terça-feira, agosto 11, 2009
O que sei, agora, e tão somente só agora, é que entre o estive e o estou houve suor, sonho e esforço. Uma fé em si mesmo que só existe porque não há ser só. A certeza de que não sou. A certeza de que somos.
Que entre a fraqueza e o chão há braços amigos. Entre o medo e a realização há gritos de incentivo. De perdidos entre pedras e matagais, sem fôlego e sem forças; temos ânimo para cantar à pátria e às asas.
E mesmo que o sono tenha ficado para depois, que a lama seque no corpo e que haja mais dias que banhos; na hora da alegria há abraços. Há conquista. Há a certeza.
Certeza. Certeza de que mesmo quanto tudo parecer incerto, difícil, impossível... ...nada disso o é. Porque às vezes parece que não posso absolutamente nada. Mas SEMPRE podemos absolutamente tudo. Absolutamente TUDO.
E sorrio. Algum dedo do pé não dói mais. Um ou dois deles.
sexta-feira, julho 31, 2009
Lembro do filme, 2 reais. Lindinho, sessão da tarde alternativa para universitários de férias. Filme, barra de chocolate, travesseiro. Wouldn't be Nice?!
Lembro daqueles dias. Lembro dos beijos. Da saudade completa de alegria repleta de banquinho e sonhos pro futuro que, voilá, são agora o presente! Alguns, feito um barco, até passado.
Sonhos de um filme de 2 reais. De duas cabeças em um travesseiro só. De beijos em colchão na sala, e daquela sala, daquele banquinho, agora, bem agora, em meus ouvidos.
Em todo lugar
domingo, julho 05, 2009
domingo, junho 28, 2009
É ligar para casa e dizer a hora que vai chegar. É apanhar um vôo e na mesma noite a cama macia de sempre. É ir para o aeroporto e enfrentar o sono por um dia e pouco de alegria.
É também ficar, sorrir e soltar um pensamento de felicidade: hoje, o telefonema não acaba rápido!
Mas quanto mais rápido, mais rápido. Passam semanas e passam sentidos. Volvers. Firmes. E canções. Sob chuva, sob sol. Sob madrugada, sob asas.
E em mais 10 semanas, livre. Livre na liberdade que vem de graça, mas não é gratuita.
-Você tem bala, estagiária?!
Com a caixa nas mãos, ela me responde, risonha.
-Tem 9 mm.
E sorrio. Mas militar não chama "bala". Militar chama "cartucho". Militar não ri. Nem tem qualquer prazer polissêmico.
sexta-feira, junho 05, 2009
Nomes novos. Celular também novo e... ...como era mesmo o número lá da casa dela?! Pergunta sobre onde estarei quando nem sequer vou poder sair! Religião, espaço em branco. Branco?! Não sei como dizer a cor da cútis... Calma, eu disse cútis?! Cútis?!
Direi muitas palavras. Palavras que ainda não conheço, gestos e roupas que serão quem sou. Sem os cabelos de antes. Sem a mesma terra debaixo dos pés. Com um travesseiro que nem sei ao certo como será a partir de amanhã. E, quem sabe, até novo nome.
Mas os sonhos e amores, esses sim, são exatamente os mesmos. São minhas forças.
"pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você
às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você"
sábado, maio 23, 2009
E faltam poucas horas para as caixas, carro grande, datas planejadas lá pra lá. E não saio, não durmo, não vibro, não sorrio nem choro. Só abraço esse coorpo letárgico logo ao lado, em sono profundo de ansiedade e pré-saudades, de beleza só pra mim e fome saciada de prato de sorrisos e dedos nas costas.
E é meu destino, é meu caminho, de usar asas com olhos assim. Sentir saudades, querer sofrer, querer querer não querer mais, e querer à distância, saber o que sonha, saber o que virá. Tantos adeus que não consigo juntar em um lugar só. E ainda respirando como o nosso dia no mar.
"Eles só precisam de um livro e de uma árvore". Embalo meus livros. Vou para onde tem árvores. Mas como passar páginas com sendo um só?!
sexta-feira, maio 15, 2009
E me desfaço. E me desfaço. E me desfaço de algo físico. Desfaleço em julgo, reconstruo em fatos. Vontades. Planos. Planos perfeitos de tantos poréns de línguas longas que já não me tocam.
Insensível. Insensato. Insano. Indelével. Decidido. Decididos.
Dar muitos adeus e valorizar um único e singelo "olá". Com frio, queijo e roupas difíceis de passar.
Quem gosta de linhas tortas não sou eu.
sábado, abril 18, 2009

O dia mais bonito da minha vida, até agora.
E digo - até agora - porque espero mais. Espero, quero e vou. Como essa foto - sonho meio louco - se tornou tão real. Como o sorriso do almoço pronto, louças lavadas e a espera dela chegar.
Quando sonhávamos com a nossa futura casinha. Quando sonhava em vê-la com o horizonte como fachada. Quando o rosto vermelho na água era vontade, só vontade.
Realidade. Dos sorvetes simples para cobrir horas em batente longe do ar-condicionado, do banquinho na história, da ponte, dos meio-dia de sábado com longa fila pro cinema barato, de quando nada podíamos fazer, bastava estar junto. E só assim se vai bem além. Bem além.
E aqui escuto o CD3 da playlist que fiz - e só nós ouvimos. E ouço infinitamente, infinitamente, infinitamente. Com acordes de muitos anos e pensamentos para tantos outros.
