quinta-feira, março 12, 2009

Poucas foram as coisas de três textos seguidos. E, mais ainda, mais injusto, pouco faz sentido se há uma outra muito mais profunda a ser pensada. Planejada há muito.

E essa outra, que me agonia, que me explode de alegria, que me esforço, que me contorço no dia-a-dia, é tão boba quanto o suor no rosto. Depois de tanto pensar na vida, estudo e sonho, resta o esforço mais simplório dos braços que vão e vêm 17 vezes, do abdômen contorcido 29 vezes e das pernas indo e voltando por longos 12 minutos e 2000 e quarenta metros.

Esforço tolo. Esforço recompensador. Bem mais perto que longe e não, não sou azarão. Vi as chuvas às seis da manhã e ainda assim alonguei a perna dolorida, li do carnaval agitado e, sozinho na praça outrora lotada, rebaixei meu grande amor a um controle de cronômetro e boa notícia no final.

E me perdôo por me alegrar com coincidências bobas, como placas de carro, frases soltas ou lembranças. Como uma crença dos cegos que a vida é como Lost, só que mais otimista. Se penso assim, e se devo acreditar em mim, significa que estou fraco. E preciso é de força.

Perdoem-me. Perdoem-me. Perdoem-me. Sou muito mais que músculos que com tanto amor cultivei. Mas é que meus sonhos, confesso, lembram um capacete de quem nasceu para matar, mas tem símbolos hippies. Dualidade humana.

Que meus lados não entrem em conflito. Que eu não esqueça quem eu sou. Que meu otimismo seja verdadeiro. Que os gritos na reta se tornem gritos ao final.

Que eu grite de alegria.

17, 29, 2040 e quantas vezes mais forem necessárias.

quarta-feira, março 04, 2009

Chove lá fora, está tudo bem, está tudo certo, está tudo OK, mas estou nervoso. O almoço foi gostoso, o salário está em dia, as contas, pagas. E essa expectativa.

Não sei se viajo na quarta. Não sei se viajo na terça. Sou forte ou sou fraco?! Não sei se me jogo no chão e suo até não poder mais, não sei se guardo meu corpo para a hora certa de suar. Conto os exercícios com força e garra ou faço calado, como quem não quer nada, e deixa sobrar um tiquinho sequer de energia?! Cansado, vou lá e consigo. Ciente, desisto na metade. Adivinhar as chances tentando achançar.

Olho os mapas e só vejo a distância, imaginando meu tempo. Ouço as músicas e as cancelo antes do solo final. Olho os braços e os imagino obedientes. Inicio cada frase e sinto vontade de me levantar, como quem pula o tempo. Nessa mania boba de frases curtas. Bem curtas. Curtas. Por que pular se às vezes também quero que ele não passe?! Por que pular se quero é correr?!

V-E-L-O-C-I-D-A-D-E. Já!

Arranco gritos da praça. Arranco grito dos braços. Arranco grito repressor de quando sou derrotado por minhas próprias palavras. E grito, grito, grito de assustar quando os números da contagem ou do relógio me levam ao pódio.

AHHHH!


E está tudo bem.
Está tudo certo.
Está tudo Ok.

Mas a perna treme acima, com glórias no fone de ouvido, e treme abaixo, com coragem fraca ao mesmo tempo do medo de mais nada.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Meu calo eu finjo que não tenho.
Meus olhos eu olho certo, certeiro, mesmo que embaçado, mesmo que "-é assimétrico, confirma?!". Confirma, mas diz "tudo bem, fique tranquilo". Vem tranquilizar!

E lágrima cai dos olhos de alegria dos olhos tortos, ao que parece, aprovados. E caem entre palavras embaçadas mais rápidas que sangue deixado em estado estranho, hospital restrito, mãos felizmente delicadas e mãos amigas recentes entre pernas e braços sem forças.

Cidade nem tão diferente, nem tão limpa, nem tão distante. Suficientemente grande para me achar e me perder. Suficientemente longe para no caminho me cantarem Fernanda, Duca, Gessinger, os barbados, os garotos da praia, o Corgan e o Chico, claro, com cheiro de mangue e idéias que precisei desligar para sonhar reto por olhos tortos.

De onde também caem lágrimas em ônibus. De alegria, de incerteza, de estar junto, de estar longe, de ser, pois não é que realmente sou, sensível. E foi isso que eles me cantaram.

A noite inteira.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Sonhei com a minha avó.
E ela sorria.

Olhei meu nome da lista.
E ela me ligou dizendo que sentia.

Mais alguns detalhes. Mais alguns detalhes.
Passo adiante, em frente, avante!

Obrigado, Xavantes.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Não há nada mais que me anime.
Não há mais sorriso que venha.

Deixe as louças podres.
Deixa as baratas virem.

Faz a folha dobrar sob o corpo.
Perfeito sonho ser só ter sono.

(...)

Vêm você à noite. Ou venho à tarde.
E, entre novidades, somas, um lençol, subtrações, dois corpos numa rede só, sorrisos, louças lavadas, nova receita prática e páginas de livros, somos, em plural, indivíduos novamente.

Somos nós em saudade proletária.
You say you want a revolution
Well you know

We all want to change the world


You tell me that it's evolution
Well you know

We all want to change the world



But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Boa noite! Boa noite!

São 10 horas da tarde e vamos fazer isso. So Hard! Vai já anoitecer na hora do almoço e a cama pende de lado com os números da conta.

Olha pra cá, criatura!

Até mais tarde, até mais tarde!
São 14 ônibus e volto de noite pra ver a miserávi no mesmo canto. Vai prali, rai pra lá, ramu, ramu, ramu!

E eita que tem verme na goiaba e o liquidificador liquidifica sem mixar! Então manda os recurso lá da redação que "fácil" e "difícil" era só questão de estilo e acabou foi dando medo nur minim. Bando de infiliz.

Tem casa aqui, tem cada uma lá, inda tem que casar, acho melhor esperar. Lá pra 27, lá pra fim de março, lá pra depois do barco, lá pra vê quanto que vai sobrar. Esperar lá pras banda de Quixadá, má rá pá. Se é tão longe e eu tenho o passecard vamo pra longe, sem motor e com janela.

Arriégua.

Ter dúvidas é melhor que duvidar!

terça-feira, dezembro 09, 2008

Primeira vez que voei, só pensava em uma música na voz de Roger Waters. A mesma plenitude de não ser vivo, de ter corpo, de não ter medo de quando li um livro num dia, cai no chão com um copo de vinho barato e, mais tarde, só com meu pai, vi um jogo de futebol.

E a vontade de nas cidades distantes descobrir o que há depois de cada prédio grande, numa busca que têm nomes e números estranhos com um sono que não se satisfaz nem se realiza. Olhar pra baixo em busca de sombra ou um copo d'água já quente por entre lençóis de ontem mal compreendidos pelos olhos vagos, vesgos e embaçados.

E sangrou, sangrou, sangrou meu avô que nunca morreria, e tinha certeza eu, agora morreria, mas já come carne e vê TV em silêncio no barulho que tanto ama. Não morre. Não morre. Não morre. E se não bebo mais, não fumo, e ando, tenho que ter medo de sangue?! Medo de carne podre servindo de viva, agonia, aquela agonia, descendo a virilha e saindo na ponta da agulha.

Agulhas, agulhas, agulhas, gosto acre na boca, suor, horas acordado, de olhos fechados, madrugada sem fim ao escutar as paredes e ver os sabores e cheiros. Por anos?!

Eleições para presidente. Novas moedas?! Desinteresse na sombra com pedaços de pano que vão embora e antes davam prazer. E antes ainda davam medo de formas disformes ou precisas como marcar a hora do último suspiro ou se trancar na geladeira vendo ferro e fogo dos céus.

Céus, céus, céus. Para onde não vou. Da vertigem, dor de cabeça de pouco ar, medo e olhos imprecisos de quem não voa. Boca seca. E um copo d´água vazio ao lado. Tantas cortinas e um telefone sem números.

