

Suave.
Um cheiro suave que vinha crescente, girando o olhar. No começo, provavelmente, uma parada que mãe não entendia. Depois, perca de atenção no caminho do rodízio de pizza. Desconcentração quando se tentava decorar as palavras, de última hora, antes da prova de inglês. Mais agora, pensamentos difusos em caminhada.
Um cheiro bem suave. Que, de tão doce, foi criando sentindo. Eram as flores. As paredes antigas. Uma arquitetura, eu diria, dos anos 40. Quando ainda era terra da Dona Nenê. Quando meus avós, de um lado, ainda estavam lá pelas beiras de Iguatu e, do outro, de Russas.
Aos 16, pensava ter cheiro de morte. Aos 19, pensamentos difusos sobre história. Memória. Não ficou marcada por mim, nem por muitas fotos. Só o costume de todo 13 evitá-la. Preferir caminhar. E, ano após ano, os dias 13 de maio se sucederam. E eu nem imaginava o quanto gostaria daquela avenida.
Que foi crescendo mais rápido que meus centímetros, que foi tirando o cheiro dos jardins por asfalto e fumaça. Progresso?! Quem sabe. Vão-se mudando os cheiros. Vai embora mais um jardim. Mais um empreendimento com a qualidade Mota Machado.
Tão veloz!


(Atenção: apenas para quem já assistiu a 2º temporada de LOST)
O último episódio me deixou
Já não tenho dúvidas: é nós que ta lost...
Nunca fui fã.Acho que isso explica um pouco a longevidade. De... De tão simplesmente gostar. De ouvir e achar agradável, depois tatear outras músicas e esquecer por algumas semanas que existe.
E volta. E, quando volta, não ficar com aquele pensamento meio inocente que a gente pode trocar de sonho 10 vezes em um ano, mas quando uma banda troca de formação é porque não tem identidade.
Não interessa se toca na rádio ou se estou em 1986: vou ouvir mesmo assim. E pouco importa se os supostos fãs ao meu lado se comportam como torcida organizada: eles gostam ao seu jeito. Mesmo que seja um gosto superficial, um gosto que vem forte, que envolve cabelo, olhar, grito e histeria. E vai tão rápido quanto vem.
Ali do lado eu, já parecendo um velho, sorrio com a letra que os outros se enfurecem em não saber cantar. Sem mesmo pensar que existiram fãs especiais; lembrando que aquela música está ali para todos. E não é todo mundo que sabe que vão voltar quando gritam pela volta. Não tenho porque me preocupar com contradição quando ela é tão bem aceita.
"O que nos dá coragem
não é o mar, nem o abismo
é a margem no limite
de sua negação"