(Deixa eu ainda tentar acreditar. Eu casei em um barco. De chinela. Minha noiva estava linda. De all-star. A cerimônia foi no mar. Não teve dogma. Teve amor. Não teve machismo. Teve juíza. Não teve trufa. Teve frutas. Perfeito. Perfeito. Perfeito.)
quinta-feira, abril 16, 2009
Se antes faltava um urro, andei soltando uivos de alegria praticamente de quinze em quinze dias. Sim, eu estou realizando meus sonhos. Sim, eu estou realizando os sonhos dela. Sim, ela casou de all-star num barco. Eu, de chinelas.
Vou para o jogo e deixo para bater as fotos hoje. Baterei as fotos, me desfazerei de coisas, arrumarei outras. São aqueles planos distantes cada vez mais perto e, enquanto mais perto, mais percebo que o hoje já é maravilhoso. Maravilhoso estado de espírito de um acordado tão bom de onde não quero acordar.
Mas e quando o estado de espírito foi realmente mudar?! Mudar de estado?!
Me vem o sorriso de quem diz "legal" quando a gente diz que vai fazer algo um dia. E um cálculo de quantas blusas brancas em duas semanas.
segunda-feira, abril 13, 2009
Vou. Vou desta que me despeço. Entre longas caminhadas por uma toalha de mesa bordada, regadas à vento e vista. Entre longas programações e poucas horas somente para estar em casa. Em devolver filme não visto, e sorrir por isso.
E, sem vontade nenhuma de acordar de um acordado tão idílico, penso em levar um pouco dela - que hoje aniversaria - para onde quer que eu vá. Seja onde for, não serei só. Seja onde for, sei que essas últimas semanas foram maravilhosas.
Seja onde for, eternamente o nome ao lado dos dias do meu nascer. Seja onde for, nunca desta longe da luz.
segunda-feira, abril 06, 2009
-Sim, nós fizemos.
-Sim, nós conseguimos!
Realização de escolher do patê de dentro do pão às frases das fotos entre flores no barco branco que agora, sei que pra mim e pra tantos outros, é sinônimo de felicidade. Escolher juntos. Organizar juntos. Ser feliz em plural.
E se o véu da noiva rasga, ela fica mais bela só com a coroa. E se o motor do barco quebra, ficar parado foi melhor para os convidados. E se havia qualquer medo, ele se desfez sob o sol sem chuva e a mais bela visão.
Não falo da praia. Não falo do barco. Não apenas de reunir poucas, mas maravilhosas pessoas, em um dia realmente especial. A bela visão foi ver todos calados, parados, como quem espera um ano chegar, como quem sabe que o melhor vai chegar, olhando o barquinho chegar devagar trazendo ali o melhor sorriso do mundo.
-Sim, nós fizemos!
-Sim, nós conseguimos!
-Sim.
-Sim.
E tá consumado.
quinta-feira, março 12, 2009
E essa outra, que me agonia, que me explode de alegria, que me esforço, que me contorço no dia-a-dia, é tão boba quanto o suor no rosto. Depois de tanto pensar na vida, estudo e sonho, resta o esforço mais simplório dos braços que vão e vêm 17 vezes, do abdômen contorcido 29 vezes e das pernas indo e voltando por longos 12 minutos e 2000 e quarenta metros.
Esforço tolo. Esforço recompensador. Bem mais perto que longe e não, não sou azarão. Vi as chuvas às seis da manhã e ainda assim alonguei a perna dolorida, li do carnaval agitado e, sozinho na praça outrora lotada, rebaixei meu grande amor a um controle de cronômetro e boa notícia no final.
E me perdôo por me alegrar com coincidências bobas, como placas de carro, frases soltas ou lembranças. Como uma crença dos cegos que a vida é como Lost, só que mais otimista. Se penso assim, e se devo acreditar em mim, significa que estou fraco. E preciso é de força.
Perdoem-me. Perdoem-me. Perdoem-me. Sou muito mais que músculos que com tanto amor cultivei. Mas é que meus sonhos, confesso, lembram um capacete de quem nasceu para matar, mas tem símbolos hippies. Dualidade humana.
Que meus lados não entrem em conflito. Que eu não esqueça quem eu sou. Que meu otimismo seja verdadeiro. Que os gritos na reta se tornem gritos ao final.
Que eu grite de alegria.
17, 29, 2040 e quantas vezes mais forem necessárias.
quarta-feira, março 04, 2009
Não sei se viajo na quarta. Não sei se viajo na terça. Sou forte ou sou fraco?! Não sei se me jogo no chão e suo até não poder mais, não sei se guardo meu corpo para a hora certa de suar. Conto os exercícios com força e garra ou faço calado, como quem não quer nada, e deixa sobrar um tiquinho sequer de energia?! Cansado, vou lá e consigo. Ciente, desisto na metade. Adivinhar as chances tentando achançar.
Olho os mapas e só vejo a distância, imaginando meu tempo. Ouço as músicas e as cancelo antes do solo final. Olho os braços e os imagino obedientes. Inicio cada frase e sinto vontade de me levantar, como quem pula o tempo. Nessa mania boba de frases curtas. Bem curtas. Curtas. Por que pular se às vezes também quero que ele não passe?! Por que pular se quero é correr?!
V-E-L-O-C-I-D-A-D-E. Já!
Arranco gritos da praça. Arranco grito dos braços. Arranco grito repressor de quando sou derrotado por minhas próprias palavras. E grito, grito, grito de assustar quando os números da contagem ou do relógio me levam ao pódio.
AHHHH!
E está tudo bem.
Está tudo certo.
Está tudo Ok.
Mas a perna treme acima, com glórias no fone de ouvido, e treme abaixo, com coragem fraca ao mesmo tempo do medo de mais nada.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Meus olhos eu olho certo, certeiro, mesmo que embaçado, mesmo que "-é assimétrico, confirma?!". Confirma, mas diz "tudo bem, fique tranquilo". Vem tranquilizar!