Até logo, até logo. É quase hora do almoço.

sábado, novembro 08, 2008

Orkut:
"Sorte de hoje: Você é o próximo a ser promovido na sua empresa"

Álvaro de Campos:
"Merda! Sou lúcido"

E o post vai curto que o trabalho não acabou. Sábado, 16 horas e 42. O 16 do F-16 aberto à visitação a menos de 500 quilômetros de mim, mas só pelos próximos 18 minutos. O 42 do sentido de vida.

Garçom, ou sei lá quem, traz conta.
Quanto dá?! Quando dará?!

segunda-feira, novembro 03, 2008


A diferença é o que temos em comum. Nossa diferença.

Pés rápidos de um lado; música instrumental aqui; o que será, que será, por trás daquela pose e óculos quadrado que ainda ousa dizer ficar melhor em mim?! Iogurte, ou iorgute, como diríamos por aqui, ou no Piauí, aqui, ao lado do pão de queijo; refrigerante zero, um pouco de guaraná, carne moída e um chocolate, logo ali. Como será, será, será, dos que levam feijão e dois quilos de café?!

Eu não. Eu não.

Calculo o leite por dias só, seja só sem ela aqui, seja só sem ela lá. Ganhei, neste mês, de 10 a 2. No próximo, levo de goleada.Contas de centavos. Trôco do bombom e o almoço, se tão barato, não é almoço não, é lanche... Juízo!

Casa perto, casa longe; com janelas, mas sem praça. Antidesengordurante já tenho, água, nem sempre. Hora colocar água de radiador?! Não, não mais. Casar. Sim, sim, sim. Já é. E será.

E vejo leite em uma caneca só. Chocolate em pó, saudades. Futuros. Com Pouca Vogal, uma panela de queijo derretido pedindo atenção e esses sons lentos de viola rápida.

Passos lentos, já agora. Peso da leveza de uma linha tênue sem assinatura, sendo Leite só, sem sequer duas canecas para água. Tênue e forte. Como o chocolate em pó, nosso.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Esse silêncio de mais de mês.
Mês?!

Outubro, de tantas alegrias, tantas tristezas, tanta vida e tanta morte.

Vá embora!

segunda-feira, setembro 29, 2008

É irritante o velho comentário: "O livro é melhor".

Todas as vezes que vejo um filme baseado em um livro e, geralmente, um livro bem conhecido, o debate entre "livro X filme" é de uma mediocridade notável. Com críticas tão severas ao cinema, dá vontade de dizer: "pois me dê o seu ingresso e vai ler ali no estacionamento, vai".

É óbvio que a experiência de um livro é melhor. Pra começar, a gente quase sempre lê sozinho, sem precisar fazer todo o social de ir pro cinema, quase sempre acompanhado. Ler é uma aventura que dura dias ou semanas, solitária e libertária.

Ler é ter um relacionamento íntimo com cada parágrafo. Ver um filme é sexo rápido no tempo de estada de um motel.

Cada personagem tem o rosto que o leitor quiser. A imaginação, com mais poder que as limitadas combinações de letras, dá cheiro, gosto, cor e vida. O cinema não tem cheiro, mas tem rosto. Tem sotaque. Tem uma face que estava lá, naquela outra história. Tem o som, esse sim mais irritante ainda, de quem pensa que milho estourado combina com legendas.

Mas, e daí?!

José Saramago é difícil demais para a maioria das pessoas. É longo demais para a maioria dos dias. E também é bom demais para ficar restrito somente aos que podem encher a boca, sem ninguém perguntar, que já leram o livro. E ele é bem melhor.

Mas, pelo menos, pode chegar a mais gente. E o próprio Saramago gostou, como mostra esse vídeo emocionante do diálogo entre o autor e o diretor Fernando Meireles.


sexta-feira, setembro 12, 2008

Sonhos implacáveis de suor para lágrimas. E esta preguiça, de agora, que me permite - no máximo - o mais burocrático e fácil.

Vontade do sabor dos outros. E essa receita, aqui na cabeça, com ingredientes e fazeres para meus próprios pratos entre as mesmas paredes.

Certo plano de blusa preta, calça preta e tênis de cor, feito fazer o tipo que essa barba é nova, com olhos nos horários e sem hora pela chave do no bolso. Mas ela é uma só, os relógios são decorados e a única a se impressionar do cabelo e do calçado tem minha cama como certa.

Das vontades de agradar e agradar-se; dos risos e sorrisos planejados ou eleitorais; falta água, fico fora - culpa da única chave. E antes que ouse falar de perfeito, sinto o cheiro real do nosso sabor. Agridoce.

sábado, setembro 06, 2008

Se o se for é.
Se teu se for teu.
Se o meu talvez seja daqui a pouco.

Caminhos diferentes para a mesma cidade.
Velocidade de cruzeiro e ônibus no sertão.

Dois no carro. Pratos e panelas também.

sábado, agosto 30, 2008

Glicerina.
Sim. Eu aceito.

A vós jogo toda glicerina que passou pelo couro acima da cabeça. À vós os cabelos que um dia foram cuidados, um dia descuidados, e que hoje sonho em cuidar de novo. Tanto faz, agora. Sim, meus senhores, os pêlos acima e abaixo da boca; como o suor acima da vida debaixo de qualquer tic-tac de cronômetro em corrida em voltas.

Mais que glicerina. Bem mais que glicerina. Em troca, basta, tão somente, e tão unicamente, repassarem-me essas asas de galinha.

Não fazem voar por si. Mas já dava para sorrir entre aquelas aves de olhos mais retos.

E até.

quarta-feira, agosto 27, 2008

O cantor canta em língua estranha, mas eles só pedem "forró", "forró", "forró". Não é forró, é música mal cantada, lembra a de língua estranha, mas feita para só bocas e curvas.

E lá na rua, aqui na rua, automóveis, tão velozes, queimam. Imóveis. A fumaça sobe entre as linhas mal pintadas, no chão escuro e nos buracos maus, mal tapados quando longe do muro de vermelho e números. Mesmos números dos sorrisos de estúdio e frases decoradas.

Tudo feito de palavras. Uma ou duas; não dizem nada, mas sabem o que pedem. Pedem os dedos, ver a foto e barulhinho. Pronto. Quatro anos para duas ou três palavras se desfazerem.
Volto aos nomes em letra maiúscula com um ano em seguida. A régua com manchas azuis que não desenha, sublinha. Entre Rousseau e a Rússia pós-moderna, pensar em como entender aqueles outros nomes que ainda não conheci, misturar um pouquinho com os que eu sei, e sair algo interessante. Interessante para o professor que ninguém vê. Meus colegas de todos os lugares e currículos incríveis.

Eu, estudante da UFMG.
Eu, entre as horas sentado com pontos em negro na agenda; ousando ter pontos azuis de compromissos em que faço meu horário. Eu, entre antidesengordurante e sabores de amores de mais cedo, com o pensamento em opressivas instituições democráticas de muita liberdade.

E o eu, sonhador, decidindo sonhar em se sentir um estrangeiro. Mesmo que um estranho só de sotaque. Mas entre o sonho de nudez e o sonho de uniforme.

Sentido, sim, senhor.
Não faz sentido, não senhor.
Senhor.

sexta-feira, agosto 01, 2008

O nome dela era Letícia. Correia Rodrigues, acho.

Cresceu com uma marca estranha, na bunda. Não lembra como foi, nem sequer chorou: ao som da faca e cor de sangue, só tombou mais forte entre os peitos da mãe. Essa outra, tão acostumada a ver vida crescer entre pernas de partos, via morte na pequena terra da família. Foram os dois cabras que cuidavam das cabeças e do pasto, foi-se a pouca riqueza praqueles homens de chapéu de cangaço.

