"O tempo não perdoa o que se faz sem ele"
Joaquim Nabuco
sábado, novembro 26, 2011
segunda-feira, novembro 21, 2011
segunda-feira, outubro 31, 2011
Eu não amo mais minha mulher.
É essa a verdade. A gente pode insistir, tentar não ver os fatos, fingir que não é a gente. Mas a vida é assim.
Há tempos que o que temos não é mais uma relação de amor. Isso ficou no passado.
O que temos hoje, eu chamo de simbiose. É muito mais. Somos dois seres vivos que não podem viver separados.
Ainda não somos um Lírio, mas já somos quase um Líquen.
Só não sei o que dizer quando ela chegar em casa. "Eu te amo" é fácil, moleza. Mas e agora?! "Eu te simbóio"?!
É essa a verdade. A gente pode insistir, tentar não ver os fatos, fingir que não é a gente. Mas a vida é assim.
Há tempos que o que temos não é mais uma relação de amor. Isso ficou no passado.
O que temos hoje, eu chamo de simbiose. É muito mais. Somos dois seres vivos que não podem viver separados.
Ainda não somos um Lírio, mas já somos quase um Líquen.
Só não sei o que dizer quando ela chegar em casa. "Eu te amo" é fácil, moleza. Mas e agora?! "Eu te simbóio"?!
quinta-feira, outubro 20, 2011
Aeroporto assim. Do jeito que o diabo do atraso quer. Não é feriado nem data especial. É uma quarta à noite. Tem gente no futebol, tem gente na TV, tem gente na aula de inglês e vários outros suam na academia. Mas como ainda tem gente aqui!
Desse lado da asa as caudas são todas vermelhas. Uns só cinquenta metros à esquerda e eu iria alguns milhares de quilômetros mais longe. Où je pouvais parler un peu de français o un poquito de mi español. Não sei pra onde vai. Tem o nome Brasil escrito na turbina com o A destacado entre linhas do que sei que é um reverso.
Tento reverter meus pensamentos e querer mais uma vez um carimbo no documento que não sai da pasta de documentos. De documentos, é claro, só podia ser, coisa mais óbvia, ora mais. Quero um carimbo com gosto de lanche barato para economizar trocados de moeda de rostos estranhos que pouco fazem volume na mão mas que pagaria uma pizza inteirinha lá em casa. Com uma coca grande e entrega. E borda.
Folheei as folhas cheias de mapas e traços de linha de metrô, com nomes esbeltos terminados sempre com vogais que, eu sei, a gente não fala, muitos ês e alguns ôs. Îê Iê. Uô Uô. Vou dedilhando tabela de cifrões na espera, parece eterna, de trocar só o ensaio de bizarras tônicas por um simples e sonoro yeah de sim, eu fui, eu fiz. Foi feliz. Sorriso até com nariz.
Vou dormir tarde, mas acordar cedo. Ir andando onde há adesivos grudados que pedem aumento para quem não tem talento de ser aumentado como onde se aumenta por algo alto. Às vezes bravio. Mas eu nem posso haver adesivos nem ter o nome em lista de agraciado que não se limite ao grado. Eu quero é andar. Pra frente, de preferência.
Levo na lapela o ouro dourado, falso, é claro, do desenho ainda só desenho do jato falado para que o pessoal dos aumentos aumentados dê melhor trabalho para os das suspostas competências por ordem de chegada. Ah, Meu aviãozinho lindo! O que terá na tua janela quando for a hora de eu te ver decolar?
Eu ia escrever Hádesivos. Mas fiquei com o "Há Adesivos". A gente até meio que torce pra sumir com um A. Mas se eu não for lido é o mesmo que não ter escrito. Á Á Á.
Desse lado da asa as caudas são todas vermelhas. Uns só cinquenta metros à esquerda e eu iria alguns milhares de quilômetros mais longe. Où je pouvais parler un peu de français o un poquito de mi español. Não sei pra onde vai. Tem o nome Brasil escrito na turbina com o A destacado entre linhas do que sei que é um reverso.
Tento reverter meus pensamentos e querer mais uma vez um carimbo no documento que não sai da pasta de documentos. De documentos, é claro, só podia ser, coisa mais óbvia, ora mais. Quero um carimbo com gosto de lanche barato para economizar trocados de moeda de rostos estranhos que pouco fazem volume na mão mas que pagaria uma pizza inteirinha lá em casa. Com uma coca grande e entrega. E borda.
Folheei as folhas cheias de mapas e traços de linha de metrô, com nomes esbeltos terminados sempre com vogais que, eu sei, a gente não fala, muitos ês e alguns ôs. Îê Iê. Uô Uô. Vou dedilhando tabela de cifrões na espera, parece eterna, de trocar só o ensaio de bizarras tônicas por um simples e sonoro yeah de sim, eu fui, eu fiz. Foi feliz. Sorriso até com nariz.
Vou dormir tarde, mas acordar cedo. Ir andando onde há adesivos grudados que pedem aumento para quem não tem talento de ser aumentado como onde se aumenta por algo alto. Às vezes bravio. Mas eu nem posso haver adesivos nem ter o nome em lista de agraciado que não se limite ao grado. Eu quero é andar. Pra frente, de preferência.
Levo na lapela o ouro dourado, falso, é claro, do desenho ainda só desenho do jato falado para que o pessoal dos aumentos aumentados dê melhor trabalho para os das suspostas competências por ordem de chegada. Ah, Meu aviãozinho lindo! O que terá na tua janela quando for a hora de eu te ver decolar?
Eu ia escrever Hádesivos. Mas fiquei com o "Há Adesivos". A gente até meio que torce pra sumir com um A. Mas se eu não for lido é o mesmo que não ter escrito. Á Á Á.
domingo, outubro 02, 2011
O mar não é mais que água violenta. Vida e morte. Como um sangue asqueroso e grosso que gruda nas paredes das minhas veias da cabeça e do coração.
São só alguns passos da areia às pedras molhadas, à violência de uma onda, uma parte de mim quebrada. Mais rápida, mais sincera, mais correta que a pane interna.
Ossos partidos por força, não por fraqueza. Como uma consequencia da vida, e não a proximidade da morte. Pelo menos ter o céu e a praia como última vista. Melhor que uma perede branca, seja ela de onde for.
E a voz no telefone pede para mais tarde, já não mais me entende e engole sílabas como quem reduz seu tempo. E cada noite que eu consigo dormir sem ter tido suor no rosto é a minha dúvida.
Do céu ser só uma pintura branca. Ou uma imagem que vai se distorcer com meu sangue onde não devia. Como uma onda que invade a terra. E espanta pássaros, como leva embora a vida.
Et de chansons d'amour
La mer
Que meus filhos não sejam só uma permissão literária.
São só alguns passos da areia às pedras molhadas, à violência de uma onda, uma parte de mim quebrada. Mais rápida, mais sincera, mais correta que a pane interna.
Ossos partidos por força, não por fraqueza. Como uma consequencia da vida, e não a proximidade da morte. Pelo menos ter o céu e a praia como última vista. Melhor que uma perede branca, seja ela de onde for.
E a voz no telefone pede para mais tarde, já não mais me entende e engole sílabas como quem reduz seu tempo. E cada noite que eu consigo dormir sem ter tido suor no rosto é a minha dúvida.
Do céu ser só uma pintura branca. Ou uma imagem que vai se distorcer com meu sangue onde não devia. Como uma onda que invade a terra. E espanta pássaros, como leva embora a vida.
Et de chansons d'amour
La mer
Que meus filhos não sejam só uma permissão literária.
domingo, setembro 11, 2011
Sol se põe em fundo diferente. Em mata de Araucária transitória aos Pampas. E meu corpo ainda quente de Amazônia esfria nos passos da corrida que agora é pela vida.
Penso no sangue nas veias e o desejo mais saudável. Corro rápido para me sentir vivo.
Para me sentir vivo.
Para me sentir vivo.
Quero muito parar de andar na corda bamba entre risos e lágrimas de uma vida decidida.
Faz calor.
Faz frio.
Faz tempo seco.
Faz chuva.
E meu corpo é um pedaço de carne revolto de constante saudade.
Penso no sangue nas veias e o desejo mais saudável. Corro rápido para me sentir vivo.
Para me sentir vivo.
Para me sentir vivo.
Quero muito parar de andar na corda bamba entre risos e lágrimas de uma vida decidida.
Faz calor.
Faz frio.
Faz tempo seco.
Faz chuva.
E meu corpo é um pedaço de carne revolto de constante saudade.
segunda-feira, setembro 05, 2011
língua é lida dita falada cada palavra bem vinda mal dita instintiva surgia das entranhas sem banhas da terra enfadonha como ela sem gana sem... levanta anda fala palavra cansada da dicção estranha de to-d-as bananas poetas singelas corru-p-tela dada, simplória, amorfa.
como amoras como qualquer fruta, como tuas, tua nua crua flora farta dentre penso sobre sobe trás dentro teso.
E se não o for, nada mais o é.
como amoras como qualquer fruta, como tuas, tua nua crua flora farta dentre penso sobre sobe trás dentro teso.
E se não o for, nada mais o é.
sexta-feira, agosto 19, 2011
Adoro pensar no mapa como um lugar amigo, com pontos, às vezes fixos, às vezes se questionando diretamente. Cada um deles um ser que amo, uma voz que se perde no mal sinal do celular. Não penso o mundo sob os pés, mas nossas vidas sob o firmamento.
Minha viagem deveria ser ao contrário. Fiz uma volta longa, longuíssima, de mais de 3 horas de avião, mais de um dia em trânsito. É tempo. Tempo intencional. Cojunto de muitos infinitos cinco minutos da amplitude de toda a vida. A cada curva penso nos abraços, penso no futuro e no passado. A viagem deveria ser ao contrário. Na chegada, eu iria só expelir vida.
Minha viagem deveria ser ao contrário. Fiz uma volta longa, longuíssima, de mais de 3 horas de avião, mais de um dia em trânsito. É tempo. Tempo intencional. Cojunto de muitos infinitos cinco minutos da amplitude de toda a vida. A cada curva penso nos abraços, penso no futuro e no passado. A viagem deveria ser ao contrário. Na chegada, eu iria só expelir vida.
quarta-feira, agosto 03, 2011
O difícil é não se emocionar. Mas a gente respira, disca números, atende ligações e só tenta deixar para depois.Mas saber o que aquelas palavras significam. Não são números ou só nomes que a gente confirma.
O iPhone ficará sem música, pois simplesmente não há mais ouvido para ouvir. As folhas da agenda, caprichosamente, pousaram com os dados pessoais abertos. Folhas como as minhas.
Na pasta aberta, um código de barras. Uma conta que não vai ser paga. Uma conta que vai gerar juros. Vai rolar a dívida.
Que não seja de uma casa nem um sonho qualquer.
segunda-feira, julho 18, 2011
Eu não acredito em deus.
Eu não acredito em céu.
Eu não acredito em paraíso.
Eu não acredito em salvação.
Mas, de alguma forma, eu acreditei sempre em redenção. Renúncia e Redenção.
Sempre. Talvez não mais.
E certa vez, entre hinos e falta de sono, eu tive um pesadelo. Deveria cantar Creep sem desafinar.
I wish I was special
So fucking special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
Eu não acredito em céu.
Eu não acredito em paraíso.
Eu não acredito em salvação.
Mas, de alguma forma, eu acreditei sempre em redenção. Renúncia e Redenção.
Sempre. Talvez não mais.
E certa vez, entre hinos e falta de sono, eu tive um pesadelo. Deveria cantar Creep sem desafinar.
I wish I was special
So fucking special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
terça-feira, julho 12, 2011
Depois do quase terceiro quilômetro, a música ficou até mais lenta, e falou em voz francesa nos meus ouvidos. Relaxei o passo. O ar crepuscular frio foi reconfortando as pernas que já queriam incomodar. Mas elas aguentaram firme.
Então eu pensei que era bom ver o sol indo embora por trás das montanhas. Como é relaxante pensar que em uma cidade dita maravilhosa, é o frio com o sol sem força que me encanta. O prazer de ver o pouco visto.
Pensei na casa de antigamente, pensei na casa atual. Pensei na casa futura. Pensei na que ainda nem sei onde será.
Aliviei mais as passadas, troquei a música, e movi os braços para me aquecer.
Então eu pensei que era bom ver o sol indo embora por trás das montanhas. Como é relaxante pensar que em uma cidade dita maravilhosa, é o frio com o sol sem força que me encanta. O prazer de ver o pouco visto.
Pensei na casa de antigamente, pensei na casa atual. Pensei na casa futura. Pensei na que ainda nem sei onde será.
Aliviei mais as passadas, troquei a música, e movi os braços para me aquecer.
quinta-feira, junho 30, 2011
segunda-feira, junho 27, 2011
Me sinto como que alçado a um futuro distante rápido demais. Olho os homens de barba e as mulheres de calças sérias e imagino como eram há 10, 15 anos.
Pago minhas contas, uso anel na mão esquerda, planejo paredes e possuo rodas. Mas, sinceramente, não me sinto ainda como quem já terminou o colégio. Não mesmo.
Parece que, como quem desperta de um sono, eu vou voltar a qualquer momento para esperar o carro às 17 horas e ir para casa. Alguns tarefas a fazer e o desafio de no dia seguinte ir de perfume em busca de algum sucesso.
Torcer pelas terças e quintas por ser dia diferente, e planejar almoçar bem para conseguir guardar dinheiro. A meta é ter 8 reais por semana. Em um mês, faria mais de 30. Já o suficiente para ir ao cinema no horário mais barato, com lanche e passagem.
Penso em ainda pensar as escolhas para depois do terceiro ano. Puder mudar a vida inteira dependendo do último livro. Um dia, professor. No outro, ainda piloto. Mais um, arquiteto.
Esperar o fim de novembro por dois meses sem nada. E, hoje, imaginar que a vida poderia ir além de acordar tarde. Queria aqueles dois meses, agora. Iria a muitos lugares. Faria muitas coisas. Aprenderia outras tantas. E ainda tinha todas as manhãs. Todas.
Fazia planos simples. Tão simples quanto roteiros de filmes ruins. Na semana, esperava o pão do fim do dia e olhava com certa alegria para a lata velha que às vezes só tinha uma só opção de biscoito. Aos domingos, soltava sorriso aberto ao ver minha mãe meter cheiro verde no macarrão.
Minha mãe. Que não sei de onde tirava forças para roupas de cinco em litros de água, quilos de sabão e somente a força dos próprios braços. E trabalhava. E cozinhava. E limpava. E pagava as contas. E ensinava. E inventava.
Inventava que um ônibus que até passava pelo Centro e ia para uma praia pouco badalada podia ser um dia agradável. E convencia. E deixava o almoço já preparado a espera. E. se contava as moedas, não me fazia perceber. E eu sorria.
Sinto uma expectativa, esperança até, que isso tudo é só uma história muito criativa para minhas peças de Lego jogadas no chão em uma ordem e roteiro impossíveis para outros meninos bobos. Sim, eu elaborava detalhes que envolviam até cartão de crédito e partidos políticos.
É só eu conseguir fechar um pouco mais os olhos que os gemidos de dor que eu ouço agora vão se revelar só meus fantasmas de quando ficava só entre as 17h50 e 19h00. Daqui a pouco eu vou ouvir da casa ao lado que já começou Perigosas Peruas e vou guardar cada pedacinha no saco de supermercado.
Vou deixar tudo dentro do meu guarda-roupa e esperar para abrir o portão. O Del Rey vai sujar o azulejo branco do chão com um pouco de terra. Vão me dizer que já passaram na Padaria e que só demoraram um pouco mais porque os meninos tiveram quinta aula.
Eu só estou angustiado assim porque hoje é noite de terça e acabei brincando mais que deveria. Não fiz minha tarefa de casa. Não cumpri o que eu mesmo aguardava.