E lágrima cai dos olhos de alegria dos olhos tortos, ao que parece, aprovados. E caem entre palavras embaçadas mais rápidas que sangue deixado em estado estranho, hospital restrito, mãos felizmente delicadas e mãos amigas recentes entre pernas e braços sem forças.
Cidade nem tão diferente, nem tão limpa, nem tão distante. Suficientemente grande para me achar e me perder. Suficientemente longe para no caminho me cantarem Fernanda, Duca, Gessinger, os barbados, os garotos da praia, o Corgan e o Chico, claro, com cheiro de mangue e idéias que precisei desligar para sonhar reto por olhos tortos.
De onde também caem lágrimas em ônibus. De alegria, de incerteza, de estar junto, de estar longe, de ser, pois não é que realmente sou, sensível. E foi isso que eles me cantaram.
A noite inteira.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Não há mais sorriso que venha.
Deixe as louças podres.
Deixa as baratas virem.
Faz a folha dobrar sob o corpo.
Perfeito sonho ser só ter sono.
(...)
Vêm você à noite. Ou venho à tarde.
E, entre novidades, somas, um lençol, subtrações, dois corpos numa rede só, sorrisos, louças lavadas, nova receita prática e páginas de livros, somos, em plural, indivíduos novamente.
Somos nós em saudade proletária.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
São 10 horas da tarde e vamos fazer isso. So Hard! Vai já anoitecer na hora do almoço e a cama pende de lado com os números da conta.
Olha pra cá, criatura!
Até mais tarde, até mais tarde!
São 14 ônibus e volto de noite pra ver a miserávi no mesmo canto. Vai prali, rai pra lá, ramu, ramu, ramu!
E eita que tem verme na goiaba e o liquidificador liquidifica sem mixar! Então manda os recurso lá da redação que "fácil" e "difícil" era só questão de estilo e acabou foi dando medo nur minim. Bando de infiliz.
Tem casa aqui, tem cada uma lá, inda tem que casar, acho melhor esperar. Lá pra 27, lá pra fim de março, lá pra depois do barco, lá pra vê quanto que vai sobrar. Esperar lá pras banda de Quixadá, má rá pá. Se é tão longe e eu tenho o passecard vamo pra longe, sem motor e com janela.
Arriégua.
Ter dúvidas é melhor que duvidar!
terça-feira, dezembro 09, 2008
E a vontade de nas cidades distantes descobrir o que há depois de cada prédio grande, numa busca que têm nomes e números estranhos com um sono que não se satisfaz nem se realiza. Olhar pra baixo em busca de sombra ou um copo d'água já quente por entre lençóis de ontem mal compreendidos pelos olhos vagos, vesgos e embaçados.
E sangrou, sangrou, sangrou meu avô que nunca morreria, e tinha certeza eu, agora morreria, mas já come carne e vê TV em silêncio no barulho que tanto ama. Não morre. Não morre. Não morre. E se não bebo mais, não fumo, e ando, tenho que ter medo de sangue?! Medo de carne podre servindo de viva, agonia, aquela agonia, descendo a virilha e saindo na ponta da agulha.
Agulhas, agulhas, agulhas, gosto acre na boca, suor, horas acordado, de olhos fechados, madrugada sem fim ao escutar as paredes e ver os sabores e cheiros. Por anos?!
Eleições para presidente. Novas moedas?! Desinteresse na sombra com pedaços de pano que vão embora e antes davam prazer. E antes ainda davam medo de formas disformes ou precisas como marcar a hora do último suspiro ou se trancar na geladeira vendo ferro e fogo dos céus.
Céus, céus, céus. Para onde não vou. Da vertigem, dor de cabeça de pouco ar, medo e olhos imprecisos de quem não voa. Boca seca. E um copo d´água vazio ao lado. Tantas cortinas e um telefone sem números.
Até logo, até logo. É quase hora do almoço.
sábado, novembro 08, 2008
"Sorte de hoje: Você é o próximo a ser promovido na sua empresa"
Álvaro de Campos:
"Merda! Sou lúcido"
E o post vai curto que o trabalho não acabou. Sábado, 16 horas e 42. O 16 do F-16 aberto à visitação a menos de 500 quilômetros de mim, mas só pelos próximos 18 minutos. O 42 do sentido de vida.
Garçom, ou sei lá quem, traz conta.
Quanto dá?! Quando dará?!
segunda-feira, novembro 03, 2008

A diferença é o que temos em comum. Nossa diferença.
Pés rápidos de um lado; música instrumental aqui; o que será, que será, por trás daquela pose e óculos quadrado que ainda ousa dizer ficar melhor em mim?! Iogurte, ou iorgute, como diríamos por aqui, ou no Piauí, aqui, ao lado do pão de queijo; refrigerante zero, um pouco de guaraná, carne moída e um chocolate, logo ali. Como será, será, será, dos que levam feijão e dois quilos de café?!
Eu não. Eu não.
Calculo o leite por dias só, seja só sem ela aqui, seja só sem ela lá. Ganhei, neste mês, de 10 a 2. No próximo, levo de goleada.Contas de centavos. Trôco do bombom e o almoço, se tão barato, não é almoço não, é lanche... Juízo!
Casa perto, casa longe; com janelas, mas sem praça. Antidesengordurante já tenho, água, nem sempre. Hora colocar água de radiador?! Não, não mais. Casar. Sim, sim, sim. Já é. E será.
E vejo leite em uma caneca só. Chocolate em pó, saudades. Futuros. Com Pouca Vogal, uma panela de queijo derretido pedindo atenção e esses sons lentos de viola rápida.