Lá longe, bem longe, lá pras terras de muito mato, muita água e muito trabalho, a outra que não sei o nome, mas diz-se ter Leite ao fim, lavava roupa em um tanque maior que o Rio Nilo. Pobre dela. Como conta da lavanderia, perdeu um filho que nem sequer se decompôs em terra. Deglutido.

Relato lúcido do último ano de lucidez da mãe da minha mãe, entre promoção de Fiesta 97 0 Km e resultados de exames com vista para a escada do Center Um.
História do pai do meu pai. Das barbas incompletas bem antes que sujas de graxa e chinelas sem conceito de propriedade privada.

E eu, bisneto do irmão do devorado pela cobra, sobrinho-neto da esfaqueada por cangaceiro, criado com leite de salas de aula e motores batidos de Fuscas e Opalas, sorrio com a aprovação do Departamento de Ciências Políticas. E, por si só, isso me faz otimista.
Um mês sem textos.
31 dias sem sequer uma vírgula.

É o fim?! Apatia?! Falta vida?!

Nada. Nada. Nada. Nada disso.

Pelo contrário. É o tudo, é o plano, é o casulo.
Eu e minha apostasia.

Leite entre dentes no achocolatado de manhã cedo. Copo de água antes de dormir.

Minha apostasia em sorriso, em raiva, em ira, em felicidade.
Felicidade. Cada suspiro uma negação da certeza infalível.

E essa apostasia! Essa apostasia, cada vez mais definitiva, em cada passada sob o viaduto e sobre as dunas.

Pôr do sol.
Pedaço de pizza.

domingo, junho 29, 2008

Faz três semanas que esses pêlos crescem na cara. Totalmente impunes. Vão tomando meu rosto e escondendo o menino que ainda insiste em existir.

Aí ele pensa em querer sair para andar de bicicleta, lutar contra nazistas só com o mouse e o teclado, pular onda no mar. Não, menino, não pode. Vai tirar esses pêlos do rosto e saber quanto deu a conta de luz.

Tem e-mails para ler. Tem aqueles planos maravilhosos para colocar em prática. Tem que planejar o futuro. Tem que acreditar. Mesmo se for muito difícil, tem que acreditar.

Hoje eu já tenho litros de antidesengordurante. E uma fé ainda maior em Le Bourget.

sexta-feira, junho 13, 2008



Nós, náufragos

Treze de junho de 1983. Há exatos 25 anos, a humanidade foi além de qualquer limite antes conhecido. Naquele dia, um objeto construído pelo homem cruzava as fronteiras do Sistema de Solar pela primeira vez. Em tempos de Guerra Fria, quando uma hecatombe nuclear poderia acontecer a qualquer momento, foi um dia de esperança. Hoje, com o medo do aquecimento global, há quem ainda espere algum sinal positivo vindo do espaço.

Lançada onze anos antes para investigar o planeta Júpiter, a sonda espacial Pionner 10 começava sua segunda missão: enviar um recado da humanidade para alguma civilização extra-terrestre desconhecida. Mais ou menos como uma garrafa jogada ao mar por um náufrago.

A idéia surgiu quando a NASA percebeu que a nave poderia ir bem além de Plutão e, depois disso, seguir eternamente rumo ao infinito. Foi quando os cientistas Frank Drake, Eric Burgess e Carl Sagan, mais tarde conhecido pelo romance "Contato" e o vídeo "Pálido Ponto Azul", apresentaram a idéia. Uma placa de ouro seria afixada na antena da sonda espacial, protegida da poeira cósmica e da radiação, contendo uma mensagem de "nós estamos aqui".

Mas o que escrever para os extra-terrestres?! E como? Carl foi para casa e pensou que o melhor era fazer isso com sua esposa, Linda. Juntos, eles desenharam o que julgaram ser mais importante: um homem e uma mulher nus, em escala com as dimensões da Pionner; a localização da Terra no sistema solar e do Sol na galáxia; e uma molécula de hidrogênio, o elemento mais abundante no universo. Teoricamente, qualquer civilização inteligente entenderia o recado.

Ao que se sabe, a placa nunca foi encontrada por ninguém. A Pionner 10 manteve contato com a Terra até 23 de janeiro de 2003, quando estava a 12 bilhões de quilômetros de distância e suas baterias finalmente descarregaram. Aparentemente, nada de estranho havia acontecido. No máximo, virou um bom roteiro para filmes e games de ficção científica.

Mas a NASA também gostou da idéia. Em 1973, a Pionner 11 levou uma placa semelhante para outra missão fora do Sistema Solar. Cinco anos depois, as sondas Voyager 1 e Voyager 2 rumaram para as galáxias vizinhas com novas mensagens eventuais extra-terrestres.

Dessa vez, um disco fonográfico de cobre e ouro levava vários sons da terra. Em 90 minutos de gravação, mais tarde lançados aqui mesmo, em CD, foi feita uma seleção completa de sons como o canto dos pássaros, trovões, chuva, onda, vento, canto de baleias, músicas de diversas culturas, incluindo "Jonnhy B. Good", de Chuck Barry, e saudações em 55 línguas, entre elas o português.

Cento e quinze imagens também foram analogicamente gravadas nos discos. Mas o ser humano foi incluído só de silhueta. O problema é que, na dúvida sobre nossas mensagens serem ou não achadas por alguma civilização, os protestos na Terra foram grandes. Por conta do desenho do homem e da mulher nús, grupos conservadores acusaram os cientistas de mandarem "obscenidades" para o espaço.

O disco também ficou sem a música "Here Comes The Sun". Os Beatles gostaram da idéia. Já a gravadora EMI não gostou nem um pouco. Eles não queriam permitir que uma música fosse tocada sem que fossem pagos os direitos autorais. Nem mesmo a bilhões de quilômetros da rádio mais próxima...

quarta-feira, junho 04, 2008

Imagino quantos viram aqueles prédios, como eu vi, mas sem saber direito em qual quarto dormiriam na semana seguinte. Monstros de ferro, concreto e vidro a engolir milhões de vidas com o sonho de asfalto e cifras.

Mesmo que cifras só para o feijão e a vontade de voltar.

Teria eu, também, este sonho de falar como falo e ser acusado de sotaque arrastado?! Tirar uma lasquinha de tanto cinza, enfrentar o frio e perder-se entre o ônibus e o jantar?!

Em um metrô debaixo da terra, em avenidas anônimas, em querer tirar foto onde é só mais uma esquina pra quem passa ao lado. Impressionado com o preço de tudo, com o tanto de revistas na banca, as possibilidades, as possibilidades.

Não há concreto. Não há vidro. Não há asfalto. Não há sequer só aquele cinza sem fim no céu. São Paulo pulsa saudades nos buracos daqueles trilhos escuros, sem sequer sinal de celular.

Algo aconteceu.

Algodão no nariz, medo, lágrimas. Dizem que ele teria saudades, mas que não gostaria de nada. Só uma dor pela dor dela, e um lamento pelo será.

Seis mãos na peça de madeira barata, para virar pó, quem sabe. Palavras pouco importariam. O ouvido não escutava mais. A boca não falaria mais. O nariz, só um enfeite de face fria e fechada.

Lembranças, lembranças e uma ironia. Como poderia ser, logo assim?! Nome entre uma lista onde tanto sonhou estar, mas que tivesse início e fim. E o presente para eles mesmos, ainda tão novo, uma boa dica de que pedaço era aquele.

Nada aconteceu.

E, só depois do pouso, descobri que tive medo de avião. E não foi por mim.

quarta-feira, maio 21, 2008


Ok, vamos fazer um acordo.

Eu esqueço que o Goolge Analytics desse blog mais parece um ECG de um zumbi, e vocês fingem que eu tenho cabelo grande, uma barba um pouco mais espessa e ainda estou me encontrando.

É que eu pulso como quem pulsa pela primeira vez. Falo palavras de amor como confissões assinadas de supetão ao relento do horizonte perto. Corro quarteirões ao ritmo da fome que se desfaz ao sorriso e ao olá.