Pago minhas contas, uso anel na mão esquerda, planejo paredes e possuo rodas. Mas, sinceramente, não me sinto ainda como quem já terminou o colégio. Não mesmo.
Parece que, como quem desperta de um sono, eu vou voltar a qualquer momento para esperar o carro às 17 horas e ir para casa. Alguns tarefas a fazer e o desafio de no dia seguinte ir de perfume em busca de algum sucesso.
Torcer pelas terças e quintas por ser dia diferente, e planejar almoçar bem para conseguir guardar dinheiro. A meta é ter 8 reais por semana. Em um mês, faria mais de 30. Já o suficiente para ir ao cinema no horário mais barato, com lanche e passagem.
Penso em ainda pensar as escolhas para depois do terceiro ano. Puder mudar a vida inteira dependendo do último livro. Um dia, professor. No outro, ainda piloto. Mais um, arquiteto.
Esperar o fim de novembro por dois meses sem nada. E, hoje, imaginar que a vida poderia ir além de acordar tarde. Queria aqueles dois meses, agora. Iria a muitos lugares. Faria muitas coisas. Aprenderia outras tantas. E ainda tinha todas as manhãs. Todas.
Fazia planos simples. Tão simples quanto roteiros de filmes ruins. Na semana, esperava o pão do fim do dia e olhava com certa alegria para a lata velha que às vezes só tinha uma só opção de biscoito. Aos domingos, soltava sorriso aberto ao ver minha mãe meter cheiro verde no macarrão.
Minha mãe. Que não sei de onde tirava forças para roupas de cinco em litros de água, quilos de sabão e somente a força dos próprios braços. E trabalhava. E cozinhava. E limpava. E pagava as contas. E ensinava. E inventava.
Inventava que um ônibus que até passava pelo Centro e ia para uma praia pouco badalada podia ser um dia agradável. E convencia. E deixava o almoço já preparado a espera. E. se contava as moedas, não me fazia perceber. E eu sorria.
Sinto uma expectativa, esperança até, que isso tudo é só uma história muito criativa para minhas peças de Lego jogadas no chão em uma ordem e roteiro impossíveis para outros meninos bobos. Sim, eu elaborava detalhes que envolviam até cartão de crédito e partidos políticos.
É só eu conseguir fechar um pouco mais os olhos que os gemidos de dor que eu ouço agora vão se revelar só meus fantasmas de quando ficava só entre as 17h50 e 19h00. Daqui a pouco eu vou ouvir da casa ao lado que já começou Perigosas Peruas e vou guardar cada pedacinha no saco de supermercado.
Vou deixar tudo dentro do meu guarda-roupa e esperar para abrir o portão. O Del Rey vai sujar o azulejo branco do chão com um pouco de terra. Vão me dizer que já passaram na Padaria e que só demoraram um pouco mais porque os meninos tiveram quinta aula.
Eu só estou angustiado assim porque hoje é noite de terça e acabei brincando mais que deveria. Não fiz minha tarefa de casa. Não cumpri o que eu mesmo aguardava.
quinta-feira, junho 23, 2011
Uno Uno Romeu. É de onde parto. Dessa vez, para onde tão bem conhecia. Vou sobrevoar a Lagoa, passar ao lado do Pici, ver a Parangaba se tornar maior. Vou pousar e sentir o ar quente do avião.
Mas viajo tenso. Viajo de preto. Viajo no alívio de não precisar acordar mais todos os dias com medo de ser como um personagem do Camus. Não receberei telegrama. Talvez eu veja. Talvez esteja presente. Talvez só me espere para ir.
Olho para o meu dedo e vejo uma aliança. Olho no espelho e vejo que, mesmo tirada todos os dias, há uma barba ali. O rosto já não é mais jovem, e já não sou criança. E quem eu via como adulto, ficou velho.
Se voltasse no tempo e contasse quantos anos eu ainda a teria, talvez desse um desespero. Há dez, conquista era guardar 20 reais. Há cinco, ainda perdido, ainda sem certezas de futuro. Há tão poucos, ainda feliz com o gosto gostoso de suco de manga quando já recebia convite para almoçar onde antes chamava de casa.
Olho as horas e, de repente, esses 180 minutos sem sinal me dão desespero. Queria um VHF. Queria um satélite. Queria unicamente saber como será quando eu voltar. Como será quando eu ver esses dias como quem olha para trás. Quando será minha vez de fazer o suco e até chamar para almoçar.
Uno Uno Romeu. Manetes em posição e agora é para valer. O bom e velho ciclo da vida.
Mas viajo tenso. Viajo de preto. Viajo no alívio de não precisar acordar mais todos os dias com medo de ser como um personagem do Camus. Não receberei telegrama. Talvez eu veja. Talvez esteja presente. Talvez só me espere para ir.
Olho para o meu dedo e vejo uma aliança. Olho no espelho e vejo que, mesmo tirada todos os dias, há uma barba ali. O rosto já não é mais jovem, e já não sou criança. E quem eu via como adulto, ficou velho.
Se voltasse no tempo e contasse quantos anos eu ainda a teria, talvez desse um desespero. Há dez, conquista era guardar 20 reais. Há cinco, ainda perdido, ainda sem certezas de futuro. Há tão poucos, ainda feliz com o gosto gostoso de suco de manga quando já recebia convite para almoçar onde antes chamava de casa.
Olho as horas e, de repente, esses 180 minutos sem sinal me dão desespero. Queria um VHF. Queria um satélite. Queria unicamente saber como será quando eu voltar. Como será quando eu ver esses dias como quem olha para trás. Quando será minha vez de fazer o suco e até chamar para almoçar.
Uno Uno Romeu. Manetes em posição e agora é para valer. O bom e velho ciclo da vida.
terça-feira, junho 21, 2011
Em Brasília, 2 horas e 53 minutos.
Da manhã. Tenho medo do vento no pescoço, dos barulhos da rua. A mente vai e volta e contorna. Chego à pomba atômica da paz, bomba atômica que mata devagarzinho. Preciso dormir.
Sinto saudades, mas é saudades controladas. Até exagero na noite, todavia os horários me ajudam. Imerso-me em palavras perdidas mas volto para olhar se ficam repetidas muito próximas uma das outras.
As pernas dóem do exagero da corrida. Penso nas calorias queimadas na expectativa de centímetros irem embora. As calças ainda entram, não me importo. Tenho medo é medo de um dia ficar doente.
Ficar doente e deixar de passar noites acordado. Noites de saudades. Noites sem chocolate, sem álcool. Noites radioativas, mas sem cara pálida. Noites em que enlouqueço na cozinho. Olhando o reflexo feliz enquanto lavo as louças.
Da manhã. Tenho medo do vento no pescoço, dos barulhos da rua. A mente vai e volta e contorna. Chego à pomba atômica da paz, bomba atômica que mata devagarzinho. Preciso dormir.
Sinto saudades, mas é saudades controladas. Até exagero na noite, todavia os horários me ajudam. Imerso-me em palavras perdidas mas volto para olhar se ficam repetidas muito próximas uma das outras.
As pernas dóem do exagero da corrida. Penso nas calorias queimadas na expectativa de centímetros irem embora. As calças ainda entram, não me importo. Tenho medo é medo de um dia ficar doente.
Ficar doente e deixar de passar noites acordado. Noites de saudades. Noites sem chocolate, sem álcool. Noites radioativas, mas sem cara pálida. Noites em que enlouqueço na cozinho. Olhando o reflexo feliz enquanto lavo as louças.
sexta-feira, junho 10, 2011
Andei sob chuva fina, spray aquoso que não molha, e resfria. Fechei meu casaco e baixei a visão. Ajustei o som e comparei Auf Der Mar com Lechantain.
Nos pés uma mistura de água e barro. Um céu lindo e um cartão postal. Pensamentos do mundo, pressa no pulso. Mais um dia.
Sou feliz em amar a sexta. A sexta de manhã. De riscar as frases com verbos, escritas com minha letra. Traçar planos até para cabelos brancos. Ou inexistência deles.
Adoro ir trabalhar a pé
Adoro caminhar na chuva
Adoro ter um fone de ouvido
Adoro quase aos 27 me sentir como aos 14
Nos pés uma mistura de água e barro. Um céu lindo e um cartão postal. Pensamentos do mundo, pressa no pulso. Mais um dia.
Sou feliz em amar a sexta. A sexta de manhã. De riscar as frases com verbos, escritas com minha letra. Traçar planos até para cabelos brancos. Ou inexistência deles.
Adoro ir trabalhar a pé
Adoro caminhar na chuva
Adoro ter um fone de ouvido
Adoro quase aos 27 me sentir como aos 14
terça-feira, maio 31, 2011

Nosso dia-a-dia é feito de materiais trabalhados. O plástico na forma perfeita. O metal que aquece e esfria ao nosso gosto. o algodão desprovido de qualquer lembrança vegetal, agora com falsas flores sobre o nosso frio de noite. Manipulamos o mundo a nossa imagem, gosto e às vezes até semelhança de tudo sem nós.
Mas a natureza nos lembra como somos manipuláveis, ainda. Que uma força pode ser maior, seja ela vinda debaixo da terra, sejam até células dentro de nós. A vida pode parecer ser feita por palavras que surgem em monitor de cristal líquido após pressão sobre um teclado.
Mas ela ainda começa, e pode acabar, com o mesmo suspiro de sempre. Bem maior que nós.
sábado, maio 07, 2011
Sinto o gosto da finitude.
Entre a doença da minha mãe, e a loucura do meu pai, o prazer de estar vivo é melhor.
Faço planos para o futuro. Que seja longo.
Penso no homem que pensa que não está só. Estaciona em lugar errado para conhecer alguém do outro lado do auto falante. Ele derrama leite sobre o chão e o mistura a lágrimas.
Vejo a bandeira queimada na televisão. Rio.
Sinto vida surgir dos dedos. Eles já nasceram. Espero dá-los uma trajetória.
Entre a doença da minha mãe, e a loucura do meu pai, o prazer de estar vivo é melhor.
Faço planos para o futuro. Que seja longo.
Penso no homem que pensa que não está só. Estaciona em lugar errado para conhecer alguém do outro lado do auto falante. Ele derrama leite sobre o chão e o mistura a lágrimas.
Vejo a bandeira queimada na televisão. Rio.
Sinto vida surgir dos dedos. Eles já nasceram. Espero dá-los uma trajetória.
segunda-feira, abril 18, 2011
Acho graça das viagens em que a cidade são paredes diferentes para os assuntos feitos do outro lado do caminho do avião. Só muda a temperatura e umidade. Torcer por uma combinação agradável. Mas dessa vez, me dei mal. O Rio sempre foi gelado para mim. Dessa vez, quente e absurdo. Suor, torcida pelo não fedor. Saudades. Mas uma saudade aplicada à decisões práticas. Amor não só para a vida, por si só, mas uma grande parceria para tudo nela. Saudades. Saudades de onde não é casa. De quem não moro mais junto. De quem está próximo mesmo sem fotos. Cada ato e frase minha são a lembrança mais forte de onde vim.
Mares de Morros. Quando chego ao Rio tenho sempre uma agradável lembrança das aulas de geografia no ensino fundamental II. Era bom. Bastava saber os fatos, nada mais. Inselbergs é o nome dado aos morros testemunhos, cristalinos, no sertão do Ceará. Ienissei, Obi e Volga são os principais rios da Rússia. Matis e Guarrigues constituem a vegetação típica do clima Mediterrâneo que, apesar do nome, também é verificado na costa oeste dos Estados Unidos. Gostava daquele tempo. Das disputadas da sala divida ao meio, e o livro mais tarde como o fim de todas as dúvidas. Sem falar de pai e mãe ao fim do dia. Hoje, o conhecimento é uma coisa estranha. Às vezes punição, às vezes desaconselhável. Às vezes, tenho certeza, secundário. Mundo estranho, esse. O livro deveria me falar de como superar as vontades, porque os fatos aprendem sozinhos a se desdobrarem em opiniões.
sexta-feira, abril 01, 2011
Aprendi a dar um nó na gravato. Sozinho, meio desesperado com o horário e... ...ficou muito bom. Onde está aquele que não usaria terno de jeito nenhum?!
Moro no bairro que termina com "Sul", e que um dia, cantando a banda que nunca vi, falei "asa azul". Agora, Z, só se for de vizinhança.
Ponho um dos PC no colo e jogo jogo jogo o joguinho que aos 8 anos tinha fila para o Master System. Conduzo Alis e Companhia, e minha mulher dorme ao lado.
Ouço Iron Maiden e consigo até sentir falta do meu irmão. Percebo que não conheço nenhuma banda de rock boa que tenha surgido nesse século. Quero quebrar CD's e picotar as revistas que busquei - por espaço, e pelo mundo digital.
Na tela, passa "Contato" e, de fato, ainda me emociono. Mas adoro a cena da entrevista coletiva. Exemplo para o trabalho. Trabalho, trabalho, trabalho. E gosto do resultado.
Mas nunca, nunca, nunca usarei tênis e sunga para correr. Isso eu me prometo.
Moro no bairro que termina com "Sul", e que um dia, cantando a banda que nunca vi, falei "asa azul". Agora, Z, só se for de vizinhança.
Ponho um dos PC no colo e jogo jogo jogo o joguinho que aos 8 anos tinha fila para o Master System. Conduzo Alis e Companhia, e minha mulher dorme ao lado.
Ouço Iron Maiden e consigo até sentir falta do meu irmão. Percebo que não conheço nenhuma banda de rock boa que tenha surgido nesse século. Quero quebrar CD's e picotar as revistas que busquei - por espaço, e pelo mundo digital.
Na tela, passa "Contato" e, de fato, ainda me emociono. Mas adoro a cena da entrevista coletiva. Exemplo para o trabalho. Trabalho, trabalho, trabalho. E gosto do resultado.
Mas nunca, nunca, nunca usarei tênis e sunga para correr. Isso eu me prometo.
domingo, março 20, 2011
Será a falta de vida? Ou excesso dela?!
Os dias passam, e gosto que passem. Sem um pé na rua, vento à distância, nada mais.
Movo as mãos em tarefas simples, e saio de mim, saio da minha vida. Assumo outras.
Um homem da gravata preta e blusa branca. Desde criança, sonhava em ser burocrata. Tornou-se crítico de arte. Mais talentoso que o artista é o bobo que escreve os parágrafos de palavras difíceis.
Alternância subjetiva com profundidade lírica exposta pelo autor em uma delicadeza composta pela transfiguração da hegemonia ausente em paralelo com a escassez ideológica.
Sem sucesso entre as mulheres, com dinheiro no bolso e louco. Amigo, talvez, de outro. De obras errantes sem palavras que as definam. Feitos um para o outro. E para os tolos no museu.
Vidas entre espuma nas mãos. Que sirvam para digitá-las!
Os dias passam, e gosto que passem. Sem um pé na rua, vento à distância, nada mais.
Movo as mãos em tarefas simples, e saio de mim, saio da minha vida. Assumo outras.
Um homem da gravata preta e blusa branca. Desde criança, sonhava em ser burocrata. Tornou-se crítico de arte. Mais talentoso que o artista é o bobo que escreve os parágrafos de palavras difíceis.
Alternância subjetiva com profundidade lírica exposta pelo autor em uma delicadeza composta pela transfiguração da hegemonia ausente em paralelo com a escassez ideológica.
Sem sucesso entre as mulheres, com dinheiro no bolso e louco. Amigo, talvez, de outro. De obras errantes sem palavras que as definam. Feitos um para o outro. E para os tolos no museu.
Vidas entre espuma nas mãos. Que sirvam para digitá-las!
segunda-feira, março 14, 2011
quinta-feira, março 10, 2011
O ano começa só depois do carnaval?!
Nada escrevi até agora. Silêncio-rádio, vazio, nada mais. Criei personagens que são folhas de papel, surgidos em corredores de supermercado, inexistentes em forma. Inexistentes em palavras.
O ano só começa agora, o passado acabou naqueles fogos. Entre isso, nada. Páginas no trabalho, nada. Memória e momentos memoráveis de férias na terra natal, nada.