Passos lentos, já agora. Peso da leveza de uma linha tênue sem assinatura, sendo Leite só, sem sequer duas canecas para água. Tênue e forte. Como o chocolate em pó, nosso.
quinta-feira, outubro 30, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
Todas as vezes que vejo um filme baseado em um livro e, geralmente, um livro bem conhecido, o debate entre "livro X filme" é de uma mediocridade notável. Com críticas tão severas ao cinema, dá vontade de dizer: "pois me dê o seu ingresso e vai ler ali no estacionamento, vai".
É óbvio que a experiência de um livro é melhor. Pra começar, a gente quase sempre lê sozinho, sem precisar fazer todo o social de ir pro cinema, quase sempre acompanhado. Ler é uma aventura que dura dias ou semanas, solitária e libertária.
Ler é ter um relacionamento íntimo com cada parágrafo. Ver um filme é sexo rápido no tempo de estada de um motel.
Cada personagem tem o rosto que o leitor quiser. A imaginação, com mais poder que as limitadas combinações de letras, dá cheiro, gosto, cor e vida. O cinema não tem cheiro, mas tem rosto. Tem sotaque. Tem uma face que estava lá, naquela outra história. Tem o som, esse sim mais irritante ainda, de quem pensa que milho estourado combina com legendas.
Mas, e daí?!
José Saramago é difícil demais para a maioria das pessoas. É longo demais para a maioria dos dias. E também é bom demais para ficar restrito somente aos que podem encher a boca, sem ninguém perguntar, que já leram o livro. E ele é bem melhor.
Mas, pelo menos, pode chegar a mais gente. E o próprio Saramago gostou, como mostra esse vídeo emocionante do diálogo entre o autor e o diretor Fernando Meireles.
sexta-feira, setembro 12, 2008
Vontade do sabor dos outros. E essa receita, aqui na cabeça, com ingredientes e fazeres para meus próprios pratos entre as mesmas paredes.
Certo plano de blusa preta, calça preta e tênis de cor, feito fazer o tipo que essa barba é nova, com olhos nos horários e sem hora pela chave do no bolso. Mas ela é uma só, os relógios são decorados e a única a se impressionar do cabelo e do calçado tem minha cama como certa.
Das vontades de agradar e agradar-se; dos risos e sorrisos planejados ou eleitorais; falta água, fico fora - culpa da única chave. E antes que ouse falar de perfeito, sinto o cheiro real do nosso sabor. Agridoce.
sábado, setembro 06, 2008
sábado, agosto 30, 2008
Sim. Eu aceito.
A vós jogo toda glicerina que passou pelo couro acima da cabeça. À vós os cabelos que um dia foram cuidados, um dia descuidados, e que hoje sonho em cuidar de novo. Tanto faz, agora. Sim, meus senhores, os pêlos acima e abaixo da boca; como o suor acima da vida debaixo de qualquer tic-tac de cronômetro em corrida em voltas.
Mais que glicerina. Bem mais que glicerina. Em troca, basta, tão somente, e tão unicamente, repassarem-me essas asas de galinha.
Não fazem voar por si. Mas já dava para sorrir entre aquelas aves de olhos mais retos.
E até.
quarta-feira, agosto 27, 2008
E lá na rua, aqui na rua, automóveis, tão velozes, queimam. Imóveis. A fumaça sobe entre as linhas mal pintadas, no chão escuro e nos buracos maus, mal tapados quando longe do muro de vermelho e números. Mesmos números dos sorrisos de estúdio e frases decoradas.
Tudo feito de palavras. Uma ou duas; não dizem nada, mas sabem o que pedem. Pedem os dedos, ver a foto e barulhinho. Pronto. Quatro anos para duas ou três palavras se desfazerem.
Eu, estudante da UFMG. Eu, entre as horas sentado com pontos em negro na agenda; ousando ter pontos azuis de compromissos em que faço meu horário. Eu, entre antidesengordurante e sabores de amores de mais cedo, com o pensamento em opressivas instituições democráticas de muita liberdade.
E o eu, sonhador, decidindo sonhar em se sentir um estrangeiro. Mesmo que um estranho só de sotaque. Mas entre o sonho de nudez e o sonho de uniforme.
Sentido, sim, senhor.
Não faz sentido, não senhor.
Senhor.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Cresceu com uma marca estranha, na bunda. Não lembra como foi, nem sequer chorou: ao som da faca e cor de sangue, só tombou mais forte entre os peitos da mãe. Essa outra, tão acostumada a ver vida crescer entre pernas de partos, via morte na pequena terra da família. Foram os dois cabras que cuidavam das cabeças e do pasto, foi-se a pouca riqueza praqueles homens de chapéu de cangaço.
Lá longe, bem longe, lá pras terras de muito mato, muita água e muito trabalho, a outra que não sei o nome, mas diz-se ter Leite ao fim, lavava roupa em um tanque maior que o Rio Nilo. Pobre dela. Como conta da lavanderia, perdeu um filho que nem sequer se decompôs em terra. Deglutido.
Relato lúcido do último ano de lucidez da mãe da minha mãe, entre promoção de Fiesta 97 0 Km e resultados de exames com vista para a escada do Center Um.
História do pai do meu pai. Das barbas incompletas bem antes que sujas de graxa e chinelas sem conceito de propriedade privada.
E eu, bisneto do irmão do devorado pela cobra, sobrinho-neto da esfaqueada por cangaceiro, criado com leite de salas de aula e motores batidos de Fuscas e Opalas, sorrio com a aprovação do Departamento de Ciências Políticas. E, por si só, isso me faz otimista.
Leite entre dentes no achocolatado de manhã cedo. Copo de água antes de dormir.
Minha apostasia em sorriso, em raiva, em ira, em felicidade.