E filme de domingo a noite vira trilha sonora da semana, vontade de gostar até não poder mais e ficar na cama. Na cama. Na cama. Como que em coma. Sem querer acordar de um acordado tão bom.

Voz doce e baixa; ou alta para ser ouvida no banheiro. Eis meu grito e canto. Abraço rápido de meio-dia corrido; ou carinhoso de meia-noite sonolenta. Eis minha dança.

Mesmo sem cabelo grande, nem barba, nem grandes descobertas; esse dia-a-dia como quem descreve o que é ser feliz.

(À propósito: achei minha antiga cabeleleira. E continuo ouvindo she loves you, yeah, yeah, yeah...)

Um rato. Um cano. Um rabo.
Um intestino a ser comido.
Tortura.

Ideal. Possível. Sonhos.

A serem sonhados.

Ventura.

Bandeiras queimam.
Lágrimas marcham. Tropas escorrem.
Até ter sido sonho demais.
Pra ter sido verdade.



quinta-feira, maio 01, 2008

Amanhã era pra ser domingo.

Só mais um domingo. Um domingo vazio. De manhã sem sentido. Desde que o Senna se foi, domingo não é mais domingo.

Domingo de tarde de melancolia. Tarde vazia como batida em um poste. Noite sem notícias e tristeza por anos. Desde que o Chico se foi que domingo não tem mais cara de domingo.


Mais um daqueles dias que na hora do almoço eu lembro quando um frango e uma coca-cola de 1 litro dava para muita gente. Frango, não, galinha. Galinha com cheiro de quintal da vovó e caminho para o Veneza Tropical.

E desde que meu avô morreu, numa noite de domingo, que a segunda parece um porto seguro.

Vou morrer em um dia de domingo. Não sei se como criança de domingo. Se como velhinho com sondas, memórias e mãos-filhas em volta. Ou herói que dá sentido até em dia sem trabalho.

Tenho uma bermuda verde-limão.

Comprei como piada. Um calção de banho de inédito. Ele foi para algumas feijoadas, churrascos e aniversários. Traje básico de quem falava, falava, citava, recitava, bebia, e não sabia sequer para onde ir. Um dia, após elogio de "o Humberto sabe beber", enchi a grama de vômito e a boca de grama. O corpo no chão, a risada perdida, a lembrança pela metade e, lá longe, uma menina via. "Que decadência!". E "decadência" também era ela!

Não sabia, mas tinha conhecido dez dias antes. "Quem és tu, criatura?". Como ela odiava o boçal "quem és tu". Como ela odiava, quer dizer, odeia, o "criatura". Nem lembrei do nome um dia depois. Passou. Só mais uma interessada em frases fortes e piadas sem graça em um blog que, aquele sim, tinha muitos visitantes. Até bonitinha. Belos beiços.

Passa ano. Passa noite de sono em quadra de concreto. Sol que nasce em amigo-irmão que hoje é só conhecido. Passa, tudo passa.

Até que passou da hora daquela boate chata. Fui lá fora, encontrei outro amigo. E ela, a que me viu de bermudinha verde-limão, lá fora, enchendo o saco, ela ali, sim, bem "criatura". Perdida que nem eu, ela de um jeito, eu do outro.

Aí eu pensei, mais ou menos uns 2 meses depois: "quer saber?! Hoje eu vou ser inconseqüente! O que tiver que ser será. Eu quero é aproveitar!". Saí então feito doido, com umas gotas de perfume e 7 reais, "será que dá?", no bolso.

Passaram-se cinco anos. E agora estou em casa. Nossa casa.

Eu não bebo mais. Nem ela. A bermuda verde limão continua lá, firme e forte. E se eu quiser saber "quem és tu, criatura", eu mesmo respondo, "é minha mulher, é minha companheira". A melhor inconseqüência da minha vida. A melhor vida que eu poderia sonhar entre copos de vinho barato, frases-sinceras entre sorrisos e caminhadas sem fim.

E eu me sinto como o Jonh, no começo da carreira, sorridente e feliz.

She loves you
Yeah, yeah, yeah....

quinta-feira, abril 17, 2008

Ela diria que o "autor" morreu.

Morrer, eu não morri. Na verdade, nunca estive tão vivo. Mas se tem alguma coisa moderna, pós moderna, modernista e contemporânea, ao mesmo tudo, tudo ao mesmo tempo, agora, é escrever e ser interpretado. Livremente.

E o autor não morre. Torna-se imortal. Nem que seja para minha única comentarista. Que de comentário, vira post.

ariadnecoelho disse...
da boa surpresa da promoção da tábua que rendeu banquinhos perfeitos, que nos lembram anos 70 e muito mais.

da singela surpresa, penduradas palavras por palavras exatas, com prendedores verdes...resultado lindo e mais fofo do mundo.
e não era só isso.

a fada das roupas agora tem companhia.
elfo das roupas e do "leite da manhã".
"vem cá meu bem, que é bom te ver"
os dias andam e andam, e eu só quero fazer "tudo por você".

e obrigada por fazer tudo por mim...
meu eterno inseparável tudão com refil infinito.
meu companheiro!
amo-te.

em verde e roxo e em todas as cores que a gente quiser combinar.
de tua namorada em caixa alta e garrafal
passo a tua esposa,
grifado na "aquarela".
beijos!

5:53 PM

quarta-feira, abril 09, 2008

10 anos ou mais, em menos de um mês.

De ser só um, por desabrochar, a realizar, por planejar, por se realizar...

Realizado.

De colchão velho com dor nas costas e saudades, companhia todas as noites e copo de leite divido na manhã seguinte. Geladeira que se pinta, oba, a máquina de lavar lava, o Guarda-Roupa coube, o chão tá limpo e a Tv televisiona. Contas, contas, contas, e o resultado final de dormir feliz.

Hoje faltou água. Ontem ligamos a máquina. Amanhã comprar mais presunto e nos próximos meses, pelo visto, ter moedas contadas mas um sorriso como nunca se teve. Prateleiras, gás, mais pano de chão. Um tapete.

Ouro em um dedo e os melhores planos do mundo. A começar pelo primeiro. O primeiro litro de anti-desengordurante.

Aos 23. Quem diria? Agora eu digo. E disse sim.

"Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor
"

sábado, março 29, 2008

Tem sangue por todo canto. As mãos estão cansadas, a cabeça dói e os golpes foram até o limite.

Daqui a pouco, vão parecer muito pouco.

Na tela, a contagem de pontos. Tantos mil porque acabamos de matar o "chefão". Só mais um de tantos outros que vêm por aí.

É nova fase. E o jogo, bem longe de ser finalizado, dá é uma vontade de ir na cozinha, pegar um copo de água, e encarar o que vem por aí.

Com um sorriso no rosto sem nem saber direito quem é o Player 1 ou o 2...

terça-feira, março 18, 2008

É uma calculadora na cabeça, que esquece os números e, que alegria, pensa em dias, torcendo pelo botão de subtrair.

É um calendário em que cada tracinho são 20 anos ou mais de juízo e, que alegria, de contagem regressiva.

É também um coração apertado que pensa em hora não como as 12 do meio dia à meia noite, mas se é a hora. Se é tristeza?! Não, não é, talvez um pouco de medo. Sentimentos estranhos.

Mas como não ser estranho se são tantas coisas novas?!

Te trago as boas novas: é fim, é começo. É momento.

segunda-feira, março 10, 2008

A palavra "Preso" já não parece ser coisa muito boa.

Se no passado me remetia à "Medo", hoje penso muito mais em uma quentinha, já fria, com duas salsichas, um arroz "unidos venceremos" e um feijão que me faria chamar o gerente. Também lembro que alguns dormem no banheiro e, claro, a clara idéia de uma jaula, sem liberdade.

Perdido entre os dedos, já seria uma outra história. Pode ser um cravo - aqueles bem feios, de rosto - saindo da pele entre sangue e pus, como um parto desgraçado de quem terá martírio final num algodão, fundo do ralo da pia. Ou como os deuses mitológicos fariam com os mortais, mudando destinos jogando baralho enquanto vêem TV.