I talk to tou, and nothing.
I huge you, and nothing.
I kiss you... and nothing.
No vazio preenchido de dias repletos, mas classificados de nada, eu inicio meu ano. Inicio as palavras. Esse ano, mais exatas.
Nada escrevi até agora. Silêncio-rádio, vazio, nada mais. Criei personagens que são folhas de papel, surgidos em corredores de supermercado, inexistentes em forma. Inexistentes em palavras.
O ano só começa agora, o passado acabou naqueles fogos. Entre isso, nada. Páginas no trabalho, nada. Memória e momentos memoráveis de férias na terra natal, nada.
I talk to tou, and nothing.
I huge you, and nothing.
I kiss you... and nothing.
No vazio preenchido de dias repletos, mas classificados de nada, eu inicio meu ano. Inicio as palavras. Esse ano, mais exatas.
sábado, dezembro 25, 2010
"Eu conto as horas que passam
Eu conto estrelas no céu
Na solidão das noites sem graça
Nos quartos de hotel
como se chama essa cidade?
como se chama atenção?
De uma cidade que dorme
Enquanto a gente, infelizmente, não?"
Comecei o ano morando em um hotel. Já tinha casa, mas ainda estava lá. Mudei-me só no dia 23 de janeiro. Bem me lembro: um colchão no plástico, um fogão na caixa. Nada mais. Um sinal wireless aberto. Nada mais.
Noites vazias e quartos de hotel continuariam. Foram 83 dias. Oitenta e três longos dias longe de Brasília. Dias corridos, do norte ao sul do país. E até fora dele. Jogado em um cobertor imundo em uma terra distante que tremia. Calorento na selva. Isolado em grandes cidades.
Mas também tive dias bons longe daqui. Até o fim do ano, vão ser 33. Praia, pai, mãe, pizzas conhecidas e lembranças. Também uma ida à cidade perto. Ainda prefiro Guaramiranga.
Viajei muito esse ano. Ainda bem. Apesar de tudo, gostei.
Sempre foi bom o retorno. Sempre olharei emocionado pela janela. Ou até quando não tinha. Voei 70 vezes, de acordo com a lista precisa que já precisa de mais folhas na agenda. Desconsiderei uns voos de transporte de alimentos. Mas lembro de cada um deles. De Blackhawk. De Legacy. De Super Tucano! Até TAM, Gol, Passaredo, Avianca, Webjet. De UTI aérea.
Ali, onde posso ver que o céu tem muitos tons de azul.
Eu conto estrelas no céu
Na solidão das noites sem graça
Nos quartos de hotel
como se chama essa cidade?
como se chama atenção?
De uma cidade que dorme
Enquanto a gente, infelizmente, não?"
Comecei o ano morando em um hotel. Já tinha casa, mas ainda estava lá. Mudei-me só no dia 23 de janeiro. Bem me lembro: um colchão no plástico, um fogão na caixa. Nada mais. Um sinal wireless aberto. Nada mais.
Noites vazias e quartos de hotel continuariam. Foram 83 dias. Oitenta e três longos dias longe de Brasília. Dias corridos, do norte ao sul do país. E até fora dele. Jogado em um cobertor imundo em uma terra distante que tremia. Calorento na selva. Isolado em grandes cidades.
Mas também tive dias bons longe daqui. Até o fim do ano, vão ser 33. Praia, pai, mãe, pizzas conhecidas e lembranças. Também uma ida à cidade perto. Ainda prefiro Guaramiranga.
Viajei muito esse ano. Ainda bem. Apesar de tudo, gostei.
Sempre foi bom o retorno. Sempre olharei emocionado pela janela. Ou até quando não tinha. Voei 70 vezes, de acordo com a lista precisa que já precisa de mais folhas na agenda. Desconsiderei uns voos de transporte de alimentos. Mas lembro de cada um deles. De Blackhawk. De Legacy. De Super Tucano! Até TAM, Gol, Passaredo, Avianca, Webjet. De UTI aérea.
Ali, onde posso ver que o céu tem muitos tons de azul.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Quando eu tinha 20 anos, Noblat era Bíbilia. Havia quatro tipos de jornalistas: os raros, que escreviam bem e apuravam bem; os que escreviam bem, mas apuravam mal; os que apuravam bem, mas escreviam mal; e as "grandes figuras humanas".
Hoje, não há quatro tipos de jornalistas. Hoje, hão jornalistas. Assim mesmo, no verbo mal conjulgado. Alguns com diploma, outras sem. Hão.
Frases mal escritas, nenhuma linha de pesquisa, como é mesmo o nome do oceano que separa a França do Brasil?! Hão. Moças de brinco que brilham, homens de óculos grandes. Hão.
Não há mais filosofias, vontades, ideologias. Hão frases fáceis e reclamações. Hoje eu vejo muito mais que um tipo. Nem sequer são grandes figuras.
Hão.
Hoje, não há quatro tipos de jornalistas. Hoje, hão jornalistas. Assim mesmo, no verbo mal conjulgado. Alguns com diploma, outras sem. Hão.
Frases mal escritas, nenhuma linha de pesquisa, como é mesmo o nome do oceano que separa a França do Brasil?! Hão. Moças de brinco que brilham, homens de óculos grandes. Hão.
Não há mais filosofias, vontades, ideologias. Hão frases fáceis e reclamações. Hoje eu vejo muito mais que um tipo. Nem sequer são grandes figuras.
Hão.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Rio do inglês correto, mas errôneo. Mais uma vez, o voo está embarcando. Is now boarding. Snowboardig. Imagino a prancha colorida na montanha nevada. O sorriso do turista, entre todas essas caras.
São faces de olá. São faces de adeus. São faces como a minha, de até logo. Rostos que dizem "não vou mais para o trabalho de ônibus". Mas levam horas, dias até, para voltar para casa.
Ouço os sotaques de todos os locais. Nesse caos-aeroporto-lotação de capital do Brasil em um domingo à noite. Os R puxados. Os xiados que até irritam. Nosso canto cantado.
Se contar com os dos pés, uso os dedos para quando estarei na praia. Pai, mãe, todo mundo, areia, um natal como não tive ano passado. Feriado que conquistei e que agora conto em muitos dedos.
Há pouco estive lá. Quando a porta traseira abriu, abri os pulmões e inspirei fundo aquele ar que sempre confundi com vento. Não era frio, mas refrescava. Agrádavel, meio molhado, de casa.
Mas não pisei no solo. Não saí do avião. Deveria permanecer imóvel, pois não era meu destino. Cruel. Como quem rezou demais e recebeu punição. Eu, que tinha o Makro e a Lagoa da Parangaba como locais de tristeza, vontade e esperança, naquela hora só podia me esticar e ver de longe as ruas amigas sumirem sob a asa.
Ah! Aquele destino um pouco ao Norte, um pouco ao Leste! Um tanto da minha vida, que sorte! Como mais perto do sol, mais perto de mim. Mais perto de ser feliz. Onde não é mais casa, mas para sempre será um lar.
Atrás de mim, agora, uma fila vai para lá. Vontade de apertar as mãos, um a um, e desejar boa viagem. A fila se vai. A moça de preto e vermelho mal olhas fotos. Não confere os bilhetes. Nada. Ela só recolhe os papéis, nesse caos-aeroporto-BSB. Haverá uma poltrona vazia?
Posso correr, posso fugir. Posso só depois fingir que foi engano. Mas merda, sou lúcido, Campos. Vou mesmo para Manaus.
Com muitos dedos nas mãos. E nos pés.
São faces de olá. São faces de adeus. São faces como a minha, de até logo. Rostos que dizem "não vou mais para o trabalho de ônibus". Mas levam horas, dias até, para voltar para casa.
Ouço os sotaques de todos os locais. Nesse caos-aeroporto-lotação de capital do Brasil em um domingo à noite. Os R puxados. Os xiados que até irritam. Nosso canto cantado.
Se contar com os dos pés, uso os dedos para quando estarei na praia. Pai, mãe, todo mundo, areia, um natal como não tive ano passado. Feriado que conquistei e que agora conto em muitos dedos.
Há pouco estive lá. Quando a porta traseira abriu, abri os pulmões e inspirei fundo aquele ar que sempre confundi com vento. Não era frio, mas refrescava. Agrádavel, meio molhado, de casa.
Mas não pisei no solo. Não saí do avião. Deveria permanecer imóvel, pois não era meu destino. Cruel. Como quem rezou demais e recebeu punição. Eu, que tinha o Makro e a Lagoa da Parangaba como locais de tristeza, vontade e esperança, naquela hora só podia me esticar e ver de longe as ruas amigas sumirem sob a asa.
Ah! Aquele destino um pouco ao Norte, um pouco ao Leste! Um tanto da minha vida, que sorte! Como mais perto do sol, mais perto de mim. Mais perto de ser feliz. Onde não é mais casa, mas para sempre será um lar.
Atrás de mim, agora, uma fila vai para lá. Vontade de apertar as mãos, um a um, e desejar boa viagem. A fila se vai. A moça de preto e vermelho mal olhas fotos. Não confere os bilhetes. Nada. Ela só recolhe os papéis, nesse caos-aeroporto-BSB. Haverá uma poltrona vazia?
Posso correr, posso fugir. Posso só depois fingir que foi engano. Mas merda, sou lúcido, Campos. Vou mesmo para Manaus.
Com muitos dedos nas mãos. E nos pés.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Sexo e morte. Não há qualquer outra força além disso. Há quem pense que somos só uma grande máquina controlada por genes que querem se multiplicar a qualquer custo. Antes que o tempo acabe. Prefiro acreditar que somos simples, e só. Raiva, inveja, desejo, esperança. Tanto faz. São só derivados de duas forças opostas, mais fortes, acima do que somos, acima do que conseguimos pensar.
Tentamos raciocinar trocando os nomes. Pode-se chamar de amor. Pode-se chamar de medo. Pode-se chamar de Deus. Ou de Diabo. Tanto faz, não importa. Ilusões que complicam o que é para ser fácil. O ser humano se importa com os seus limites, mas só vivencia de fato o meio.
É o caminho que importa, e não a chegada, diria alguém de olho puxado. De fato, morremos só uma vez. Multiplicamos algumas, ou nenhuma. E temos medo de ambas as coisas! "É preciso se conhecer muito bem para se multiplicar", diria O Encontro Marcado. Já a morte vem calada.
Inventamos Deus. Egoístas. Um Deus à nossa imagem e semelhança. Um Deus panacéia, amigo que indica coisas certas, mas nos conforta nas erradas. Esquecido quando conveniente, solicitado mesmo que para passar por cima dos outros.
Desejo de sexo, medo da morte. É lógico que Deus surgiria ao se olhar as estrelas. A última visão de muitos. Na boca de um animal selvagem, atravessado por uma lança, convalescente de uma doença fatal. O melhor momento, quando em posição favorável. Mas também pedras, água, terra, lençois.
Vivamos o meio. Não os extremos. Pouco importa se o hormônio controlado dos ovários torna inócuo o momento de prazer. Ou capa de borraca. Não se interessa se os hormônios aplicados na comida reduzam o tempo de vida. Pouco importa a multiplicação, pouco importa a morte.
Nada de Deus, nada de sexo. Só os segundos de prazer. E mais nada. Como trocar o suor do rosto por água pura, concluir um pensamento e, aí sim, se auto-dizer: sim, eu existo. Chegar meio do dia e encontar lugar no mundo. Olhar para as estrelas sem sangrar, nem gozar. Ver limites e o que há muito mais além deles.
Tentamos raciocinar trocando os nomes. Pode-se chamar de amor. Pode-se chamar de medo. Pode-se chamar de Deus. Ou de Diabo. Tanto faz, não importa. Ilusões que complicam o que é para ser fácil. O ser humano se importa com os seus limites, mas só vivencia de fato o meio.
É o caminho que importa, e não a chegada, diria alguém de olho puxado. De fato, morremos só uma vez. Multiplicamos algumas, ou nenhuma. E temos medo de ambas as coisas! "É preciso se conhecer muito bem para se multiplicar", diria O Encontro Marcado. Já a morte vem calada.
Inventamos Deus. Egoístas. Um Deus à nossa imagem e semelhança. Um Deus panacéia, amigo que indica coisas certas, mas nos conforta nas erradas. Esquecido quando conveniente, solicitado mesmo que para passar por cima dos outros.
Desejo de sexo, medo da morte. É lógico que Deus surgiria ao se olhar as estrelas. A última visão de muitos. Na boca de um animal selvagem, atravessado por uma lança, convalescente de uma doença fatal. O melhor momento, quando em posição favorável. Mas também pedras, água, terra, lençois.
Vivamos o meio. Não os extremos. Pouco importa se o hormônio controlado dos ovários torna inócuo o momento de prazer. Ou capa de borraca. Não se interessa se os hormônios aplicados na comida reduzam o tempo de vida. Pouco importa a multiplicação, pouco importa a morte.
Nada de Deus, nada de sexo. Só os segundos de prazer. E mais nada. Como trocar o suor do rosto por água pura, concluir um pensamento e, aí sim, se auto-dizer: sim, eu existo. Chegar meio do dia e encontar lugar no mundo. Olhar para as estrelas sem sangrar, nem gozar. Ver limites e o que há muito mais além deles.
quarta-feira, novembro 03, 2010
Natal venta Fortaleza
Mas não a é.
Não há ela
Brasília é uma estranha agora distante.
Mas com lugar que chamo de casa.
Absorto em emoções entre ser e o faça.
Neste mar eu flutuo imóvel. Meio afogado
Gosto salgado e voz de sotaque
Tendo opção, prossigo dócil
Ela, exceção a misantropia própria
Dentre caminhos passo incólume
Olho a velocidade de dia
Olho a ligeireza da noite
Anexo ao devir hoje forte
Mas não a é.
Não há ela
Brasília é uma estranha agora distante.
Mas com lugar que chamo de casa.
Absorto em emoções entre ser e o faça.
Neste mar eu flutuo imóvel. Meio afogado
Gosto salgado e voz de sotaque
Tendo opção, prossigo dócil
Ela, exceção a misantropia própria
Dentre caminhos passo incólume
Olho a velocidade de dia
Olho a ligeireza da noite
Anexo ao devir hoje forte
quinta-feira, outubro 07, 2010
A maior lição de economia que tive, na vida, foi aos dez anos. E foi uma lição doída, para não dizer odiada.
Tudo começou no dia do meu aniversário. Queria umas duas roupas, e, quem sabe, um brinquedo. Naquela época as crianças ainda queriam ganhar brinquedos - e a Mesbla resolveria tudo isso.
Mas minha mãe não queria. Ela contava o dinheiro, cuidado do cheque. Estava preocupada. Fiquei angustiado de sequer ir na parte nova do shopping, e fomos para casa.
Pouco menos de dois meses depois, lá estávamos novamente. Aniversário da minha irmã. Presente, roupa e até compramos nosso primeiro tocador de CD, aquele que conectava no AUX IN do som grande da sala.
No começo, fiquei com raiva. Depois, lembrei que o dia do meu aniversário de 10 foi histórico. Todo mundo passava o dia a multiplicar tudo por dois mil setecentos e cinquenta. Também torcia para receber uma ou outra daquelas notas novas.
Dezesseis anos depois, tenho dúvidas se alguém lembra que se ocorreram coisas boas, ou coisas ruins, tudo depende daquele 1° de Julho de 1994. Quando 2.750 virou Um.
Tudo começou no dia do meu aniversário. Queria umas duas roupas, e, quem sabe, um brinquedo. Naquela época as crianças ainda queriam ganhar brinquedos - e a Mesbla resolveria tudo isso.
Mas minha mãe não queria. Ela contava o dinheiro, cuidado do cheque. Estava preocupada. Fiquei angustiado de sequer ir na parte nova do shopping, e fomos para casa.