Felicidade. Cada suspiro uma negação da certeza infalível.
E essa apostasia! Essa apostasia, cada vez mais definitiva, em cada passada sob o viaduto e sobre as dunas.
Pôr do sol.
Pedaço de pizza.
domingo, junho 29, 2008
Aí ele pensa em querer sair para andar de bicicleta, lutar contra nazistas só com o mouse e o teclado, pular onda no mar. Não, menino, não pode. Vai tirar esses pêlos do rosto e saber quanto deu a conta de luz.
Tem e-mails para ler. Tem aqueles planos maravilhosos para colocar em prática. Tem que planejar o futuro. Tem que acreditar. Mesmo se for muito difícil, tem que acreditar.
Hoje eu já tenho litros de antidesengordurante. E uma fé ainda maior em Le Bourget.
sexta-feira, junho 13, 2008

Treze de junho de 1983. Há exatos 25 anos, a humanidade foi além de qualquer limite antes conhecido. Naquele dia, um objeto construído pelo homem cruzava as fronteiras do Sistema de Solar pela primeira vez. Em tempos de Guerra Fria, quando uma hecatombe nuclear poderia acontecer a qualquer momento, foi um dia de esperança. Hoje, com o medo do aquecimento global, há quem ainda espere algum sinal positivo vindo do espaço.
quarta-feira, junho 04, 2008
Imagino quantos viram aqueles prédios, como eu vi, mas sem saber direito em qual quarto dormiriam na semana seguinte. Monstros de ferro, concreto e vidro a engolir milhões de vidas com o sonho de asfalto e cifras.
Mesmo que cifras só para o feijão e a vontade de voltar.
Teria eu, também, este sonho de falar como falo e ser acusado de sotaque arrastado?! Tirar uma lasquinha de tanto cinza, enfrentar o frio e perder-se entre o ônibus e o jantar?!
Em um metrô debaixo da terra, em avenidas anônimas, em querer tirar foto onde é só mais uma esquina pra quem passa ao lado. Impressionado com o preço de tudo, com o tanto de revistas na banca, as possibilidades, as possibilidades.
Não há concreto. Não há vidro. Não há asfalto. Não há sequer só aquele cinza sem fim no céu. São Paulo pulsa saudades nos buracos daqueles trilhos escuros, sem sequer sinal de celular.
Algo aconteceu.
Algodão no nariz, medo, lágrimas. Dizem que ele teria saudades, mas que não gostaria de nada. Só uma dor pela dor dela, e um lamento pelo será.
Seis mãos na peça de madeira barata, para virar pó, quem sabe. Palavras pouco importariam. O ouvido não escutava mais. A boca não falaria mais. O nariz, só um enfeite de face fria e fechada.
quarta-feira, maio 21, 2008

Ok, vamos fazer um acordo.
É que eu pulso como quem pulsa pela primeira vez. Falo palavras de amor como confissões assinadas de supetão ao relento do horizonte perto. Corro quarteirões ao ritmo da fome que se desfaz ao sorriso e ao olá.
E filme de domingo a noite vira trilha sonora da semana, vontade de gostar até não poder mais e ficar na cama. Na cama. Na cama. Como que em coma. Sem querer acordar de um acordado tão bom.
Voz doce e baixa; ou alta para ser ouvida no banheiro. Eis meu grito e canto. Abraço rápido de meio-dia corrido; ou carinhoso de meia-noite sonolenta. Eis minha dança.
Mesmo sem cabelo grande, nem barba, nem grandes descobertas; esse dia-a-dia como quem descreve o que é ser feliz.
(À propósito: achei minha antiga cabeleleira. E continuo ouvindo she loves you, yeah, yeah, yeah...)
quinta-feira, maio 01, 2008
Só mais um domingo. Um domingo vazio. De manhã sem sentido. Desde que o Senna se foi, domingo não é mais domingo.
Domingo de tarde de melancolia. Tarde vazia como batida em um poste. Noite sem notícias e tristeza por anos. Desde que o Chico se foi que domingo não tem mais cara de domingo.
Mais um daqueles dias que na hora do almoço eu lembro quando um frango e uma coca-cola de 1 litro dava para muita gente. Frango, não, galinha. Galinha com cheiro de quintal da vovó e caminho para o Veneza Tropical.
E desde que meu avô morreu, numa noite de domingo, que a segunda parece um porto seguro.
Vou morrer em um dia de domingo. Não sei se como criança de domingo. Se como velhinho com sondas, memórias e mãos-filhas em volta. Ou herói que dá sentido até em dia sem trabalho.
Tenho uma bermuda verde-limão.
Comprei como piada. Um calção de banho de inédito. Ele foi para algumas feijoadas, churrascos e aniversários. Traje básico de quem falava, falava, citava, recitava, bebia, e não sabia sequer para onde ir. Um dia, após elogio de "o Humberto sabe beber", enchi a grama de vômito e a boca de grama. O corpo no chão, a risada perdida, a lembrança pela metade e, lá longe, uma menina via. "Que decadência!". E "decadência" também era ela!
Não sabia, mas tinha conhecido dez dias antes. "Quem és tu, criatura?". Como ela odiava o boçal "quem és tu". Como ela odiava, quer dizer, odeia, o "criatura". Nem lembrei do nome um dia depois. Passou. Só mais uma interessada em frases fortes e piadas sem graça em um blog que, aquele sim, tinha muitos visitantes. Até bonitinha. Belos beiços.
Passa ano. Passa noite de sono em quadra de concreto. Sol que nasce em amigo-irmão que hoje é só conhecido. Passa, tudo passa.