Daí vem a mitologia, vem a língua grega, vem o latim, vem a idéia de que eu posso estar preso entre dedos. Dedos não muito fortes, certamente, nem tão certos. E com virtudes. Virtudes que não cabem aqui explicar, descrever ou definir tão bem: de novidades, tornaram-se nervos.

Não de nervos à flor da pele. Tá, às vezes sim. Mas na maior parte do tempo, como a respiração, como o pulsar do peito que é, de verdade, de verdade, o que faz a gente vivo, e não por causa disso, precisa de palavras, dias ou noites. Não precisam ser grades, mas como minha altura, meu peso, o chão debaixo do pé, a ponta do fio de cada cabelo.

"You know I'm such a fool for you
You got me wrapped around your finger
Do you have to let it linger?
Do you have to, do you have to"



Constante.

É incrível que por tantos anos o nome “constante” tenha sido o desafio do X entre números e um segredo de equação descoberto só ao final do livro. Esquecendo-se de sua “constância”, torna-se instável, inexato, difícil.

Mas não. Porque nos fizeram acreditar que “constante” precisa ser como um segredo?! Ou ainda, porque o papo-física, papo-matemática, wormhole, mc² são conversa de tarde de terça-feira, e não de sábado?!

Com bons roteiristas, física faz sentido até em noite de domingo.

Mais de dez anos depois, consigo, finalmente, encontrar algo que uniu meu lado abandonado, o do físico maluco de 1° lugar na Feira de Ciências de todo o Colégio, ainda na sétima série, com o de hoje, ciências humanas, barba por fazer, questionamentos sobre amor¸ vida e inconstâncias.

Como as repostas não estariam na Constante?!

Quem seria minha constante, brotha?

sábado, março 01, 2008

Até quem me vê, contando os vales, na fila do macarrão, sabe que eu te encontrei. E ninguém dirá que é tarde demais.

Afinal, ainda sou um menino. De barba mal feita e uma filosofia para o dia: se um vegetariano vira zumbi, o que ele faz?!

Então o amigo próximo senta bem distante no ônibus, eu ligo, e nada, perco o lugar, e ganho a noite. Sou sortudo?! Sou amaldiçado?! -Sortudo, acho. É, eu também acho.

E pronto. Hoje já é sábado.

"We'll share the shelter of my single bed..."

O acaso criou o mundo. O mundo criou o homem.
O homem criou deus. Um homem matou deus.
Depois, morreu.

Daí veio o Google. E vem, dia após dia, dizer minha "Sorte de Hoje".

Disse que eu ganharia roupas novas (!!!!): mentira! No máximo, tirei do armário sapato, gravata, calça "fina" e uma pequena agonia de se perguntar: vai dar certo?! Será que vou pronunciar direitinho?! Será que eles vão gostar?!

Pelo visto, deu. E ao invés de pensar nos absurdos do universo, o sentido da vida, e tudo mais; volto para casa com uma voz agradável no ouvido, sanduiche na barriga e vontade de lençois.

Amém, meus ateus

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

"We're just two lost souls swimming in a fish bowl,
year after year,
Running over the same old ground.
What have you found?
The same old fears.

Wish you were here."

(E o "agora", aos poucos, é cada vez mais "memória")

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Queijo Coalho.

Nunca fiz muita questão de queijo coalho. É gostoso, no baião, com carne de sol, ou frito na chapa. Mas é que é mais ou menos como se o pão do sanduíche da lanchonete tem gergelim ou não. Se tiver, beleza, bonitinho, -obrigado, deve fazer bem. Se não, eu nem sinto falta.

Sentir faltar. Eis a questão. Dos oito ingredientes a serem escolhidos para acompanhar o macarrão maravilhoso, com molho branco e no azeite, -por favor, eu não podia pedir queijo coalho. Já tinha até visto no papel: -Olha, aqui não tem queijo coalho. Mas nada!

-Quais os ingredientes, senhor?!
-Queijo coalho!
-Infelizmente não temos. Quais seriam, então?!

Pedi queijo coalho. Que estranho! E, mais tarde e tantos quilômetros depois, onde sumiu o chiado e surgiu a letra E com acento circunflexo dita com todo cuidado, ê ê ê, polenta frita se tornou só uma experiência comparativa com sua prima distante, aquela tal de macaxeira.

Ainda fico com pizza. Que presta, até longe. Mais longe que o Sendas. Mais longe que os Mercadoramas escondidos atrás dos shoppings. Terras tão distantes que fazem o "Nordestão", mesmo sem ser o Extra da Parangaba, ter cheiro de casa.

Eu explico porque ainda prefiro pizza. Se já era longe, ficou mais ainda depois daquela ponte-caos, onde "ser daqui" já não era sinônimo de "Fortaleza", e sim, simplesmente, de ter Reais, quem diria, valorizadíssimos, nos bolsos. Naquela terra onde a gente pára e duvida até da autenticidade do ar que respira, e "Americanas" não é "Lojas Americanas", e sim "Casa Americana". Ali, por sorte, um pedaço de pizza, com preço em Guarany, até que foi uma boa pedida.

Eu vi o Museu Aeroespacial, vi o Pão de Açúcar, vi um lindo Jardim Botânico, quer dizer, dois, vi um bela cidade num mar de morros tão próximo do mar de água, compri promessa de levar até o telefone onde antes tive saudade, vi passeio de trem, vi casa do Rei. Também vi a beleza de gigantescas cataratas naturais e a beleza do concreto de uma gigante com cachoeiras que dão luz.

Mas na redação “Minhas Férias” deste ano, eu queria dizer que o que eu aprendi foi que se eu estou em casa, eu quero queijo coalho. Mas se eu estiver longe, até depois das placas de carro serem como eu conheço, pizza é a solução. Sempre gostosa, com queijo, umas calabresas e HumMMmMmmm.... Orégano!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Porta fechada, quarto escuro. Era tempo de ter vontade de ter olho nas costas, luz acesa sem interromper o sono, janela aberta... Ou melhor fechada?! Teria medo de um leve toque na ponta do pé debaixo do lençol, uma voz, uma luz, qualquer coisa. Uma Criatura?! Eu riria.

Temor, hoje, é uma bola de pêlos cheia de dentes e frases engraçadas que imito. Alma (alma, não: fantasma. Se é nossa conhecida, é alma. Se é dos outros, é assombração), ET, monstro, sei lá o quê.

Fica o medo de ladrão, de seringa, de seringa (mais uma vez, pra dar ênfase), colesterol, juros, cartão de crédito e crediário. Febre amarela, bêbado e manutenção precária também.

Então antes que o amor seja só nos tempos em que passar a cólera, eu abraço o sobrinho, a mulher e falo de um dia a filha. Medos vão, medos vêm: mas um quarto escuro continua sendo a melhor coisa de ter ficado grande.

Criaturas, criaturas...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Síncope

Como foi o carnaval do ano antes de você nascer?! Escolas de samba, sol, cerveja e tua não lembrança. Morrer não deve ser difícil: quem sabe só esse vazio sem pulso e amarelado das páginas de arquivo. Cheiro de mofo.

Ninguém sentiu falta antes; então saudades vão embora com quem morre com ela. Filhos, é certo. Netos, um pouco. Depois não mais. Só história.

Mas não. Eu não morri. Os lábios ficaram roxos, a pele, branca, e as unhas, geladas. Desliguei o ar condicionado. Sentei. Pedi sal. Com um cantinho do cérebro ainda deu para pensar: vou deixar saudades se esse frio for fim?! Não. Quase nada: só uma síncope.

Rápida e fugaz. Como os faróis do carro da faixa esquerda, à nossa frente, se espremendo no acostamento de olhos fechados.

Tenho fome.