Pouco menos de dois meses depois, lá estávamos novamente. Aniversário da minha irmã. Presente, roupa e até compramos nosso primeiro tocador de CD, aquele que conectava no AUX IN do som grande da sala.
No começo, fiquei com raiva. Depois, lembrei que o dia do meu aniversário de 10 foi histórico. Todo mundo passava o dia a multiplicar tudo por dois mil setecentos e cinquenta. Também torcia para receber uma ou outra daquelas notas novas.
Dezesseis anos depois, tenho dúvidas se alguém lembra que se ocorreram coisas boas, ou coisas ruins, tudo depende daquele 1° de Julho de 1994. Quando 2.750 virou Um.
quinta-feira, setembro 30, 2010
Ouço vozes sobre rosto cansado. O meu.
Sou avisado de olheiras. Olho-as.
Penso em sentimento, deixado de lado. Sem tempo para abraço. Falta espaço para algo. O mundo explode, deixa para lá. Tenho felicidade, tudo bem. Passa a hora do sono, não passaram os fatos.
Tenho que mudar. Tenho que viver. Mas tudo bem. Tudo bem.
Abro o PC. Abro o arquivo. Ponho os fones de ouvido. Não é música que ouço. São falas. Olho fotos que não são minhas. Lamento cuidar do som e da cor tão bem. No rosto dos outros.
No meu cai um fio de cabelo branco.
What does it matter to ya
When ya got a job to do
Ya got to do it well
You got to give the other fella hell
Sou avisado de olheiras. Olho-as.
Penso em sentimento, deixado de lado. Sem tempo para abraço. Falta espaço para algo. O mundo explode, deixa para lá. Tenho felicidade, tudo bem. Passa a hora do sono, não passaram os fatos.
Tenho que mudar. Tenho que viver. Mas tudo bem. Tudo bem.
Abro o PC. Abro o arquivo. Ponho os fones de ouvido. Não é música que ouço. São falas. Olho fotos que não são minhas. Lamento cuidar do som e da cor tão bem. No rosto dos outros.
No meu cai um fio de cabelo branco.
What does it matter to ya
When ya got a job to do
Ya got to do it well
You got to give the other fella hell
quarta-feira, setembro 29, 2010
Perdoe-me o escatológico. O banheiro nos ensina a felicidade.
Utilizar o vaso jamais será sinônimo de prazer. Nunca. A não ser, claro, para um ou outro doente. Mas sigamos o mundo da normalidade. Nunca o desejamos. A não ser quando precisa. Quando o elevador parece demorar, quando as escadas não têm fim e o corredor comprido demais. Nessas horas, ir ao banheiro traz sorriso, traz alívio.
O ser humano está sempre desejoso por mudanças. Mudança para melhor. Um novo carro, uma casa própria, aquele CD, uma bolsa mais bonita, o computador veloz. Mas não há nada que mais desejamos que o status quo. Estar como é.
É por isso que o banheiro ensina a felicidade. Sorrimos por nada. Nada muda ali. Saímos com os mesmos compromissos, dívidas, preocupações e prazeres. Mas sorrimos. Um riso sincero, sozinho, feliz.
Como um avião no pouso de retorno. Toca a roda mas leva quase uma hora para pôr o pé na rua. Mesmo assim, às vezes tem palmas. Cansado, a mochila mais cheia peso menos na volta.
Desejamos, queremos, lutamos por mudança. Mas nada, nada, nada, nada como conseguir a vida de volta. A vida que se gosta.
sábado, setembro 18, 2010
"Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar!
Se quiser voar...."
Um texto na tela, uma conversa no fone, um vídeo na câmera, um PC a ser pronto. Toca telefone, toca telefone, toca, telefone. Dizem meu nome. Dizem meu novo nome. Pedem por meu nome.
Não sinto os pés. Desejo o fim das paredes. Desejo ter a curva como menor distância entre dois pontos. Penso no ácido jogado nos tecidos. No adiposo não corrido correndo nas veias que querem subir à testa.
Vou já voar, vou já voar. Não da janela, para o ar. Meu carimbo diz sim, sim, sim, sim.
Avaliado, rotulado se quiser voar!
Se quiser voar...."
Um texto na tela, uma conversa no fone, um vídeo na câmera, um PC a ser pronto. Toca telefone, toca telefone, toca, telefone. Dizem meu nome. Dizem meu novo nome. Pedem por meu nome.
Não sinto os pés. Desejo o fim das paredes. Desejo ter a curva como menor distância entre dois pontos. Penso no ácido jogado nos tecidos. No adiposo não corrido correndo nas veias que querem subir à testa.
Vou já voar, vou já voar. Não da janela, para o ar. Meu carimbo diz sim, sim, sim, sim.
quarta-feira, agosto 11, 2010
Je ne parle pas anglais. Un petit peu, pero no mucho.
Mas adoro algumas palavras.
FATE.
Parece com fato, mas é mais forte. É fato irrevogável, desses da vida que a chama de destino. Rima com LATE, de atrasado, passado, demodé. Melhor assim.
Curvo os pés sobre os fatos tão claros e me pergunto como não havia pensado sobre isso antes. Se parecia só uma menina, é que seria minha. Minha última, minha única. De fato, mesmo que parecesse tarde, sempre.
O nome acima do texto pago, desejado, lido e relido, agora em uma tabela com telefone e pedidos a analisar. Por mim, faríamos todos! Por mim, um turbina em cada página de jornal! Se os jatos me fizeram delirar com uma só foto, que eu hoje eu clique ENVIAR e torça para que, em algum lugar, um menino também sonhe com os olhos um pouco menos tortos que os meus.
E penso que, não, não é tarde.
Nunca é tarde se já faz parte da vida.
Seja para os papéis na minha mesa. Seja para a alegria ao abrir minha porta.
Mas adoro algumas palavras.
FATE.
Parece com fato, mas é mais forte. É fato irrevogável, desses da vida que a chama de destino. Rima com LATE, de atrasado, passado, demodé. Melhor assim.
Curvo os pés sobre os fatos tão claros e me pergunto como não havia pensado sobre isso antes. Se parecia só uma menina, é que seria minha. Minha última, minha única. De fato, mesmo que parecesse tarde, sempre.
O nome acima do texto pago, desejado, lido e relido, agora em uma tabela com telefone e pedidos a analisar. Por mim, faríamos todos! Por mim, um turbina em cada página de jornal! Se os jatos me fizeram delirar com uma só foto, que eu hoje eu clique ENVIAR e torça para que, em algum lugar, um menino também sonhe com os olhos um pouco menos tortos que os meus.
E penso que, não, não é tarde.
Nunca é tarde se já faz parte da vida.
Seja para os papéis na minha mesa. Seja para a alegria ao abrir minha porta.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Abro os olhos. Creme. Barba. Bigode. Banho. Sinto um pouco de frio e visto a primeira parte da roupa. Branco em cima, cores sólidas abaixo. Geladeira, caneca, leite, um minuto e vinte. Chocolate. Duas colheres. Bebo cereal, mastigo o leite. Olho o relógio.
Creme. Dente. Perfume. Resto da roupa. Sapato. Oi. Beijo.
Elevador. Caminho, espero, ônibus. Chego. Elevador. Oi.
Saio. Elevador. Caminho. Ônibus, espero, chego.
Elevador. Vem vindo elevador. Passos rápidos. Sorriso no rosto. Pulsação que ainda hoje insiste em subir. Só mais uns passos. Como é longo esse corredor! Chego! Sim, cheguei! Estou em casa! Dedo na sirene.
Péeem
Abre a porta. Sorrio.
E a vida faz todo o sentido.
Creme. Dente. Perfume. Resto da roupa. Sapato. Oi. Beijo.
Elevador. Caminho, espero, ônibus. Chego. Elevador. Oi.
Saio. Elevador. Caminho. Ônibus, espero, chego.
Elevador. Vem vindo elevador. Passos rápidos. Sorriso no rosto. Pulsação que ainda hoje insiste em subir. Só mais uns passos. Como é longo esse corredor! Chego! Sim, cheguei! Estou em casa! Dedo na sirene.
Péeem
Abre a porta. Sorrio.
E a vida faz todo o sentido.
Eu não anistiei ninguém.
Eu não abria uma só das grades. Não pouparia de um só choque elétrico quem ligou os fios. Tenho medo dos uniformes, mataria-os. Odeio os libertários em busca de troca de cabeças, e corte de tantos outros. Mataria-os. Todos. Todos. Todos.
Eu não anistiei ninguém.
Eu não sofri nenhum dos crimes.
Eu não tive uma só palavra apagada.
Nem sequer um sonho cancelado.
Mas tenho um país de mentes fechadas. Por quem as fechou. E por quem até hoje gostaria que assim fosse, só para ter um inimigo claro a derrotar.
Eu não anistiei ninguém.
"E tudo aquilo tudo o que eles sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são"
Eu não abria uma só das grades. Não pouparia de um só choque elétrico quem ligou os fios. Tenho medo dos uniformes, mataria-os. Odeio os libertários em busca de troca de cabeças, e corte de tantos outros. Mataria-os. Todos. Todos. Todos.
Eu não anistiei ninguém.
Eu não sofri nenhum dos crimes.
Eu não tive uma só palavra apagada.
Nem sequer um sonho cancelado.
Mas tenho um país de mentes fechadas. Por quem as fechou. E por quem até hoje gostaria que assim fosse, só para ter um inimigo claro a derrotar.
Eu não anistiei ninguém.
"E tudo aquilo tudo o que eles sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são"
Às vezes tenho a impressão que Brasília nada mais é que um bairro de Fortaleza. Um bairro meio distante, onde levo minha vida. No sábado, depois do cinema, poderia pegar um ônibus barato ou dirigir por alguns buracos até chegar onde gostaria.
Iria. Poderia. Seria.
Lembro dos dois mil e tantos quilômetros. Lembro dos amigos que não vejo em uma contagem crescente de meses. Será que eles ainda me estimam como o contrário é tao real?!
Tive meus pais. Tive meu sobrinho. Tive até sorriso de conhecer essa cidade que antes, de verdade, não conhecia. Eu me senti como lá. Até uma perna fazer barulho de quebra.
De tão perto, tão distante. Tão frágil como um corpo que se protege sob capuz e braços abraçados de desespero do que fazer. Sem saber. Sem ter muita ideia. Sem sentir a dor, mas a todo instante imaginá-la negociando entre uma dor que poderia ser fatal e o alívio de uma chegada.
Mas visto azul. Sim. Eu visto azul! E por toda aquela tarde pensei como cada revista de avião valeu por existir. No céu mais alto que já voei. No cuidado mais importante que já fiz. Ter minhas mãos mais confiáveis que qualquer instrumento médico.
Feliz aniversário pra mim. Feliz dia das mães, pra ela. Feliz por todos os dias que perdemos.
Iria. Poderia. Seria.
Lembro dos dois mil e tantos quilômetros. Lembro dos amigos que não vejo em uma contagem crescente de meses. Será que eles ainda me estimam como o contrário é tao real?!
Tive meus pais. Tive meu sobrinho. Tive até sorriso de conhecer essa cidade que antes, de verdade, não conhecia. Eu me senti como lá. Até uma perna fazer barulho de quebra.
De tão perto, tão distante. Tão frágil como um corpo que se protege sob capuz e braços abraçados de desespero do que fazer. Sem saber. Sem ter muita ideia. Sem sentir a dor, mas a todo instante imaginá-la negociando entre uma dor que poderia ser fatal e o alívio de uma chegada.
Mas visto azul. Sim. Eu visto azul! E por toda aquela tarde pensei como cada revista de avião valeu por existir. No céu mais alto que já voei. No cuidado mais importante que já fiz. Ter minhas mãos mais confiáveis que qualquer instrumento médico.
Feliz aniversário pra mim. Feliz dia das mães, pra ela. Feliz por todos os dias que perdemos.
quinta-feira, julho 08, 2010
Nunca pensei que, aos 26 anos, pulsaria por meus pais como quem pede pedido de aniversário. Eles chegam com mala e cheiro de maresia. Vem com vontade de conhecer ruas e lugares de fotos, mas têm maior prazer de estarmos, assim, com sofá e filme. E aqui, um duo feliz de gordura e calos nas mãos.
Como em um domingo à tarde de uma vida que passou. Como eu os sinto em saudade.
Percebo, mais uma vez, ser uma mistura entre a escrotização dela e a permissividade social dele. De um lado, maravilhoso humor negro e acidez gostosa, como um copo de coca-cola. Ao par, o talento de encontrar vida nas entranhas verdes de uma superquadra. Fazer o vendedor dizer obrigado, assim mesmo, em itálico, verdadeiro.
Daremos, juntos, adeus ao roxinho aos 60 mil Km e dizemos Oi ao raivosinho pegue na maternidade. Pegue com um sorriso deles que diz "eu gostaria de ser comigo, mas é bom ser seu". Agora vejo mapas rodoviários com mais coragem.
Sinto saudades, mato saudades. Traço caminhos e arrumo novas rodas para os próximos. Sempre nós dois.
Como em um domingo à tarde de uma vida que passou. Como eu os sinto em saudade.
Percebo, mais uma vez, ser uma mistura entre a escrotização dela e a permissividade social dele. De um lado, maravilhoso humor negro e acidez gostosa, como um copo de coca-cola. Ao par, o talento de encontrar vida nas entranhas verdes de uma superquadra. Fazer o vendedor dizer obrigado, assim mesmo, em itálico, verdadeiro.
Daremos, juntos, adeus ao roxinho aos 60 mil Km e dizemos Oi ao raivosinho pegue na maternidade. Pegue com um sorriso deles que diz "eu gostaria de ser comigo, mas é bom ser seu". Agora vejo mapas rodoviários com mais coragem.
Sinto saudades, mato saudades. Traço caminhos e arrumo novas rodas para os próximos. Sempre nós dois.
quarta-feira, junho 23, 2010
Que seja como Policarpo!
Veja em matas e céus um sentido de pátria. Sinta nos sotaques a beleza de diversidade. Sofra do frio, do calor, e lembre como é grande da ponta a outra. De imensidões verdes, de gigantescos azuis. E no meio o belo amaralo das praias.
Ah, as praias!
Que não me seja pecado achar mais belo os quadros que me mostram como há de ser. Cabeça, tronco, membros. Piso, teto, janelas, cenário. Acusem-me de não saber compreender o gênio. Respondo que sei reconhecer talento, e um bem-feito é sempre maravilhoso.
Longe das dúvidas provocadas, das questões postas por questionar, da beleza idiota da roda de bibicleta na entrada do salão. Afasta-me de mim este cálice. De pura bobagem e somente sangue quente.
O seio nú encanta por se esconder. E não me culpem! Quero os poemas de métrica, quero ver o cunho vernáculo do vocábulo. A beleza a ser apreciada, e não uma gosma a dizer que assim acho. Minha beleza. Meu seio em outrem.
Achar. Achem o que quiserem. Não sou moderno. E amo os hinos do Bilac.
Veja em matas e céus um sentido de pátria. Sinta nos sotaques a beleza de diversidade. Sofra do frio, do calor, e lembre como é grande da ponta a outra. De imensidões verdes, de gigantescos azuis. E no meio o belo amaralo das praias.
Ah, as praias!
Que não me seja pecado achar mais belo os quadros que me mostram como há de ser. Cabeça, tronco, membros. Piso, teto, janelas, cenário. Acusem-me de não saber compreender o gênio. Respondo que sei reconhecer talento, e um bem-feito é sempre maravilhoso.
Longe das dúvidas provocadas, das questões postas por questionar, da beleza idiota da roda de bibicleta na entrada do salão. Afasta-me de mim este cálice. De pura bobagem e somente sangue quente.
O seio nú encanta por se esconder. E não me culpem! Quero os poemas de métrica, quero ver o cunho vernáculo do vocábulo. A beleza a ser apreciada, e não uma gosma a dizer que assim acho. Minha beleza. Meu seio em outrem.