Até que passou da hora daquela boate chata. Fui lá fora, encontrei outro amigo. E ela, a que me viu de bermudinha verde-limão, lá fora, enchendo o saco, ela ali, sim, bem "criatura". Perdida que nem eu, ela de um jeito, eu do outro.
Aí eu pensei, mais ou menos uns 2 meses depois: "quer saber?! Hoje eu vou ser inconseqüente! O que tiver que ser será. Eu quero é aproveitar!". Saí então feito doido, com umas gotas de perfume e 7 reais, "será que dá?", no bolso.
Passaram-se cinco anos. E agora estou em casa. Nossa casa.
Eu não bebo mais. Nem ela. A bermuda verde limão continua lá, firme e forte. E se eu quiser saber "quem és tu, criatura", eu mesmo respondo, "é minha mulher, é minha companheira". A melhor inconseqüência da minha vida. A melhor vida que eu poderia sonhar entre copos de vinho barato, frases-sinceras entre sorrisos e caminhadas sem fim.
E eu me sinto como o Jonh, no começo da carreira, sorridente e feliz.
She loves you
Yeah, yeah, yeah....
quinta-feira, abril 17, 2008
Morrer, eu não morri. Na verdade, nunca estive tão vivo. Mas se tem alguma coisa moderna, pós moderna, modernista e contemporânea, ao mesmo tudo, tudo ao mesmo tempo, agora, é escrever e ser interpretado. Livremente.
E o autor não morre. Torna-se imortal. Nem que seja para minha única comentarista. Que de comentário, vira post.
ariadnecoelho disse...
da boa surpresa da promoção da tábua que rendeu banquinhos perfeitos, que nos lembram anos 70 e muito mais.
da singela surpresa, penduradas palavras por palavras exatas, com prendedores verdes...resultado lindo e mais fofo do mundo.
e não era só isso.
a fada das roupas agora tem companhia.
elfo das roupas e do "leite da manhã".
"vem cá meu bem, que é bom te ver"
os dias andam e andam, e eu só quero fazer "tudo por você".
e obrigada por fazer tudo por mim...
meu eterno inseparável tudão com refil infinito.
meu companheiro!
amo-te.
em verde e roxo e em todas as cores que a gente quiser combinar.
de tua namorada em caixa alta e garrafal
passo a tua esposa,
grifado na "aquarela".
beijos!
5:53 PM
quarta-feira, abril 09, 2008
De ser só um, por desabrochar, a realizar, por planejar, por se realizar...
Realizado.
De colchão velho com dor nas costas e saudades, companhia todas as noites e copo de leite divido na manhã seguinte. Geladeira que se pinta, oba, a máquina de lavar lava, o Guarda-Roupa coube, o chão tá limpo e a Tv televisiona. Contas, contas, contas, e o resultado final de dormir feliz.
Hoje faltou água. Ontem ligamos a máquina. Amanhã comprar mais presunto e nos próximos meses, pelo visto, ter moedas contadas mas um sorriso como nunca se teve. Prateleiras, gás, mais pano de chão. Um tapete.
Ouro em um dedo e os melhores planos do mundo. A começar pelo primeiro. O primeiro litro de anti-desengordurante.
Aos 23. Quem diria? Agora eu digo. E disse sim.
"Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor "
sábado, março 29, 2008
Daqui a pouco, vão parecer muito pouco.
Na tela, a contagem de pontos. Tantos mil porque acabamos de matar o "chefão". Só mais um de tantos outros que vêm por aí.
É nova fase. E o jogo, bem longe de ser finalizado, dá é uma vontade de ir na cozinha, pegar um copo de água, e encarar o que vem por aí.
Com um sorriso no rosto sem nem saber direito quem é o Player 1 ou o 2...
terça-feira, março 18, 2008
É um calendário em que cada tracinho são 20 anos ou mais de juízo e, que alegria, de contagem regressiva.
É também um coração apertado que pensa em hora não como as 12 do meio dia à meia noite, mas se é a hora. Se é tristeza?! Não, não é, talvez um pouco de medo. Sentimentos estranhos.
Mas como não ser estranho se são tantas coisas novas?!
Te trago as boas novas: é fim, é começo. É momento.
segunda-feira, março 10, 2008
A palavra "Preso" já não parece ser coisa muito boa.
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to"

Constante.
Como as repostas não estariam na Constante?!
Quem seria minha constante, brotha?
sábado, março 01, 2008
Afinal, ainda sou um menino. De barba mal feita e uma filosofia para o dia: se um vegetariano vira zumbi, o que ele faz?!
Então o amigo próximo senta bem distante no ônibus, eu ligo, e nada, perco o lugar, e ganho a noite. Sou sortudo?! Sou amaldiçado?! -Sortudo, acho. É, eu também acho.
E pronto. Hoje já é sábado.
"We'll share the shelter of my single bed..."
O homem criou deus. Um homem matou deus.
Depois, morreu.
Daí veio o Google. E vem, dia após dia, dizer minha "Sorte de Hoje".
Disse que eu ganharia roupas novas (!!!!): mentira! No máximo, tirei do armário sapato, gravata, calça "fina" e uma pequena agonia de se perguntar: vai dar certo?! Será que vou pronunciar direitinho?! Será que eles vão gostar?!
Pelo visto, deu. E ao invés de pensar nos absurdos do universo, o sentido da vida, e tudo mais; volto para casa com uma voz agradável no ouvido, sanduiche na barriga e vontade de lençois.
Amém, meus ateus
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Queijo Coalho.
Nunca fiz muita questão de queijo coalho. É gostoso, no baião, com carne de sol, ou frito na chapa. Mas é que é mais ou menos como se o pão do sanduíche da lanchonete tem gergelim ou não. Se tiver, beleza, bonitinho, -obrigado, deve fazer bem. Se não, eu nem sinto falta.