Fome de dia 20, dia distante que nem sequer ficava nesse calendário. Agora era ano passado

Tenho fome de hamburguer sem óleo e macaxeira. Suco de goiaba. Talco nos meus pés e pé de cabra para o lençol. Aguardo a fome dos livros lidos nos dias ainda não passados. Aqueles dias sem sono depois do dia 20.

Calma. Sexta-feira eu entro de férias.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Se envelheci ou não dez anos ou mais neste último mês, não sei.

É certo que este blog recebe agora palavras tão perdidas no tempo quanto as árvores de Natal em janeiro. E que, se for verdade que amar é trilhar caminhos juntos, mais de 5.000 quilômetros de asfalto em menos de 30 dias me faz um felizardo.

E tão ou não semanticamente direto, escreveria sobre os três discos mais importantes do ano. Ou de um show que me fez menino de novo. Da Asa Branca no mato queimado do sertão sem fim, do Natal de árvore de rede, da folga de um dia não fazer nada, absolutamente nada. Nem sequer escrevi.

Fiz foi olhar para a janela, tomar banho de mar, prender a respiração e ver o horizonte do pôr do sol em tanto canto diferente. Com uma mão sob e sobre a minha, em silêncio e sem escrita, como a roupa bonita e o perfume escolhidos à dedo para nem sequer abrir uma porta.

Aqui ou em qualquer lugar.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ainda bem que esse mês tá acabando. Parecia que não acabaria, nunca.

Deu vontade de se desfazer de blog, de fazer o que não faria, de ficar na cama sob os gritos de despertador. Uma luta.

Mês que vem, é outro mês. Mais de 30 dias, mas com um tal sentido de amanhã.

Olhando as datas e querendo que elas virem horas. Olhando os anos e pensando que eles seriam séculos.

Tão empolgado quanto uma Ferrari à 60 Km/h. Em uma estrada asfaltada.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Dos textos que eu não terminei.
Das conquistas que eu não fiz.
Das realizações que ficam para depois.

Um sol que vem de manhã.
Uma insônia que me repulsa no fim do dia.

E um ano que acaba.
Com tudo bem.

domingo, outubro 21, 2007

Cheiro de flores. São só flores.

A boca seca pede água.
Não por álcool. O gosto azedo de um sorvete tão doce.

Cinco horas. Dezessete. Quando o sol voltar, é segunda-feira. Tenho que pegar no tranco.
1,2,3, vai!

Não vai.

Boca seca, mente sede, e água até a tampa dos pulmões. Mesmo assim, última força, para emburrar o barco.

Contra a corrente.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Leio o último Douglas Adams devagar.

Capítulo em capítulo. Como quem vai de gole em gole, torcendo para não acabar. Não tenho pressa.

Misturo as páginas com reportagens para ter mais noites com improvabilidade infinita. Mando meus vikings atacarem os celtas com cavaleiros e catapultas.

Enjoei do "yes, sir", troquei por música. Música. Das minhas bandas que já são memória. Dos anos 90 que, um a um, vão fazendo 10 anos.

Hoje é 12 de outubro, acordei 8 horas, e não estou com sono. Será que é isso o que chamam de envelhecer?!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Mais que aos céus, nessas noites é como ir célere à lua.

Da lembrança dos sorrisos ao pensar de como seria bela a idéia de ter todas as noites, estar acima, ser tudo. Mais ainda, como são boas as férias.

Entenda-me. Dentre tantos sistemas, sensores e controles, os parcos e maravilhosos momentos de mandar um beijo, um abraço e pensar em felicidade. Perfeitos.

De se esquecer de estar isolado. Nessa cápsula diminuta que me leva à lua. Com tão pouco ar que um grito ou um sorriso já podem fazer os olhos vermelhos e o peito doer.

Ar?

Daí eu lembro que, lá na lua, eu morreria em um ou dois segundos. Um só instante. Até antes, talvez, de sentar os dois pés. Sem vento. Sem ter o que comer. Tudo por poeira e pouca gravidade.

É quando bato meus dedos nesse botão vermelho, com letras amarelas, como quem dedilha uma canção. Uma das tantas que eu não sei cantar.

"Segunda-feira blues"

Nova meia. Uma calça. Olhos na agenda, tantos minutos para.

Faltam cinco dias.

Faltam tantos meses.

Passa a vida.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Sempre é uma grata surpresa quando me lêem. Escrevo aqui como quem pensa no ônibus – vai embora rápido, e teria bem mais se eu me levasse a sério.

Obrigado

Não existe, pra mim, situação mais desesperadora que estar perdido. Posso até não saber o nome das ruas nem como chegar, mas até em cidades estranhas tenho noção onde está o norte, o lugar de dormir e para onde ir. Culpa do Google.

Também não tem mais filme com segredos. Gostei do ator?! Poucas hora depois descubro que ele também fez aquele outro filme, que o diretor fazia comédias juvenis e que etc etc etc. Mal de wikipedia. AdoroCinema também é bom.

São poucas as coisas que eu me permito ainda não ter lido, nem sequer uma linha. Nem sei o nome verdadeiro de Richard Bach. Se foi piloto de verdade, se além dos livros que amo ele tem mais alguns.

Só soube pela minha mãe que ele casou e foi morar no meio do mato com a amada. Como assim?! É louco?! Não tenho muito idéia se é verdade, mas me dei conta, um dia desses, que é uma boa opção.
Atravessamos o rio de fundo de lama veloz. Olhamos as vacas, e, que pena: havia pessoas do outro lado. Talvez ainda estivéssemos lá.

quinta-feira, setembro 06, 2007

"E só de te ver
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar"


Nunca comprei uma TV. Quando ganhei paredes, olhei mais para a estante, as páginas e concluí os afazeres. Deixei de lado a chance de ver a partida, só para secar os cabelos, cheirar a blusa onde ficou teu cheiro, três ou quatro páginas antes de apagar a luz.

E eu, que nunca comprei uma TV, mais uma vez vou te levar praquela praia de ondas tortas. Mais uma vez para me ver na paz que eu tanto quero.

Amém
Lembro deles lavando as mãos de um jeito que até hoje tento imitar. Depois ri da roupa que me deram. -Mãe, tem um rasgão aqui embaixo! Um balão na ponta de um tubo. Pensaria eu, anos depois, parecia máscara de piloto de caça. -Enche a bola. -Mas eu não sei encher bola. –Tenta. Acordei com um sono que durou uns dois dias.

Aquele incômodo se foi e uma dor apareceu no lugar, mas foi embora com o tempo. Um pacote de bombons do meu lado. –Tio Xavier que te deu. Não podia comer nenhum. Lembro de tomar banho nos braços da mãe e do pai e de quando ela trocava aquele curativo tão grande que eu dizia nem precisar usar cueca.

Eu lembrei dessa agonia no baixo ventre, na dor de levantar peso. Do grito que ainda deve ecoar no consultório quando o médico puxou todos os pontos de uma vez. A cicatriz ficou escondida para virar homem, mas na terceira cirurgia de hérnia do meu pai eu lembro que já fiz uma também.

Então vamos parar com essa história de fazer academia e continhar com as caminhadas que é muito mais aconselhável!

segunda-feira, setembro 03, 2007

"Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas"

Teoricamente, fui otário. Quantas vezes não ouvi "coloca o óculos dentro da bolsa, tenta fazer o exame sem, se não der certo, aí tu vai e coloca"?!

Mas esqueci. Na verdade, como as coisas geralmente são, só lembrei depois. Pior ainda, bem na hora. Só faltei olhar pro médico - por mais que ele nem tenha olhado pra mim - e dizer: "Doutor, posso fazer sem óculos?".

É claro que não ia dar. Com ele, até alguns pontos finais no Word ficam imperceptíveis. Sem, é melhor nem sair de casa.

Então, por quê?! Pra que fazer questão de burlar o único exame físico para se sentir por cima?! Pensando bem, "Uso obrigatório de óculos ou lentes corretivas" devia vir estampado da capa de todas as minhas revistas ao copo com leite.