Achar. Achem o que quiserem. Não sou moderno. E amo os hinos do Bilac.
quinta-feira, junho 17, 2010
Não deixo de escrever, apenas não concluo. São frases pela metade, capítulos sozinhos de livros sem começo nem fim, pensamentos de elevador. Nego que só escrevo quando estou triste. Se só o faço por saudades, deveria fazê-lo todos os dias. É a ausência de amigo ateu, de pensamento rápido. Dos finais de semana planejados, de tanto em tão pouco tempo.
Olho no calendário e vejo os finais de semana. Acesso o mapa e tento traçar planos. Às vezes mudar paredes, em algumas ter como grande surpresa um retorno a mais. Sim. Eu me sinto mais completo, mais amado, mas além de beijos também há abraços.
Avião já não é novidade. "Vamos às instruções de segurança, mesmo se o senhor for um passageiro frequente". Eis, afinal, o ser desejado no olhar da então janela de ônibus. "Passageiro frequente". E é bom! Como é maravilhoso! Vejo nuvens e luzes e sorrio por ter sentido. Às vezes vestido de azul, às vezes não, sempre com o mesmo compromisso e fé. Azul na pele, mesmo desnudo.
E fé. A fé que faltaria nos joelhos, palavras e genuflexório. E me sobra em acreditar. Me sobra em entender. Me sobra em confiar. Confiar ao ponto de permitir até os erros para alguém.
Palavras. Palavras não exatas. Vindas tantos anos pós inventadas. Agora que não é mais a barba que diz que estou velho. É a falta dela.
Eterna presença etérea.
Olho no calendário e vejo os finais de semana. Acesso o mapa e tento traçar planos. Às vezes mudar paredes, em algumas ter como grande surpresa um retorno a mais. Sim. Eu me sinto mais completo, mais amado, mas além de beijos também há abraços.
Avião já não é novidade. "Vamos às instruções de segurança, mesmo se o senhor for um passageiro frequente". Eis, afinal, o ser desejado no olhar da então janela de ônibus. "Passageiro frequente". E é bom! Como é maravilhoso! Vejo nuvens e luzes e sorrio por ter sentido. Às vezes vestido de azul, às vezes não, sempre com o mesmo compromisso e fé. Azul na pele, mesmo desnudo.
E fé. A fé que faltaria nos joelhos, palavras e genuflexório. E me sobra em acreditar. Me sobra em entender. Me sobra em confiar. Confiar ao ponto de permitir até os erros para alguém.
Palavras. Palavras não exatas. Vindas tantos anos pós inventadas. Agora que não é mais a barba que diz que estou velho. É a falta dela.
Eterna presença etérea.
quinta-feira, abril 01, 2010
Confundo as roupas e as uso como não usava. Duas blusas, e às vezes é pouco. Quero casaco, quero fechar a janela antes de dormir.
O ventilador, fiz questão, era tão pouco e agora é imóvel. Em Brasília, máxima, 26 graus. Engraçado, em Fortaleza é a mínima.
Mas senti, senti saudades dessas ruas de carros velozes e sotaque que nunca é realmente daqui. Fiz de um canto de uma das caixas de sapato o que posso chamar de casa. Pus a mulher lá dentro, o carro ali na chuva e umas mil e tantas lembranças em caixas do bagageiro.
Olho o calendário e penso o ano como quem prende o ar. Dessa vez eu fico meses, semestres, podendo ir ao Iguatemi. Mas sem Pici Unifor. Podendo sentir frio ao sair do banho, mas não do mar.
O ventilador, fiz questão, era tão pouco e agora é imóvel. Em Brasília, máxima, 26 graus. Engraçado, em Fortaleza é a mínima.
Mas senti, senti saudades dessas ruas de carros velozes e sotaque que nunca é realmente daqui. Fiz de um canto de uma das caixas de sapato o que posso chamar de casa. Pus a mulher lá dentro, o carro ali na chuva e umas mil e tantas lembranças em caixas do bagageiro.
Olho o calendário e penso o ano como quem prende o ar. Dessa vez eu fico meses, semestres, podendo ir ao Iguatemi. Mas sem Pici Unifor. Podendo sentir frio ao sair do banho, mas não do mar.
segunda-feira, março 29, 2010
Vejo a vida hoje como um texto descritivo do passado.
Vejo as luzes da cidade, depois do Natal, e consigo achar lindo o Congresso com o amanhecer vindo aos poucos.
Vivo em endereço de numeral, pego o trânsito com cuidado para não amassar a roupa. Encontro-os, rio com tempo certo, deixo os dedos nos numerais pelos números da conta.
Como quem ainda não disse "Senhôra, sou eu", tenho os dias de elevador, supermercado, cotidiano de quem pra mim ainda mora longe. Por favor, obrigado.
Sou, eu mesmo, a pessoa estranha de longe.
O longe de onde já senti saudades. É, a terra tremeu. Senti tremer como nunca havia sentido antes. Com sono, com frio, com visa linda dos Andes, e um certo pensamento de que ia morrer.
A terra tremeu. E agora eu estou aqui.
Vejo as luzes da cidade, depois do Natal, e consigo achar lindo o Congresso com o amanhecer vindo aos poucos.
Vivo em endereço de numeral, pego o trânsito com cuidado para não amassar a roupa. Encontro-os, rio com tempo certo, deixo os dedos nos numerais pelos números da conta.
Como quem ainda não disse "Senhôra, sou eu", tenho os dias de elevador, supermercado, cotidiano de quem pra mim ainda mora longe. Por favor, obrigado.
Sou, eu mesmo, a pessoa estranha de longe.
O longe de onde já senti saudades. É, a terra tremeu. Senti tremer como nunca havia sentido antes. Com sono, com frio, com visa linda dos Andes, e um certo pensamento de que ia morrer.
A terra tremeu. E agora eu estou aqui.
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Se você me perguntar o que é o amor eu vou pedir para imaginar um carro com um casal de 20 e poucos anos dentro. A estrada está ótima. Eles vão céleres. Escutam as melhores músicas que se pode escutar. Só tem os dois dentro do carro, mas toda a parte traseira está lotada. São roupas, panelas, livros, são uma mudança. Mudança para nova vida. Mudança rumo ao futuro.
Passam de 100. O asfalto é bom. Passam vários outros, lentos, e o sonho fica mais próximo. Mas aí, nesse momento, sobe um leve cheiro de óleo, vem uma luz e um barulho estranho. Pronto. É iniciada uma contagem, no meio do nada, em que cada minuto a mais de fome e de sede trazem consigo o pensamento de "onde estaríamos agora". O sol fica mais forte, e o mecânico desconfiado fala o que é péssimo de ser falado. Há fome. Há replanejamento. E há lamentáveis "e se" que já fogem ao mapa e julgam ações da última meia hora. Dos últimos dias, meses, anos. Sete anos.
Sete anos ou cento e setenta e dois quilômetros. Nenhum padre, pastor ou juiz vai perguntar "aos sete anos ou aos 178 quilômetros". É isso amor. Pra bom ou pra ruim.
Passam de 100. O asfalto é bom. Passam vários outros, lentos, e o sonho fica mais próximo. Mas aí, nesse momento, sobe um leve cheiro de óleo, vem uma luz e um barulho estranho. Pronto. É iniciada uma contagem, no meio do nada, em que cada minuto a mais de fome e de sede trazem consigo o pensamento de "onde estaríamos agora". O sol fica mais forte, e o mecânico desconfiado fala o que é péssimo de ser falado. Há fome. Há replanejamento. E há lamentáveis "e se" que já fogem ao mapa e julgam ações da última meia hora. Dos últimos dias, meses, anos. Sete anos.
Sete anos ou cento e setenta e dois quilômetros. Nenhum padre, pastor ou juiz vai perguntar "aos sete anos ou aos 178 quilômetros". É isso amor. Pra bom ou pra ruim.
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Sinto o cheiro de sanduíche e sinto uma alegria incrível. É meu primeiro sanduíche em muitos, muitos, muitos meses. Um misto com requeijão nunca terá um sabor tão grande! O que já se passou desde o último?! Não falo desde o último sanduíche, pois tive muitos nos últimos tempos. Mas eles vinham em embalagens, pacotes, com nota, com "obrigado, senhor. PRÓXIMO!".
É meu primeiro sanduíche, na verdade, são meus dois primeiros sanduíches, em muitos meses. Sanduíche com gosto de pé no chão, bermuda, cabelo bagunçado e sentimento de "estou em casa".
Casa! Sim! Casa! Agora olho para as paredes azuis e sinto um pouco o que é casa. Deito na cama recém chegada e ainda convivo com os isopores, plásticos e papelão. Nem acredito: está acabando esse interlúdio da vida.
Ouço música e adoro pensar que agora posso simplesmente voltar a pensar com a paz de estar em casa. Penso na teoria que mais me inquieta: o autor morreu?! Isso me parece tão sensível quanto a quarta dimensão. Entendo pouco, não pesquiso muito as vezes, acredito que sim. Outras, acredito que não.
Mas ouço a música sobre cachorros e rio do trecho que parece meu dia a dia:
"Minha vida vai
Um ano contam sete
Rumo ao fim
Acho que ninguém tem dó de mim
Quase não me sobra tempo algum
Não conheço bem lugar nenhum
Fora do trabalho
Eu acho essa cidade
Tão ruim
Acho que ninguém tem dó de mim"
É meu primeiro sanduíche, na verdade, são meus dois primeiros sanduíches, em muitos meses. Sanduíche com gosto de pé no chão, bermuda, cabelo bagunçado e sentimento de "estou em casa".
Casa! Sim! Casa! Agora olho para as paredes azuis e sinto um pouco o que é casa. Deito na cama recém chegada e ainda convivo com os isopores, plásticos e papelão. Nem acredito: está acabando esse interlúdio da vida.
Ouço música e adoro pensar que agora posso simplesmente voltar a pensar com a paz de estar em casa. Penso na teoria que mais me inquieta: o autor morreu?! Isso me parece tão sensível quanto a quarta dimensão. Entendo pouco, não pesquiso muito as vezes, acredito que sim. Outras, acredito que não.
Mas ouço a música sobre cachorros e rio do trecho que parece meu dia a dia:
"Minha vida vai
Um ano contam sete
Rumo ao fim
Acho que ninguém tem dó de mim
Quase não me sobra tempo algum
Não conheço bem lugar nenhum
Fora do trabalho
Eu acho essa cidade
Tão ruim
Acho que ninguém tem dó de mim"
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Há um ano, minha vida se chama mudança. Um calendário inteiro de passar os dedos nos números com uma conta na cabeça. Uma ida ao Recife lembrando que foi lá que minha mãe mudou a vida dela. Chorei naquela volta de Guanabara como quem já sentia tudo o que vinha.
Eu andava de Guanabara, naquela época.
Mais duas idas, mais certezas do que viria. Corri. Suei. Comi bananada e passei muito gelo nos braços. Senti medo das minhas forças, mas era mais forte. Sorri. Sorri. Sorri e vibrei naquele centro histórico. Visitei o Bruno. E adorei vê-lo.
Voltei. Metade do caminho, até Natal, pela FAB. De lá, um ônibus diurno para minha terra. Como pensei ali. Já planejei todas as datas, até as de hoje. Meses de atencedência! E, ao chegar, vi o pai, a mãe e ela com o sorriso e o abraço que já parecem ser os de quando volto, hoje.
Toalhas, calças jeans e venda de móveis depois, tive minha última data. Corri sob o sol de meio dia em Quixadá. Angustiei-me com a certeza de que aquela era a última faxina. Transformei uma casinha de sonhos em uma casinha de saudades.
E, agora, cá estou. Um colcão, um fogão sem gás. E eu. Só eu. Por pouco tempo. Percorro as datas com o dedo no calendário. E minha conta é cada vez menor.
Eu andava de Guanabara, naquela época.
Mais duas idas, mais certezas do que viria. Corri. Suei. Comi bananada e passei muito gelo nos braços. Senti medo das minhas forças, mas era mais forte. Sorri. Sorri. Sorri e vibrei naquele centro histórico. Visitei o Bruno. E adorei vê-lo.
Voltei. Metade do caminho, até Natal, pela FAB. De lá, um ônibus diurno para minha terra. Como pensei ali. Já planejei todas as datas, até as de hoje. Meses de atencedência! E, ao chegar, vi o pai, a mãe e ela com o sorriso e o abraço que já parecem ser os de quando volto, hoje.
Toalhas, calças jeans e venda de móveis depois, tive minha última data. Corri sob o sol de meio dia em Quixadá. Angustiei-me com a certeza de que aquela era a última faxina. Transformei uma casinha de sonhos em uma casinha de saudades.
E, agora, cá estou. Um colcão, um fogão sem gás. E eu. Só eu. Por pouco tempo. Percorro as datas com o dedo no calendário. E minha conta é cada vez menor.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Estar só é como se todos tivessem morrido por um instante. A janela só mostra a árvore, as paredes não dizem nada, não há água, não nada. Mas, logo em seguida, descobre que lá onde seria sua casa há sorrisos, comida e animação. Desliga o som da música repetida e um dos vizinhos faz lembrar que sim, há vida. Há vida.
Há vida lá fora. Fora do casulo, fora do meu lugar. Fora do meu caixão?! Estar só é como estar morto por um instante. Pelo banho que não toma e o cheiro que o toma após um dia a rolar sem nada fazer. O sono intermitente que vai e vem, fazendo tudo, menos estar acordado. Menos estar de pé. Acorde! Levante! Faça algo! Nada. As roupas ficam jogadas no canto de uma parede.
Visto um casaco. Desço. Boa noite. Bom dia. Boa tarde. A quantidade de palavras vai se reduzindo e é um prazer ver a moça errar o preço do sanduíche só para ter uma frase a mais. "Não. É três e oitenta. Olha aqui". Ainda sei falar! Ainda sei o que é abrir a boca e emitir sons para alguém! Mas logo me preocupo que a padaria tão próxima e vazia não é minha casa, e não lembro quando escovei os dentes.
Como quieto. Vou embora pela portas dos fundos. Caridoso, o mendigo me cumprimenta. Elevador. Quarto andar. Abro a porta e já é noite escura. Deixo a escuridão me envolver. É agora, quem sabe. Deito sobre o plástico do colchão guardado para quando tiver vida. Preciso de um banho. Preciso arrumar minhas coisas. Preciso ver se vai dar certo a máquina de lavar naquele canto. Preciso fazer o tempo passar.
Levanto. Vi que o telefone tocou. Ainda bem. Ligo, e volto à vida. Ainda com gosto acre na boca. Ainda em putrefação do ser e de aroma das axilas. A barba crescida como quem esqueceu o dia a dia. Quanto tempo faz?! Dois dias. Só dois dias. Mas só mais alguns para pular da tumba. Pular e dançar qualquer música sem graça. É que meu telefone tocou. E cada item da mochila, gigantesca mochila, ganharam justificativa. Ainda bem. Um avião vai me levar. Um avião vai me salvar.
Há vida lá fora. Fora do casulo, fora do meu lugar. Fora do meu caixão?! Estar só é como estar morto por um instante. Pelo banho que não toma e o cheiro que o toma após um dia a rolar sem nada fazer. O sono intermitente que vai e vem, fazendo tudo, menos estar acordado. Menos estar de pé. Acorde! Levante! Faça algo! Nada. As roupas ficam jogadas no canto de uma parede.
Visto um casaco. Desço. Boa noite. Bom dia. Boa tarde. A quantidade de palavras vai se reduzindo e é um prazer ver a moça errar o preço do sanduíche só para ter uma frase a mais. "Não. É três e oitenta. Olha aqui". Ainda sei falar! Ainda sei o que é abrir a boca e emitir sons para alguém! Mas logo me preocupo que a padaria tão próxima e vazia não é minha casa, e não lembro quando escovei os dentes.