-Queijo coalho!
-Infelizmente não temos. Quais seriam, então?!
terça-feira, janeiro 15, 2008
Porta fechada, quarto escuro. Era tempo de ter vontade de ter olho nas costas, luz acesa sem interromper o sono, janela aberta... Ou melhor fechada?! Teria medo de um leve toque na ponta do pé debaixo do lençol, uma voz, uma luz, qualquer coisa. Uma Criatura?! Eu riria.Temor, hoje, é uma bola de pêlos cheia de dentes e frases engraçadas que imito. Alma (alma, não: fantasma. Se é nossa conhecida, é alma. Se é dos outros, é assombração), ET, monstro, sei lá o quê.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Síncope
Como foi o carnaval do ano antes de você nascer?! Escolas de samba, sol, cerveja e tua não lembrança. Morrer não deve ser difícil: quem sabe só esse vazio sem pulso e amarelado das páginas de arquivo. Cheiro de mofo.
Ninguém sentiu falta antes; então saudades vão embora com quem morre com ela. Filhos, é certo. Netos, um pouco. Depois não mais. Só história.
Mas não. Eu não morri. Os lábios ficaram roxos, a pele, branca, e as unhas, geladas. Desliguei o ar condicionado. Sentei. Pedi sal. Com um cantinho do cérebro ainda deu para pensar: vou deixar saudades se esse frio for fim?! Não. Quase nada: só uma síncope.
Rápida e fugaz. Como os faróis do carro da faixa esquerda, à nossa frente, se espremendo no acostamento de olhos fechados.
Tenho fome.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
É certo que este blog recebe agora palavras tão perdidas no tempo quanto as árvores de Natal
E tão ou não semanticamente direto, escreveria sobre os três discos mais importantes do ano. Ou de um show que me fez menino de novo. Da Asa Branca no mato queimado do sertão sem fim, do Natal de árvore de rede, da folga de um dia não fazer nada, absolutamente nada. Nem sequer escrevi.
Fiz foi olhar para a janela, tomar banho de mar, prender a respiração e ver o horizonte do pôr do sol em tanto canto diferente. Com uma mão sob e sobre a minha, em silêncio e sem escrita, como a roupa bonita e o perfume escolhidos à dedo para nem sequer abrir uma porta.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Deu vontade de se desfazer de blog, de fazer o que não faria, de ficar na cama sob os gritos de despertador. Uma luta.
Mês que vem, é outro mês. Mais de 30 dias, mas com um tal sentido de amanhã.
Olhando as datas e querendo que elas virem horas. Olhando os anos e pensando que eles seriam séculos.
Tão empolgado quanto uma Ferrari à 60 Km/h. Em uma estrada asfaltada.
quarta-feira, novembro 14, 2007
domingo, outubro 21, 2007
A boca seca pede água.
Não por álcool. O gosto azedo de um sorvete tão doce.
Cinco horas. Dezessete. Quando o sol voltar, é segunda-feira. Tenho que pegar no tranco.
1,2,3, vai!
Não vai.
Boca seca, mente sede, e água até a tampa dos pulmões. Mesmo assim, última força, para emburrar o barco.
Contra a corrente.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Capítulo em capítulo. Como quem vai de gole em gole, torcendo para não acabar. Não tenho pressa.
Misturo as páginas com reportagens para ter mais noites com improvabilidade infinita. Mando meus vikings atacarem os celtas com cavaleiros e catapultas.
Enjoei do "yes, sir", troquei por música. Música. Das minhas bandas que já são memória. Dos anos 90 que, um a um, vão fazendo 10 anos.
Hoje é 12 de outubro, acordei 8 horas, e não estou com sono. Será que é isso o que chamam de envelhecer?!
segunda-feira, outubro 01, 2007
Da lembrança dos sorrisos ao pensar de como seria bela a idéia de ter todas as noites, estar acima, ser tudo. Mais ainda, como são boas as férias.
Entenda-me. Dentre tantos sistemas, sensores e controles, os parcos e maravilhosos momentos de mandar um beijo, um abraço e pensar em felicidade. Perfeitos.
De se esquecer de estar isolado. Nessa cápsula diminuta que me leva à lua. Com tão pouco ar que um grito ou um sorriso já podem fazer os olhos vermelhos e o peito doer.
Ar?
Daí eu lembro que, lá na lua, eu morreria em um ou dois segundos. Um só instante. Até antes, talvez, de sentar os dois pés. Sem vento. Sem ter o que comer. Tudo por poeira e pouca gravidade.
É quando bato meus dedos nesse botão vermelho, com letras amarelas, como quem dedilha uma canção. Uma das tantas que eu não sei cantar.
segunda-feira, setembro 17, 2007
Também não tem mais filme com segredos. Gostei do ator?! Poucas hora depois descubro que ele também fez aquele outro filme, que o diretor fazia comédias juvenis e que etc etc etc. Mal de wikipedia. AdoroCinema também é bom.
São poucas as coisas que eu me permito ainda não ter lido, nem sequer uma linha. Nem sei o nome verdadeiro de Richard Bach. Se foi piloto de verdade, se além dos livros que amo ele tem mais alguns.
Só soube pela minha mãe que ele casou e foi morar no meio do mato com a amada. Como assim?! É louco?! Não tenho muito idéia se é verdade, mas me dei conta, um dia desses, que é uma boa opção.
Atravessamos o rio de fundo de lama veloz. Olhamos as vacas, e, que pena: havia pessoas do outro lado. Talvez ainda estivéssemos lá.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar"
Nunca comprei uma TV. Quando ganhei paredes, olhei mais para a estante, as páginas e concluí os afazeres. Deixei de lado a chance de ver a partida, só para secar os cabelos, cheirar a blusa onde ficou teu cheiro, três ou quatro páginas antes de apagar a luz.