Sim, um dia desses, o derramei inteiro no chão porque não vi direito. E é por isso, que, a partir de ontem, eu nunca mais faço retorno no posto!

domingo, agosto 12, 2007

O sol vai já se pôr. Ainda não tomei banho. Não quero, mas preciso.

Passaram tantos meses, e tudo ia, de fato, feito um piloto automático. Não aquele mal: se eu o liguei, foi para apreciar a paisagem.

As autenticações eletrônicas nos papéis que têm números depois do R$, outros guardados para o futuro se acumulando para anti desengordurante, as disciplinas indo embora e mais alguns certificados chegando. Tudo como planejado.

Aos sábados, macarrão e cinema. Aos domingos, tarde longa de pés, lençol, chocolate e desejo da outra sexta.

Não essa. Já são mais de 17 horas e eu ainda não tomei um banho para tirar o teu cheiro, tão forte, de hospital. Amanhã, sem ter nem pra quê, vou pentear os cabelos e usar calculadora.

quarta-feira, agosto 08, 2007



Dezessete vira sete. Eu sorrio porque é da noite. A vontade que dá é de ir para casa. Quanto custa? Não importa: eu iria. Uma falta de ingresso, uma hora perdida, pouca ou nenhuma gasolina: nada se compara com isso. Porque casa é uma lembrança que não posso alcançar com as pernas nem com tudo o que tiver na carteira.

Resta então decidir em qual corredor caminhar agora, comemorar (?!) que o atraso seja só por mais 2 horas. Vão ser mais de 24, ao final, todas elas, entre desconhecidos. Sabe aquele vizinho que você não lembra o nome ou aquela menina que na terceira série sentava na primeira ou sexta fila, você não lembra ao certo?! Quem me dera que estivessem aqui!

Onde não há qualquer coincidência, referência, ponto em comum. Não que eu não fale, mas a história é a mesma: "Vim de Fortaleza. Conexão em Natal. Aqui no Rio era só escala, mas mandaram descer e cancelaram o vôo. Cheguei 22h30". "Sim, eu sou cearense, é que o nosso sotaque não é como a Globo pensa".

"Tô indo pra Curitiba, coisa de trabalho". "Deve tá frio mesmo, mas tô levando casaco!". "Pois é, pra gente julho é tão quente quando janeiro, tanto faz". "Dormi no hotel, teria o dia livre, mas vim tentar remarcar o vôo... não deu certo, então o jeito é esperar, né?" "Prazer, você também".

Pelo menos veio comida quando eu já confundia Lan Chile com lanchinho. Riem. Dizem de onde são. Há quantas horas, para onde vão. E, no chão de frente do painel que mais uma vez anuncia "Cancelado", acabo lembrando, tão forte, como sou brasileiro. Totalmente perdido entre tantos sotaques, todos, desesperados.

(E neste esquecível 24 de julho, chorei no Galeão. Nunca pensei que Curitiba fosse tão longe, 36 horas, e que minha casa fosse tão boa)

terça-feira, julho 31, 2007

Quando está a três graus, corrijo-me, MENOS três graus, um fortalezense como eu, criado entre as fozes dos rios Ceará e Cocó, num embolado de ruas, morros, mar e sol, corre feito um doido. Vai logo, bate uma foto, dá uns pulinhos de felicidade e, logo em seguida, sente os ossos doerem. Pensa até que vão quebrar.

Daí torce que a roupa tivesse mais uns 10 metros de espessura, lembra que ficava só de bermuda e, mesmo tendo viajado tantos quilômetros com uma tremenda vontade de pegar esse tal de inverno, só deseja a hora, a bendita hora, de voltar; matar saudades, dela e da praia. É aí que Pinto Martins, mais uma vez, é nome santo.
Bem vindos a Fortaleza.

Sobrevivi àquela noite. E, pelo que parece ser, a mais 30! Por enquanto. É que ao contrário de "Olhos Famintos 2", que eu só continuei vendo para rir e imaginar a cara das pessoas apostando que era uma grande história, existem bons filmes. Um deles eu nem lembro o nome, só de uma cena. O menininho na maca, barulhos, movimento, e daí só o céu.

Era tudo branco. Bem branco. Somente branco. Daí, legendas: "-Vovô?! É você?" Era. Conversou um pouco, mas daí os tais barulhos saíram de uma constante, voltando a pulsos, voltando a imagem para a maca, voltando o sorriso dos pais.

Fiquei impressionado. Não fazia mais de um ano que aos cinco vi um balão de oxigênio desfazer meus sentidos para acordar sem poder usar as pernas, com um saco de bombons e essa cicatriz que até hoje guardo.

Tive medo de ir lá. Não por encontrar o vovô. Mas porque, pensando bem, branco com branco, deve ser um saco. Essa tal eternidade, que perguntei pra minha mãe quanto tempo durava. "Pra sempre". Como assim, pra sempre?

Devia ser um saco essa tal eternidade! No começo, beleza, não dá para morrer, onisciência total, oi vovô, oi vovó. Mas depois bem que ia ficar meio chato. Esse tal de pra sempre... ...E ainda mais sem cores!

Daí eu respirei. Fiquei com um pouco mais de medo do balão. Mas sempre que vôo, imagino um pouco como poderá ser lá: agua em sua forma gasosa, atmosfera rala. Maldita ponta de asa, que insiste em existir!

sábado, junho 30, 2007

"Fool enough to almost be it
Cool enough to not quite see it
Doomed
Pick your pockets full of sorrow
And run away with me tomorrow
June "


É como todo rito de passagem. Preciso morrer um pouco.

Aconteceu na quinta. Experimentei o que deve ter sido o último minikalzone dos tempos que saía do IDER nas carreiras, Pici ou 55, para ir na pós na Unifor. Aulas que do meu mundo só eu vi, só eu passei. Palmito. Maravilhoso palmito. Suco de... goiaba. Cantinho de
parede, guardanapo.

Depois de dias, já hoje, olhei pelo vidro para toda a longa Pontes Vieira. É ali que vou voltar a caminhar, todos os dias, sabia? Mas se será mesmo "todos", não sei. Pode ser que mude. Pode ser que tenhamos novidades e, claro, pode ser que tudo fique exatamente igual.

É esse tal de mês de junho. Que desde o primeiro dia eu penso "só faltam 30". E agora, já quase no fim, parece que se prende a toda hora. Então eu venho aqui e agradeço. Se você faz parte da minha vida, de perto ou mesmo nem sabendo como, obrigado.

Sei que nada disso é muito lido, e que ninguém comenta mesmo, mas sei que estou vivo. Se eu passar dessa noite, é que sou mesmo forte. Olha lá, meia-noite, só mais algumas horas para os 23.

sexta-feira, junho 29, 2007

Como tudo é amplo, belo, feliz...

E sou pegue pela realidade. Pegue pelo tornozelo, levado à lona, com suor de um dia inteiro e ainda insistia em alguma verdade. O relógio que indica que a hora vai chegando, a censura, a pilha de roupas, de livros, de linhas, nos poucos segundos de vida entre já dormir e já levantar.

...e assim eu penso sobre o que há muito não pensava, o sentido dessa tal existência, como gosto, como amo...

Busca pelo sentido exato de cada palavra. Não quis dizer isso. Meu tom é meu. Ok.. Concordo. Aceito. Faço mais rápido. Dois ou mais parágrafos, mais vinte minutos, menos tantos centavos. Pouco importo.

Mas do que eu falava mesmo? Que bela história viria trazendo o tal sorriso?

Pegue pelo tornozelo. Ao chão.

quinta-feira, junho 21, 2007



"La bombe humaine
tu la tiens dans ta main
Tu as l'détonateur
Juste a cote du cœur
Faudrait pas quej'me laisse aller"

Medo.
Coragem.
Carbono.
Quatro anos é quando já sabe "teimar". Você diz: "precisamos conversar". Recebe uma carreira. Você clama: "não é assim que se faz". Ganha uma certa indiferença.