Como quieto. Vou embora pela portas dos fundos. Caridoso, o mendigo me cumprimenta. Elevador. Quarto andar. Abro a porta e já é noite escura. Deixo a escuridão me envolver. É agora, quem sabe. Deito sobre o plástico do colchão guardado para quando tiver vida. Preciso de um banho. Preciso arrumar minhas coisas. Preciso ver se vai dar certo a máquina de lavar naquele canto. Preciso fazer o tempo passar.
Levanto. Vi que o telefone tocou. Ainda bem. Ligo, e volto à vida. Ainda com gosto acre na boca. Ainda em putrefação do ser e de aroma das axilas. A barba crescida como quem esqueceu o dia a dia. Quanto tempo faz?! Dois dias. Só dois dias. Mas só mais alguns para pular da tumba. Pular e dançar qualquer música sem graça. É que meu telefone tocou. E cada item da mochila, gigantesca mochila, ganharam justificativa. Ainda bem. Um avião vai me levar. Um avião vai me salvar.
sábado, janeiro 23, 2010
Há pouco, gritava Kairós. Uma bem cedo, depois do café, outra mais tarde, antes do almoço, outro um pouco depois, exatamente antes do almoço, mais uma para começar a tarde e, por fim, outra para terminar as atividades diárias. Vez por outra, algumas adicionais para sair correndo, fazer ensaio com dificuldade de alinhamento ou qualquer outra coisa a mais.
Kairós, Kairós, Kairós, Kairós... Nome grego ad infinitum.
Quando ouvi, pensei que era de tribo de índios. Até parece. Todos quase iguais, andando igual, comendo igual, falando igual, morando igual. Uma igualdade um pouco desigual, mas, no fim das contas, chegamos juntos e saímos unidos. Por pouco tempo. Tempo sem mensuração, tempo não cronológico, tempo Kairós. Como a medida de amar é amar sem medida, nosso tempo junto passou sem ser medido (apesar de todos os dias eu saber quantos dias faltavam).
Mas a turma que nós fôramos seria como o é hoje. Uns pensam em ir logo para casa. Outro pensa na conta de luz. Mais um com a cabeça na lua e um último "escama" sem conseguir parar. E o grito AZUL, que já tem até mais tempo, mas só duas vezes ao dia, ainda nem sequer saiu da garganta.
E eu quero gritar. Eu preciso. Estar de cabelo raspados e a roupa suja. Ou simplesmente ter um sentido para estar longe de casa.
Tenho-o.
Kairós, Kairós, Kairós, Kairós... Nome grego ad infinitum.
Quando ouvi, pensei que era de tribo de índios. Até parece. Todos quase iguais, andando igual, comendo igual, falando igual, morando igual. Uma igualdade um pouco desigual, mas, no fim das contas, chegamos juntos e saímos unidos. Por pouco tempo. Tempo sem mensuração, tempo não cronológico, tempo Kairós. Como a medida de amar é amar sem medida, nosso tempo junto passou sem ser medido (apesar de todos os dias eu saber quantos dias faltavam).
Mas a turma que nós fôramos seria como o é hoje. Uns pensam em ir logo para casa. Outro pensa na conta de luz. Mais um com a cabeça na lua e um último "escama" sem conseguir parar. E o grito AZUL, que já tem até mais tempo, mas só duas vezes ao dia, ainda nem sequer saiu da garganta.
E eu quero gritar. Eu preciso. Estar de cabelo raspados e a roupa suja. Ou simplesmente ter um sentido para estar longe de casa.
Tenho-o.
domingo, janeiro 17, 2010
Meus amigos, eu preciso contar uma história que ontem aconteceu comigo e com o Tenente Rachid.
Estar trabalhando no frio, em plena madrugada, depois de um dia inteiro de trabalho não parece ser uma realização muito grande. Mas tem coisas que fazem a vida realmente valer à pena.
Estávamos na Base Aérea de Brasília, mais de 4 horas da manhã, e já havia sido feito o desembarque do caixão da Dra. Zilda Arns. Os jornalistas faziam perguntas diversas, e uma senhora tímida, de olhar triste, acompanhada de um rapaz chamou o Rachid pro canto e fez uma pergunta sobre os brasileiros repatriados pela Força Aérea.
Ele me chamou e eu cheguei como quem ia atender a uma jornalista, mas assim que eu falei os dois primeiros nomes a cidadã abriu um sorriso e demonstrou uma alegria realmente incríveis. Não era jornalista. Era família. Ela é madrasta de dois rapazes que sobreviveram ao terremoto no Haiti, uns dos poucos sobreviventes do prédio onde estavam. Já tinham notícia de que eles estavam bem, mas eu e o Rachid demos ali a certeza disso e, melhor, estavam vindo para o país.
Foi uma imensa, gigantesca, satisfação perceber tão claramente que cada nome em cada notícia é uma vida humana. E todo o esforço que a FAB e outras pessoas e instituições fazem em salvar quem mais precisa de ajuda é extremamente válido e necessário.
Fico muito feliz de poder lembrar disso por muitos anos e ter a certeza que mesmo distante da tragédia posso dar a minha contribuição. É quando o cansaço ganha sentido e a gente se sente simplesmente feliz.
Estar trabalhando no frio, em plena madrugada, depois de um dia inteiro de trabalho não parece ser uma realização muito grande. Mas tem coisas que fazem a vida realmente valer à pena.
Estávamos na Base Aérea de Brasília, mais de 4 horas da manhã, e já havia sido feito o desembarque do caixão da Dra. Zilda Arns. Os jornalistas faziam perguntas diversas, e uma senhora tímida, de olhar triste, acompanhada de um rapaz chamou o Rachid pro canto e fez uma pergunta sobre os brasileiros repatriados pela Força Aérea.
Ele me chamou e eu cheguei como quem ia atender a uma jornalista, mas assim que eu falei os dois primeiros nomes a cidadã abriu um sorriso e demonstrou uma alegria realmente incríveis. Não era jornalista. Era família. Ela é madrasta de dois rapazes que sobreviveram ao terremoto no Haiti, uns dos poucos sobreviventes do prédio onde estavam. Já tinham notícia de que eles estavam bem, mas eu e o Rachid demos ali a certeza disso e, melhor, estavam vindo para o país.
Foi uma imensa, gigantesca, satisfação perceber tão claramente que cada nome em cada notícia é uma vida humana. E todo o esforço que a FAB e outras pessoas e instituições fazem em salvar quem mais precisa de ajuda é extremamente válido e necessário.
Fico muito feliz de poder lembrar disso por muitos anos e ter a certeza que mesmo distante da tragédia posso dar a minha contribuição. É quando o cansaço ganha sentido e a gente se sente simplesmente feliz.
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Brasília me faz sentido, aos poucos. No bordado do colchão jogado no quarto ainda sem luz, no tempo calculado da caminhada do elevador de lá pro elevador de casa.
A cidade finge não ser cidade. Mas é. Ando pelo Setor Comercial Sul. Lá estão os skatistas, comerciantes, vagabundos, prostitutas, criança em busca de brinquedo, ladrões, fotocópias e salgados a R$ 1,50. Escondidos atrás de parede gigantesca. Beco da Poeira, Uruguaia, 25 de março. Perdidas aqui, tão perto mas que não aparecem no suposto cartão postal.
Fez-me sentido em leve caminhada. Daquelas de resolver a vida sem pressa, olhando os prédios que parecem se preparar para uma tragédia com plutônio ou algo assim. As calçadas brigadas com as ruas. Tomam próprio rumo, em um charme que às vezes dá em uma parede, ou nos faz andar mais.
E por aqui Kombi é loja, com algumas delas estacionadas oferecendo serviços. A terra que pouco vale fizeram-nos todos acreditar que vale muito, e é mais fácil a VW levar o serviço tão simples onde ele é necessário. É que o cachorro quente da 404 Sul está fechado. Seria quase uma esquina. Não era.
E na W3 quase acredito ser uma cidade de verdade. De lá, quem sabe, posso ver os prédios de onde o barro é sujo e dizem ter "águas claras". Ainda não vi essas águas. Vejo o céu tão carregado despejando trovões e raios como enfurecido de terem construído tanto concreto onde o não há seria a regra geral.
Chego à biblioteca. Biblioteca sem livros, mas boa biblioteca. Como numa festa de amigos, cada um leva o que quer. E sentam. E estudam. E estudam. E estudam. Alguns dormem. Infelizmente, pouco produzem. Só reproduzem. Reproduzem. Reproduzem. Reproduzem cada alínea com desejo de reproduzir os que já estão nos prédios caixotes ali perto. Salário, segurança, financiamentos, investimentos, morte. Um livro de literatura me parece melhor.
Mais ao fundo, os que estão nos pratos virados, chegaram aqui como quem pode ver o Executivo e o Judiciário pela mesma praça. Cada um ao seu tempo, trazem a reboque placas de carro de todos os lugares, expectativas de qualquer parte e a mesma vontade de seguir pelo Eixão rumo ao aeroporto. Sempre lotado aeroporto. De cada voo que vejo e digo "em breve, estarei em um".
Mas hoje eu não vou voar. Caminho até a rodoviária. Sono, cansaço e suor são iguais em qualquer lugar. Moça grávida que pede esmola e cheira à cola. Ao lado da gravata e do esvoaçante verde da saia bonita. Pastel, coxinha, produtos eletrônicos. La garantia soy jo. Filas dos apressados pelo descanso antes do cansaço do dia seguinte.
Vem vindo meu ônibus. Se eu perder, só amanhã. Subo e recosto na cadeira almofadada. Vem aí quase uma volta ao mundo. Quase. E ninguém, absolutamente ninguém, levantou o braço pedindo para nos acompanhar.
A cidade finge não ser cidade. Mas é. Ando pelo Setor Comercial Sul. Lá estão os skatistas, comerciantes, vagabundos, prostitutas, criança em busca de brinquedo, ladrões, fotocópias e salgados a R$ 1,50. Escondidos atrás de parede gigantesca. Beco da Poeira, Uruguaia, 25 de março. Perdidas aqui, tão perto mas que não aparecem no suposto cartão postal.
Fez-me sentido em leve caminhada. Daquelas de resolver a vida sem pressa, olhando os prédios que parecem se preparar para uma tragédia com plutônio ou algo assim. As calçadas brigadas com as ruas. Tomam próprio rumo, em um charme que às vezes dá em uma parede, ou nos faz andar mais.
E por aqui Kombi é loja, com algumas delas estacionadas oferecendo serviços. A terra que pouco vale fizeram-nos todos acreditar que vale muito, e é mais fácil a VW levar o serviço tão simples onde ele é necessário. É que o cachorro quente da 404 Sul está fechado. Seria quase uma esquina. Não era.
E na W3 quase acredito ser uma cidade de verdade. De lá, quem sabe, posso ver os prédios de onde o barro é sujo e dizem ter "águas claras". Ainda não vi essas águas. Vejo o céu tão carregado despejando trovões e raios como enfurecido de terem construído tanto concreto onde o não há seria a regra geral.
Chego à biblioteca. Biblioteca sem livros, mas boa biblioteca. Como numa festa de amigos, cada um leva o que quer. E sentam. E estudam. E estudam. E estudam. Alguns dormem. Infelizmente, pouco produzem. Só reproduzem. Reproduzem. Reproduzem. Reproduzem cada alínea com desejo de reproduzir os que já estão nos prédios caixotes ali perto. Salário, segurança, financiamentos, investimentos, morte. Um livro de literatura me parece melhor.
Mais ao fundo, os que estão nos pratos virados, chegaram aqui como quem pode ver o Executivo e o Judiciário pela mesma praça. Cada um ao seu tempo, trazem a reboque placas de carro de todos os lugares, expectativas de qualquer parte e a mesma vontade de seguir pelo Eixão rumo ao aeroporto. Sempre lotado aeroporto. De cada voo que vejo e digo "em breve, estarei em um".
Mas hoje eu não vou voar. Caminho até a rodoviária. Sono, cansaço e suor são iguais em qualquer lugar. Moça grávida que pede esmola e cheira à cola. Ao lado da gravata e do esvoaçante verde da saia bonita. Pastel, coxinha, produtos eletrônicos. La garantia soy jo. Filas dos apressados pelo descanso antes do cansaço do dia seguinte.
Vem vindo meu ônibus. Se eu perder, só amanhã. Subo e recosto na cadeira almofadada. Vem aí quase uma volta ao mundo. Quase. E ninguém, absolutamente ninguém, levantou o braço pedindo para nos acompanhar.
terça-feira, janeiro 12, 2010
"Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério".
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quinta-feira, janeiro 07, 2010
A perna dói.
E sorrio. O riso não vem de caminhada longa, mas de corte que parecia pequeno, mas é grande, mas alegra e conforta, mas não me mata, mas mata um pouco a saudade.
Mostro os dentes ao ouvir zabumba e sanfona, assim mesmo, sem triângulo, sem ser lá minha música preferida, mas só em ser perdida, como o sertão rodeado de cerrado, me agrada. vinte e cinco centavos pela lembrança do cheiro de pau d'arco.
E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Tá, tudo bem, foi à vista, sem crediário, mas foi Casas Bahia. Com aquele bonequinho que diz "sim, eu sei, eu também não sou daqui, então vem pra cá", preço baixo e satisfação depois de anos vendo propaganda da loja que não tem em Fortaleza.
Fortaleza. Como é bom pronunciá-la em cada letra. For-ta-le-za. FOR-TA-LE-ZA. Nome do meu time. Nome da minha terra. Nome certo de encontrar no site de passagem aérea.
Nome onde hoje está tudo. Mas, como eu disse, é só a lembrança do cheiro do mato. E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Em breve vou descer dos andaimes para me atirar em braços e abraços. Mesmo que a perna fique avermelhada. Mesmo que tenha ardido um pouco na hora de tomar banho. Mesmo que doa para dar uma leve caminhada.
Toda dor é válida se vale braços e abraços.
E sorrio. O riso não vem de caminhada longa, mas de corte que parecia pequeno, mas é grande, mas alegra e conforta, mas não me mata, mas mata um pouco a saudade.
Mostro os dentes ao ouvir zabumba e sanfona, assim mesmo, sem triângulo, sem ser lá minha música preferida, mas só em ser perdida, como o sertão rodeado de cerrado, me agrada. vinte e cinco centavos pela lembrança do cheiro de pau d'arco.
E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Tá, tudo bem, foi à vista, sem crediário, mas foi Casas Bahia. Com aquele bonequinho que diz "sim, eu sei, eu também não sou daqui, então vem pra cá", preço baixo e satisfação depois de anos vendo propaganda da loja que não tem em Fortaleza.
Fortaleza. Como é bom pronunciá-la em cada letra. For-ta-le-za. FOR-TA-LE-ZA. Nome do meu time. Nome da minha terra. Nome certo de encontrar no site de passagem aérea.
Nome onde hoje está tudo. Mas, como eu disse, é só a lembrança do cheiro do mato. E a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia. Em breve vou descer dos andaimes para me atirar em braços e abraços. Mesmo que a perna fique avermelhada. Mesmo que tenha ardido um pouco na hora de tomar banho. Mesmo que doa para dar uma leve caminhada.
Toda dor é válida se vale braços e abraços.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Não há hora para morrer. Não há o que dizer ao corpo enrijecido. Não adianta falar em alguém se na mesma noite vamos dormir com a certeza daquele alguém ter ficado sob cimento. É duro. É fato. E é verdade.
É verdade que a ligação telefônica poucos minutos antes ganha força. Um capricho de petit gateaux há meses é a certeza de ter feito tudo corretamente. E aquela mão que me apertou com a força dos olhos que não piscavam enriqueceu, afinal, o último olhar.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
E sinto saudades de quando era só colocar Los Hermanos e todos gostavam. Falta de só atravesar a rua e vê-la. Ausência de amigos ateus, com piadas inteligentes e belas frases de teorias malucas com o "La Conjugasion" na mão. Oui, je sens que plus ça change, plus c'est la même chose. Je le sens. Je te sens.