E eu, que nunca comprei uma TV, mais uma vez vou te levar praquela praia de ondas tortas. Mais uma vez para me ver na paz que eu tanto quero.
Amém
Aquele incômodo se foi e uma dor apareceu no lugar, mas foi embora com o tempo. Um pacote de bombons do meu lado. –Tio Xavier que te deu. Não podia comer nenhum. Lembro de tomar banho nos braços da mãe e do pai e de quando ela trocava aquele curativo tão grande que eu dizia nem precisar usar cueca.
Eu lembrei dessa agonia no baixo ventre, na dor de levantar peso. Do grito que ainda deve ecoar no consultório quando o médico puxou todos os pontos de uma vez. A cicatriz ficou escondida para virar homem, mas na terceira cirurgia de hérnia do meu pai eu lembro que já fiz uma também.
Então vamos parar com essa história de fazer academia e continhar com as caminhadas que é muito mais aconselhável!
segunda-feira, setembro 03, 2007
"Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas"
Então, por quê?! Pra que fazer questão de burlar o único exame físico para se sentir por cima?! Pensando bem, "Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas" devia vir estampado da capa de todas as minhas revistas ao copo com leite.
domingo, agosto 12, 2007
Passaram tantos meses, e tudo ia, de fato, feito um piloto automático. Não aquele mal: se eu o liguei, foi para apreciar a paisagem.
As autenticações eletrônicas nos papéis que têm números depois do R$, outros guardados para o futuro se acumulando para anti desengordurante, as disciplinas indo embora e mais alguns certificados chegando. Tudo como planejado.
Aos sábados, macarrão e cinema. Aos domingos, tarde longa de pés, lençol, chocolate e desejo da outra sexta.
Não essa. Já são mais de 17 horas e eu ainda não tomei um banho para tirar o teu cheiro, tão forte, de hospital. Amanhã, sem ter nem pra quê, vou pentear os cabelos e usar calculadora.
quarta-feira, agosto 08, 2007

Dezessete vira sete. Eu sorrio porque é da noite. A vontade que dá é de ir para casa. Quanto custa? Não importa: eu iria. Uma falta de ingresso, uma hora perdida, pouca ou nenhuma gasolina: nada se compara com isso. Porque casa é uma lembrança que não posso alcançar com as pernas nem com tudo o que tiver na carteira.
Resta então decidir em qual corredor caminhar agora, comemorar (?!) que o atraso seja só por mais 2 horas. Vão ser mais de 24, ao final, todas elas, entre desconhecidos. Sabe aquele vizinho que você não lembra o nome ou aquela menina que na terceira série sentava na primeira ou sexta fila, você não lembra ao certo?! Quem me dera que estivessem aqui!
Onde não há qualquer coincidência, referência, ponto em comum. Não que eu não fale, mas a história é a mesma: "Vim de Fortaleza. Conexão em Natal. Aqui no Rio era só escala, mas mandaram descer e cancelaram o vôo. Cheguei 22h30". "Sim, eu sou cearense, é que o nosso sotaque não é como a Globo pensa".
"Tô indo pra Curitiba, coisa de trabalho". "Deve tá frio mesmo, mas tô levando casaco!". "Pois é, pra gente julho é tão quente quando janeiro, tanto faz". "Dormi no hotel, teria o dia livre, mas vim tentar remarcar o vôo... não deu certo, então o jeito é esperar, né?" "Prazer, você também".
Pelo menos veio comida quando eu já confundia Lan Chile com lanchinho. Riem. Dizem de onde são. Há quantas horas, para onde vão. E, no chão de frente do painel que mais uma vez anuncia "Cancelado", acabo lembrando, tão forte, como sou brasileiro. Totalmente perdido entre tantos sotaques, todos, desesperados.
(E neste esquecível 24 de julho, chorei no Galeão. Nunca pensei que Curitiba fosse tão longe, 36 horas, e que minha casa fosse tão boa)
terça-feira, julho 31, 2007
Daí torce que a roupa tivesse mais uns 10 metros de espessura, lembra que ficava só de bermuda e, mesmo tendo viajado tantos quilômetros com uma tremenda vontade de pegar esse tal de inverno, só deseja a hora, a bendita hora, de voltar; matar saudades, dela e da praia. É aí que Pinto Martins, mais uma vez, é nome santo.
Era tudo branco. Bem branco. Somente branco. Daí, legendas: "-Vovô?! É você?" Era. Conversou um pouco, mas daí os tais barulhos saíram de uma constante, voltando a pulsos, voltando a imagem para a maca, voltando o sorriso dos pais.
Fiquei impressionado. Não fazia mais de um ano que aos cinco vi um balão de oxigênio desfazer meus sentidos para acordar sem poder usar as pernas, com um saco de bombons e essa cicatriz que até hoje guardo.
Tive medo de ir lá. Não por encontrar o vovô. Mas porque, pensando bem, branco com branco, deve ser um saco. Essa tal eternidade, que perguntei pra minha mãe quanto tempo durava. "Pra sempre". Como assim, pra sempre?
Devia ser um saco essa tal eternidade! No começo, beleza, não dá para morrer, onisciência total, oi vovô, oi vovó. Mas depois bem que ia ficar meio chato. Esse tal de pra sempre... ...E ainda mais sem cores!
Daí eu respirei. Fiquei com um pouco mais de medo do balão. Mas sempre que vôo, imagino um pouco como poderá ser lá: agua em sua forma gasosa, atmosfera rala. Maldita ponta de asa, que insiste em existir!