Ai vai, balança a mão com um jeitinho suficiente pra chamar a atenção de um jato a 2000 por hora, dizendo bem articulado: "Tchau tô in-do em-bo-ra, tu-do bem?". Nada. Vai fechando a porta fazendo o máximo de zuada. Nada.

Daí que pegar minha chinela depois do banho é uma dúvida tão séria quanto, lógico, eu dou esse pedaço de chocolate, ai eu sei que a coisa tá complicada. Mas são os quatro anos, fazer o quê?!

Sabia que quatro, na Córeia, é tido como coisa de azar?! Pois é, mas o jeito é esperar certinho chegar aos cinco. Até lá, quem sabe, eu ponho dos eixos. Caminho lado-a-lado, consigo ver um filme direito... ...vai ver que assim eu ganho tchau na hora de ir embora.

quinta-feira, junho 14, 2007




Mudo. Mudamos. Algumas vezes em cima do muro.
Feito como temos as tais conversas humanistas entre os oito maravilhosos ingredientes adicionados ao fetuccine. Logo após, sorvete. Da Mc Donald's.

Dia seguinte, reconheço na conhecida as roupas e cores de quem decidiu ser "mulher da vida". Saia curta, maquiada logo de manhã, pernas ainda com pêlos, deixando tão claro que é das que leva porrada para levar um pouco de comida para casa. Cansada de catar, mas ainda com vontade de ir lá na Sé traçar planos pra melhorar a vida.

Ela me olha com constrangimento, eu sinto as dores do mundo. E sim, vou na Sé, não para rezar. Mas meu coração ateu quase acredita nesses tais sonhos. Ações humanistas. Defino metas para os dias seguintes e vou no banco para mais notas.

Nada a partir daí importa. Só interessa quando fecha a porta e aproveito o que mais humano tem na gente, que não depende sequer de nada, só nós dois, se quiser, nem das roupas. E, no final das contas, a única coisa que amasso são abóboras, enquanto penso em tudo isso.

quarta-feira, maio 30, 2007



O mais difícil é a volta. Já sabendo melhor o caminho, acelero um pouco mais, uso muito a sinaleira e quando vou pensando em ficar cansado, chegamos. De cara, quer dizer, bem no meio dela, é o nariz que nota a diferença do ar. Mais cinza, menos leve.


Há tantas pessoas nas ruas, as árvores, de absolutas, viram exceção. Quando tem água, vem entre concreto, e fede. Fede feito o asfalto, fede feito as pessoas no ônibus, fede feito a comida do self-service que, aposto, tem um monstro do outro lado.

Lá é diferente. Imagino um alguém com aquele chapéu bem bonito, branquinho, preparando aquela bolonhesa maravilhosa como quem passou o dia inteiro esperando o momento de me servir. A estrada, quando tem tinta sobre piso cinza, tem também laterais verdes e vivas. E mesmo que não queira, o dia começa cedo, então abro o zíper e lá está, o riacho, a poucos metros do travesseiro.

Mas como eu disse, o difícil é voltar. Descarrego as fotos, guardo as roupas que ficaram limpas, penso em uma ou outra frase. Conto quanto sobrou. Dia seguinte, seria vez de acordar cedo. Mas é difícil.

Eu preciso voltar.

quinta-feira, maio 24, 2007

A foto acima, rara, foi batida em 1955, por um fotógrafo que desconheço. Mostra a construção da Igreja de Fátima, no então bairro Redenção, atualmente chamado Bairro de Fátima, em Fortaleza (CE). A obra foi iniciada em 1951, após a visita de uma imagem de Nossa Senhora, vinda de Fátima (Portugal).

Pergentino Maia, que hoje é só o nome da rua onde fui assaltado um dia desses, doou a área para a construção da Igreja e da praça Pio XII. Vendeu todo o resto para as famílias mais abastadas que sonhavam em morar perto de onde se tornaria a principal Igreja católica da cidade, com procissões que superam as realizadas na Sé. Não sei onde gastou o dinheiro.

Os adultos daquela época, hoje, são alguns idosos que resistem em belas casas, especialmente entre a Avenida 13 de Maio (antiga pista de corridas de cavalo) e a Av. Borges Melo, que ligava a Base Aérea à "Estrada do Leite", hoje conhecida por Av. Gomes de Matos. Belas casas, com várias colunas, varandas e amplos quartos.

Cada vez mais raras. Dia após dia, dão lugar a farmácias, bancos e academias. Duas delas tombaram há dois meses. No seu lugar, um grande centro comercial vai ser inaugurado. A propaganda é ufanista: "Bem Vindos ao Futuro".

(Tenho esta foto em um CD, em alta-resolução. Daqui a uns 50 anos vejo o que fazer com ela)

Vez por outra vou lá. De um lado, onde se corria, na época em que educação física era chamada "recreação". Via sacos girarem, folhas e os padres com seus carros. Do outro, as quermesses da adolescência, quando já não quis ir.

Pois aí em cima - alguns anos depois da foto, claro - aprendi o gosto da hóstia, o cheiro da cinza, como se diz adeus às almas e perdi a fé. Entre frases pré-ensaiadas "aceito, aceito, aceito", sem saber a pergunta, decidi que o ruim não é acreditar na falta de lógica, é ser rebanho.

Mas não a deixei para trás. Vez por outra, desço um pouco antes do ponto de ônibus, e fico ali a olhar. Vejo uma empresa lucrativa, vejo as lembranças, vejo um bairro que amo crescendo ao redor.

Vez por outra.

quinta-feira, maio 10, 2007

Fecho os olhos.

A barra de ferro me segura. As pessoas ao lado, também. Esqueço o perigo, o dia, fome, texto. São uns 20, 25 minutos.

Três ou quatro itens na folha da agenda. Só consegui um ou dois. Digo estar doente, devo estar. Vejo a hora ir embora, amanhã faço melhor.

Amanhã acordo mais cedo. Mas não durmo. Abro os olhos. Acendo a luz. Até quando?! Esqueço a hora, viro a página, a figura perde a graça. O avião enfada. A música dói na cabeça. Escovo os dentes.

Nem sou daqueles que só sai de noite, nem sou daqueles que preza pela hora que acorda. Seguro na barra de ferro. Fecho os olhos e aguardo. O final de semana, o final do mês, o final do ano. O pouso, se é que um dia terei.

Caio de lado na curva, passo o cartão e sorrio para a licença. Dou um jeito no fone de ouvido e espero o dia seguinte. E aqui, nestas linhas, a música que seria tão linda não tem letra, é só uma melodia.

quarta-feira, maio 02, 2007

Desculpa, desculpa mesmo, Mariana.

É sério: eu até tentei. Acordei cedo, peguei informação cedinho, passei o dia na espera, mesmo que não falasse. Bem que você poderia ter facilitado para mim, não é?

Porque do meu final de semana que começa sábado meio-dia até domingo de noite eu estava a postos, mas ninguém esperava (por mais que agora digam quem tinham certeza) que fosse logo na hora que se dorme já de olho nas feiras. Aliás, você chegou já era segunda, e nem teu quarto tava arrumado ainda.

Certo, terça foi feriado. Mas você acredita que bloquearam minha conta e hoje eu fiquei até sem almoçar só para poder deixar tudo direito?! Que falta de sorte! Tive ontem a noite inteira pra ir te ver, mas sem um realzinho para gasolina não deu certo.

Tá, tudo bem, eu confesso: também tinha que adiantar trabalho para o dia seguinte. Porque no dia seguinte, ocupado desde ter sono até ter sono de novo, já não seria suficiente para cumprir o que se precisava. Mas eu garanto que entre uma parada ou outra do ônibus, no arquivo carregando ou na hora do copo d'água eu pensei em você.

Sábado dá certo. Só me perdoa que três dias pareçam ser a vida inteira para quem nasceu nesta semana. Mas a vida é assim, ah, você vai ver.