Aquele corpo frio me fez chorar a dor da partida. E me deu certeza de que aquele creme de galinha nunca mais será provado. Como nunca mais vai existir o tempo em que não havia pêlos nas pernas. Ou o tempo quando havia galos, noites, quintais e barba.
É verdade que a ligação telefônica poucos minutos antes ganha força. Um capricho de petit gateaux há meses é a certeza de ter feito tudo corretamente. E aquela mão que me apertou com a força dos olhos que não piscavam enriqueceu, afinal, o último olhar.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
Cheiro de flores.
E sinto saudades de quando era só colocar Los Hermanos e todos gostavam. Falta de só atravesar a rua e vê-la. Ausência de amigos ateus, com piadas inteligentes e belas frases de teorias malucas com o "La Conjugasion" na mão. Oui, je sens que plus ça change, plus c'est la même chose. Je le sens. Je te sens.
Aquele corpo frio me fez chorar a dor da partida. E me deu certeza de que aquele creme de galinha nunca mais será provado. Como nunca mais vai existir o tempo em que não havia pêlos nas pernas. Ou o tempo quando havia galos, noites, quintais e barba.
Back in US
Back in US
Back in USSR
Essa cidade é estranha. Sim. E irônica. Eis que no país de tantas praias, tantas paisagens e diversidade, muitos de todos os cantos decidem se reunir aqui, presos a serem iguais como os prédios são caixas de sapato.
E ficamos perdidos! Ficamos todos perdidos! Os que gostam da praia, percebemos, correm no asfalto de sunga e tênis. Ridículos. Não seriam tanto se o mar estivesse logo ali, mas não está.
Nos enganamos. Os prédios daquele canto me lembram a praia da infância. Naquele outro, os quase arranha céu parecem esconder um marzão entre eles. Mais para o sul, as casas fingem não ser daqui.
Não ser daqui. Poucos são. Na verdade, já a metade. Mas a outra parte que não o é tenta nomear as ruas sem nome com lembranças das terras tão distantes. Numa esquina, eis o Rio Grande do Sul. Na feira, sobe o cheiro de comida que minha avó faria.
Nas vias, avenidas e quadras, sejam elas super ou não, escorrem sotaques, costumes e placas de carro de todos os lugares. Entre concreto e asfalto, as próprias árvores também solitárias se retorcem como quem sente saudades da floresta.
E as vozes tentam se igualar como se aqui fosse um só lugar. Não é. Vejo os hipermercados um em frente ao outro e penso como deve ser difícil fazer comércio por aqui. Olho os carros parados em vagas públicas e sorrio pela ideia, e detesto a prática. Mas adoro as árvores.
Sim, senhoras e senhores, eu não sou daqui. Mas é o meu lugar. Uma cidade onde só se fala em dinheiro com o desenho de uma comuna para pensar o futuro do país. De todo um país. Toda uma nação que se encontra no aeroporto para chorar e matar as saudades de nomes de ruas, praias e temperos.
Back in US
Back in USSR
Essa cidade é estranha. Sim. E irônica. Eis que no país de tantas praias, tantas paisagens e diversidade, muitos de todos os cantos decidem se reunir aqui, presos a serem iguais como os prédios são caixas de sapato.
E ficamos perdidos! Ficamos todos perdidos! Os que gostam da praia, percebemos, correm no asfalto de sunga e tênis. Ridículos. Não seriam tanto se o mar estivesse logo ali, mas não está.
Nos enganamos. Os prédios daquele canto me lembram a praia da infância. Naquele outro, os quase arranha céu parecem esconder um marzão entre eles. Mais para o sul, as casas fingem não ser daqui.
Não ser daqui. Poucos são. Na verdade, já a metade. Mas a outra parte que não o é tenta nomear as ruas sem nome com lembranças das terras tão distantes. Numa esquina, eis o Rio Grande do Sul. Na feira, sobe o cheiro de comida que minha avó faria.
Nas vias, avenidas e quadras, sejam elas super ou não, escorrem sotaques, costumes e placas de carro de todos os lugares. Entre concreto e asfalto, as próprias árvores também solitárias se retorcem como quem sente saudades da floresta.
E as vozes tentam se igualar como se aqui fosse um só lugar. Não é. Vejo os hipermercados um em frente ao outro e penso como deve ser difícil fazer comércio por aqui. Olho os carros parados em vagas públicas e sorrio pela ideia, e detesto a prática. Mas adoro as árvores.
Sim, senhoras e senhores, eu não sou daqui. Mas é o meu lugar. Uma cidade onde só se fala em dinheiro com o desenho de uma comuna para pensar o futuro do país. De todo um país. Toda uma nação que se encontra no aeroporto para chorar e matar as saudades de nomes de ruas, praias e temperos.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
Momento velhice:
A Abigail Breslin já tem 13 anos. Isso significa que eu estou cada vez mais velho. (E que em pouco tempo ela pode me decepcionar!)
Momento nacionalista:
Falam mal dos tradutores brasileiros, mas enquanto Little Miss Sunshine é Pequena Miss Sunshine por aqui, em Portugal eles chamam de "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos". Ainda bem que foi a Globo que passou na TV aberta. Se fosse o SBT, teria , com certeza, o nome lusitano. Dizem que "Lost", na emissora do Sílvio, seria "Uma ilha muito louca".
Momento esperançoso:
"Zombieland" tende a ser um dos melhores filmes que vou ver no cinema em 2010. E não vou ver sozinho!
Momento violento:
Dá vontade de sentar o dedo na fila de "Crepúsculo", "Anoitecer", "Tardezinha", "Finzim de dia" e todos esses filmes que só o cartaz já conta tudo. O de Zombieland também conta?! Pode até contar, mas cultura zumbi é alta costura!
http://www.youtube.com/watch?v=071KqJu7WVo
A Abigail Breslin já tem 13 anos. Isso significa que eu estou cada vez mais velho. (E que em pouco tempo ela pode me decepcionar!)
Momento nacionalista:
Falam mal dos tradutores brasileiros, mas enquanto Little Miss Sunshine é Pequena Miss Sunshine por aqui, em Portugal eles chamam de "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos". Ainda bem que foi a Globo que passou na TV aberta. Se fosse o SBT, teria , com certeza, o nome lusitano. Dizem que "Lost", na emissora do Sílvio, seria "Uma ilha muito louca".
Momento esperançoso:
"Zombieland" tende a ser um dos melhores filmes que vou ver no cinema em 2010. E não vou ver sozinho!
Momento violento:
Dá vontade de sentar o dedo na fila de "Crepúsculo", "Anoitecer", "Tardezinha", "Finzim de dia" e todos esses filmes que só o cartaz já conta tudo. O de Zombieland também conta?! Pode até contar, mas cultura zumbi é alta costura!
http://www.youtube.com/watch?v=071KqJu7WVo
Ouço The Winner Is e lembro daquela maravilhosa manhã, que já faz tempo, e tão poucos meses!
Ouço-a enquanto caminho, caminho como sem fim, caminho até pensar em percorrer a longa estrada só à pé. E vejo avião ao meu lado. E do outro. E sobre o viaduto acima da cabeça.
Vou só pela rua feita para ser só, sem ligar quase nada a nenhum lugar. Vou bem. Vou bem. Há pouco fiz o caminho à noite, sem luz, sem roupa pro frio, sem qualquer abraço na hora de nem poder dizer "cheguei".
E mesmo que a noite tenha sido salva, mesmo que o plano telefônico salve a minha alma, mesmo que o tênis sujo seja só uma lembrança da juventude que já passou, ainda olho para aquela figura na parede e nada sinto. Nada. Indiferente.
A festa é para todos nós. E é só uma festa. É só comida, presentes, e felicidade. Nada além. Nada.
E às vezes isso me dói na hora de andar pela rua, sozinho. Não por medo. É que essa rua não vai até longe. Para lá, preciso das asas, das turbinas, da autorização para decolar.
Eu não acredito. Definitivamente, e ainda mais, eu não acredito. E assim, na hora ter a noite salva, de fechar os olhos e ouvir a voz lá de longe, de ver a terra sumir depois da nuvem, eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo.
E uma vida só me basta.
Ouço-a enquanto caminho, caminho como sem fim, caminho até pensar em percorrer a longa estrada só à pé. E vejo avião ao meu lado. E do outro. E sobre o viaduto acima da cabeça.
Vou só pela rua feita para ser só, sem ligar quase nada a nenhum lugar. Vou bem. Vou bem. Há pouco fiz o caminho à noite, sem luz, sem roupa pro frio, sem qualquer abraço na hora de nem poder dizer "cheguei".
E mesmo que a noite tenha sido salva, mesmo que o plano telefônico salve a minha alma, mesmo que o tênis sujo seja só uma lembrança da juventude que já passou, ainda olho para aquela figura na parede e nada sinto. Nada. Indiferente.
A festa é para todos nós. E é só uma festa. É só comida, presentes, e felicidade. Nada além. Nada.
E às vezes isso me dói na hora de andar pela rua, sozinho. Não por medo. É que essa rua não vai até longe. Para lá, preciso das asas, das turbinas, da autorização para decolar.
Eu não acredito. Definitivamente, e ainda mais, eu não acredito. E assim, na hora ter a noite salva, de fechar os olhos e ouvir a voz lá de longe, de ver a terra sumir depois da nuvem, eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo. Eu me sinto vivo.
E uma vida só me basta.
domingo, dezembro 20, 2009
Não é só liquidificador e bermuda. A ausência tem muitos nomes. Vazio. Sozinho. Calado. Desfruição?!
É quando o livro perfeito é o peso na mão, o trabalho bem pensado não sai em palavras mal escritas. E o passado que queria mudar é invejado, e o futuro que quer sem forças para levantar de manhã.
Ainda bem! Ainda bem! Ainda bem que amanhã é segunda-feira. Ou me levanto por querer, ou vão me ligar para perguntar o que houve. Em uma semana, estarei de cinto de segurança e feliz por retornar. Retornar à vida.
Ou eu me levanto por querer, ou vão me levantar. Mas em uma semana eu vou estar de volta à vida.
É quando o livro perfeito é o peso na mão, o trabalho bem pensado não sai em palavras mal escritas. E o passado que queria mudar é invejado, e o futuro que quer sem forças para levantar de manhã.
Ainda bem! Ainda bem! Ainda bem que amanhã é segunda-feira. Ou me levanto por querer, ou vão me ligar para perguntar o que houve. Em uma semana, estarei de cinto de segurança e feliz por retornar. Retornar à vida.
Ou eu me levanto por querer, ou vão me levantar. Mas em uma semana eu vou estar de volta à vida.
domingo, dezembro 06, 2009
"Me explica
havia você e o céu
Havia você e o mar
Já não há"
Prendo o fôlego e olho o calendário. Falta pouco, falta muito pouco. Antes ouvia isso para muitos, hoje olho pra mim e repito, baixinho, antes de dormir ou na hora de tanto acordar com a certeza do deitar sem braços.
A vida prossegue na mesa ao lado. Até na cama ao lado. E falo com os demais e ouço sobre "saudade" e "distância" dos Afonsos à Copa, de São Paulo ao Rio, da Asa Sul à Norte; mas meus bilhetes exigem mais que uma hora de antecedência, são os momentos sem fim da contagem regressiva alegre, ao vir, e tão triste, ao ir.
Mas penso no azul e penso em uma futura casinha. Uma nova futura casinha. Onde poderei fazer minha bagunça. Verde. E roxa. E poderei, sim, poderei, sair de chinelo no dedo e cabelos revoltados. Como casei, como sempre sou.
havia você e o céu
Havia você e o mar
Já não há"
Prendo o fôlego e olho o calendário. Falta pouco, falta muito pouco. Antes ouvia isso para muitos, hoje olho pra mim e repito, baixinho, antes de dormir ou na hora de tanto acordar com a certeza do deitar sem braços.
A vida prossegue na mesa ao lado. Até na cama ao lado. E falo com os demais e ouço sobre "saudade" e "distância" dos Afonsos à Copa, de São Paulo ao Rio, da Asa Sul à Norte; mas meus bilhetes exigem mais que uma hora de antecedência, são os momentos sem fim da contagem regressiva alegre, ao vir, e tão triste, ao ir.
Mas penso no azul e penso em uma futura casinha. Uma nova futura casinha. Onde poderei fazer minha bagunça. Verde. E roxa. E poderei, sim, poderei, sair de chinelo no dedo e cabelos revoltados. Como casei, como sempre sou.
quarta-feira, novembro 18, 2009
Pensava no dia 16. Pensava que cinco antes eu ganhava os ares e escrevia palavras bonitas sobre o azul. Lembrava que um ano antes, com aquela certeza que não soube de onde vinha, não, eu sabia, sabia muito bem, acordei cedo e tranquilo. Saí de casa para hoje vestir azul.
E voava, neste dia 16, sem saber se o voo voava de ida, ou de volta. E a lista na minha agenda cresce só com a incerteza do nome dos lugares que anoto quando estou em viagem. Nas primeiras páginas, está lá um endereço que já não exite mais. Lugar de lembranças de quando como havia galos, noites e quintais; barbas; cabelos desgrenhados; sonhos em flexões de braço e convites de casamento à quatro mãos já de alianças.
Onde posso chamar de "casa", sou uma lembrança antiga em um retrato quase formal na sala. A expectaviva por ouvir o que fui ouvir, sentir o que havia a sentir, e, de surpresa, correr para o hospital cotendo o sangue vivo sobre os olhinhos fechados que assim permaneceram até bater a testa no canto da piscina.
Sim, ele vive. Sim, ela vive. E se o sangue correu o sangue do meu carro que corre longe de mim, é que ali naquele ponto do mapa há algo. Algo pra mim.
E voava, neste dia 16, sem saber se o voo voava de ida, ou de volta. E a lista na minha agenda cresce só com a incerteza do nome dos lugares que anoto quando estou em viagem. Nas primeiras páginas, está lá um endereço que já não exite mais. Lugar de lembranças de quando como havia galos, noites e quintais; barbas; cabelos desgrenhados; sonhos em flexões de braço e convites de casamento à quatro mãos já de alianças.
Onde posso chamar de "casa", sou uma lembrança antiga em um retrato quase formal na sala. A expectaviva por ouvir o que fui ouvir, sentir o que havia a sentir, e, de surpresa, correr para o hospital cotendo o sangue vivo sobre os olhinhos fechados que assim permaneceram até bater a testa no canto da piscina.
Sim, ele vive. Sim, ela vive. E se o sangue correu o sangue do meu carro que corre longe de mim, é que ali naquele ponto do mapa há algo. Algo pra mim.
quarta-feira, novembro 11, 2009
E ainda acordo algumas noites perdido no espaço e no tempo. Como quem vai levantar e pegar o zero onze, ou o zero vinte-e-nove, ou o zero-trinta. Ou um zero-sete-cinto, com faixa vermelha, que traz o sorriso do frio que hoje até atormenta.
Paredes em torno, nem tão esquisitas. A saudade como uma variável a ser administrada com uma força acima do normal, senão a ponte arrebenta do lado de lá. O calendário vai chegando ao fim.
Das fotos, lembranças do futuro. Lembrar que virá.
Paredes em torno, nem tão esquisitas. A saudade como uma variável a ser administrada com uma força acima do normal, senão a ponte arrebenta do lado de lá. O calendário vai chegando ao fim.
Das fotos, lembranças do futuro. Lembrar que virá.
sexta-feira, outubro 23, 2009
A doce dor de uma tarde livre. A estranha agonia de querer ver dias livres, mas vê-los e precisar olhar para semanas seguintes. Nunca ninguém vos disse, senhores, que seria fácil. E eu me faço sempre de difícil! O que quero, o que espero, o que almejo; o que me mata.
Mas mata e dá vida. Dá a vida como a dor do câncer que consome, cansa, destroça; e valoriza. Valoriza cada segundo. Cada frase em sinal fraco que não trazem nada além do previsto - era previsível ser assim.
E o sono que não mais quer vir quando a cidade dorme lá fora. Estranho dizer "bom dia" quando ainda é noite, "boa noite", quando é de tarde. E o telefone toca, e tudo muda. Tudo. Tudo muda. A dor pode ser só em um ponto. A esperança pode existir. E, quem sabe, eu possa até sorrir.
Mas mata e dá vida. Dá a vida como a dor do câncer que consome, cansa, destroça; e valoriza. Valoriza cada segundo. Cada frase em sinal fraco que não trazem nada além do previsto - era previsível ser assim.
E o sono que não mais quer vir quando a cidade dorme lá fora. Estranho dizer "bom dia" quando ainda é noite, "boa noite", quando é de tarde. E o telefone toca, e tudo muda. Tudo. Tudo muda. A dor pode ser só em um ponto. A esperança pode existir. E, quem sabe, eu possa até sorrir.
segunda-feira, outubro 12, 2009
Vejo os raios distantes de terra estranha. Olho e sei que estão ao sul. É que giro, vou, alcanço e sempre sei para onde olhar. Algo entre o Norte e o lado de onde vem o sol. Onde há mais que ondas tortas e tranquilidade. Há lembranças nas ruas, chances de ver conhecido em esquina. Onde há, veja só, esquinas.
E minha vó que já não é mais que ossos me liga a sobrenomes estranhos que posso chamar de família. Lembro do pé de cajaembú. E gosto! Como gosto! Como agora adoro as comidas antes sem graça, antes sem cor, antes sem marca. Agora a lembrança que explica meu modo de falar e o vazio do olhar que pode se tornar lacrimoso à lembrança do gosto de uma panela só ao fogo com arroz e feijão.
Mas abro o jornal e as letras miúdas com tantos números me dizem que um dia vou saber, quem sabe, o que é uma casa. Uma cama não sei qual para deitar e novos sonhos. Doida arte de sonhar. A gente faz planos, realiza, e depois fica se sentindo perdidão.
Daí vem a saia ao lado. E as saias são sempre muito mais que baús da felicidade. Se singular, é ela por si só.
E minha vó que já não é mais que ossos me liga a sobrenomes estranhos que posso chamar de família. Lembro do pé de cajaembú. E gosto! Como gosto! Como agora adoro as comidas antes sem graça, antes sem cor, antes sem marca. Agora a lembrança que explica meu modo de falar e o vazio do olhar que pode se tornar lacrimoso à lembrança do gosto de uma panela só ao fogo com arroz e feijão.
Mas abro o jornal e as letras miúdas com tantos números me dizem que um dia vou saber, quem sabe, o que é uma casa. Uma cama não sei qual para deitar e novos sonhos. Doida arte de sonhar. A gente faz planos, realiza, e depois fica se sentindo perdidão.
Daí vem a saia ao lado. E as saias são sempre muito mais que baús da felicidade. Se singular, é ela por si só.
quinta-feira, outubro 01, 2009
Há quatro rostos para quatro computadores. Sorriem de fones de ouvido e às vezes falam para o nada. Há outro ali perto, com livro. Outros dois matam a fome. Sem pressa. Faz um barulho de avião ao longe. Sorrio. Para mim, é música. Música antiga. Música boa. Música que sempre gostei. Música que agora é minha casa.
Estou onde quis. Não que seja perfeito. "É da Globo". "Qual Globo?!". Agora, há mais de uma. Não! Não sou dos que aparecem! Sou dos que fazem questão de ficar longe do vídeo, longe da foto, longe do discurso bonito que, talvez, eu mesmo escrevi. Ali, meio de lado. A autoridade necessária, a obediência esperada.
E alguém me fala que isso aqui não é para quem gosta de "aviãozinho", é pra quem "é bom", eu digo que sim. Que posso ser bom. Digo que o mundo é muito maior agora. Mas sei quem sou. E também sei, com toda força, que quando a gente se pega sorrindo pelo trabalho que acaba de receber, quando AMA o que faz, quando AMA sobre o que escreve, a cadeira fica macia e por mais que canse, no fim do dia, pensar... Estou aqui. Estou onde quis estar. Meu lugar.
Lugar longe. Lugar que dói. Lugar de estar perdido. Ruas que não sei o nome - é que elas não os têm. Rostos desconhecidos no corredor - e tantos "boa tarde", "bom dia", "obrigado" que trocaria por uma só conversa amiga.
E saudades. E saudades. E saudades. Saudades do que ficou há tempos, mas sempre esteve cá comigo. Saudades do que parecia novo, e hoje é antigo. Um viver que parece um eterno adeus. Datas que tanto trazem, tanto levam! De quando a gente conta os dias pros dias passarem logo, só para depois sentir falta deles.
E dentre tantos sentimentos, lembro do suco de goiaba dos almoços só com a minha mãe. Quando morava a dois quarteirões e já era longe. De uma passagem de luxo trocada por duas simples só porque eu queria ver a estrada. Da estrada de dois mil setecentos e setenta e cinco quilômetros muito bem contatos, seis gols e fotos que não sei onde estão - mas nunca, nunca, nunca vou esquecer do meu pai. E hoje só tenho uma foto deles.
E basta-me. Qualquer avenida dupla sem nenhum carro passando por ser minha casa se eu fecho os olhos e sinto aquele vento que só tem lá.
Estou onde quis. Não que seja perfeito. "É da Globo". "Qual Globo?!". Agora, há mais de uma. Não! Não sou dos que aparecem! Sou dos que fazem questão de ficar longe do vídeo, longe da foto, longe do discurso bonito que, talvez, eu mesmo escrevi. Ali, meio de lado. A autoridade necessária, a obediência esperada.
E alguém me fala que isso aqui não é para quem gosta de "aviãozinho", é pra quem "é bom", eu digo que sim. Que posso ser bom. Digo que o mundo é muito maior agora. Mas sei quem sou. E também sei, com toda força, que quando a gente se pega sorrindo pelo trabalho que acaba de receber, quando AMA o que faz, quando AMA sobre o que escreve, a cadeira fica macia e por mais que canse, no fim do dia, pensar... Estou aqui. Estou onde quis estar. Meu lugar.
Lugar longe. Lugar que dói. Lugar de estar perdido. Ruas que não sei o nome - é que elas não os têm. Rostos desconhecidos no corredor - e tantos "boa tarde", "bom dia", "obrigado" que trocaria por uma só conversa amiga.
E saudades. E saudades. E saudades. Saudades do que ficou há tempos, mas sempre esteve cá comigo. Saudades do que parecia novo, e hoje é antigo. Um viver que parece um eterno adeus. Datas que tanto trazem, tanto levam! De quando a gente conta os dias pros dias passarem logo, só para depois sentir falta deles.
E dentre tantos sentimentos, lembro do suco de goiaba dos almoços só com a minha mãe. Quando morava a dois quarteirões e já era longe. De uma passagem de luxo trocada por duas simples só porque eu queria ver a estrada. Da estrada de dois mil setecentos e setenta e cinco quilômetros muito bem contatos, seis gols e fotos que não sei onde estão - mas nunca, nunca, nunca vou esquecer do meu pai. E hoje só tenho uma foto deles.
E basta-me. Qualquer avenida dupla sem nenhum carro passando por ser minha casa se eu fecho os olhos e sinto aquele vento que só tem lá.
domingo, agosto 30, 2009
"Eu me lembro muito bem do dia em que eu cheguei
Jovem que desce do norte pra cidade grande
Os pés cansados e feridos de andar legua tirana...
E a lágrima nos olhos de ler o Pessoa
e de ver o verde da cana..
Em cada esquina que eu passavaum guarda me parava,
pedia os meus documentos e depois sorria,
examinando o três-por-quatro da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha.
Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade,
disso Newton já sabia!
Cai no sul grande cidade
(...)
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar,
mas a mulher, a mulher que eu amei
não pode me seguir não
esses casos de familia e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso o sol não é tao bonito pra quem vemdo norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu diae pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizera minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como, como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora. Eu sou como você."
Jovem que desce do norte pra cidade grande
Os pés cansados e feridos de andar legua tirana...
E a lágrima nos olhos de ler o Pessoa
e de ver o verde da cana..
Em cada esquina que eu passavaum guarda me parava,
pedia os meus documentos e depois sorria,
examinando o três-por-quatro da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha.
Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade,
disso Newton já sabia!
Cai no sul grande cidade
(...)
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar,
mas a mulher, a mulher que eu amei
não pode me seguir não
esses casos de familia e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso o sol não é tao bonito pra quem vemdo norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu diae pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizera minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como, como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora. Eu sou como você."
sábado, agosto 15, 2009
"Incorporando-me à Força Aérea Brasileira
Prometo cumprir rigorosamente
as ordens das autoridades
A que estiver subordinado
Respeitar os superiores hierárquicos
Tratar com afeição os irmãos de arma
E com bondade os subordinados
E dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria
Cuja honra, integridade e instituições
Defenderei
com o sacrifício da própria vida"
Prometo cumprir rigorosamente
as ordens das autoridades
A que estiver subordinado
Respeitar os superiores hierárquicos
Tratar com afeição os irmãos de arma
E com bondade os subordinados
E dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria
Cuja honra, integridade e instituições
Defenderei
com o sacrifício da própria vida"
terça-feira, agosto 11, 2009
Não sei ao certo quais partes do meu corpo doem. Na realidade, seria até mais fácil listar as que não doem. Mas não é isso o que me importa.
O que sei, agora, e tão somente só agora, é que entre o estive e o estou houve suor, sonho e esforço. Uma fé em si mesmo que só existe porque não há ser só. A certeza de que não sou. A certeza de que somos.
Que entre a fraqueza e o chão há braços amigos. Entre o medo e a realização há gritos de incentivo. De perdidos entre pedras e matagais, sem fôlego e sem forças; temos ânimo para cantar à pátria e às asas.
E mesmo que o sono tenha ficado para depois, que a lama seque no corpo e que haja mais dias que banhos; na hora da alegria há abraços. Há conquista. Há a certeza.
Certeza. Certeza de que mesmo quanto tudo parecer incerto, difícil, impossível... ...nada disso o é. Porque às vezes parece que não posso absolutamente nada. Mas SEMPRE podemos absolutamente tudo. Absolutamente TUDO.
E sorrio. Algum dedo do pé não dói mais. Um ou dois deles.
O que sei, agora, e tão somente só agora, é que entre o estive e o estou houve suor, sonho e esforço. Uma fé em si mesmo que só existe porque não há ser só. A certeza de que não sou. A certeza de que somos.
Que entre a fraqueza e o chão há braços amigos. Entre o medo e a realização há gritos de incentivo. De perdidos entre pedras e matagais, sem fôlego e sem forças; temos ânimo para cantar à pátria e às asas.
E mesmo que o sono tenha ficado para depois, que a lama seque no corpo e que haja mais dias que banhos; na hora da alegria há abraços. Há conquista. Há a certeza.
Certeza. Certeza de que mesmo quanto tudo parecer incerto, difícil, impossível... ...nada disso o é. Porque às vezes parece que não posso absolutamente nada. Mas SEMPRE podemos absolutamente tudo. Absolutamente TUDO.
E sorrio. Algum dedo do pé não dói mais. Um ou dois deles.
sexta-feira, julho 31, 2009
Escuto Beach Boys.
Lembro do filme, 2 reais. Lindinho, sessão da tarde alternativa para universitários de férias. Filme, barra de chocolate, travesseiro. Wouldn't be Nice?!
Lembro daqueles dias. Lembro dos beijos. Da saudade completa de alegria repleta de banquinho e sonhos pro futuro que, voilá, são agora o presente! Alguns, feito um barco, até passado.
Sonhos de um filme de 2 reais. De duas cabeças em um travesseiro só. De beijos em colchão na sala, e daquela sala, daquele banquinho, agora, bem agora, em meus ouvidos.
Em todo lugar
Lembro do filme, 2 reais. Lindinho, sessão da tarde alternativa para universitários de férias. Filme, barra de chocolate, travesseiro. Wouldn't be Nice?!
Lembro daqueles dias. Lembro dos beijos. Da saudade completa de alegria repleta de banquinho e sonhos pro futuro que, voilá, são agora o presente! Alguns, feito um barco, até passado.
Sonhos de um filme de 2 reais. De duas cabeças em um travesseiro só. De beijos em colchão na sala, e daquela sala, daquele banquinho, agora, bem agora, em meus ouvidos.
Em todo lugar
domingo, julho 05, 2009
domingo, junho 28, 2009
O que é a liberdade?!
É ligar para casa e dizer a hora que vai chegar. É apanhar um vôo e na mesma noite a cama macia de sempre. É ir para o aeroporto e enfrentar o sono por um dia e pouco de alegria.
É também ficar, sorrir e soltar um pensamento de felicidade: hoje, o telefonema não acaba rápido!
Mas quanto mais rápido, mais rápido. Passam semanas e passam sentidos. Volvers. Firmes. E canções. Sob chuva, sob sol. Sob madrugada, sob asas.
E em mais 10 semanas, livre. Livre na liberdade que vem de graça, mas não é gratuita.
É ligar para casa e dizer a hora que vai chegar. É apanhar um vôo e na mesma noite a cama macia de sempre. É ir para o aeroporto e enfrentar o sono por um dia e pouco de alegria.
É também ficar, sorrir e soltar um pensamento de felicidade: hoje, o telefonema não acaba rápido!
Mas quanto mais rápido, mais rápido. Passam semanas e passam sentidos. Volvers. Firmes. E canções. Sob chuva, sob sol. Sob madrugada, sob asas.
E em mais 10 semanas, livre. Livre na liberdade que vem de graça, mas não é gratuita.
Soa o intervalo. Bombons, chocolates, biscoitos e pastilhas. Olho para a moça ao lado e planejo o prazer da língua.
-Você tem bala, estagiária?!
Com a caixa nas mãos, ela me responde, risonha.
-Tem 9 mm.
E sorrio. Mas militar não chama "bala". Militar chama "cartucho". Militar não ri. Nem tem qualquer prazer polissêmico.
-Você tem bala, estagiária?!
Com a caixa nas mãos, ela me responde, risonha.
-Tem 9 mm.
E sorrio. Mas militar não chama "bala". Militar chama "cartucho". Militar não ri. Nem tem qualquer prazer polissêmico.
sexta-feira, junho 05, 2009
No começo, era a estranheza. Dos planos para terça-feira como lavar roupas e ir fazer prova. Das ruas de sobe e desce e curvas e túnel e norte que era aqui, é acolá, não, é pra lá agora. Das esquinas de oito cantos de obelisco onipresente. Correr por praças, boulevares e poucos graus celsius. Às três da matina.
Nomes novos. Celular também novo e... ...como era mesmo o número lá da casa dela?! Pergunta sobre onde estarei quando nem sequer vou poder sair! Religião, espaço em branco. Branco?! Não sei como dizer a cor da cútis... Calma, eu disse cútis?! Cútis?!
Direi muitas palavras. Palavras que ainda não conheço, gestos e roupas que serão quem sou. Sem os cabelos de antes. Sem a mesma terra debaixo dos pés. Com um travesseiro que nem sei ao certo como será a partir de amanhã. E, quem sabe, até novo nome.
Mas os sonhos e amores, esses sim, são exatamente os mesmos. São minhas forças.
Nomes novos. Celular também novo e... ...como era mesmo o número lá da casa dela?! Pergunta sobre onde estarei quando nem sequer vou poder sair! Religião, espaço em branco. Branco?! Não sei como dizer a cor da cútis... Calma, eu disse cútis?! Cútis?!
Direi muitas palavras. Palavras que ainda não conheço, gestos e roupas que serão quem sou. Sem os cabelos de antes. Sem a mesma terra debaixo dos pés. Com um travesseiro que nem sei ao certo como será a partir de amanhã. E, quem sabe, até novo nome.
Mas os sonhos e amores, esses sim, são exatamente os mesmos. São minhas forças.
Arnaldo, permita-me:
"pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você
às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você"
"pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você
às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você"
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